Sistema de avaliação da aptidao agricola das terras

Sistema de avaliação da aptidao agricola das terras

A avaliação da aptidão agrícola consiste, em síntese, na interpretação das qualidades do ecossistema por meio da estimativa das limitações das terras para uso agrícola e das possibilidades de correção ou redução dessas limitações, de acordo com diferentes níveis de manejo.

Fato inovador em relação a sistemas anteriores, a adoção de diferentes níveis de manejo procura atender às condições de países menos desenvolvidos como o Brasil, num reconhecimento da distinta importância dos problemas de solos de acordo com as condições socioeconômicas do agricultor e da região.

2.1 Níveis de Manejo

Tendo em vista práticas agrícolas ao alcance da maioria dos agricultores, são considerados três níveisdemanejo,visandoadiagnosticarocomportamento das terras em diferentes níveis tecnológicos (quadro 1). Sua indicação é feita através das letras A, B e C, as quais podem aparecer na simbologia da classificação escrita de diferentes formas, segundo as classes de aptidão que apresentem as terras, em cada um dos níveis adotados.

De forma a contemplar diferentes possibilidades de utilização das terras, em função dos níveis de manejo adotados, o comportamento das terras é avaliado para lavouras nos níveis de manejo A, B e C,parapastagemplantadaesilviculturanonívelde manejo B e para pastagem natural no nível de manejo A.

Para permitir a representação desses diferentes tipos de uso, conforme os níveis de manejo, o sistema de classificação é estruturado em grupos, subgrupos e classes de aptidão (Ramalho Filho et al, 1983; 1995).

2.2 Categorias do Sistema 2.2.1 Grupos de Aptidão Agrícola

O grupo de aptidão agrícola identifica o tipo de utilização mais intensivo das terras, ou seja, sua melhor aptidão. São reconhecidos seis grupos, representados pelos algarismos de 1 a 6, em escala decrescente, segundo as possibilidades de utilização das terras. Os grupos de aptidão 1, 2 e 3 indicam as terras mais adequadas para lavouras, além de representar, no subgrupo, as melhores classes

AptidãoAgrícoladasTerrasdoEstadodoRiodeJaneiro de aptidão conforme os níveis de manejo. Os grupos 4,5e6 apenas identificam os tipos de utilização: respectivamente, pastagem plantada, silviculturae/oupastagemnaturalepreservaçãodaflorae da fauna, independentemente da classe de aptidão.

Aslimitaçõesqueafetamosdiversostiposdeutilização aumentam do grupo 1 para o grupo 6, diminuindo, conseqüentemente, as alternativas de uso e a intensidade com que as terras podem ser utilizadas, conforme demonstra o quadro 2.

2.2.2 Subgrupos de Aptidão Agrícola

A categoria de subgrupo é adotada para atender àsvariações que severificam dentro dogrupo.

Representam, em cada grupo, o conjunto das classes de aptidão para cada nível de manejo, indicando o tipo de utilização da terra. Em certos casos, o subgrupo refere-se somente a um nível de manejo, relacionado a uma única classe de aptidão agrícola.

2.2.3 Classes de Aptidão Agrícola

Asclassesexpressamaaptidãoagrícoladasterras para um determinado tipo de utilização (lavouras, pastagem plantada, silvicultura e pastagem natural),comrelaçãoaumdostrêsníveisdemanejo considerados. Refletem o grau de intensidade com que as limitações afetam as terras.

Aptidão Agrícola das Terras do Estado do Rio de Janeiro

Quadro 1 – Níveis de manejo considerados.

Nível deManejo Características

Baseado em práticas agrícolas que refletem um baixo nível tecnológico; praticamente não há aplicação de capital para manejo, melhoramento e conservação das condições das terras e das lavouras; as práticas agrícolas dependem do trabalho braçal, podendo ser utilizada alguma tração animal com implementos agrícolas simples.

Baseado em práticas agrícolas que refletem um nível tecnológico médio; caracteriza-se pela modesta aplicação de capital e de resultados de pesquisas para manejo, melhoramento e conservação das condições das terras e das lavouras; as práticas agrícolas estão condicionadas principalmente à tração animal.

Baseadoempráticasagrícolasquerefletemumaltoníveltecnológico;caracteriza-sepelaaplicaçãointensivadecapital e de resultados de pesquisas para manejo, melhoramento e conservação das condições das terras e das lavouras; a motomecanização está presente nas diversas fases da operação agrícola.

Quadro 2 – Alternativas de utilização das terras de acordo com os grupos de aptidão agrícola.

Grupo de Aptidão Agrícola

Aumento da Intensidade de Uso

Preservação de Flora e Fauna

Silvicultura e/ou

PastagemNatural Pastagem Plantada Lavouras

AptidãoRestrita AptidãoRegular Aptidão Boa

L i m i t a ç õ e s

2.2.3.1 Classe Boa

Terras sem limitações significativas para a produção sustentada de um determinado tipo de utilização, observando-se as condições do manejo considerado. Há um mínimo de restrições que não reduz, expressivamente, a produtividade ou os benefíciosenãoaumentaosinsumosacimadeumnível aceitável.

2.2.3.2 Classe Regular

Terras que apresentam limitações moderadas para a produção sustentada de um determinado tipo de utilização, observando-se as condições do manejo considerado. As limitações reduzem a produtividadeouosbenefícios,elevandoanecessidade de insumos de forma a aumentar as vantagens globais a serem obtidas do uso. Ainda que atrativas, essas vantagens são sensivelmente inferiores àquelas auferidas das terras de classe boa.

2.2.3.3 Classe Restrita

Terras que apresentam limitações fortes para a produção sustentada de um determinado tipo de utilização, observando-se as condições do manejo considerado. Essas limitações reduzem a produtividade ou os benefícios, ou então aumentam os insumos necessários, de tal maneira que os custos só seriam justificados marginalmente.

2.2.3.4 Classe Inapta

Terras não-adequadas para a produção sustentada de um determinado tipo de utilização.

2.3 Simbologia

A simbologia adotada tem como objetivo precípuo permitir a apresentação, em um só mapa, da classificação da aptidão agrícola das terras para diversos tipos de utilização, sob três níveis de manejo. Nessa representação são utilizados, em conjunto, números e letras.

Os algarismos de 1 a 6, como anteriormente mencionado, referem-se aos grupos de aptidão agrícola e indicam o tipo de utilização mais intensivo permitido, tal como apresentado no Quadro 3.

Asletrasqueacompanhamosalgarismossãoindicativas das classes de aptidão, de acordo com osníveisdemanejo,comoindicaçãodosdiferentes tipos de utilização. As letras A,BeC referem-se à lavoura,PàpastagemplantadaeNàpastagemnatural, e podem aparecer nos subgrupos em maiúsculas, minúsculas ou minúsculas entre parênteses, representando, respectivamente, a classe de aptidão boa, regular ou restrita para o tipo de utilização considerado(quadro4).Aocontráriodasdemais,a classe inapta não é representada por símbolos. Sua indicação é feita pela ausência das letras no

AptidãoAgrícoladasTerrasdoEstadodoRiodeJaneiro

Quadro 3 – Simbologia adotada.

Grupos Aptidão 1 a 3 Terras indicadas para lavouras. 4 Terras indicadas para pastagem plantada. 5 Terras indicadaspara silviculturae/ou pastagem natural. 6 Terras indicadas para preservação da flora e da fauna.

Quadro 4 – Simbologia correspondente às classes de aptidão agrícola das terras.

Classe de Aptidão Agrícola

Tipo de Utilização

Lavouras Pastagem Plantada Silvicultura Pastagem Natural

Nível de Manejo

Nível de Manejo B Nível de Manejo B Nível de Manejo A AB C

Boa A B C P S N Regular a b c p s n Restrita (a) (b) (c) (p) (s) (n) Inapta – – – – – – tipo de utilização considerado, o que indica, na simbolização do subgrupo, não haver aptidão agrícola para usos mais intensivos. Essa situação não exclui, necessariamente, o uso da terra com um tipo de utilização menos intensivo.

Dessa forma, a mensagem é sintetizada e apresentada em um único símbolo. Por exemplo, no subgrupo 1(a)bC, a letra minúscula entre parênteses (a) representa a classe de aptidão RESTRITA nonível demanejo A;aletra minúscula brepresenta a classe de aptidão REGULAR no nível de manejo B; e a letra maiúscula C representa a classe deaptidão BOA nonível demanejo C.Oalgarismo 1, representativo do grupo, indica, além da aptidão para lavoura, a classe de aptidão BOA em pelo menos umdostrês sistemas demanejo. Jáno subgrupo 4p, que pertence aogrupo deaptidão 4, aletra minúscula pindica terras com aptidão regular para pastagem plantada e inaptas para lavouras, devido àausência das letras A,BeC .A utilização com pastagem plantada é, portanto, a forma de utilização mais intensiva possível, oque não exclui, todavia, a possibilidade de exploração com usos menos intensivos, como silvicultura ou pastagem natural.

2.4 Convenções Adicionais

Além da simbologia da classificação referente aos grupos, subgrupos e classes de aptidão, de acordo com os níveis de manejo definidos, são adotadas convenções especiais para indicar, atravésdesuperposição,condiçõesparaoutraspossibilidades de utilização ou impedimentos a certos usos. É considerada também, para o caso de unidades de mapeamento formadas por associação de solos, a possibilidade de ocorrência de outros componentes, ainda que em menor proporção, com aptidão superior ou inferior à do dominante. O significado dos símbolos utilizados é apresentado no quadro 5.

Aptidão Agrícola das Terras do Estado do Rio de Janeiro

Quadro 5 – Convenções especiais.

SímbolosAdicionais Descrição

* Terras com aptidão para culturas especiais de ciclo longo.

** Terras com aptidão para dois cultivos por ano.

Traço contínuo sob o símbolo indica haver na associação, em menor proporção, terras com aptidão superior à representada.

Traço interrompido sob o símbolo indica haver na associação, em menor proporção, terras com aptidão inferior à representada.

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