sociologia - comte marx weber e durkheim

sociologia - comte marx weber e durkheim

(Parte 2 de 2)

ÉMILE DURKHEIM

Fatos sociais – externalidade e coercitividade

Os fatos sociais são objeto de estudo da sociologia, segundo Durkheim. Os fenômenos que o autor denomina fatos sociais são: “toda maneira de agir ou pensar fixa ou não, capaz de exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior, apresentando uma existência própria independente das manifestações individuais que possa ter.

Dizemos que são externos porque são fatos coletivos, como a religião ou o sistema econômico, por exemplo, independentes dos indivíduos, que já os encontram prontos quando nasce, e que morrerão antes que esses deixem de existir. Ou seja, existem fora dos indivíduos e são internalizados através do processo de socialização.

Essas maneiras de agir e pensar são, além de externas, capazes, pelo seu poder coercivo, de obrigar um indivíduo a adotar um comportamento qualquer. A coerção pode se manifestar direta ou indiretamente.

A coerção pode também ser formal ou informal. É formal, como o próprio nome já diz, quando a obrigação e a punição pela transgressão estão estabelecidas formalmente. O Código Penal, por exemplo, apresenta um grande número coerções formais para diversos atos predefinidos.

É informal quando é exercida espontaneamente pelas pessoas no seu dia a dia.

Finalmente, a coerção pode estar oculta. A pessoa que cumpre de bom grado e com satisfação as suas obrigações sociais não sente o peso da coerção sobre o seu comportamento. Uma pessoa que gosta de sua profissão, por exemplo, geralmente cumpre seus deveres com prazer, sem a necessidade de imposições.

Mas a coerção nunca deixa de existir. Está sempre à espreita.

Fatos sociais: fixos e não fixos

Quando se diz que são fatos sociais fixos ou não fixos significa que podem se apresentar de duas maneiras diferentes: como maneiras de agir ou como maneira de ser.

As maneiras de agir são formas de agir e pensar coletivas, que determinam o comportamento dos indivíduos, que os obrigam de uma determinada forma, mas não tem uma longa duração de tempo, ou seja, são efêmeras e instáveis.

As maneiras de ser também são fenômenos de ordem coletiva que determinam o comportamento indivíduo, mas nesse caso há uma durabilidade no tempo, uma permanência ou estabilidade.

Há uma relação importante entre esses dois fenômenos. Muitas vezes um movimento social se inicia como maneira de agir e pode vir a se fixar e estabelecer (se institucionalizar) e daí se tornar uma maneira de ser.

A dualidade dos fatos morais.

Fatos morais ou sociais são externos em relação aos indivíduos e portanto são estranhos a eles em alguma medida. No mínimo são coisas que não foram criadas pela pessoa e assim pode diferir mais ou menos de seu pensamento. Além disso, esses fatos externos e “estranhos” em a capacidade de exercer coerção, podem se impor aos indivíduos como uma obrigação.

Desse ponto de vista a sociedade, as regras e a moral aparecem como realidade que constrangem o indivíduo, que limitam a sua ação e a possibilidade de realização de suas vontades. Viver em sociedade representaria, assim, um sacrifício ou, no mínimo, um incômodo.

Mas esse é apenas um dos lados dessa questão. Se a sociedade e a moral só tivessem esse lado negativo e coercitivo, seria muito difícil explicar a existência da ordem social.

É sabido que nenhum grupo ou sociedade pode sobreviver por muito tempo com base apenas na coerção. Pessoas muito insatisfeitas são capazes de enfrentar qualquer tipo de perigo para encontrarem uma saída. Basta observar que mesmo nos regimes políticos muito fechados, mantidos pela violência, a residência não deixa de existir e, na maioria das vezes, leva o sistema à ruína.

Os fatos sociais ou morais não são apenas obrigações desagradáveis que temos que seguir independentemente de nossa vontade. São também coisas que queremos e necessitamos. Nesse caso, a coerção deixa de se fazer sentir, se transforma em um dever. Algo que poderia ser visto como um sacrifício passa a ser visto como um prazer.

Isso acontece porque o indivíduo não se realiza fora da sociedade ou do grupo. Só entre outras pessoas, num meio onde exista ordem e um conjunto de instituições morais reguladoras do comportamento coletivo, o indivíduo pode encontrar segurança (tanto física como psicológica) e tranqüilidade para levar a sua vida.

Por isso, ou seja, em retribuição a essa segurança, o indivíduo passa a ver a sociedade não como um conjunto de obrigações estranhas a ele, mas como um conjunto de direitos e deveres que ele precisa e, acima de tudo, quer respeitar.

Coesão, solidariedade e os dois tipos de consciência

A solidariedade social, para Durkheim, é formada pelos laços que ligam os indivíduos, membros de uma sociedade, uns aos outros formando a coesão social.

Há dois tipos deferentes de solidariedade social. Esses tipos tem relação com o espaço ocupado na mentalidade dos membros da sociedade pela consciência coletiva e pela consciência individual.

A consciência coletiva é apresentada pelo conjunto das crenças e dos sentimentos comuns à média dos membros de uma mesma sociedade que forma um sistema determinado que tem vida própria. São as crenças, os costumes, as idéias que todos que vivem em um mesmo grupo compartilham uns com os outros.

A consciência individual é aquilo que é próprio do indivíduo, que o faz deferente dos demais. São crenças, hábitos, pensamentos, vontades que não são compartilhados pela coletividade, mas que são especificamente individuais.

Solidariedade mecânica ou por semelhanças – A consciência coletiva recobre “espaços” de distintos tamanhos na consciência total das pessoas de acordo com o tipo de sociedade onde elas vivem. Assim, quanto maior for o “espaço” ocupado pela consciência coletiva em relação à consciência total das pessoas em uma sociedade, mais a coerção, nessa mesma sociedade, origina-se da conformidade e da semelhança existentes entre seus membros. Nesse caso, segundo Durkheim, a ordem social se fundamenta na “solidariedade mecânica”.

Isto é, quanto maior a consciência coletiva, mais os indivíduos se parecem uns com os outros e portanto se ligam, se aproximam pelo que tem em comum. Pelo fato de terem os mesmos pensamentos, os mesmos costumes, acreditarem nas mesmas coisas, etc. A coesão, ou a solidariedade, resulta das semelhanças.

Solidariedade orgânica ou por diferenças – Quanto menor for o “espaço” ocupado pela consciência coletiva em relação à consciência total das pessoas em uma sociedade, ou quanto maior for a “área” ocupada pela consciência individual, mais a coesão se fundamenta nas diferenças existentes entre os indivíduos.

Se a consciência individual é maior numa sociedade, os indivíduos são diferentes uns dos outros e a solidariedade só pode surgir da percepção geral de que cada um, com suas especialidades, contribui de uma maneira diferente, e importante, para a sobrevivência de todo, ao mesmo tempo que depende dos demais membros, especialistas em outras funções. É essa rede de funções interdependentes que promove a solidariedade orgânica.

Os indicadores dos tipos de solidariedade – Durkheim não poderia visualizar “a olho nu” qual tipo de solidariedade seria predominante em uma sociedade dada. A solidariedade, como um fenômeno moral, só seria identificada a partir de algum indicador que a fizesse visível.

Os tipos de normas do direito indicam, para Durkheim, o tipo de solidariedade que predomina em uma sociedade.

Direito Repressivo – A preocupação principal desse tipo de direito é punir aquele que não cumpre determinada norma social através da imposição de dor, humilhação ou privação de liberdade. O ponto é que o criminoso agride uma regra social importante para a coletividade e, portanto, merece um castigo de intensidade equivalente a seu erro.

Direito Restitutivo – A preocupação principal nesse tipo de direito é fazer com qe as situações perturbadas sejam restabelecidas e retornem a seu estado original. Ao infrator cabe, simplesmente, reparar o dano causado.

Isso acontece porque o dano causado não afeta a sociedade como um todo , mas apenas uma função específica desempenhada nela. Quanto maior é a participação do direito restitutivo em uma sociedade, menor é a força e a abrangência da consciência coletiva, maior é a diferenciação individual.

Portanto ao identificar o tipo de direito que predomina em uma sociedade, estamos identificando o tipo de solidariedade existente. Se predomina o direito repressivo, uma maior quantidade de normas é mantida pela consciência coletiva (solidariedade mecânica). Se predomina o direito restitutivo uma menor quantidade de normas diz respeito à sociedade como um todo (solidariedade orgânica).

OPINIÃO:

Na minha opinião o pensador que mais contribuiu para a administração foi Max Weber, com sua objetividade e sua ciência da realidade.

Comte dominou e continua a dominar, grandemente a cabeça e as idéias de grande parte do mundo. Embora defendendo a existência uma classe dominante e preparada para governar o proletariado, foi vertiginoso. Suas idéias, porém, não eram a verdade absoluta. Em 1920,as descobertas de Broglie no campo da física quântica, considerando o elétron um sistema ondulatório, permitiram a Heisenberg a formulação do princípio da incerteza. Segundo esse princípio, é impossível determinar simultaneamente e com igual precisão a localização e a velocidade do século XIX. O positivismo de Comte começa a morrer.

Com a queda do muro de Berlim, caiu também todo o império russo e com ele foi junto o sonho de um mundo comunista de Marx. Assim como o positivismo, o marxismo mostrou-se inviável na prática, ficando a mercê da interpretação pelo sujeito do objeto focado.

O positivismo de Comte conseguiu a proeza de influenciar até as ciências que abominava, como o Direito que julga ser desnecessário em seu universo de ordem e progresso.

Penso que o positivismo é uma demasiadamente totalitária, assim como o marxismo eu admitia uma etapa intermediária entre a sociedade atual e o comunismo. Aliás, admitir que este estágio (denominado como socialismo por Marx) seria uma ditadura e que ela acabaria de forma harmoniosa e pacífica é por demais ingênuo para um homem que pregava a revolução constante entre as mudanças históricas. Como tivemos o privilégio de observar, quando os grandes líderes comunistas assumiram o poder, governaram como reais déspotas, matando mais que qualquer guerra Uma vez experimentado o gosto do poder, o homem, em sua pequenez, não cedeu lugar ao ideal que para lá o levou. Isto se fiando que as tomadas pelo poder forma de cunho social verídico.

Fica difícil verificar isso quando se esperava uma evolução do pensamento de Marx sobre a influência do método positivista. Sob este enfoque a revolução não se fazia tão necessária, e o movimento socialista poderia se perder em abstrações. Assim, acabaram por fracassar as várias tentativas de se positivar o marxismo para torna-lo uma ciência nos moldes “normais”unido ao positivismo pela sociologia, que estudaria de forma científica a sociedade. Porém, de forma científica significava isenção e afastamento dos ideais de luta e revolução. Com Lênin e Rosa Luxemburgo voltou aos seus trilhos revolucionários.

Para finalizar, ma observação: os socialistas eram extremamente práticos, buscando sempre formas de execução de seus ideais, enquanto que o positivistas ficavam divagando no mundo do “pode-ser”, do “deve-ser” sem conseguir concretizar seu pensamento.

Émile Durkheim grande pensador explanava a sociologia de maneira diferenciada, atribuindo tipos a condutas e etc.

Enfim Max Weber, contribuiu por demais na Administração, ainda mais quando ele não tentou definir as organizações, nem estabelecer padrões de administração que elas devessem seguir. Seu tipo ideal não era um modelo prescritivo, mas uma abstração descritiva. Weber descreveu as organizações burocráticas como máquinas totalmente impessoais, que funcionam de acordo com regras que ele chamou de racionais – regras que dependem de lógica e não de interesses pessoais.

Segundo Weber existia três tipos de autoridades – a tradicional, a carismática e a legal-racional, e dessa forma contribui demais com as organizações e com a administração de uma forma geral.

BIBLIOGRAFIA

MARX, Karl. Crítica da filosofia do direito e Hegel. 2a.Ed Lisboa: Editoral Presença, 1983

VICENTE, Gilson (Supervisor). Filosofia- Positivismo em EDIPE – Enciclopédia Didática de Informação e Pesquisa Educacional. V.5, p.1504, 5a.Ed: Livraria e Editora Iracema Ltda, 1989.

FRANCO, Walter Silveira. Filosofia – Materialismo Histórico. Belém: Junho 1995.

COMTE, Auguste. Curso de filosofia positiva, Coleção os pensadores. São Paulo: Abril Cultural, 1973.p.9-11.

ARANHA, Maria Lúcia e MARTINS, Maria Helena. Filosofando – Introdução à Filosofia. São Paulo: Editora Moderna, 1996.

DURKHEIM, Emile. As regras do método sociológico. Ao Paulo, Ed. Nacional, 1990.

ARON, Raymond. As etapas do pensamento sociológico. São Paulo. Martins Fontes. 1993.

FREUND, Julien. Sociologia de Max Weber. 4ª ed. Rio de Janeiro: Forense, 1987

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