praticas de conservação

praticas de conservação

PRÁTICAS DE CONSERVAÇÃO DO SOLO

Práticas Vegetativas

As práticas vegetativas referem-se às estratégias que visam, tanto a proteção do solo contra o impacto da gota da chuva que resultaria no celamento superficial, impedindo a infiltração, como servir de obstáculo ao escorrimento de água superficial, como, ainda, promover as condições de percolação da água através do perfil do solo.

Por muitos anos, a pesquisa tem direcionado esforços para o conhecimento da importância da cobertura do solo, seja qual for a técnica utilizada: cobertura vegetal com leguminosas ou o plantio intercalar de um cultura anual, perene ou semi-perene. Quando a maior parte do solo fica desprotegida, aumentam-se os riscos de erosão.

Consorciação de culturas

As vantagens da prática da consorciação, seja com culturas anuais ou perenes são: melhor distribuição da renda ao longo do ano; melhor utilização da mão-de-obra; menor incidência de pragas e doenças; uso mais intenso e racional da terra; e maior lucro por unidade de área.

Mas é sempre bom estar atento a alguns aspectos como: a existência de competição por água, luz e nutrientes que pode restringir o desenvolvimento de alguma cultura, principalmente se o manejo do consórcio não for bem planejado; as plantas cultivadas nas entrelinhas podem servir como hospedeiro intermediário de pragas e doenças e pode haver uma alteração do microclima, tornando-o mais próprio para o estabelecimento de doenças fúngicas.

Para que se consiga sucesso na consorciação, é necessário seguir alguns parâmetros na escolha das espécies a serem consorciadas, como aqueles relacionados às suas estruturas vegetativas não conflitantes (raízes e parte aérea), características fisiológicas complementares, além de plena adaptação à região e valor econômico atraente.

Quebra - vento

O quebra-vento é um sistema aerodinâmico, natural ou artificial, que serve como anteparo para atenuar o padrão de velocidade média e da turbulência do vento, proporcionando melhorias às condições ambientais através do controle do microclima da área protegida.

Dentre as várias funções do quebra-vento na propriedade agrícola, destacam-se:

  • proteção do solo contra a erosão eólica; das culturas evitando a queda de galhos, folhas, flores e frutos, e dos animais amenizando o resfriamento e a ação mecânica;

  • conservação da umidade do solo, através da diminuição das perdas da água;

  • aumenta a eficiência da irrigação e do uso da água, diminuindo as perdas por deriva de gotas e diminuindo, também, a evapotranspiração da cultura;

  • produção de madeira para uso na propriedade como lenha ou em benfeitorias, ou para a comercialização;

  • fornecimento de combustível através da madeira;

  • conservação da fauna e outros valores ecológicos, servindo como atrativo e de abrigo para animais silvestres, além do uso no manejo integrado de pragas;

  • melhoria estética da paisagem com conseqüente valorização da propriedade;

  • produção de néctar e pólen para abelhas.

Cobertura morta

A cobertura morta é uma prática agrícola que consiste em cobrir a superfície do solo, preferencialmente nas entrelinhas, com uma camada de material orgânico, geralmente com sobras de culturas como a palha ou cascas. A palhada forma uma camada protetora sobre o solo, exercendo efeito físico sobre as sementes e a população de plantas espontâneas, principalmente as jovens, atuando sobre a passagem de luz e liberando substâncias alelopáticas, desta forma, proporciona condições adversas para a germinação e o estabelecimento de espécies indesejadas e favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

A cobertura morta pode ser formada a partir de culturas, principalmente gramíneas, consorciadas ou não com leguminosas, com alta capacidade de produção de matéria seca, semeada para este fim na própria área onde se deseja ter a cobertura ou com uso de materiais ou palhadas transportadas de outros locais.

A cobertura morta também pode ser formada no local com materiais orgânicos transportados de outros locais, como cascas, sabugos, palhas, serragem entre outros. A espessura da camada deve ser suficiente para formar uma barreira física capaz de impedir a emergência das invasoras. Em geral isso é possível com camadas de 8-10 cm de espessura. Entretanto, vale salientar que algumas coberturas podem favorecer a ocorrência de insetos e pragas indesejadas, até mesmo ratos e cobras. A cobertura morta não controla espécies invasoras perenes.

Curva de nível

A cultura em curvas de nível consiste na realização de atividades tais como a lavoura, a armação em sulcos e a plantação em curvas de nível (perpendicularmente ao escoamento superficial) e não segundo as linhas de maior declive. Tem por objetivo criar capacidade de armazenagem de água nas camadas superficiais e reduzir a taxa de escorrimento, proporcionando à água tempo para se infiltrar no solo.

A cultura em curvas de nível aumenta a capacidade de infiltração do solo e reduz as perdas de água e a erosão devida à mobilização. Porem a eficácia da cultura em curvas de nível para a conservação da água e do solo depende da concepção dos sistemas, mas também de fatores como a natureza do solo, o clima, o declive e a utilização dos terrenos.

Rotação de cultura

A rotação de culturas consiste em alternar, anualmente, espécies vegetais, numa mesma área agrícola. As espécies escolhidas devem ter, ao mesmo tempo, propósito comercial e de recuperação do solo.

As vantagens da rotação de culturas são inúmeras. Além de proporcionar a produção diversificada de alimentos e outros produtos agrícolas, se adotada e conduzida de modo adequado e por um período suficientemente longo, essa prática melhora as características físicas, químicas e biológicas do solo; auxilia no controle de plantas daninhas, doenças e pragas; repõe matéria orgânica e protege o solo da ação dos agentes climáticos e ajuda a viabilização do Sistema de Semeadura Direta e dos seus efeitos benéficos sobre a produção agropecuária e sobre o ambiente como um todo.

Para a obtenção de máxima eficiência, na melhoria da capacidade produtiva do solo, o planejamento da rotação de culturas deve considerar, preferencialmente, plantas comerciais e, sempre que possível, associar espécies que produzam grandes quantidades de biomassa e de rápido desenvolvimento, cultivadas isoladamente ou em consórcio com culturas comerciais.

Nesse planejamento, é necessário considerar que não basta apenas estabelecer e conduzir a melhor seqüência de culturas, dispondo-as nas diferentes glebas da propriedade. É necessário que o agricultor utilize todas as demais tecnologias à sua disposição, entre as quais destacam-se: técnicas específicas para controle de erosão; calagem, adubação; qualidade e tratamento de sementes, época e densidade de semeadura, cultivares adaptadas, controle de plantas daninhas, pragas e doenças.

Um esquema de rotação deve ter flexibilidade, de modo a atender as particularidades regionais e as perspectivas de comercialização dos produtos.

O uso da rotação de culturas conduz à diversificação das atividades na propriedade, possibilitando estabelecer esquemas que envolvam apenas culturas anuais, tais como: soja, milho, arroz, sorgo, algodão, feijão e girassol, ou de culturas anuais e pastagem. Em ambos os casos, o planejamento da propriedade a médio e longo prazo faz-se necessário para que a implementação seja exeqüível e economicamente viável.

As espécies vegetais envolvidas na rotação de cultura devem ser consideradas do ponto de vista de sua exploração comercial ou destinadas somente à cobertura do solo e adubação verde. Opções de espécies para sucessão e rotação de cultura envolvendo a soja são apresentadas no Capítulo

A escolha da cobertura vegetal do solo deve, sempre que possível, ser feita no sentido de obter grande quantidade de biomassa. Plantas forrageiras, gramíneas e leguminosas, anuais ou semiperenes são apropriadas para essa finalidade. Além disso, deve se dar preferência a plantas fixadoras de nitrogênio, com sistema radicular profundo e abundante, para promover a reciclagem de nutrientes.

A seleção de espécies deve basear-se na diversidade botânica. Plantas com diferentes sistemas radiculares, hábitos de crescimento e exigências nutricionais podem ter efeito na interrupção dos ciclos de pragas e doenças, na redução de custos e no aumento do rendimento da cultura principal (soja). As principais opções são milho, sorgo, milheto (principal espécie cultivada em sucessão: safrinha) e, em menor escala, o girassol.

Para a recuperação de solos degradados, indicam-se espécies que produzam grande quantidade de massa verde e tenham abundante sistema radicular. Para isso, lançar mão de consorciação de culturas comerciais e leguminosas, como, por exemplo, milho-guandu, ou de mistura de culturas para cobertura do solo, como por exemplo, braquiária + milheto, e seqüências de culturas de grande potencial para produção de biomassa. Para estabelecer o consórcio milho-guandu, semear milho precoce em setembro-outubro e, cerca de 30 dias após a emergência do milho, semear o guandu nas entrelinhas do milho.

Em áreas onde ocorre o cancro da haste da soja, o guandu e o tremoço não devem ser cultivados, antecedendo a soja. O guandu, apesar de não mostrar sintomas da doença durante o estádio vegetativo, reproduz o patógeno nos restos de cultivo. Desse modo, após o consórcio milho-guandu, usar uma cultivar de soja resistente ao cancro da haste. O tremoço é altamente suscetível ao cancro da haste.

Em áreas infestadas com nematóides de galhas da soja, não devem ser usados tremoço e, por serem hospedeiros e fonte de inoculo desse patógeno.

Cobertura morta do solo

Palhadas e resíduos diversos provenientes da lavoura ou de agroindústrias (palha de café, bagaço de cana, etc), são materiais ricos em carbono e pobres em nitrogênio que podem ser usados como cobertura morta, protegendo o solo das intempéries, diminuindo o risco de erosão e contribuindo para elevar o teor de matéria orgânica. Quanto maior o teor de carbono e menor o de nitrogênio nos materiais (ver Anexo 3), tanto mais difícil e demorada será sua decomposição (Kiehl, 1985). Os materiais com relação C:N mais elevada devem ser preferencialmente utilizados para esta finalidade.

Cobertura viva do solo e adubos verdes

Considera-se cobertura viva do solo toda vegetação presente, quer de procedência cultivada ou espontânea. Adubos verdes são plantas cultivadas no local ou trazidas de fora e cultivadas com a finalidade de serem incorporadas ao solo para preservar a sua fertilidade (Calegari et al., 1993 ; Chaves et al., 2000ab). Podem ser utilizadas em consórcio, rotação de culturas, cercas-vivas, quebra-ventos, faixas de contorno e bordaduras. A utilização de biomassa vegetal como fonte de matéria orgânica representa uma oportunidade para o produtor diminuir a sua dependência da criação animal.

Dentre os benefícios oriundos da utilização dessa massa vegetal, podem-se mencionar seus efeitos sobre as propriedades químicas, físicas e biológicas do solo, além de efeitos alelopáticos.

Assim, a cobertura viva e os adubos verdes propiciam o aumento do teor de matéria orgânica, da disponibilidade de macro e micronutrientes, do pH e reduzem os efeitos tóxicos do alumínio e do manganês. Ajudam a trazer para a superfície os nutrientes das camadas mais profundas do solo, disponibilizando-os para o cafeeiro, além de diversificarem o sistema, elevando a população de insetos polinizadores, bem como de parasitóides e predadores de pragas da lavoura.

A presença de vegetação cobrindo o solo protege-o do impacto das chuvas e, conseqüentemente, da erosão, aumentando a infiltração e capacidade de retenção de água dos solos, a porosidade e a aeração do solo e atenua as oscilações de temperatura e umidade, intensificando a atividade biológica. Também, contribui para diminuir a necessidade de capinas.

As espécies mais utilizadas como adubos verdes são as leguminosas, devido à sua capacidade de fixar o nitrogênio atmosférico, incorporando-o ao sistema, o que significa uma importante alternativa de suprimento às culturas. Muitas espécies podem ser utilizadas, destacando-se a mucuna anã, o guandu, as crotalárias e a leucena.

Reflorestamento e florestamento

Matas ciliares protegem as margens dos córregos da erosão por

desbarrancamento. Elas devem ser protegidas e/ou reconstituídas quando

indevidamente retiradas. Áreas muito suscetíveis à erosão e de baixa capacidade de produção devem ser mantidas recobertas com vegetação permanente, utilizando-se o florestamento ou reflorestamento. Sob o aspecto hidrológico, a exemplo da mata de topo de morro, o reflorestamento nas áreas declivosas é a melhor estratégia para se aumentar a infiltração e se evitar escorrimento superficial morro abaixo.

Cultura em faixas alternadas

A cultura em faixas alternadas consiste no cultivo de duas ou mais espécies em faixas alternadas localizadas em bandas adjacentes de largura variável ou em diferentes camadas (culturas secundárias), na mesma parcela e na mesma época de cultivo. A cultura em faixas alternadas promove, assim, uma interacção favorável entre diversas plantas ou variedades das mesmas.

A competição e a complementaridade entre espécies devidamente selecionadas, cultivadas em faixas alternadas aumentam a estabilidade global do sistema, nomeadamente a sua resistência às pragas, às infestantes e às doenças. Esta prática tem efeitos benéficos na porosidade e na biodiversidade do solo, promove os ciclos de nutrientes e aumenta os rendimentos. Em termos gerais, permite uma melhor utilização dos recursos disponíveis.

As combinações de culturas nos sistemas interculturas exigem uma seleção cuidadosa. Caso conduza a uma competição excessiva pelos recursos, a cultura em faixas alternadas pode baixar os rendimentos relativamente às culturas autônomas. Os custos da compra de sementes e da preparação do terreno para a sementeira podem ser relativamente elevados.

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