Cannabis

Cannabis

Cannabis

Introdução

  • Droga ilícita mais cultivada, traficada e consumida no Mundo.

  • Era utilizada principalmente pelas propriedades têxteis e medicinais.

  • Foi introduzida no Brasil na época das capitanias.

    • Prevalência de uso aumentou de 1% em 2001 a 2,6% em 2005.

Introdução

  • Era usada como hipnótico pelos primeiros escravos

  • Seu uso era frequente em classes baixas e foi difundido entre jovens de todas as classes mais tardemente.

Química e Constituintes da Cannabis Sativa L.

  • O termo canabinóide refere-se:

    • todos os ligantes dos receptores canabinóides e compostos relacionados, incluindo ligantes endógenos e grande número de análogos sintéticos.

Química e Constituintes da Cannabis Sativa L.

  • O Δ9-THC é o principal composto químico com efeito psicoativo.

    • Foi isolado em 1964.
    • Encontrado em maiores concentrações nas inflorescências, seguido pelas folhas, e traços em caule e ramos. Não sendo encontrado em raízes e sementes.
    • Condições ambientais influenciam no teor de Δ9-THC, condicionando sua psicoatividade.
  • Existem outros fitocanabinóides psicoativos, porém, são encontrados em pequenas concentrações ou são menos potentes, não interferindo nos efeitos da Cannabis.

Estrutura do ∆9-THC

Química e Constituintes da Cannabis Sativa L.

  • Os fitocanabinóides estão na forma de ac. Carboxílicos na planta in natura.

  • Os mais importantes são:

    • Ac. Carb. de Δ9-THC, CBD, CBC e CBG.
  • Para produzirem efeitos psicoativos, os ac. carboxílicos precisam ser descarboxilados. Podendo ser feito por:

    • Ressecamento, Estocagem e
    • Principalmente durante a pirólise, quando a Cannabis é fumada.

Química e Constituintes da Cannabis Sativa L.

  • Dependendo das condições de estocagem, ou o tempo de armazenamento, os produtos da Cannabis tendem a perder a potência, pois o Δ9_THC é foto e termossensível.

Preparações da Cannabis

  • As preparações obtidas são várias e os nomes variam conforme a parte da planta utilizada e o modo de preparo.

  • Principais preparações:

    • Maconha: planta inteira, com proporções variadas de folhas, inflorescências, caules e frutos. Uso: Cigarros. Teor de Δ9-THC: 1 a 3%
    • Haxixe: exsudato resinoso seco, coletado das inflorescências das plantas cultivadas. Uso: Cachimbo. Teor de Δ9-THC: 10 a 20%

Preparações da Cannabis

  • Haxixe: Maconha:

Preparações da Cannabis

  • Principais preparações:

    • Sinsemilla: sumidades floridas das plantas femininas que não foram polinizadas. Uso: fumada. Teor de Δ9-THC: 5 a 14%
    • Ganja: massa resinosa composta por folhas pequenas e inflorescências de plantas cultivadas. Uso: fumada ou adicionada a bebidas ou doces. Teor de Δ9-THC: 3%
    • Bhang: folhas secas e inflorescências de plantas não cultivadas. Uso: Normalmente é bebida na forma de decoração. Teor de Δ9-THC: 1 a 3%

Preparações da Cannabis

  • Ganja: Shang:

Vias de Introdução e Absorção do Δ9-THC

  • A Cannabis é geralmente consumida via:

    • Pulmonar: cigarros e cachimbos, ou;
    • Oral: ingestão da droga incorporada em alimentos como: bolo, biscoitos ou doces, ou adicionada a soluções alcoólicas em bebidas, usando semente ou óleo da planta.

Vias de Introdução e Absorção do Δ9-THC

  • Via Pulmonar Via Oral

Via Pulmonar – Absorção alveolar

  • Absorção por essa via é muito rapida devido a: grande área de superfície, extensa rede de capilares e alto fluxo sanguíneo.

  • Assim, o Δ9-THC já e detectável no plasma segundos após a 1ª tragada do cigarro, atingindo nível plasmático max de 3-10 min.

Via Pulmonar – Absorção alveolar

  • A biodisponibilidade varia de 8-24%, e os fatores que influenciam na variação desta são:

    • Perda de Δ9-THC durante o ato de fumar – 30% destruído pela pirólise e 40-50% é perdido na corrente;
    • Dinâmica do ato de fumar – nº, intervalo e tempo de tragadas e tempo de retenção no pulmão;
    • Experiência do fumante – fator que mais contribui para a incerteza da biodisponibilidade;

Via Oral – Absorção pelo TGI

  • A absorção por esta via é lenta, tendo concentração plasmática máx. após 1-2 hrs.

  • Os efeitos aparecem após 30-60 min,

  • A biodisponibilidade é baixa devido a:

    • Extensa biotransformação hepática;
    • Degradação do Δ9-THC devido ao meio ácido do estômago e aos microorganismos presente no TGI.

Via Oral X Via Pulmonar

  • Velocidade de absorção:

    • VO: lenta e irregular
    • VP: muito rápida
  • Biodisponibilidade sistêmica:

    • VO: 4-12%
    • VP: 8-24%
  • Início:

    • VO: 30-60 min
    • VP: minutos

Distribuição

  • O Δ9-THC é ligado a proteínas plasmáticas em cerca de 97-99%, essa afinidade é devido a sua alta lipossolubilidade.

  • Após absorção o Δ9-THC é distribuído rapidamente para tecidos muito vascularizados, diminuindo a conc. plasm. A seguir há uma redistribuição, com acúmulo em tecidos menos vascularizados e no tecido adiposo.

  • Os canabinóides cruzam a barreira placentária e são secretados no leite materno

Biotransformação e Excreção

  • O Δ9-THC é quase inteiramente biotransformado, principalmente pelo citocromo P-450(CYP), outros tecido como coração e pulmão, também biotransformam, porém, em extensão muito menor.

  • Os principais produtos de biotransformação são os compostos monohidroxilados, especialmente:

    • 11-OH-Δ9-THC e o 8--OH-Δ9-THC, sendo compostos ativos. O primeiro exibe atividade e disposição similar ao Δ9-THC, enquanto o segundo é menos potente.

Biotransformação e Excreção

  • Posteriormente, o 11-OH-Δ9-THC é oxidado a THC-COOH, que é polar e inativo. Esse produto é conjugado com o ac. Glicurônico e excretado em quantidades significativas na urina.

  • Aproximadamente 70% de Δ9-THC é excretado em 72 h, sendo 30% na urina e 40% nas fezes.

Biomarcador

  • O THC-COOH é o principal produto de biotransformação urinário, sendo um bom biomarcador de exposição à Cannabis.

  • A janela de detecção para fumantes

    • Eventuais é de 2 a 4 dias.
    • Frequentes é de cerca de um mês.
    • Obs: valor de cutoff : 15ng/mL.

Mecanismo de Ação

  • O sistema endocanabinóide é constituido de:

    • Receptores canabinóides, CB1 e CB2, endocanabinóides e enzimas.
  • O desenvolvimento de agonistas e antagonistas canabinóides potentes e seletivos, desempenharam um papel muito importante nos avanços da farmacologia dos canabinóides.

Mecanismo de Ação

  • Os receptores canabinóides estão acoplados às proteínas G. E são ativados, quando interagem com ligantes como o Δ9-THC, inibindo a atividade e enzimas adenilato-ciclases e estimulando a das MAPK.

  • Os receptores CB1, a modulação se faz sobre canais de Ca2+ ativados por voltagem, que inibem, levando a uma diminuição na liberação de neurotransmissores e na abertura de canas de K+, diminuindo a transmissão de sinais.

Mecanismo de Ação

  • Os receptores CB1 são expressos principalmente no SNC; e são abundantes em partes do cerebelo que regulam os controles dos movimentos, motor, aprendizagem, memória e prazer.

  • Esses efeitos condizem com os produzidos pela Cannabis.

  • Existem receptores também nos circuitos de dor no cérebro e medula espinal. Explicando assim, as propriedades analgésicas dos agonistas dos receptores canabinóides.

Mecanismo de Ação

  • Os receptores CB, estão em estruturas associadas à modulação do Sistema Imune e da Hematopoiese. O estímulo pelo Δ9-THC resulta em um fenótipo imunossupressor.

  • Os mecanismos dos efeitos eufóricos e produtores de dependência não são muito conhecidos.

Efeitos Tóxicos

  • Variam muito de individuo para individuo.

  • Os efeitos gerais do uso da Cannabis a curto prazo são:

    • Período inicial de euforia (“alto”);
    • A euforia é seguida de relaxamento, sonolência e depressão;
    • Perda de discriminação de tempo e de espaço;
    • Coordenação motora diminuída;
    • Prejuizo da memória recente;
    • Falha nas funções intelectuais e cognitivas;

Efeitos Tóxicos

  • A curto prazo são:

    • Retardo na capacidade de percepção sensorial, intensificando as sensações, os sentidos e exagerando a sensibilidade;
    • Taquicardia;
    • Hiperemia das conjuntivas;
    • Pressão sanguínea permanece relativamente inalterada;
    • Aumento do apetite com secura na boca e garganta.

Efeitos provocados

Efeitos Tóxicos

  • A longo prazo são:

    • Sistema Imune: o Δ9-THC deteriora a habilidade do Sistema Imune para combater as infecções bacterianas e tumores.
    • Sistema Pulmonar:
    • Sistema Cardiovascular: menor eficiência na transferência, transporte e liberação do O2. aumento da velocidade cardíaca

Efeitos Tóxicos

    • Psicopatologias: aumento no risco de sintomas psicóticos e até doenças mentais entre usuarios.
    • Anormalidades comportamentais no recém-nascido: respostas alteradas a estímulos visuais, tremor acentuado e choro agudo, inquietude, estressados, desatentos e apresentavam dificuldade de serem acalmados.

Dependência

  • O uso a longo prazo da maconha pode levar à dependência, contudo, o diagnóstico da dependência tem controvérsias.

  • Cannabis é considerada “inócua” e assim, a prevalência do uso regular ou esporádico tem aumentado.

  • Maioria dos casos: frequência é usada como critério para dependência.

  • Pesquisas mostram que o uso de maconha na adolescência, aumenta a probabilidade de ter problemas com outras drogas para o resto da vida.

Tolerância e Síndrome de Abstinência

  • A tolerância se desenvolve para a maioria dos efeitos da Cannabis, canabinóides e análogos sintéticos que atuam no recp. canabinóide CB1.

  • A tolerância pode ser atribuída a alterações farmacodinâmicas. A velocidade e duração da tolerância varia conforme os diferentes efeitos da Cannabis.

  • Não há desenvolvimento de tolerância metabólica.

Tolerância e Síndrome de Abstinência

  • A abstinência à Cannabis não é reconhecida pela DSM-IV, pesquisas são realizadas com o intuito de estabelecer a validade e o significado clínico da síndrome.

  • Pode-se observar em fase de abstenção: diminuição do apetite, dificuldade para dormir, perda de peso, agressão, raiva, irritabilidade.

  • Quando o uso da Cannabis é retornado pelos fumantes os efeitos ficam basais.

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