Muito Barulho por nada - Willian Shakespeare

Muito Barulho por nada - Willian Shakespeare

(Parte 1 de 14)

(Much Ado About Nothing) William Shakespeare

ATO I Cena I

Cena I

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Cena I

Cena I

Cena IV

Cena V

ATO IV Cena I

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ATO V Cena I

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Cena IV

Personagens

DOM PEDRO, Príncipe de Aragão. DOM JOÃO, seu irmão bastardo. CLÁUDIO, jovem fidalgo de Florença. BENEDITO, jovem fidalgo de Pádua. LEONATO, governador de Messina. ANTÔNIO, seu irmão. BALTASAR, criado de Dom Pedro. BORRACHO, seguidor de Dom João. CONRADO, seguidor de Dom João. DOGBERRY, condestável. VERGES, funcionário. FREI FRANCISCO. Um Escrivão. Um Pajem. HERO, filha de Leonato. BEATRIZ, sobrinha de Leonato. MARGARIDA, Criada de quarto de Hero

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ÚRSULA, Criada de quarto de Hero. Mensageiros, guardas, criados, etc.

Cena I

Diante da casa de Leonato. Entram Leonato, Hero, Beatriz e outros, com um mensageiro. LEONATO - Vejo por esta carta que Dom Pedro de Aragão chega hoje à noite a Messina. MENSAGEIRO - Não deve estar longe; deixei-o a menos de três léguas daqui. LEONATO - Quantos fidalgos perdestes nesse encontro? MENSAGEIRO - Apenas alguns oficiais, mas nenhum de nome.

LEONATO - É dupla a vitória, quando o comandante retoma com os seus efetivos. Pelos termos da carta venfico que Dom Pedro conferiu muitas distinções a um jovem, florentino de nome Cláudio.

MENSAGEIRO - Aliás, merecidas de sua parte e com justiça reconheci das por Dom Pedro. Fez mais do que era de esperar de sua idade, realizando sob a figura de cordeiro façanhas de leão, façanhas que excederam tanto a expectativa, ao ponto de não poderdes esperar o relato delas.

LEONATO - Ele tem aqui em Messina um tio que vai ficar alegre com essa notícia.

MENSAGEIRO - Fui portador de cartas para ele que, ao parecer, o deixaram tão alegre, que a alegria não pôde manifestar-se modestamente, senão com uma ponta de tristeza.

LEONATO - Desatou a chorar? MENSAGEIRO - Que não tinha mais fim.

LEONATO - Comovente excesso de delicadeza! As faces mais leais são as que se lavam desse modo; vale muito mais chorar de alegria do que alegrar-se com o choro.

BEATRIZ - Podereis informar-me, por obséquio, se o senhor Trincaferros já regressou da guerra?

MENSAGEIRO - Não sei a quem vos referis, senhorita; no exército não havia nenhum oficial com esse nome.

LEONATO - Sobrinha, de que pessoa estás pedindo notícias? HERO - Minha prima se refere ao senhor Benedito, de Pádua. MENSAGEIRO - Ah! Já regressou, e mais prazenteiro do que nunca.

BEATRIZ - Ele fixou aqui em Messina um edital de desafio a Cupido, para uma competição de arco. Tendo lido o seu cartel, o bobo do meu tio o subscreveu em nome de Cupido e o desafiou para o tiro aos pássaros. Por obséquio: nesta guerra, quantos inimigos ele matou e cometeu? Ou melhor: quantos ele matou? Sim, que eu me comprometi a comer todos os que ele matasse.

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LEONATO - Realmente, sobrinha, sois implacável com o senhor Benedito; mas o de que não tenho dúvida é que ele saberá encontrar-te.

MENSAGEIRO - Ele prestou relevantes serviços nesta guerra.

BEATRIZ - É que tínheis mantimentos estragados, que ele ajudou a consumir; é que um comilão de marca, dotado de excelente estômago.

MENSAGEIRO - Em compensação, senhorita, é um soldado valoroso. BEATRIZ - Em compensação para senhoritas; mas em frente de um guerreiro, como se comporta?

MENSAGEIRO - Guerreiro para guerreiro, homem para homem. É um cavalheiro estofado de todas as qualidades honrosas.

enchimentoOra bem, somos todos mortais.

BEATRIZ - É isso mesmo; não passa de um indivíduo estofado. Mas quanto à qualidade do

LEONATO - Meu caro senhor, não deveis interpretar mal as palavras de minha sobrinha; entre ela e o senhor Benedito há uma espécie de guerra de epigramas; não se encontram sem que se peguem em alguma escaramuça de espírito.

BEATRIZ - Infelizmente ele não ganha nada com isso. No último encontro, saiu com quatro espíritos estropiados, tendo desde então ficado a sua pessoa sob o governo de um somente. De forma que se ainda lhe restar suficiente espírito para se aquecer, será de toda conveniência que o conserve bem, para poder diferençar-se do seu cavalo, pois não dispõe de mais nada que o faça passar por criatura racional. Quem é agora o seu irmão de armas? Sim, que ele tem um por mês.

MENSAGEIRO - Será possível?

BEATRIZ - Muito facilmente possível; a lealdade, para ele, é como a forma do chapéu, mudável com os caprichos da moda.

MENSAGEIRO - Pelo que vejo, senhorita, esse gentil-homem não se acha inscrito em vosso livro de notas.

BEATRIZ - Não; que se o estivesse, eu queimaria o livro. Mas dizei-me, por obséquio; quem é mesmo o seu irmão de armas? Não apareceu nenhum Ferrabrás de poucos anos que se dispusesse a fazer com ele uma viagem para o diabo?

MENSAGEIRO - Ele é sempre visto na companhia do muito nobre Cláudio.

BEATRIZ - Oh Senhor! Vai grudar-se-lhe como uma doença! Pega mais do que a peste, ficando a vítima imediatamente louca. Deus proteja o nobre Cláudio! Se ele está contaminado de Benedito, nem por mil libras poderá curar-se.

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