Relatorio de estágio final

Relatorio de estágio final

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1. INTRODUÇÃO

Nos primórdios o homem era um ser submisso à natureza, impactos eram causados esporadicamente. Com a revolução agrícola iniciou-se os desmatamentos e substituição de florestas por campos agricultáveis.

Nas últimas décadas a agricultura tem chamado atenção devido ao seu objetivo de aumentar a produção de alimentos. A ganância conduziu a devastação de mais selvas e desertificação de mais áreas, aumentando a erosão, contribuindo de forma efetiva para a contaminação das águas e tornando mais vulnerável à saúde de consumidores e produtores.

As necessidades humanas são indicadas atualmente como um fator de desequilíbrio dos ecossistemas, pois, para desenvolver-se utilizamos de forma indiscriminada os recursos naturais, o que tem causado a exilação do meio ambiente.

A alimentação foi adaptada a geração de lucros e os efeitos contaminantes dos agrotóxicos, dos resíduos, do lixo e das contaminações gasosas, assim como vários outros problemas derivados do estilo convencional de agricultura, impõem a necessidade de outro tipo de desenvolvimento. Um modelo de agricultura que assegure nosso direito de ter uma alimentação adequada e nutritiva.

Todos esses problemas intensificam a busca por atividades que estimulem o desenvolvimento de uma consciência ambiental, não só ecológica, mas também visando às questões sociais, culturais e econômicas, bases do desenvolvimento sustentável.

De acordo com a CMDMA (1998), o desenvolvimento sustentável é definido como “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das futuras gerações de satisfazerem suas próprias necessidades”. É imprescindível uma conscientização que possibilite a mudança de atitudes e a adoção de uma postura que tenha como foco principal a busca pelo equilíbrio ambiental.

Este relatório faz uma avaliação final das atividades desenvolvidas durante o estágio, realçando os pontos principais e experiências praticadas.

2. OBJETIVOS DO ESTÁGIO

2.1 OBJETIVO GERAL

Acompanhar juntamente com a EMATER, os trabalhos relacionados à área de gestão ambiental, visando à preservação dos recursos naturais.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Aprimorar conhecimentos nas áreas de manejo de recursos naturais, resíduos sólidos, recursos hídricos, saneamento e direito ambiental;

Conhecer e entender o funcionamento da assistência técnica prestada pelo instituto EMATER;

Realizar atividades em campo, visando o conhecimento da realidade vivenciada pelos técnicos e agrônomos, permitindo uma comparação com o aprendizado do curso.

Promover o desenvolvimento pessoal, através da formação social, humana e cultural pela convivência com profissionais que atuam na área ambiental.

3. DESCRIÇÃO DA ORGANIZAÇÃO DE ESTÁGIO 3.1 HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE MISSAL

Missal situa-se na região oeste do Paraná, possui um território de 380,759 km2, sendo que 43,470 km2 foram banhados pelo lago de Itaipu. O Município apresenta altitude media de 320 metros. A latitude é de 25 º 05’0” sul e a longitude 24 º 15’0” W-GR. O clima é subtropical úmido mesotérmico. Seus verões são quentes com tendências a concentração de chuvas e com temperaturas médias superior a 22º C. O inverno, com geadas pouco freqüentes, apresenta temperatura media inferior a 18 º C. Não há estação seca definida. O índice pluviométrico médio anual é 1.788 milímetros. Em média, 70% da área é composta por terras planas ou suavemente onduladas e 30% com terras pedregosas de acentuada declividade (DIAGNÓSTICO LOCAL DO MUNICÍPIO DE MISSAL, 2007).

A origem do nome Missal foi remetida pelos bispos no intuito de simbolizar a religião, para que todos conhecessem a gleba dos bispos ou terra dos bispos. O nome Missal foi baseado no livro que o sacerdote da igreja católica utilizava para a liturgia da santa missa. A justificativa para terem escolhido esse nome – assim como o livro missal é o fanal do trabalho espiritual do sacerdote, as terras são fanais ao trabalho do agricultor. Essas terras seriam vendidas somente a pessoas de origem alemã e de religião católica. (LUNKES, 2009).

A economia do município encontra-se assentada essencialmente na agricultura associada à agropecuária. A exploração da terra dá a Missal a condição de grande produtor de soja, milho trigo, feijão e outros, além de expressivo número na área de suinocultura, pecuária leiteira e de corte.

3.2 O INSTITUTO PARANAENSE DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA E EXTENSÃO RURAL

A história da EMATER teve seu inicio no ano de 1956, quando foi implantado no Paraná o Escritório Técnico de Agricultura – ETA Projeto 15, que foi conseqüência de um acordo entre os governos do Brasil e dos Estados Unidos. O objetivo era executar um programa de cooperação agrícola, que atuasse nos campos de educação, conservação de recursos naturais, agrícola e pecuária, pesquisa, produção, economia doméstica e extensão rural. Três anos depois se tornou ACARPA que atuando junto às famílias rurais, foi um dos principais agentes de uma verdadeira revolução na agricultura paranaense. A partir de 1977 a ACARPA muda sua razão social para EMATER – Paraná (EMATER, 2010).

Ao longo de 50 anos a EMATER-PR foi responsável por auxiliar os agricultores e suas famílias, pescadores, assentados, trabalhadores, mulheres e jovens rurais, articulando e mobilizando instituições para que fosse possível o aumento de produção e renda da propriedade através da realização de projetos no campo da nutrição, saúde, saneamento, educação e cidadania, bem como na racionalização do uso de agrotóxicos, acarretando a redução de perdas na colheita, a conservação dos solos, além do manejo de pragas e doenças nas lavouras. Na área especifica de meio ambiente realiza projetos específicos em reflorestamento, recuperando e preservando matas ciliares, conscientizando e orientando as comunidades para a necessidade da proteção adequada das fontes naturais de água.

Dentre os programas mais recentes realizados no âmbito federal estadual e regional que contam com o apoio e orientação da EMATER estão:

O Paraná 12 Meses; Biodiversidade; Leite das Crianças; Irrigação Noturna.

"Promover o desenvolvimento rural sustentável" 3.2.2 Visão

"Ser reconhecida como instituição essencial ao desenvolvimento rural sustentável."

Comprometimento – compromisso com público beneficiário.

Responsabilidade – executar as ações a atribuições dentro dos prazos estabelecidos.

Respeito – apreço no trato e no relacionamento institucional e pessoal. Ética – princípios morais e de conduta no relacionamento institucional e pessoal. Confiabilidade – segurança e conceito que inspirem credibilidade. Probidade – zelo e honestidade no trato dos recursos públicos. Transparência – tornar públicas ações e informações de interesse da sociedade.

4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

4.1 RESÍDUOS SÓLIDOS 4.1.1Definição e classificação

No princípio atividades agrícolas e a produção das ferramentas de trabalho deram início ao surgimento dos restos da produção, como eram em sua maioria de origem natural não causavam grandes impactos no meio ambiente. A transformação da matéria e a produção de resíduos fazem parte da vida e da atividade humana. Atualmente o aumento acelerado da densidade demográfica e a forte industrialização facilitam o crescimento descontrolado de resíduos de diversas naturezas (BIDONE; POVINELLI, 1999).

O verbete lixo significa “o que se varre da casa e em geral tudo o que não presta e se joga fora, cisco, sujeira, imundície”. Este se diferencia de resíduo “resto, sobra de algo já utilizado” (BUENO, 1996, p. 399, 572). Os resíduos sólidos são definidos, segundo a NBR 10.004, como:

Todo resíduo nos estados sólido e semi-sólido que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos de água, ou exijam, para isso, soluções técnicas e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível (ABNT, 2004).

Os resíduos podem ser classificados de acordo com sua origem ou fonte geradora: Urbanos: enquadram-se aqui residenciais, comerciais, de varrição, de feiras livres, de capinação e poda.

Industriais: inclui os lodos provenientes do tratamento de efluentes líquido, muitas vezes perigosos.

Serviços de saúde: resíduos sólidos de clinicas médicas e veterinárias, hospitais, centros de saúde, farmácias e consultórios odontológicos. Radioativos: resíduos de origem atômica.

Agrícolas: resultantes dos processos de defensivos agrícolas e suas embalagens (BIDONE; POVINELLI, 1999).

4.1.2 Resíduos Sólidos na Zona Rural

Segundo Darolt (2002) o lixo rural é composto por materiais associados à produção agrícola: restos vegetais da cultura, materiais orgânicos, adubos químicos, defensivos e suas embalagens, dejetos animais, produtos veterinários. E por sobras semelhantes às produzidas nas cidades: restos de alimentos, vidros, latas, papéis, papelões, plásticos, pilhas e baterias, lâmpadas etc.

Na zona rural os resíduos sólidos muitas vezes recebem pouca atenção, pois estes não estão concentrados. O que dificulta ainda mais a situação é que as propriedades rurais possuem uma baixa densidade populacional, são muito dispersas, de difícil acesso e resíduos bastante diversos (D’ALMEIDA; VILHENA, 2000).

Oliveira & Santos (2009), ressaltam que a falta de um sistema de descarte eficiente em localidades rurais pode ocasionar sérios problemas ao ambiente, como a contaminação da água, do solo e até dos alimentos produzidos nas lavouras, facilitam a proliferação de vetores e geram maus odores.

De acordo com Gomes & Pasqualetto (2006), na busca de aumentar cada vez mais a produção de alimentos, os agricultores, muitas vezes desinformados dos prejuízos que causam ao meio ambiente utilizam agrotóxicos de forma desordenada. Em função disso, um enorme volume de embalagens vazias, tem-se acumulado nas propriedades.

A Lei Federal n° 7.802 de 1/07/1989, regulamentada através do Decreto 98.816, no seu Artigo 2°, Inciso I, define os agrotóxicos da seguinte forma:

Os produtos e os componentes de processos físicos, químicos ou biológicos destinados ao uso nos setores de produção, armazenamento e beneficiamento de produtos agrícolas, nas pastagens, na proteção de florestas nativas ou implantadas e de outros ecossistemas e também em ambientes urbanos, hídricos e industriais, cuja finalidade seja alterar a composição da flora e da fauna, a fim de preservá-la da ação danosa de seres vivos considerados nocivos, bem como substâncias e produtos empregados como desfolhantes, dessecantes, estimuladores e inibidores do crescimento.

Os agrotóxicos aumentam a degradação ambiental. Estes se enquadram na categoria de resíduos perigosos por conterem substâncias químicas que provocam desequilíbrios biológicos e ecológicos e atingem diversas espécies (SANTOS, 2007).

É de responsabilidade dos usuários devolver as embalagens vazias dos produtos adquiridos aos próprios comerciantes. Até o momento da devolução das embalagens os usuários devem armazená-las, de forma adequada, em local abrigado de chuva, que seja ventilado e separado de alimentos ou rações.

De acordo com a NBR 13.968 (ABNT) os usuários devem fazer uma lavagem especial das embalagens rígidas (plásticas, metálicas ou de vidro) que acondicionam formulações para serem diluídas em água. Esse procedimento denominado por tríplice-lavagem é descrito a seguir:

1. Esvaziar completamente o conteúdo da embalagem no tanque do pulverizador; 2. Adicionar água limpa à embalagem até ¼ do seu volume; 3. Tampar bem a embalagem e agitá-la por aproximadamente 30 segundos; 4. Despejar a água de lavagem no tanque do pulverizador. 5. Repetir o mesmo procedimento mais duas vezes; 6. Após a lavagem, tampar e perfurar ou inutilizar a embalagem de forma a impedir a reutilização. 7. É importante para facilitar a identificação dos produtos, que o rótulo seja mantido intacto.

Para tratar os resíduos orgânicos nas propriedades, pode-se utilizar a compostagem processo biológico aeróbio e controlado de transformação de resíduos orgânicos em resíduos estabilizados. É uma técnica interessante, pois elimina os microorganismos patogênicos presentes e ainda o composto pode ser utilizado como adubo por apresentar-se como uma fonte de macro e micronutrientes para as plantas (BIDONE; POVINELLI, 1999 ).

4.2 AGROECOLOGIA

Os primeiros agrotóxicos sintéticos foram introduzidos nos anos 40, mas somente depois muito tempo de uso intensivo, tornou-se evidente que estes produtos químicos estavam prejudicando outros organismos para os quais não se destinavam inclusive os seres humanos (SANTOS, 2007).

A atividade agrícola tornou-se absurda e perigosa, pois foi submetida às necessidades do capital, em lugar de atender as necessidades humanas. A implantação de sistemas de agricultura convencional não visou melhorar variedades para produzir mais e mais seguro, mas para tornar a agricultura dependente dos produtos industriais. Além de exterminar as variedades tradicionais, não conseguiu atingir o seu tão divulgado objetivo de combater a fome no mundo (PRIMAVESI, 1997).

Altieri (2004), considera esses sistemas de produção insustentáveis, pois não tem capacidade de manter sua produtividade quando submetido a estresses e perturbações.

Na necessidade de mudança dos sistemas convencionais para sistemas conservacionistas de produção de alimentos surge a agroecologia, agricultura que busca uma sociedade mais justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável. Nela a agricultura faz parte da natureza, sendo vista como viva, podendo interagir com o cosmo (SEGHESE, 2006).

Para Altieri (2004, p. 12), é definida como “a ciência ou disciplina cientifica que apresenta uma série de princípios, conceitos e metodologias para estudar, analisar, dirigir, desenhar e avaliar agrossistemas, com o propósito de permitir a implantação e o desenvolvimento de estilos de agricultura com maiores níveis de sustentabilidade”. O objetivo é a manutenção da produtividade agrícola com o mínimo possível de impactos ambientais e com retornos econômico-financeiros adequados à meta de redução da pobreza.

Este tipo de agricultura tenta restabelecer o ambiente e o solo previne a causa e não o sintoma, evita problemas ao invés de combatê-lo. Não se tenta preservar uma planta ou animal, mas sim os ciclos e equilíbrios naturais de um lugar, com o sistema inteiro solo-planta-clima. Trabalha de maneira holístico-sistêmica. (PRIMAVESI, 1997).

A agricultura de base ecológica coloca ênfase no uso de fertilizantes obtidos através de resíduos animais e da adubação verde (BARCELLOS et al, 2000).

As evidências demonstram de muitas formas que este modelo conserva os recursos naturais e protege o meio ambiente mais que os sistemas convencionais. As principais características dessas técnicas são:

Têm como base o conhecimento indígena e a racionalidade do agricultor. São economicamente viáveis, acessíveis e baseadas nos recursos locais.

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