Situação da fruticultura no Brasil

Situação da fruticultura no Brasil

(Parte 1 de 9)

Situação da fruticultura no Brasil

José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal

            OBrasil é o terceiro maior produtor mundial de frutas, com 42 milhões de toneladas produzidas de um total de 340 milhões de toneladas colhidas em todo o mundo, anualmente. Apesar deste lugar de destaque, o país está no 12º lugar nas exportações de frutas. Deste volume total de produção, acredita-se que as perdas no mercado interno possam chegar a 40%. Contribuem com estes números, o mau uso das técnicas de manejo do solo e da planta, falta de estrutura de armazenamento, logística, embalagens inadequadas e a própria desinformação do produtor.            Na América do Sul, o Chile e a Argentina são grandes produtores e exportadores de frutas frescas, ao ponto de ser um dos pilares da economia chilena, tradicional exportador de frutas de alta qualidade para o Brasil, Europa e EUA.            Pela diversidade de climas e solos, o Brasil apresenta condições ecológicas para produzir frutas de ótima qualidade e com uma variedade de espécies que passam pelas frutas tropicais, subtropicais; e temperadas. Apesar desde quadro favorável, ainda importamos volumes significativos de frutas frescas e industrializadas, como acontece como a pêra, ameixa, uva, quivi, maçã, entre outras.            Na Tabela 1 observa-se a área plantada com as principais frutíferas cultivadas no Brasil e no Rio Grande do Sul.

 

Tabela 1 - Área plantada das principais espécies frutíferas no Brasil e no Rio Grande do Sul, em hectares, no ano de 2006

ESPÉCIE

BRASIL

RS

Laranja

813.354

27.476

Banana

511.181

11.344

Coco

294.161

-

Manga

78.484

141

Uva

75.385

44.298

Abacaxi

68.495

339

Tangerina

60.993

13.197

Limão

47.085

1.781

Maracujá

45.327

-

Mamão

37.060

311

Maçã

36.107

15.260

Pêssego

22.453

14.706

Goiaba

15.045

703

Abacate

10.515

619

Figo

3.020

1.926

Fonte:  IBGE (2007)            A Tabela 2 dá uma dimensão do que é a área cultivada com frutas no Brasil, de acordo com o clima, onde se verifica que os maiores volumes de produção ocorrem em climas tropicais e subtropicais.

Tabela 2 - Área total produtora das principais frutas no Brasil, de acordo com o clima.

FRUTAS

ÁREA (ha)

Tropicais

1.034.708

Subtropicais

928.552

Temperadas

  135.857

Total

2.099.117

Fonte: IBGE (2007).           

           A citricultura brasileira é a maior do mundo e o Brasil é o maior exportador de sucos concentrados.

           O aumento do consumo de frutas“in natura”e de sucos naturais é uma tendência mundial que pode ser aproveitada pelo Brasil como forma de incentivar o aumento da produção e a qualidade das frutas.            No caso das frutas tropicais frescas, as barreiras impostas pelos países importadores, sob a forma de regulamentos sanitários e normas técnicas, também constituem um importante exemplo de restrições que limitam significativamente o desempenho do setor no mercado externo. Os padrões internacionais são extremamente rígidos, havendo grande preocupação com as diferentes espécies de moscas-das-frutas. Japão e EUA impõem severas restrições à importação de frutas tropicais, proibindo a entrada de produtos oriundos de áreas infestadas. O bloqueio pode ser rompido, desde que o país exportador consiga estabelecer em seu território “áreas livres de pragas e doenças”. Este conceito consta do Art. 6° do Acordo sobre a Aplicação de Medidas Sanitárias e Fitossanitárias do Gatt, que prevê a concessão de acesso razoável para o membro importador, para fins de inspeção, teste e outros procedimentos relevantes.            A banana é outro exemplo típico onde o Brasil desponta como sendo o maior produtor mundial e também o maior consumidor. As bananas produzidas encontram dificuldades para competir no mercado internacional com países como o Equador. As técnicas de cultivo e o manejo das frutas, desde a colheita até o mercado, são ainda muito deficientes no Brasil, com isso a banana chega ao mercado com baixa qualidade.            O mercado internacional é altamente competitivo e exige ofertas em qualidade e quantidade. Mesmo assim, existem espaços para colocação de frutas “in natura”, particularmente na entre safra do hemisfério norte, com espécies de clima tropical, como melão, abacaxi, banana, manga, mamão, e de clima temperado, como uva, maçã, figo, morango, entre outras. Noventa por cento dos grandes mercados estão localizadas no hemisfério Norte e esta condição precisa ser melhor explorada.            Nesse contexto, o Brasil tem conseguido aumentar e diversificar a oferta de frutas produzidas em clima semi-árido. Com isso, estão aumentado as exportações de frutas como o melão, mamão, manga, mamão e uva. Nessa condição a videira pode produzir, em média, mais de duas safras por ano, permitindo que se tenha uvas de boa qualidade e com altos rendimentos por área em épocas que os preços no mercado internacional é mais atrativo.            Dentre as espécies de clima temperado, a maçã passou a ser um negócio altamente competitivo, pois num espaço de pouco mais de 30 anos, o Brasil passou de importador para exportador. No ano de 1970 a produção nacional representava apenas 10% do consumo, hoje são mais de 36.000ha que produzem o suficiente para atender o mercado interno e até permitir a exportação de maçãs de alta qualidade. Principalmente porque o Brasil produz as cultivares do grupo Gala e Fuji, maçãs de alta aceitação no mercado internacional.            A viticultura fica mais vulnerável ao Mercosul, uma vez que 60% da nossa produção é baseada em uvas americanas comuns e são utilizadas para produção de vinhos para atender o mercado interno. Na Argentina e no Chile estas videiras americanas são proibidas de serem plantadas.            A área cultivada com pêssego para conserva teve uma diminuição de sua área e produção, devido a problemas conjunturais e à importação de compotas com subsídios, porém a área com pêssego para o consumo “in natura” vem aumentando, desde o Rio Grande do Sul até Minas Gerais.                 O negócio fruticultura, além de se preocupar com o mercado de exportação para a Europa e Ásia, deve estar atento para o MERCOSUL, que se constitui num mercado de mais de 200 milhões de habitantes que não deve ser desprezado. O consumo de frutas no Brasil é da ordem de 57kg habitante ano-1, ao passo que na Europa o consumo supera aos 100kg habitante ano-1, ou seja, existe um grande potencial a ser atingido.             Esta atividade poderá ser explorada com sucesso nos mercados estaduais, regionais e locais. Para tanto, além das técnicas de cultivo, o setor deverá ter e formar parcerias entre produtores, pesquisa, extensão, distribuidores e o próprio consumidor, procurando-se obter frutas de boa qualidade, oferta regular, livre de resíduos de agrotóxicos e a preços competitivos. A organização dos produtores, distribuidores e exportadores poderão encurtar o caminho para que as nossas frutas possam atingir novos mercados e dar garantias ao setor.            Os exemplos dados pelos produtores de maçãs no Sul, os produtores de frutas tropicais no Vale do São Francisco e a citricultura no Estado de São Paulo são uma demonstração que as dificuldades impostas pelos importadores e o próprio mercado interno podem ser vencidas através de parcerias entre todos os setores envolvidos.            O Brasil possui condições ecológicas para produzir uma gama de frutas tropicais, subtropicais e temperadas e situações especiais que permitem que possamos produzir o ano todo. Apesar de todas estas condições favoráveis, o Brasil ainda importa várias frutas que poderiam ser produzidas aqui, entre elas se destacam a pêra, uva para mesa e passas, ameixas, quivi, cerejas e maçã na entre safra. Os nossos principais fornecedores são a Argentina, o Chile e o Uruguai.             No Rio Grande do Sul, a situação não é diferente, somos tradicionais importadores de frutas de outros países e/ou estados. Mesmo no caso das plantas cítricas, o Estado só consegue atender 60% do consumo nas épocas de maior demanda e tem dificuldade de abastecer e fornecer a matéria-prima para suprir as três indústrias concentradoras de sucos nele instaladas. Portanto a área de laranjas necessitaria ser ampliada, já que os cerca de  28.000ha são insuficientes para atender a demanda. No caso das frutas tropicais, o maior volume vem de outros Estados, mesmo assim o RS possui microclimas que podem produzir mangas, bananas, maracujá, abacaxi entre outras. O Estado produz quantidade suficientes de uva para vinhos, pêssego para mesa e conserva, ameixa, maçã, figo, goiaba, e esta ampliando a área de quivi na Serra Gaúcha e plantas cítricas sem sementes na Metade Sul.            A fruticultura é uma atividade que utiliza grande quantidade de mão de obra e atende a necessidade de viabilizar as pequenas propriedades e a fixação do homem no meio rural. Para tanto, é necessário o incentivo e o estabelecimento de parcerias com os setores de produção e comercialização, envolvendo setores públicos e privados para que os produtores possam produzir para o mercado interno, buscar novos mercados e aproveitar os excedentes nas agroindústrias.             Dispõe-se de tecnologias e material genético apropriados para produzir nas diferentes condições de clima e solo do Brasil. Não bastam só as potencialidades, são necessários incentivos e políticas que permitam um planejamento a médio e longo prazo, já que os pomares necessitam de, no mínimo, 2 anos para iniciar a produção e os investimentos iniciais costumam serem elevados e o retorno só ocorre depois de 6 anos da implantação do pomar.            É necessário que, ao par da produção, todo o setor esteja de olhos abertos para as tendências mundiais, onde o consumidor não pode ser desconsiderado e a busca de produtos diferenciados através da produção orgânica e integrada de frutas (PIF) e que podem representar dividendos adicionais para o setor de produção e comercialização.            Em países europeus, asiáticos e mesmo nos Estados Unidos, a fruticultura se caracteriza por ser uma atividade rentável e que utiliza com vantagens a produção integrada, buscando produtos de qualidade, minimizando riscos ao homem e ao ambiente.            No Brasil, a Produção Integrada de Frutas (PIF) está sendo utilizada por produtores de frutas de diversas regiões, principalmente naquelas áreas destinadas à exportação, como é o caso da maçã, melão, manga, uva, mamão, entre outras.

            O consumo de frutas visando os aspectos funcionais e/ou nutracêuticos também é um fator que pode contribuir para a elevação do consumo e, consequentemente, o aumento das áreas plantadas de diversas frutas, inclusive frutas nativas das mais diferentes regiões do Brasil.

Importância da fruticultura

José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal

            O cultivo de plantas frutíferas se caracteriza por apresentar aspectos importantes no contexto sócio-econômico de um país, tais como:            a) Utilização intensiva de mão-de-obra;            b) Possibilita um grande rendimento por área, sendo por isso uma ótima alternativa para pequenas propriedades rurais;            c) Possibilita o desenvolvimento de agroindústrias, tanto de pequeno quanto de grande porte;            d) Contribui para a diminuição das importações;            e) Possibilita aumento nas divisas com as exportações;            f) As frutas são de importância fundamental como complemento alimentar, sendo fontes de vitaminas, sais minerais, proteínas e fibras indispensáveis ao bom funcionamento do organismo humano, entre outras. Na Tabela 3 é apresentado o valor nutricional das principais frutas consumidas no Brasil.

Tabela 3 - Composição de algumas frutas por 100g de parte comestível

FRUTA

Cal.

Água (g)

Prot. (g)

Fibra (g)

Cálcio (mg)

Fósf. (mg)

Ferro (mg)

Vit. (AUI)

B2 (mg)

Niacina (mg)

C (mg)

Abacate

162

75,0

1,8

2,0

13

47

0,7

200

0,24

1,5

12

Abacaxi

52

85,4

0,4

0,4

18

8

0,5

50

0,04

0,2

61

Ameixa

47

87,0

0,6

0,4

8

15

0,4

130

0,04

0,5

6

Banana

87

75,4

1,2

0,6

27

31

1,5

270

0,09

0,6

8

Caju

46

87,1

0,8

1,5

4

18

10,0

400

0,03

0,4

219

Caqui

78

78,2

0,8

1,9

6

26

0,3

2500

0,05

0,3

11

Coco

296

54,6

3,5

3,8

13

83

1,8

-

0,03

0,6

4

Figo

62

82,2

1,2

1,6

50

30

0,5

100

0,05

0,4

4

Goiaba

69

80,8

0,9

5,3

22

26

0,7

260

0,04

1,0

218

Laranja

42

87,7

0,8

0,4

34

20

0,7

130

0,03

0,2

59

Limão

29

90,3

0,6

0,6

41

15

0,7

20

0,02

0,1

51

Maçã

58

84,0

0,3

0,7

6

10

0,4

30

0,05

0,2

6

Mamão

32

90,7

0,5

0,6

20

13

0,4

370

0,04

0,3

46

Manga

59

83,5

0,5

0,8

12

12

0,8

2100

0,06

0,4

53

Maracujá

90

75,5

2,2

0,7

13

17

1,6

700

0,13

1,5

30

Pêra

56

84,4

0,3

1,9

6

10

0,5

20

0,03

0,2

5

Pêssego

43

87,9

0,8

1,8

9

24

1,0

400

0,07

0,4

6

Uva

68

81,6

0,6

0,5

12

15

0,9

-

0,04

0,5

3

Fonte: MANICA (1987)

Conceitos

José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal

           A fruticultura pode ser conceituada como sendo o conjunto de técnicas e práticas aplicadas adequadamente com o objetivo de explorar plantas que produzam frutas comestíveis, comercialmente.            Segundo Tamaro (1936), fruticultura é a arte de cultivar racionalmente as plantas frutíferas.            Além do conceito de fruticultura, o conceito de fruta e fruto também é variável conforme o autor. Segundo Ferreira (1993), fruta é a designação comum às frutas, pseudofrutos e infrutescências comestíveis, com sabor adocicado. Já o fruto é o órgão gerado pelos vegetais floríferos, e que conduz a semente, portanto resulta do desenvolvimento do ovário depois da fecundação. Para facilitar a leitura, no decorrer de todos os capítulos, será adotado o termo fruta.

cap14

Classificação das plantas frutíferas

José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal

            A maioria dos frutos é o resultado do desenvolvimento do ovário da flor após a fecundação, originando, assim, as sementes. Algumas frutas, porém, resultam do amadurecimento do ovário mesmo sem fecundação, produzindo frutos partenocárpicos, como é o caso da banana, do abacaxi e de algumas cultivares de uvas e citros.            Na Tabela 4 são apresentadas as principais espécies frutíferas cultivadas com o respectivo nome científico, nome da família e sub-família            As plantas frutíferas podem ser classificadas de diferentes formas, as principais são quanto ao clima, hábito vegetativo e tipo de fruto.

1.4.1  Quanto ao clima            a) Frutíferas de clima temperado - as principais características apresentadas por essas plantas são:            - Hábito caducifólio;            - Um único surto de crescimento;            - Necessidade de frio com temperaturas £ 7,2°C, para superação do estádio de repouso vegetativo;            - Maior resistência às baixas temperaturas;            - Necessidade de temperatura média anual entre 5 e 15°C para crescimento e desenvolvimento.            As principais plantas frutíferas de clima temperado são pessegueiro, macieira, pereira, videira, ameixeira, marmeleiro, quivi, cerejeira, nogueira-pecan, entre outras.

 

Tabela 4 - Principais frutíferas cultivadas e nativas que produzem frutas comestíveis

NOME COMUM

NOME CIENTÍFICO

FAMÍLIA

SUB-FAMÍLIA

 

FRUTAS COM SEMENTES

MacieiraPereiraMarmeleiroNêspera-japonesaNêspera-comum

Malus domesticaPyrus communisCydonia oblongaEryibotria japonesaMespilus germanica

RosáceaRosáceaRosáceaRosáceaRosácea

PomoideaPomoideaPomoideaPomoideaPomoidea

 

FRUTAS COM CAROÇO

PessegueiroNectarineira

Ameixeira japonesaAmeixeira européiaDamasqueiroAmendoeira

Prunus persicaPrunus persica var. NucipersicaPrunus salicinaPrunus domesticaPrunus armeniacaPrunus amygdalus

Rosácea

RosáceaRosáceaRosáceaRosáceaRosácea

Prunoidea

PrunoideaPrunoideaPrunoideaPrunoideaPrunoidea

 

FRUTAS COM SEMENTES CARNOSAS

Romãzeira

Punica granatum

Punicácea

 

 

FRUTAS EM BAGAS

Videira européiaVideira americanaGroselheiraQuivizeiro

Vitis viniferaVitis labruscaRibes grossulariaActinidia deliciosa

VitáceaVitáceaSaxifragáceaActinidácea

 

 

Ribesoidea

 

FRUTAS EM ESPIRÍDIO

Laranja doceLimoeiroTangerineiraCidreiraLaranja azedaToranja

Citrus sinensisCitrus limonCitrus reticulataCitrus medicaCitrus aurantiumCitrus grandis

RutáceaRutáceaRutáceaRutáceaRutáceaRutácea

AuranteoideaAuranteoideaAuranteoideaAuranteoideaAuranteoideaAuranteoidea

 

FRUTAS AGREGADAS

Framboesa

Rubus spp.

Rosácea

Rosoidea

 

FRUTAS COMPOSTAS

FigueiraAmoreira brancaAmoreira-preta

Ficus caricaMorus albaMorus nigra

MoráceaMoráceaMorácea

ArtocarpoideaMoroideaMoroidea

 

FRUTAS SECAS

Nogueira européiaNogueira americanaCastanheira

Juglans regiaCarya illinoensisCastanea sativa

JungladáceaJungladáceaFagácea

---

 

FRUTAS TROPICAIS E SUBTROPICAIS

BananeiraAbacaxizeiroMangueiraMamoeiroMaracujazeiroGoiabeiraAbacateiro americanoAbacateiro antilhanoAbacateiro guatemalenseCaquizeiro

Musa spp.Ananas comosusMangifera indicaCarica papayaPassiflora edulisPsidium guajavaPersea americanaPersea americanaPersea nubigenaDiospyrus kaki

MusáceaBromeliáceaAnacardiáceaCaricáceaPassifloráceaMirtáceaLauráceaLauráceaLauráceaEberácea

---------

 

FRUTAS NATIVAS COMESTÍVEIS

QuaresmeiraAraticumJabuticabeiraGuabijuCerejeiraUvalheiraPitangueiraGuabirobeiraGuamirimGoiabeira serranaAraçazeiroSete capotesAmoreiraButiazeiroIngazeiroPinheiro brasileiro

Rollinia exalbidaRollinia regulosaMyrciaria jaboticabaMyrcianthes pungensEugenia involucrataEugenia uvalhaEugenia unifloraCampomanesia rhombeaMyrcia bombycinaFeijoa sellowianaPsidium cattleyanumCampomanesia guazumifoliaRubus sppButia capitataInga uruguensisAraucaria angustifolia

AnonáceaAnonáceaMirtáceaMirtáceaMirtáceaMirtáceaMirtáceaMirtáceaMirtáceaMirtáceaMirtáceaMirtáceaRosáceaPalmáceaLeguminosáceaAraucariáceas

---------------

            b) Frutíferas de clima subtropical - as principais características apresentadas por essas plantas são:            - Nem sempre apresentam hábito caducifólio;            - Mais de um surto de crescimento;            - Menor resistência a baixas temperaturas;            - Pouca necessidade de frio no período de inverno;            - Necessidade de temperatura média anual de 15 a 22°C.            As principais frutíferas de clima subtropical são as plantas cítricas, abacateiro, caqui, jabuticaba, nespereira, entre outras.            c) Frutíferas de clima tropical - as principais características apresentadas por essas plantas são:            - Podem apresentar mais do que um surto de crescimento;            - Apresentam folhas persistentes;            - Não toleram temperaturas baixas;            - Necessidade de temperatura média anual entre 22 e 30°C.            As principais frutíferas de clima tropical são bananeira, cajueiro, abacaxizeiro, mamoeiro, mangueira, maracujazeiro, coqueiro da bahia, entre outras.

1.4.2  Quanto ao hábito vegetativo            a) Arbóreas - apresentam grande porte e tronco lenhoso. Exemplos: mangueira, abacateiro, nespereira, jaqueira e nogueira-pecan.            b) Arbustivas - apresentam porte médio e caule menos resistentes. Exemplos: figueira, amoreira, mamoeiro e romãzeira.            c) Trepadeiras - apresentam caule sarmentoso e provido de gavinhas. Exemplos: videira, maracujazeiro e quivi.            d) Herbáceas - apresentam porte baixo, rasteiras ou com pseudo-caules. Exemplos: bananeira, morangueiro e abacaxizeiro.

1.4.3  Quanto ao tipo de fruta            a) Frutas com sementes - maçã e pêra            b) Frutas com caroços - pêssego e ameixa            c) Frutas com sementes carnosas - romã            d) Frutas em bagas - uva, groselha e quivi.            e) Frutas em espirídio - citros            f) Frutas agregadas - framboesa            g) Frutas compostas - figo            h) Frutas secas – noz pecan e pistáchio.            i) Frutas tropicais e subtropicais - banana e abacaxi            j) Frutas nativas comestíveis - araçá, pitanga, araticum

Tipos de pomares

José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal

            a) Pomares domésticos ou caseiros - são aqueles pomares que se caracterizam por apresentarem um grande número de espécies e cultivares.

            b) Pomares comerciais - são aqueles formados por um pequeno número de espécies e cultivares, há um escalonamento da produção, sendo que esta pode ser destinada à industrialização ou ao consumo “in natura”.

            c) Pomares experimentais - são aqueles que apresentam um grande número de espécies e cultivares.

            d) Pomares didáticos - são aqueles que apresentam um grande número de espécies e variedades, onde são executadas as práticas corretas e incorretas, pois o fim único é o aprendizado.

cap1

Principais problemas da fruticultura

José Carlos Fachinello & Jair Costa Nachtigal

            A fruticultura é uma atividade com características bastante regionalizadas, o que faz com que, em cada região onde ocorre predominância pelo cultivo de uma ou outra espécie, surjam problemas diferentes dos de outras regiões. Existem, no entanto, problemas principais que são geralmente comuns a todas as espécies e regiões, como, por exemplo:            a) Produção de mudas de qualidade, principalmente no que se refere à falta de controle do material utilizado e fiscalização dos produtores, comerciantes, transportadores, entre outros;            b) A comercialização é uma etapa muito pouco eficiente, ocorrendo muitas perdas das frutas antes de chegarem ao consumidor;            c) Falta de transporte, armazenamento, assistência técnica e linhas de crédito compatíveis;            d) Falta de informação e organização dos produtores, principalmente dos pequenos produtores;            e) Baixa renda da população no Brasil, o que faz com que o consumo per capita de frutas seja muito baixo, no Brasil;            f) Plantio muitas vezes em regiões marginais             g) Falta de culturas adaptadas às condições locais;            h) Manejo inadequado do solo e da planta;                  i) Elevados custos de implantação e produção;            j) Condições climáticas desfavoráveis em muitas regiões produtoras.

Viveiro

Jair Costa Nachtigal, José Carlos Fachinello & Elio Kersten

            Viveiro é uma área de terreno convenientemente demarcada, onde as mudas frutíferas são obtidas e conduzidas até o momento do transplante. Para algumas espécies, entre elas as plantas cítricas, em função de doenças e pragas, todo o processo de obtenção de mudas é realizado em telados a prova de insetos.            Por muda, entende-se toda a planta jovem, com sistema radicular e parte aérea, com ou sem folhas, obtida por qualquer método de propagação, utilizada para a implantação de novos pomares. No caso de mudas obtidas por enxertia, as mudas são formadas pela combinação de duas ou mais cultivares diferentes.            Muda de pé-franco, é a denominação utilizada para designar aquelas mudas obtidas, normalmente por estaquias, as quais são tem o sistema radicular e a parte aérea formadas por uma única cultivar. Em alguns estados, como em São Paulo, a denominação de pé-franco é utilizada para aquelas mudas oriundas de sementes.

Escolha do local

Jair Costa Nachtigal, José Carlos Fachinello & Elio Kersten

            Para o estabelecimento do viveiro, interferem fatores econômicos, ambientais, técnicos e as preferências pessoais do viveirista. Recomenda-se não instalar viveiros no mesmo terreno por mais de 2 anos. Deve-se proceder rotação com culturas anuais ou adubação verde. Assim procedendo, obtém-se maior desenvolvimento das mudas.            A área do viveiro a ser escolhida deve considerar:            - Exposição preferencialmente ao Norte;            - Isolada do pomar, observando a legislação para a cada espécie;            - Afastada de estradas públicas;            - Isenta de ervas daninhas de difícil controle;            - Evitar áreas sujeitas a geadas, principalmente no caso dos citros;            - Em terrenos de mata, proceder a destoca total, no mínimo 2 anos antes da instalação do viveiro;            - Disponibilidade de água para o uso com irrigação e com tratamentos fitossanitários;            - Não usar áreas encharcadas ou áreas sujeitas à inundação;            - Preferir solos profundos e medianamente arenosos;            - Evitar áreas sujeitas a ventos constantes que podem quebrar as mudas na região da enxertia;            - Escolher solos ricos em matéria orgânica;            - Terrenos isentos da infestação de nematóides;            - Não repetir o cultivo da mesma espécie pelo menos, por três anos, na mesma área;            - Preferir topografia plana ou levemente ondulada, executando-se, neste caso, práticas para a conservação do solo.

2.2.1  Condições edáficas e biológicas            Deve-se dar preferência a solos areno-argilosos, profundos, levemente ondulados ou planos, porém na maioria dos casos não se tem essa situação, devendo-se, então, utilizar os solos com as melhores condições possíveis. Os solos argilosos são geralmente de difícil mecanização e dificultam o desenvolvimento do sistema radicular das mudas, predispondo às podridões de raízes e ao excesso de manganês.            Deve-se realizar uma rigorosa escolha nas características físicas do solo, já que as químicas podem ser substancialmente modificadas.            O viveiro deve estar livre de fitonematóides nocivos, tiririca (Cyperus spp.), capim bermuda (Cynodon dactylon), pérola da terra (Eurhizococus brasiliensis) e do ataque de qualquer praga ou doença que se hospede na muda e que seja motivo de infestação em outras mudas. Uma análise microbiológica do solo ajuda na avaliação da população de fitonematóides e de outras doenças importantes para a espécie a ser explorada.            Recomenda-se o cultivo de gramíneas, tais como o milho, aveia, azevém, entre outras, antes de serem instalados os viveiros, principalmente quando no solo houver material lenhoso em decomposição. Esta prática diminui o ataque de fitonematóides e deve ser repetida por um período de dois anos. A produção das culturas deve ser incorporada na forma de adubo verde.            No caso de viveiros e pomares de macieiras, o ataque de podridões do sistema radicular causa prejuízos significativos. Dentre elas, destaca-se aquela provocada por fungos do gênero Phytophthora, que a partir de trabalhos desenvolvidos, pode ser controlada por fungos do gênero Trichoderma sp.. Estes fungos fazem o controle biológico das podridões de raiz e já possuem distribuição comercial para o produtor. Eles são utilizados por ocasião do plantio e produzem substâncias antibiológicas e enzimas que inibem o desenvolvimento do patógeno. Agem também como parasita de outros fungos, desta forma alcançam uma taxa de reprodução e crescimento mais elevada do que a do patógeno, passando a predominar no ambiente.            As plantas frutíferas liberam fitotoxinas que podem se acumular no solo, prejudicando o desenvolvimento das mudas. A nogueira libera uma fitotoxina chamada jiglone; a macieira libera floridzina; e o pessegueiro e a ameixeira prunazina e amigdalina. Estas substâncias desenvolvem efeitos alelopáticos sobre as mudas em desenvolvimento. Também devem ser evitados solos infectados com Agrobacterium tumefasciens.            O viveiro deverá ser instalado em área onde não houve pomar há pelo menos 5 anos e viveiros nos últimos 3 anos; estar distanciado pelo menos a 50 metros de qualquer pomar e, no mínimo, 5.000 metros para o caso do morangueiro.            A água deverá estar disponível em quantidade para a irrigação, quando necessária, e mesmo para realização de tratamentos fitossanitários.

2.2.2  Condições de clima            Os ventos podem prejudicar o desenvolvimento e quebrar as mudas na região da enxertia. Para tanto deve-se utilizar quebra-ventos para proteger as plantas dos ventos dominantes.            A temperatura limita o crescimento das mudas. Uma muda cítrica que, nas condições de São Paulo, pode ser produzida em menos de 24 meses, nas condições do Rio Grande do Sul, pode demorar até 36 meses.

2.2.3  Preparo e correção do solo do viveiro             Fazer uma aração profunda, atingindo 20-30cm de profundidade. Os corretivos devem ser baseados na análise do solo, sendo que a calagem e a aplicação de potássio e fósforo devem ser antes da instalação do viveiro. Caso houver necessidade, é possível aplicar-se quantidades de matéria orgânica com o objetivo de aumentar a disponibilidade de nitrogênio e, ao mesmo tempo, melhorar as propriedades físicas do solo.            As linhas de plantio das mudas devem ser distanciadas de 1,2 a 1,5m entre si, ou então pode-se utilizar filas duplas distanciadas de 0,6m entre si e 1,2 a 1,5m entre filas duplas. A distância entre filas pode ser modificada em função do implemento a ser utilizado. Dentro das filas as mudas ficam distanciadas em torno de 15cm.

cap2

Infraestrutura

Jair Costa Nachtigal, José Carlos Fachinello & Elio Kersten

 Benfeitorias            Deve-se dispor de galpões para embalagem e controle do material propagado, guarda de equipamentos, defensivos e fertilizantes. Em alguns casos, também é necessário que se tenha estufas, telados, ripados, entre outros.

  Equipamentos            Deve-se ter todos os equipamentos que possibilitem o preparo da área, tratos culturais, tratamentos fitossanitários, irrigações e embalagem das mudas.

Formação da muda

Jair Costa Nachtigal, José Carlos Fachinello & Elio Kersten

            As mudas podem ser formadas a partir de sementes ou a partir de partes vegetativas, como a enxertia, a estaquia, a mergulhia, a micropropagação, entre outras.

2.5.1  Obtenção das sementes e preparo da sementeira            Na fruticultura, a utilização de sementes basicamente está restrita à obtenção de porta-enxertos e ao melhoramento genético, pois, comercialmente, poucas espécies frutíferas têm suas mudas obtidas por este método.             O uso de sementes e a época de semeadura decorrem da época da maturação das frutas e do poder germinativo das mesmas. Normalmente, as sementes devem ser semeadas logo após a colheita das frutas, principalmente no caso dos citros e da nogueira-pecan. Entretanto, existem espécies que necessitam um período de repouso para germinarem (estratificação), superando-se a dormência e favorecendo a maturação fisiológica, como acontece em sementes de pessegueiro.            As sementes devem ser provenientes de plantas sadias, adultas, possuírem um bom vigor e características varietais definidas.            A semente deve ser separada da polpa logo após o coleta das frutas para evitar a sua fermentação. Na polpa das frutas existem inibidores que impedem a germinação das sementes. Por esta razão, nunca se deve fazer a semeadura de frutas inteiras.            Nas plantas cítricas, colhem-se as frutas maduras (inverno); corta-se a fruta ao meio com faca de madeira, para evitar lesões nas sementes e, em seguida, espreme-se em peneiras; lava-se com água corrente ou água de cal e seca-se à sombra, em local ventilado. Já com o pessegueiro, os caroços devem ser de cultivares de maturação tardia (Capdeboscq e Aldrighi), não podem ser cozidos e a polpa deve ser removida para evitar-se a fermentação. Para tanto, eles devem ser mantidos em locais sombreados e úmidos, com baixa temperatura <10°C, o que faz com que a maturação fisiológica seja completa.

Armazenamento e estratificação            O êxito da germinação nas sementeiras depende da qualidade da semente e do meio que a mesma é conservada desde a coleta até a semeadura.            As sementes que tem embrião grande perdem a vitalidade e dessecam durante o armazenamento. Este tipo de semente deve ser conservada com suficiente umidade e temperatura em torno de 2 a 7°C, pode-se misturar uma substância inerte, ligeiramente úmida, como, por exemplo, a areia.            A estratificação é o tratamento que se submetem as sementes, durante o armazenamento, sem que se perca o poder germinativo. É feita com o objetivo de acelerar a maturação das mesmas, favorecendo a germinação daquelas que têm o tegumento espesso e relativamente impermeável. Os caroços de pêssego estratificados devem permanecer em locais frescos, enterrados ou em câmaras frias, a temperaturas que variam de 0 a 10°C, e o período de estratificação varia entre 30 e 100 dias.

Sementeira            O preparo da sementeira começa pela aração do solo, retirada de pedras, restos de vegetais e o preparo do solo através do uso de enxadas rotativas, normalmente acopladas a microtratores.            A largura do canteiro normalmente é, em torno, de 1,20m e 10m de comprimento e ficam distanciados de aproximadamente 25cm uns dos outros. A semeadura pode ser feita a lanço ou em linha, observando-se que a semente deve ficar a uma profundidade de, aproximadamente, 3 vezes o seu diâmetro.

Época de semeadura            A semeadura pode ser feita diretamente no solo ou em embalagens apropriadas. Nas espécies que não necessitam estratificação, a semeadura é feita logo após a coleta, como acontece com as plantas cítricas e a nogueira-pecan. No caso do pessegueiro, a semeadura é feita após 2 a 3 meses de estratificação, sendo que 1 kg de caroços tem aproximadamente 400 sementes, quando bem conduzidas, podem chegar até 70-80% de germinação. Nas condições do agricultor, a germinação está em torno de 20%. Atualmente, os produtores de mudas de pessegueiro estão realizando a semeadura dos caroços diretamente no viveiro, tal fato, embora tenha algumas desvantagens, como uma maior área para controle de ervas daninhas, para irrigação, além de necessitar de um maior número de caroços, facilita o desenvolvimento da muda, pois ela não sofre o estresse causado pela repicagem. Outra vantagem obtida pela eliminação da repicagem é a menor exigência de mão-de-obra, visto que esta operação é bastante demorada e coincide com o arranquio e embalagem das mudas do ano anterior.            Em plantas cítricas, em função de restrições por doenças transmitidas por insetos, todo o sistema de produção de mudas é feito em telado, desde a semeadura até a muda pronta.

Viveiro            Quando as mudas tiverem tamanho adequado, o que é variável com a espécie, elas devem ser repicadas para o viveiro, por exemplo, para mudas de pessegueiro, os cotilédones são mantidos junto com a mudinha por ocasião do transplante, com 5 a 10cm de altura, pois os mesmos são fonte de reservas alimentares, muito importantes nesta fase inicial de desenvolvimento.            No viveiro, as mudinhas são plantadas a uma distância de 0,15 x 1,20m; 0,15 x 0,30 x 1,20m. Durante a repicagem, a irrigação é indispensável para favorecer o pegamento.            Quando as mudas são destinadas à obtenção de porta-enxertos, devem ser conduzidas em haste única. As mudas também podem ser produzidas em sacos plásticos, torrão ou vasos. Neste caso, todas as operações podem ser realizadas com a muda dentro da embalagem, permitindo, assim, um ganho maior de tempo na obtenção da muda.

2.5.2 Partes vegetativas            Em muitos casos, o porta-enxerto é obtido a partir de partes vegetativas, como é o caso da macieira em que o porta-enxerto é obtido por mergulhia de cepa; em outras situações as mudas são obtidas diretamente de estacas, como é o caso das videiras americanas, figueira, marmeleiro, entre outras.

Estaquia            A estaquia é um processo muito simples, que pode ser utilizado para a produção de porta-enxertos ou diretamente da muda, dispensando a utilização da enxertia. Entretanto, a utilização da estaquia é limitada à capacidade de formar raízes das espécies e/ou cultivares utilizadas.            O tamanho e o tipo de estaca a ser utilizada (Figuras 2 e 3) fica na dependência da maior ou menor facilidade de enraizamento.            Geralmente a estaquia é realizada no período de inverno, pois a sua utilização no verão requer instalações com sistemas de nebulização intermitente (Figura 4), como casas de vegetação, sombrites e telados. O espaçamento das estacas no viveiro é semelhante ao das mudas, ou seja, 0,15 x 1,20m.             No período de inverno são utilizadas estacas lenhosas de aproximadamente 30cm de comprimento.            O uso de auxinas na base da estaca contribui para aumentar o enraizamento. Por exemplo, a aplicação de uma solução de ácido indolbutírico (AIB) na concentração de 2g L-1, por cinco segundo aumenta de forma significativa o percentual de estacas enraizadas.

 

Figura 2 – Diferentes tipos de estacas lenhosas. Foto: José Carlos Fachinello.

 

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