tratamento de esgoto

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Participação: P-GET / P-GTE / E-GSH / PR-G / P/SLE

Apoio: A-GDP

CAPITULO 1

GESTÃO DO MEIO AMBIENTE E SANEAMENTO AMBIENTAL Autor: Eng. Civil Áttila Moraes Jardim Júnior

1.1) Crescimento Populacional e Econômico X Preservação Ambiental

A questão ambiental vem merecendo, a cada dia, maior interesse das nações, em todo o Planeta. Isto porque, o desenvolvimento do mundo moderno evidencia que os recursos naturais não estão sendo suficientes para atender a demanda do sistema econômico e também, por outro lado, o meio ambiente tem se mostrado limitado para absorver os resíduos e rejeitos gerados.

Na verdade, promover o desenvolvimento econômico e ao mesmo tempo preservar o meio ambiente representa grande desafio para todos os povos. A esse modelo, que compatibiliza adequadamente dois objetivos antagônicos denomina-se “desenvolvimento sustentável”. Atingir esse estágio de desenvolvimento exige das nações muito esforço individual, quando o impacto apresenta-se local. Por outro lado, quando os impactos do desenvolvimento apresentam-se geograficamente difusos a solução demanda acordos internacionais, o que representa um grau a mais de complexidade ao assunto. Pode-se citar como exemplo desses diferentes graus de dificuldades, que os países desenvolvidos conseguiram, satisfatoriamente, despoluir seus rios, por tratar-se de poluição geograficamente delimitada. Por outro lado, não estão obtendo sucesso em controlar o nível de gás carbônico na atmosfera. Acordos internacionais sempre representam prejuízos diferenciados para os envolvidos.

Ao se verificar a demografia da Terra, Tabela 1, fica evidente que uma das razões para a natureza não vir atendendo a demanda do sistema econômico deve-se a alta taxa de crescimento populacional. Esse crescimento apresenta uma face mais perversa ao retratar que os países mais pobres apresentam as mais altas taxas de crescimento populacional. Em outras palavras, isto representa dizer que a desigualdade econômica existente entre os

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Tabela 1: População estimada e projetada para o Mundo

Fonte: Departamento de Economia e Assuntos Sociais – Nações Unidas (2002)

Além do aumento populacional, outro componente contribui muito para o agravamento ambiental do planeta. As economias das nações estão apresentando vertiginosos crescimentos em suas escalas. Isto quer dizer que o nível de produção e consumo do planeta está, por isto, também crescendo. Esse fenômeno é comum principalmente entre os países ricos, mas também está presente em grande parte dos países em desenvolvimento. Assim, o crescimento populacional aliado aos crescimentos das escalas das economias estão promovendo a escassez de recursos naturais da Terra e evidenciando sua fragilidade em absorver os resíduos e rejeitos decorrentes desse desenvolvimento.

1.2) Recursos Hídricos

Um dos mais importantes recursos naturais da Terra trata-se da água. Ela exerce notável influência sobre todas as formas de vida no planeta. Pode ser definida de várias maneiras, dependendo do ângulo de observação. Para os químicos, ela é um composto inorgânico formado por duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio. Para os físicos, ela é a única substância que, a temperatura normal, se apresenta na natureza nos três estados físicos (sólido, liquido e gasoso). Para os biólogos, ela é a substância responsável pela existência e manutenção de vida. Sem ela não haveriam as condições necessárias para a existência se quer de uma espécie. Para os teólogos, a água é uma dádiva de Deus, que purifica,

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Embora dois terços da superfície do planeta Terra sejam formados por esse composto químico, a água, em condições de ser utilizada para o abastecimento público, representa-se um bem escasso. A água doce é um percentual muito baixo em relação ao total existente no globo, cerca de 3%. Destes, cerca de 2/3 formam as placas polares. Outra parte é de difícil aproveitamento, pois encontra-se no subsolo a grandes profundidades. Certo é que a água de rios, lagos e subterrânea aproveitáveis representam apenas 0,03% do total dos recursos hídricos da Terra. A figura 1, abaixo, facilita o entendimento dessa situação.

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Outro assunto de interesse ao se tratar os recursos hÍdricos é descrever o ciclo hidrológico, que evidencia os fluxos da água junto a camada superficial na Terra. Esse ciclo, provocado pela absorção da energia solar, é responsável pelo clima e outros fenômenos de primordial importância: a sobrevivência da ecodiversidade. A figura 2, abaixo, apresenta uma visualização sintética desse ciclo.

O tratamento dispensado aos recursos hídricos deve merecer esforço de todas as nações para não ocorrerem graves problemas de escassez e poluição. Um dos grandes problemas nesse aspecto prende-se a distribuição irregular desse bem no globo terrestre.

Os recursos hídricos atendem a muitos interesses da humanidade, daí a necessidade de se estabelecer regras para o seu múltiplo uso. Existem formas diferentes de utilização dos recursos hídricos:

1 - o uso é dito consuntivo quando se retira água de um manancial, exemplo: irrigação, abastecimento humano, dessedentação de animais e abastecimento industrial;

2 - o uso é dito não consuntivo quando não se retira água do manancial, como é o caso da pesca, navegação, represamento para geração de energia, ou mesmo para lazer e recreação.

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Outro aspecto relevante a ser mencionado, quando se procura uma abordagem sintética sobre a gestão dos recursos hídricos, trata-se do conceito de bacia hidrográfica. A bacia hidrográfica representa a delimitação de toda uma região que contribua para um dado corpo d’água. No gerenciamento de um corpo hídrico as fronteiras da bacia hidrográfica devem prevalecer sobre as fronteiras intergovernamentais, pois muitas vezes, um corpo d’água que se destina a diluição de esgotos em um país pode vir a representar manancial de abastecimento público de uma nação vizinha. O uso de água para abastecimento público com o conseqüente retorno das águas servidas ao corpo hídrico representa assunto do maior interesse ambiental e também de saúde pública. O estudo desse campo do conhecimento, no entanto, se dá no âmbito do saneamento ambiental.

1.3) Saneamento Ambiental e Saúde Pública

Segundo a Organização Mundial da Saúde – OMS, saneamento é o controle de todos os fatores do meio físico do homem, que exercem ou podem exercer efeitos nocivos sobre seu bem estar físico, mental ou social. Representa, em outras palavras, um estado de completo bem estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doenças.

Para promover este bem estar, o saneamento constitui um conjunto de ações sobre o meio ambiente físico, de controle ambiental, com o objetivo básico de proteger a saúde do homem.

1.4) Os serviços de saneamento podem assim ser sintetizados:

Abastecimento de água: abastecimento de água para as populações, com qualidade compatível com a saúde publica e em quantidade suficiente para a garantia de condições básicas de conforto;

Coleta e tratamento de esgoto: coleta, tratamento e disposição ambientalmente adequada e sanitariamente segura dos esgotos sanitários, neles incluídos os rejeitos provenientes das atividades domésticas, comercial e de serviços, industrial e pública;

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Coleta, tratamento e disposição final de resíduos sólidos: Coleta, tratamento e disposição ambientalmente adequada e sanitariamente segura de resíduos sólidos provenientes das atividades domésticas, comercial e de serviços, industrial e pública;

Drenagem Pluvial: coleta de águas pluviais e controle de empoçamentos e inundações; e

Controle de Vetores: controle de vetores de doenças transmissíveis (insetos, roedores, moluscos, etc).

Recentemente o conceito de saneamento vem sendo alterado de saneamento básico para saneamento ambiental. Isto porque, o estabelecimento de condições mínimas ambientais não poderiam ficar ausentes das necessidades de bem estar do homem. Daí a adoção do novo conceito, a seguir descrito:

SANEAMENTO AMBIENTAL: É o conjunto de ações socioeconômicas que tem por objetivo alcançar um meio ambiente com sanidade, por meio de abastecimento de água potável, coleta, tratamento e disposição sanitária de resíduos sólidos, líquidos e gasosos, promoção da disciplina sanitária do uso do solo, drenagem urbana, controle de doenças transmissíveis e demais serviços e obras especializadas, com a finalidade de proteger e melhorar as condições de vida rural e urbana.

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CAPÍTULO 2

Autores: Engª Ana Lúcia Colares Lopes Rocha Engº Romis Alberto da Silva

2.1) O que é esgoto?

É todo despejo proveniente dos diversos usos da água, tais como as de uso doméstico, contendo matéria fecal e águas servidas, industrial, de utilidade pública, de áreas agrícolas, de superfície, de infiltração, pluviais e outros efluentes sanitários. Outra denominação: águas residuárias.

2.2) Alguns conceitos básicos:

Sistema de Esgotos Sanitários - SES: é o conjunto de obras e instalações destinadas a propiciar: -coleta;

-transporte e afastamento;

- tratamento;

-disposição final dos esgotos de forma adequada; Esgoto Bruto: esgoto não tratado;

Esgoto tratado: esgoto após a etapa de tratamento, que remove seus principais poluentes;

Águas de infiltração: parcela de contribuição dos esgotos que provêm das águas do subsolo, que penetra nas canalizações de esgotos através das juntas, poços de visita e defeitos nas estruturas do sistema; Águas pluviais: parcela das águas da chuva que escoa superficialmente;

Corpo receptor: corpo d’ água que recebe o lançamento de esgotos brutos ou tratados;

Contaminação: introdução de substâncias nocivas no meio, como por exemplo, organismos patogênicos e metais pesados;

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