FUND GEOLOGIA - Elementos Estruturais das Rochas

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Em ensaios laboratoriais, a velocidade influi diretamente na deformação do corpo rochoso. Com o aumento da velocidade de deformação, há uma diminuição formação plástica, tornando a rocha com mais possibilidades de ocorrer uma ruptura. Conforme diminui a velocidade da deformação, aumenta-se a cidade das deformações.

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4 DOBRAS

As dobras são deformações dúcteis que afetam os corpos rochosos da crosta terrestre. Ou seja, quando se ultrapassa o limite de elasticidade dos minerais estes deformam-se permanentemente resultando no encurvamento de superfícies originalmente planas, exemplificada na Foto 3, como exemplo as deformações das rochas vulcânicas e seus equivalentes metamórficos. De acordo com Chiossi (1976), qualquer rocha acamada ou com alguma orientação pode mostrar-se dobrada. Como exemplos podemos citar os filitos, quartzitos ou gnaisse. Essas deformações podem atingir dimensões variadas podendo chegar a quilômetros de amplitude como as cadeias montanhosas.

Foto 3: Exemplo de uma dobra. Fonte: http://e-porteflio.blogspot.com//deformacao-das-rochas.html

4.1 ESCALAS DAS DOBRAS

De acordo com Machado e Silva (2009), podemos dividir o estudo das dobras em três escalas: macroscópica, mesoscópica e microscópica.

4.1.1 Escala Macroscópica

A estrutura observada é o produto da integração e reconstrução de afloramento, sendo representada em perfis ou mapas geológicos (Figura 2).

4.1.2 Escala Mesoscópica

A estrutura é visualizada de modo cont até afloramento, ou maior ainda.

4.1.3 Escala Microscópica

A escala de estudo em que a estrutura é observada com o auxílio de microscópico ou lupa (Foto

Fonte:

F b. Feições microscópicas da amostra anterior Fonte: w.ppegeo.igc.usp.br/img/revistas/rbg/v38n3/html/3a10f4.jpg

Escala Mesoscópica é visualizada de modo contínuo desde amostras na escala de mão até afloramento, ou maior ainda.

Escala Microscópica

A escala de estudo em que a estrutura é observada com o auxílio de (Foto 4).

Figura 2: Perfil geotécnico do solo. Fonte: w.viacard.pt/arqueologia/images/fig07.jpg

Foto 4: a. Aspecto macroscópico do granito; b. Feições microscópicas da amostra anterior. w.ppegeo.igc.usp.br/img/revistas/rbg/v38n3/html/3a10f4.jpg amostras na escala de mão A escala de estudo em que a estrutura é observada com o auxílio de w.ppegeo.igc.usp.br/img/revistas/rbg/v38n3/html/3a10f4.jpg

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4.2 ELEMENTOS GEOMÉTRICOS DE UMA SUPERFÍCIE DOBRADA

Usa-se o termo estilo para designar um conjunto de feições morfológicas e geométricas associadas a um grupo ou família de dobras. A observação de um estilo deve ser feita num plano perpendicular ao eixo da dobra sendo este denominado como plano de perfil da dobra mostrados nas figuras 3 e 4.

Figura 3: Perfil de uma dobra. Fonte: Machado; Silva (2009).

Figura 4: Detalhe do plano a de seção da dobra. Fonte: Machado; Silva (2009).

Os principais elementos geométricos de uma superfície dobrada estão representados abaixo.

Figura 5: Elementos de uma dobra. Fonte: http://e-porteflio.blogspot.com//deformacao-das-rochas.html

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Linha de charneira: corresponde a linha que une os pontos de curvatura máxima da superfície dobrada. Esta linha pode ser reta ou curva dependendo da geometria da superfície dobrada. Quando esta linha é reta é conhecida como geratriz ou eixo da dobra. De acordo com sua orientação é possível definir a posição espacial da dobra, horizontal, vertical ou inclinada.

de dobras simétricas com superfície axial vertical e eixo horizontal

Linha de crista: é o elemento geométrico mais elevado de uma dobra. Esta linha em geral não coincide com a linha de charneira das dobras, exceto nos casos

Plano ou superfície axial: pode ser definida como uma superfície que divide a dobra o mais simetricamente possível sendo também conhecida por conter o traço axial da dobra.

Flancos ou limbos: superfícies que se estendem por ambos os lados da charneira, ou seja, que são separadas pelo plano axial.

Planos de superfície da crista: corresponde ao plano horizontal que passa pelo ponto mais alto da dobra

4.2 CLASSIFICAÇÃO DAS DOBRAS QUANTO À ORIGEM

As dobras podem ser classificadas de acordo com sua origem em dois tipos: atectônicas relacionadas com a dinâmica externa do planeta e tectônicas relacionadas com a dinâmica interna.

4.2.1 Tectônicas

São formadas em condições variadas de esforços, temperatura e pressão sendo mais relacionadas com processo de evolução da crosta terrestre e em particular com a formação das cadeias de montanhas (MACHADO E SILVA, 2009).

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Essas dobras podem ser formadas a partir de dois mecanismos básicos: flambagem e cisalhamento.

• Flambagem: ocorre o encurtamento das camadas perpendiculares a superfície axial das dobras, preservando, porém a espessura e o comprimento das mesmas (Figura 6). Neste processo ocorre o deslizamento entre as camadas superpostas em função da heterogeneidade litológica que de acordo com Machado e Silva (2009) resulta em diferenças mecânicas importantes que irão controlar a geração de dobras, sobretudo em níveis superiores da crosta e que vão diminuindo com a profundidade em função do aumento da temperatura e pressão.

espessas e os flancos adelgaçados

• Cisalhamento: neste processo os planos de deslizamentos são ortogonais ou oblíquos às camadas (Figura 7) ocasionando deformações na espessura e comprimento das mesmas. As zonas de charneiras são em geral mais

Figura 6: Exemplo de uma dobra.

Fonte: Machado; Silva (2009). Figura 7: Exemplo de uma dobra.

Fonte: Machado; Silva (2009).

4.2.2 Atectônicas

São formadas em camadas próximas à superfície ou na própria superfície em condições semelhantes às do ambiente e são desencadeadas pela força da

ELEMENTOS ESTRUTURAIS DAS ROCHAS 23 gravidade, ou seja, de movimentos localizados (deslizamentos, acomodações, escorregamentos, etc.). São caracterizadas por possuírem pouca expressão se comparadas com as formações tectônicas. A foto abaixo ilustra uma dobra atectônica. Nela podemos observar que as dobras são restritas a parte inferior das camadas.

Foto 5: Dobras atectônicas em rochas sedimentares na região de Punta Arena, Sul do Chile Fonte: Machado; Silva (2009).

4.3 CLASSIFICAÇÃO GEOMÉTRICA DAS DOBRAS

A classificação de uma dobra pode ser feita a partir da posição espacial de seus elementos geométricos (linha de charneira e superfície axial), na combinação entre estes elementos, na variação da superfície dobrada e combinando estas classificações com critérios geométricos ou estratigráficos.

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