Importância economica do Pimentão

Importância economica do Pimentão

(Parte 1 de 4)

MINISTERIO DA EDUCAÇÃO E CULTURA – MEC

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL E TECNOLOGICA

INSTITUTO FEDERAL DE MINAS GERAIS

CAMPUS SÃO JOÃO EVANGELISTA

Curso técnico em agropecuária

Irrigação

São João evangelista

Setembro de 2010

Agosto de 2010

Magno Ferreira

Diego Ferreira

Edilson Fernandes

Sandro Lucio

Turma: G

Cultura do Pimentão

Trabalho apresentado por exigência da disciplina de Olericultura ministrado pela professor Takeshi . Curso técnico em agropecuária.

São João evangelista

Agosto de 2010

INTRODUÇÃO

Neste trabalho serão apresentadas as principais características do pimentão. Apesar de maior parte do trabalho apresentar o termo pimenta, podemos esclarecer que como o pimentão e a pimenta são da mesma família as definições e características são as mesmas.

PRODUÇÃO DE MUDAS

 Em bandejas de isopor

A produção de mudas em bandejas deve ser feita em ambiente protegido, como telados. A técnica mais recomendável para se produzir mudas é de semeio em bandejas de isopor de 128 células, preenchidas com substrato comercial ou preparado na propriedade, colocando uma semente por célula. Caso haja comprometimento da germinação, o ideal é aumentar o semeio para três sementes / célula, procedendo-se a um desbaste posteriormente, se necessário, através do corte com tesoura, rente ao colo das mudas menos vigorosas quando estas apresentam pelo menos duas folhas definitivas. O arranquio das mudas germinadas em excesso não é recomendado pelo risco de comprometer o sistema radicular da muda remanescente na célula .

As bandejas devem ser colocadas em suporte tipo bancada, formada por tela de arame ou somente por fios de arame a 0,60-0,70 m do solo, a fim de que haja luz na parte inferior da bandeja . Este cuidado impede o desenvolvimento das raízes por baixo da bandeja, o que facilita a retirada das mudas por ocasião do transplante , evita injúrias às raízes novas e não cria condições para infecção das mesmas por fungos e bactérias do solo.

As irrigações (duas vezes por dia , no máximo ) deverão ocorrer nas horas de temperaturas mais amenas, ou seja, no início da manhã e final da tarde, utilizando-se água fresca e em quantidade suficiente para que se verifique apenas o início da drenagem (gotejamento) na parte inferior da bandeja. O cuidado nas irrigações é fundamental para se obter mudas de boa qualidade. Em caso de necessidade, deve ser feita uma adubação foliar após o desbaste, pulverizando-se as mudas com uma solução de adubo foliar com uma formulação de macro + micronutrientes. Deve-se evitar o excesso de nitrogênio para não favorecer a proliferação de doenças fúngicas nos tecidos foliares.

Em sementeiras

As sementeiras devem ser preparadas com revolvimento da terra, destorroamento e correção da fertilidade com base na análise química do solo. Os canteiros devem ter de 1,0 a 1,2 m de largura, 0,20 a 0,25 m de altura e comprimento de acordo com a necessidade de mudas. As sementes devem ser distribuídas uniformemente em sulcos transversais ao canteiro, distanciados 0,10 m um do outro e com 1,5 a 2,0 cm de abertura e 1,0 a 1,5 cm de profundidade. Gastam-se de 3 a 5 gramas de sementes por metro quadrado de sementeira. Após a distribuição, as sementes devem ser cobertas com terra do sulco. A colocação de uma cobertura com saco de aniagem sobre o canteiro evita que o impacto das gotas da água de irrigação ou de chuva desenterrem ou afundem as sementes, prejudicando a germinação ou a emergência. O número de sementes é de aproximadamente 200 por grama. A área da sementeira deve ser calculada com base na área que será plantada e no espaçamento a ser utilizado.

Compra de mudas

Atualmente é possível adquirir mudas ou contratar a produção das mesmas com profissionais que se dedicam a esta atividade. Este sistema é recomendado para cultivo em áreas maiores e apresenta como principais vantagens a rapidez na obtenção das mudas, assim como a boa qualidade das mesmas. O produtor pode fornecer ao viveirista suas próprias sementes ou indicar a cultivar ou variedade e adquirir as sementes no mercado .

SOLOS

Os solos utilizados para o cultivo de pimenta devem ser profundos, leves, drenados (com bom escoamento de água, não sujeitos a encharcamento), preferencialmente férteis, com pH entre 5,5 a 7,0. Devem ser evitados solos salinos ou com elevada salinidade, uma vez que as pimentas, assim como pimentão, são moderadamente sensíveis. Altas concentrações de sais no solo podem ser de origem natural ou resultantes do uso excessivo de fertilizantes, localização inadequada de fertilizantes ou ainda do uso de água de irrigação com altas concentrações de sais. A salinidade do solo, medida por meio da condutividade elétrica produzida por sais solúveis do solo a 25oC, deve estar abaixo de 3,5 cS/m de condutividade elétrica, pois a partir deste valor a produtividade começa a diminuir.

Do ponto de vista sanitário, recomenda-se que sejam evitadas áreas que tenham sido cultivadas nos últimos 3-4 anos com outras plantas da família das Solanáceas (como batata, tomate, berinjela, pimenta, jiló, fumo, Physalis) ou Cucurbitáceas (como abóbora, moranga, pepino, melão e melancia). Áreas com cultivos anteriores de gramíneas (milho, sorgo, arroz, trigo, aveia), leguminosas (feijão, soja) ou aliáceas (cebola, alho), são as mais indicadas.

O preparo consiste de limpeza da área, aração a uma profundidade de 30 cm, seguida de gradagem de nivelamento. Logo após a primeira gradagem faz-se a calagem de acordo com a análise de solo. Uma segunda gradagem é feita para incorporar o calcário ao solo e adequá-lo a sulcagem. O plantio pode ser feito em canteiros, mas o mais comum é o plantio em sulcos, que devem ter 30 a 40 cm de largura e 20 a 25 cm de profundidade. A distância entre os sulcos deve ser de 80 cm e devem ter uma declividade de 0,2% a 0,5% para facilitar o escoamento da água sem causar erosão. Após a incorporação de matéria orgânica (uma semana antes do plantio) e dos fertilizantes (um dia antes do plantio), o sulco ficará com a forma de ‘U’.

Em épocas chuvosas, recomenda-se a construção de canteiros com 20-25 cm de altura e 0,8-1,0 m de largura, para facilitar a drenagem e reduzir riscos de contaminação com murcha-de-fitóftora (Phytophhtora capsici). Se o plantio for feito em uma área pequena, os canteiros podem ser levantados com o auxílio de uma enxada.

A dose de calcário a ser aplicada, caso seja necessário, pode ser calculada com base na elevação da saturação de bases de um valor considerado adequado para cada lavoura. Para o cálculo é necessário que se tenha em mãos os resultados da análise e o valor de saturação de bases indicado para a espécie vegetal em questão. Adota-se a sequinte fórmula:

Dose de calcário (t ha-1) = (V2 - V1)T/PRNT

onde onde V2 é a saturação por bases desejada (70% a 80% para a pimenteira), V1 é a saturação de bases atual do solo [(Ca+2 + Mg+2 + K+) x 100/T], T é a capacidade de troca de cátions potencial do solo [Ca+2 + Mg+2 + K + (H+Al)], e PRNT = poder relativo de neutralização total do cálcario a ser aplicado.

 ADUBAÇÃO

A quantidade de adubo a ser aplicada é determinada com base na análise química do solo e nos boletins-aproximação de cada região. Como na maioria destes boletins não existem recomendações para a cultura da pimenta, utiliza-se a recomendação feita para o pimentão.

Aplicar calcário para elevar a saturação de bases a 80% e o teor mínimo de magnésio a 8 mmol/dm3. Em situações onde é muito difícil fazer a análise química do solo, existem algumas aproximações que auxiliam o produtor quanto às quantidades e tipos de adubos a serem utilizados. Porém, o produtor terá maiores chances de acerto fazendo a análise química anual de solo 2-3 meses antes da calagem. A quantidade de fertilizantes indicada deverá ser distribuída uniformemente no sulco ou no canteiro, revolvendo bem o solo a uma profundidade de aproximadamente 30 centímetros para que ocorra uma boa incorporação.

Nos latossolos da região do Distrito Federal adota-se a recomendação de adubação de plantio de P e K apresentada na Tabela 1. A adubação nitrogenada deve ser feita na base de 150 kg/ha de N. A adubação orgânica usada neste tipo de solo deve ser na razão de 30 t/ha de esterco de curral ou 10 t/ha de esterco de galinha. Além de NPK, fontes de B e Zn devem ser aplicadas no solo antes do plantio na base de 15-20 kg/ha.

No Estado de São Paulo, recomenda-se a adubação mineral e calagem publicada no Boletim Técnico 100 do Instituto Agronômico de Campinas. Os fertilizantes devem ser aplicados 10 dias antes do transplante das mudas, no sulco de plantio, em quantidades de acordo com a análise do solo e as recomendações descritas na Tabela 2. Na adubação orgânica utiliza-se 10 a 20 t/ha de esterco de curral curtido, ou 1/4 dessas quantidades de esterco de galinha curtido. Acrescentar à adubação de plantio 1 kg/ha de B e de 10 a 30 kg/ha de S.

A EPAMIG, por meio do Boletim Técnico nº 56, recomenda para a cultura da pimenta, doses de 20 t/ha de esterco de curral ou 5 t/ha de esterco de galinha por metro de sulco. Em seguida, aplicar também ao longo do sulco o adubo químico (de acordo com a Tabela 3) e misturar tanto o esterco como o adubo com a terra por meio de duas passadas de cultivador no fundo do sulco.

Até a fase de florescimento, as adubações de cobertura são feitas com adubo nitrogenado e durante a frutificação com uma mistura de adubo nitrogenado com potássico, em intervalos de 30-45 dias. No caso das pimentas, em que a colheita pode prolongar-se por mais de um ano, as adubações de cobertura devem ser feitas até o final do ciclo com base em observações no crescimento ou aparecimento de sintomas de deficiências nutricionais. Normalmente utiliza-se 20-50 kg/ha de N e 20-50 kg/ha de K2O.

Tabela 1. Recomendação de adubação com P2O5 e K2O para a cultura do pimentão na região do Distrito Federal, baseada na análise química do solo.

Níveis no solo (ppm)

Dosagem (kg/ha)

P

K

P205

K20

0-10

0-50

400-600

150-200

11-30

51-100

200-400

100-150

31-50

101-150

100-200

50-100

+50

+150

50

-

Fonte: Instituto Agronômico de Campinas – IAC (1996). Emater 1987, para o DF Plantio Embrapa Hortaliças

Tabela 2. Recomendação de adubação mineral para a cultura da pimenta no Estado de São Paulo, baseada na análise química do solo .

Nitrogênio

P resina , mg/dm3

K+ trocável, mmolc/dm3

Zn, md/dm3

0-25 26-60 > 60

0-1,5 1,6-3,0 > 3,0

0,6 > 0,6

N, kg /ha

P2O5, kg/ha

K2O, kg/ha

Zn, kg/ha

40

600 320 160

180 120 60

30

Fonte: Instituto Agronômico de Campinas – IAC (1996). Emater 1987, para o DF Plantio Embrapa Hortaliças

 

Tabela 3. Recomendação de adubação mineral para a cultura da pimenta no Estado de Minas Gerais , baseada na análise química do solo .

Teor no solo de

 

Dosagem (kg/ha)

P ou K

P2O5

K2O

N

Baixo

300

240

60

Médio

240

180

60

Alto

180

120

60

Fonte: EMPAMI, Boletim Técnico 56, Viçosa-MG, 1999

TRATOS CULTURAIS

 Durante o ciclo da pimenteira devem ser realizadas várias práticas culturais, tais como irrigação (ver Irrigação), manejo de plantas invasoras (ver Manejo de plantas daninhas), de insetos pragas (ver Pragas e métodos de controle) e patógenos (ver Doenças e métodos de controle), adubação de cobertura (ver Adubação), desbrota, tutoramento e ‘mulching’.

As plantas de pimentão são tutoradas tanto no sistema de cultivo protegido como em campo aberto. As hastes lenhosas da maioria dos tipos de pimenta dispensam tutoramento e desbrota. Entretanto, caso apareçam brotações na haste principal abaixo da primeira bifurcação , elas podem ser retiradas. Em locais de ventos fortes, pode ocorrer a necessidadede se fazer tutoramento da planta (colocando-se uma estacade madeira ou bambu juntoà planta) ou o plantio de quebra-vento em voltado campo(capim-elefante, milho, cana-de-açúcar).

Para se evitar o aparecimento de plantas invasoras, a ocorrênciade doenças de solo, manter a temperaturado solo e reduzir a evaporação da águado solo, pode-se colocar um filme de plásticode cor negra(‘mulching’) ou dupla-face, ou seja, negro de um lado e branco e outro. Neste caso, o lado branco deve ficar para cima para refletir a radiação, e assim evitar o aquecimentodo solo. A colocação do filme pode ser feita antes ou após o transplante.

 IRRIGAÇÃO

 

A produção de pimentas em regiões com chuvas regulares e abundantes pode ser realizada sem o uso da irrigação. Todavia, em regiões com precipitação mal distribuída ou deficitária, o uso da irrigação é decisivo para a obtenção de altos rendimentos em cultivos comerciais.

A deficiência de água, especialmente durante os estádios de floração e pegamento de frutos, reduz a produtividade em decorrência da queda de flores e abortamento de frutos. Todavia, plantas de pimenta submetidas a deficiência moderada de água no solo produzem frutos mais pungentes, com maior teor de sólidos solúveis e de matéria seca. O excesso de água no solo também pode comprometer a produção de pimentas. Irrigações excessivas, principalmente em solos de drenagem deficitária, prejudica a aeração do solo e favorece o desenvolvimento de várias doenças de solo, como a causada por Phytophthora capsici.

A produtividade, a qualidade de frutos e a ocorrência de doenças também podem ser afetadas pela forma com que a água é aplicada às plantas, ou seja, pelo método de irrigação utilizado. Assim, o suprimento de água às plantas no momento oportuno e na quantidade correta, além da forma que a água é aplicada às plantas, é decisivo para o sucesso da cultura.

Alguns problemas freqüentemente observados, relacionados ao manejo inadequado da irrigação e à utilização de sistemas de irrigação não apropriados, são: baixa eficiência no uso de água, de energia e de nutrientes, maior incidência de doenças fúngicas e bacterianas, baixa produtividade e redução na qualidade de pimentas (pungência, coloração, etc.)

SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO

Vários são os sistemas que podem ser utilizados para a irrigação da cultura de pimentas. A escolha deve ter como base a análise de vários fatores, tais como: tipo de solo, topografia, clima, custo do sistema, uso de mão-de-obra e energia, incidência de pragas e doenças, rendimento da cultura, quantidade e qualidade de água disponível.

Na Tabela 1 são apresentadas algumas características dos principais sistemas de irrigação que podem ser utilizados na cultura. No Brasil, a cultura de pimentas é irrigada principalmente pelos sistemas por aspersão, seguido pelo sistema por sulcos e, em menor escala, pelo gotejamento.

Dentre os sistemas por aspersão, o convencional semiportátil é o mais utilizado. Para a produção de pimentas em larga escala, como para páprica, tem sido utilizado o sistema pivô central. A principal vantagem da aspersão é a possibilidade de ser utilizada nos mais diversos tipos de solo e topografia e ter menor custo que o gotejamento. Por outro lado, favorece maior incidência de doenças foliares, principalmente, por remover agrotóxicos e propiciar condições de alta umidade junto ao dossel das plantas.

Dentre os sistemas superficiais, o por sulcos é o mais indicado, sendo utilizado principalmente pelos pequenos produtores de pimentas. Apresenta as vantagens de não molhar a parte aérea das plantas e ter custo inicial inferior aos demais sistemas. Não é recomendado para solos com alta taxa de infiltração, como os arenosos, terrenos de topografia declivosa ou ondulada. Outros sistemas superficiais, a exemplo da irrigação por faixas e inundação, mesmo que temporária, não devem ser utilizados, haja vista que a cultura não tolera solos com aeração deficiente.

Mais recentemente, alguns produtores de pimenta ‘Malagueta’ no estado do Ceará têm optado pelo uso do gotejamento. A grande vantagem do sistema consiste na aplicação da água de forma localizada na zona radicular sem atingir a parte aérea das plantas, minimizando a ocorrência de doenças. A fertirrigação e a economia no uso de água, em geral entre 20 e 30%, são outros grandes trunfos do gotejamento frente aos demais sistemas de irrigação. Fertilizantes, como nitrogênio e potássio, podem ser aplicados de forma parcelada via irrigação, aumentando a eficiência no uso dos mesmos e a produtividade. As principais desvantagens são o maior custo do sistema e o risco de entupimento. O custo está diretamente relacionado ao espaçamento entre linhas de plantio; assim, o sistema é mais recomendado para as pimentas cultivadas com espaçamento entre linhas acima de 1,0 m, como a ‘Malagueta’ ou aquelas com alto retorno econômico. A presença de partículas sólidas e orgânicas, de carbonatos, de ferro e de bactérias na água e a formação de precipitados insolúveis dentro da tubulação são as principais causas de entupimento de gotejadores. Este problema pode ser eficientemente contornado utilizando-se sistemas de filtragens e realizando-se o tratamento químico da água quando necessário.

Por não molharem a folhagem das plantas, os sistemas por sulcos e gotejamento podem favorecer, por outro lado, ácaros e insetos, a exemplo de pulgões, os quais são agentes transmissores de viroses, além de doenças como o oídio. A irrigação por sulcos pode favorecer ainda a disseminação de fungos e bactérias ao longo dos sulcos por meio da água de irrigação.

NECESSIDADE DE ÁGUA DA CULTURA

A necessidade total de água da cultura de pimentas é variável, pois além das condições climáticas, depende grandemente da duração do ciclo de desenvolvimento de cada cultivar. Em termos gerais, varia de 500 a 800mm, podendo ultrapassar os 1.000mm para cultivares de ciclo longo. A necessidade diária de água, também chamada de evapotranspiração da cultura, engloba a quantidade de água transpirada pelas plantas mais a água evaporada do solo, sendo expressa em mm/dia, varia de 4 a 10mm/dia no pico de demanda da cultura.

A cultura da pimenta apresenta quatro estádios distintos de desenvolvimento com relação às necessidades hídricas. A duração de cada estádio depende da cultivar, condições edafoclimáticas e sistema de cultivo.

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