Análise de solo

Análise de solo

(Parte 1 de 2)

  1. Análise de solo

Após a coleta e envio das amostras de solo ao laboratório, as mesmas são analisadas de acordo com as tabelas e observações a seguir. Nas tabelas (1.1 e 1.2) estão listadas as análises, os métodos (extratores) utilizados em cada análise e a unidade em que deve ser expresso o resultado de cada análise.

Análise

Método

Unidade

pH em água

-----------

-----------

Carbono orgânico

Walkley & Black

C.O em dag/kg

Cálcio trocável

KCl 1 mol/L

Ca2+ em cmolc /dm3

Magnésio trocável

KCl 1 mol/L

M2+ em cmolc /dm3

Acidez trocável

KCl 1 mol/L

Al3+ em cmolc /dm3

Soma de bases

-----------

SB em cmolc /dm3

Acidez potencial

Ca(OAc)2 0,5 mol/L, pH 7

H + Al em cmolc /dm3

Capacidade Efetiva de Troca de Cátios (t)

-----------

t em cmolc /dm3

Capacidade de Troca de Cátios a pH 7(T)

-----------

T em cmolc /dm3

Saturação por alumínio

-----------

m em %

Saturação por bases

-----------

V em %

Fósforo disponível

Mehlich – l

P, em mg/dm3

Fósforo remanescente

Método do P em solução de equilíbrio

P-rem em, mg/L

Potássio disponível

Mehlich – l

K em mg/dm3

Tabela 1.1: análises fundamentais

Observações sobre as análises fundamentais

Soma de bases (SB) = Ca2+ + Mg2+ + K+ + Na+

CTC efetiva (t) = SB + Al3+

CTC pH 7 (T) = SB + (H + Al)

Saturação por alumínio (m) = 100 Al3+/t

Saturação por bases (V) = 100 SB/T

Para determinações de pH em água usar 10 cm3 TFSA mais 25mL H2O.

O carbono de compostos orgânicos de amostra de 0,5 g de TFSA triturada em almofariz é oxidado pelo Cr2O72+.

A extração de Ca2+, + Mg2+ e Al3+ é feita com KCl 1 mol/L na relação 10 cm3 TFSA: 100 mL extrator, 5 min de agitação e decantação durante o pernoite (16h)

A extração de H + Al é realizada com Ca(OAc)2 0,5 mol/L, pH 7, na relação

5 cm3 TFSA: 75 mL extrator, 10 min de agitação e decantação por 16 h.

H + Al, também pode ser estimado por meio de determinação de pH em solução tampão SMP.

P, K disponíveis e Na (quando necessário) são determinados usando, como extrator Mehlich – l (HCl 0,05 mol/L + H2SO4 0,0125 mol/L, na relação 10 cm3 TFSA: 100 mL extrator, 5 min de agitação e decantação por 16 h.

Para transformar mg/dm3 em cmolc/dm3 de K+, dividir o valor em mg/dm3 por 391.

Para transformar mg/dm3 de Na em cmolc/dm3 de Na+, dividir o valor em mg/dm3 por 230.

Fósforo remanescente é a concentração de P da solução de equilíbrio, após agitar, durante 1 h, 5 cm3 TFSA com 50 mL de solução de CaCl2 10mmol/L, contendo 60 mg/L de P3/.

TABELA 1.2: ANÁLISES FACULTATIVAS

Análise

Método

Unidade

Enxofre disponível

Hoeft et al.

S, em mg/dm3

Zinco disponível

Mehlich – l

Zn, em mg/dm3

Manganês disponível

Mehlich – l

Mn, em mg/dm3

Ferro disponível

Mehlich – l

Fe, em mg/dm3

Cobre disponível

Mehlich – l

Cu, em mg/dm3

Boro disponível

Água quente

B, em mg/dm3

Observações sobre análises facultativas:

A extração de enxofre disponível é feita com Ca(H2PO4)2, 500mg/L de fósforo, em HOAc 2mol/L (Hoeft ET AL., 1979, citado por LOPES e ALVARES.V, 1999). A 10cm3 TFSA adicionar 0,5 f de carvão ativado e 25 mL de extrator. Agitar 45 minutos, decantar 5 minutos e filtrar em papel de filtração lenta.

A extração de zinco, manganês, ferro e cobre disponíveis é feita em conjunto com fósforo e potássio disponíveis com extrator Mehlich – l.

A extração de boro disponível é feita com água deionizada adicionando a 10 cm3 TFSA, acondicionados em saco grosso de polietileno com 0,4g de carvão ativado, 20 mL de água e aquecendo por 4 minutos a 630 W ou por 5 minutos a 450 W de emissão de ondas em forno microondas (ABREU et al., citado por LOPES e ALVARES.V 1999)

ANÁLISES FÍSICAS DE SOLO

DETERMINAÇÃO GRANULOMÉTRICA DO SOLO

O ensaio de análise granulométrica do solo está normalizado pela ABNT/NBR 7181/82. A distribuição granulométrica dos materiais granulares, areias e pedregulhos, será obtida pelo processo de peneiramento de uma amostra de solo, enquanto que, para siltes e argilas se utiliza o processo de sedimentação. Para solos, que tem partículas tanto na fração grossa quanto na fração fina se torna necessário à análise granulométrica conjunta.

DETERMINAÇÃO DA DENSIDADE DO SOLO

Densidade real do solo:

Refere-se ao volume de sólidos de uma amostra de terra, sem considerar a porosidade.

É a relação entre a massa de uma amostra de solo e o volume ocupado pelas partículas sólidas (excluindo os espaços vazios).

Dr = Ms / Vs = g/cm3

Densidade aparente do solo:

É a relação existente entre a massa de uma porção do solo (Ms) e o volume total deste solo (Vt), considerando o volume de poros no solo.

Dap = Ms/ Vt = g. cm-3

2. ANÁLISE QUIMICA DE TECIDO VEGETAL

Após a coleta das amostras de tecido vegetal que deve variar de acordo com a cultura e correto processamento das amostras o material vegetal seco é submetido à moagem e mineralizado por via seca em mufla a 450º C, ou por digestão ácida. Os nutrientes são dosados nos extratos obtidos por colorimetria ou absorção atômica. No caso de análise de seiva a mineralização pode ser dispensada, fazendo-se apenas as diluições adequadas e dosando-se os nutrientes com eletrodos seletivos, cromatografia iônica, colorimetria ou absorção atômica.

Obs: É necessário que o laboratório seja confiável e que os laboratórios de uma determinada região ou país padronizem os métodos de análise, evitando, então, variações nos resultados.

Padrões de referência ou normas

Esses padrões podem ser obtidos de populações de plantas da mesma espécie e variedade altamente produtivas, ou de ensaios em condições controladas. É importante estar atento para as condições em que foram obtidas as normas, tendo em mente que fatores como clima, face de exposição, tipo de solo, disponibilidade de água e nutrientes no solo, interação entre nutrientes no solo e na planta, idade da cultura, porta-enxertos, produção pendente, volume e eficiência do sistema radicular, declividade do terreno, cultivo prévio, ataque de pragas e doenças, uso de defensivos ou adubos foliares e práticas de manejo influenciam a composição mineral dos tecidos vegetais.

Na falta de padrões adequados, podem ser criados padrões para uma situação particular, empregando plantas que em dada situação edafoclimática e de manejo estejam produzindo bem.

  1. INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DAS ANÁLISES

3.1 ANÁLISE QUÍMICA DE SOLOS

Os critério a serem utilizados para interpretação dos resultados de análises de solos emitidos pelos laboratórios integrados ao PROFERT – MG, da comissão de Fertilidade do Solo do Estado de Minas Gerais, são apresentados nas tabelas 3.1, 3.2, 3.3, 3.4, 3.5. Apesar de serem gerais, sem levar em consideração o tipo de solo, o clima, a cultura, o manejo, a utilização destes critérios permite diferenciar glebas ou talhões com diferentes probabilidades de resposta ao tratamento a ser usado.

As culturas, e mesmo os cultivares, variam muito na sua capacidade de tolerância ou sensibilidade à acidez ativa, à acidez trocável, saturação por bases, saturação por alumínio e disponibilidade de nutrientes. Dessa forma, as classes de fertilidade devem ser interpretadas, considerando as exigências específicas a cada empreendimento agrícola, pecuário ou florestal.

Tabela 3.1: Classes de interpretação para acidez ativa do solo (pH)*

Classificação química

Ac. Muito

elevada

Ac. Elevada

Ac. Média

Ac. Fraca

Neutra

Alcalinidade

Fraca

Alcalinidade

elevada

< 4,5

4,5 - 5,0

5,1 - 6,0

6,1- 6,9

7,0

7,1 - 7,8

> 7,8

Classificação agronômica**

Muito baixo

Baixo

Bom

Alto

Muito alto

< 4,5

4,5- - 5,4

5,5- 6,0

6,1 - 7,0

> 7,0

* pH em água, relação 1:2,5, TFSA: água.

** A classificação utilizada indica a acidez adequada (bom) ou acidez inadequada (muito baixo, baixo, alto e muito alto)

Tabela 3.2: Classes de interpretação de fertilidade de solo para a matéria orgânica e para complexo de troca catiônica

Característica

Unidade

Classificação

Muito

baixo

Baixo

Médio*

Bom

Muito Bom

Carbono orgânico (C.O.)

dag/kg

≤ 0,40

0,41 - 1,16

1,17 - 2,32

2,33 - 4,06

> 4,06

Matéria orgânica (M.O.)

dag/kg

≤ 0,70

0,71 - 2,00

2,01 - 4,00

4,01 - 7,00

> 7,00

Cálcio Trocável (Ca2+)

cmolc/dm3

≤ 0,40

0,41 - 1,20

1,21 - 2,40

2.41 - 4,00

> 4,00

Magnésio trocável Mg2+)

cmolc/dm3

≤ 0,15

0,16 - 0,45

0,46 - 0,90

0,91 - 1,50

> 1,50

Acidez trocável (Al3+)

cmolc/dm3

≤ 0,20

0,21 - 0,50

0,51 - 1,00

1,01 - 2,00

> 2,00**

Soma de bases (SB)

cmolc/dm3

≤ 0,60

0,61 - 1,80

1,81 - 3,60

3,61 - 6,00

> 6,00

Acidez potencial (H + Al)

cmolc/dm3

≤ 1,00

1,01 - 2,50

2,51 - 5,00

5,01 - 9,00

> 9,00**

CTC efetiva (t)

cmolc/dm3

≤ 0,80

0,81 - 2,30

2,31 - 4,60

4,61 - 8,00

> 8,00

CTC pH 7 (T)

cmolc/dm3

≤ 1,60

1,61 - 4,30

4,31- 8,60

8,61 - 15,0

>15,0

Saturação por Al3+

%

≤ 15,0

15,1 - 30,0

30,1 - 50,0

50,1 - 75,0

>75,0**

Saturação por bases (V)

%

≤ 20,0

20,1 - 40,0

40,1 - 60,0

60,1 - 80,0

> 80,0

* O limite superior dessa classe indica o nível crítico

** Para essas classes a interpretação dessas características deve ser alta e muito alta em lugar de bom e muito bom.

Para avaliar acidez do solo, são considerados as acidez ativa (Tabela 3.1), acidez trocável, a saturação por alumínio e por bases, a capacidade tampão estimada por meio da acidez potencial e o teor de matéria orgânica (tabela 3.2) . A acidez do solo também se relaciona com a disponibilidade de cálcio e magnésio (Tabela 3.2), de manganês e de outros macronutrientes (Tabela 3.5).

A disponibilidade de potássio e do fósforo (Tabela 3.3) varia de acordo com a dinâmica das fontes destes nutrientes quando adicionados ao solo. Como para a maioria dos solos de Minas Gerais o efeito da capacidade tampão para potássio não influencia a extração pelo método Mehlich - I, e nem a absorção das plantas, apresenta-se uma única classificação para esse nutriente. A capacidade tampão de fosfatos do solo, ao contrário, tem grande influência na eficiência de extração do fósforo disponível pelo método Mehlich-1 e na absorção pelas plantas. Por isso, na interpretação da disponibilidade de fósforo, devem ser utilizadas medidas relacionadas com a capacidade tampão, como o teor de argila ou o valor de fósforo remanescente dos solos (Tabela 3.3).

Tabela 3.3: Classes de interpretação de disponibilidade de fósforo de acordo com o teor de argila do solo ou do valor de fósforo remanescente (P-rem) e para potássio.

Característica

Classificação

Muito baixo

Baixo

Médio

Bom

Muito Bom

-----------------------------------------(mg/dm³)----------------------------------------

Argila (%) Fósforo disponível (P)

60 - 100

≤ 2,7

2,8 - 5,4

5,5 - 8,0*

8,1 - 12,0

> 12,0

35 - 60

≤ 4,0

4,1 - 8,0

8,1 - 12,0

12,1 - 18,0

> 18,0

15 - 35

≤ 6,6

6,7 - 12,0

12,1 - 20,0

20,1 - 30,0

> 30,0

0 - 15

≤ 10,0

10,1 - 20,0

20,1 - 30,0

30,1 - 45,0

> 45,0

P-rem (mg/L)

0 - 4

≤ 3,0

3,1 - 4,3

4,4 - 6,0*

6,1 - 9,0

> 9,0

4 - 10

≤ 4,0

4,1 - 6,0

6,1 - 8,3

8,4 - 12,5

> 12,5

10 - 19

≤ 6,0

6,1 - 8,3

8,4 - 11,4

11,5 - 17,5

> 17,5

19 - 30

≤ 8,0

8,1 - 11,4

11,5 - 15,8

15,9 - 24,0

> 24,0

30 - 44

≤ 11,0

11,1 - 15,8

15,9 - 21,8

21,9 - 33,0

> 33,0

44 - 60

≤ 15, 0

15,1 - 21,8

21,9 - 30,0

30,1 - 45,0

> 24,0

Potássio disponível

≤ 15

16 - 40

41 - 70**

71 - 120

> 120

* Nesta classe apresenta-se os níveis críticos de acordo com o teor de argila e com o valor do P-rem.

** O limite superior desta classe indica o nível crítico

Em relação à implantação e recomendação de fósforo, é necessário lembrar que as classes de fertilidade, de caráter geral, apresentadas de acordo com o teor de argila ou com o valor de fósforo remanescente, são definidas para amostras que representem a fertilidade média para culturas de ciclo curto, considerando todo seu ciclo vital. Considerando unicamente a fase de implantação, a fertilidade local do solo (lugar de transplantio ou semeadura) deve ser bem maior, assim, os valores apresentados na tabela 3.3 devem ser pelo menos cinco vezes maiores. Também a fertilidade média da gleba ou talhão, necessária para a manutenção, deve ser variável de acordo com os grupos de cultura: povoamentos florestais, 0,5 vezes os valores apresentados na tabela 3.3; outras culturas perenes, 0,75 vezes; hortaliças, 4 vezes.

Por outro lado, para o potássio, as classes de fertilidade para manutenção continuam as mesmas (Tabela 3.3) ou podem ser maiores de acordo com as exigências das culturas e da potencialidade produtiva das lavouras.

De forma semelhante, mas com menor intensidade, o teor de enxofre disponível determinado por extração com fosfato monocálcico em ácido acético (Hoeft et al., 1973)é influenciado pela capacidade tampão de sulfatos dos solos. Para interpretação generalizada de enxofre disponível, para amostras compostas

que medem a fertilidade média de camada(s) subsuperficial(is)e para culturas de ciclo curto são apresentadas classes de fertilidade do solo de acordo com a concentração de fósforo remanescente (tabela 3.4).

Tabela 3.4: Classes de interpretação de disponibilidade de enxofre de acordo com o valor de fósforo remanescente (P-rem)

P-rem

Classificação

Muito baixo

Baixo

Médio*

Bom

Muito Bom

mg/L -----------------------------------------(mg/dm³)-------------------------------------------

Enxofre disponível

0 - 4

≤ 1,7

1,8 - 2,5

2,6 - 3,6

3,7 - 5,4

> 5,4

4 - 10

≤ 2,4

2,5 - 3,6

3,7 - 5,0

5,1 - 7,5

> 7,5

10 - 19

≤ 3,3

3,4 - 5,0

5,1 - 6,9

7,0 - 10,3

> 10,3

19 - 30

≤ 4,6

4,7 - 6,9

7,0 - 9,4

9,5 - 14,2

> 14,2

30 - 44

≤ 6,4

6,5 - 9,4

9,5 - 13,0

13,1 - 19,6

> 19,6

44 - 60

≤ 8,9

9,0 - 13,0

13,1 - 18,0

18,1 - 27,0

> 27,0

* Esta classe indica os níveis críticos de acordo com valor de fósforo remanescente.

Para a fase de implantação é necessário que a fertilidade do solo para transplantio ou semeadura seja maior. Assim, os teores de nutrientes devem ser maiores do que aqueles apresentados na tabela 3.4 em pelo menos três vezes. Por outro lado, a fertilidade média para manutenção de povoamentos florestais deve ser 0,6 vezes os valores apresentados na tabela 3.4; para outras culturas perenes, 0,8 vezes; para hortaliças, 2 vezes.

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