Um olhar psicológico sobre os meninos e meninas que moram nas ruas

Um olhar psicológico sobre os meninos e meninas que moram nas ruas

8

SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

CURSO SUPERIOR SERVIÇO SOCIAL

ALEX BRITO LEÃO

UM OLHAR PSICOLÓGICO SOBRE OS "MENINOS E MENINAS QUE MORAM NAS RUAS"

Alagoinhas

2010

ALEX BRITO LEÃO

UM OLHAR PSICOLÓGICO SOBRE OS "MENINOS E MENINAS QUE MORAM NAS RUAS"

Trabalho apresentado ao Curso Superior Serviço Social da UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, para a disciplina Psicologia Geral.

Orientadora: Profª. Lisnéia Rampazo

Alagoinhas

2010

1INTRODUÇÃO

A história e construção da psicologia está relacionada a cada momento histórico e às exigências de conhecimento da humanidade, como também as diversas áreas do conhecimento humano e aos novos desafios colocados pela realidade econômica e social e pela necessidade do homem de compreender a si mesmo.

A psicologia foi pensada enquanto uma das preocupações humanas desde o tempo do estudo da filosofia, que começou a especular em torno do homem e da sua interioridade. É entre os filósofos gregos que surge a primeira tentativa de sistematizar uma psicologia. A expressão Psicologia deriva das palavras gregas psyché (alma, espírito) e logos (estudo, compreensão). A Psicologia poderia ser compreendida então como o estudo  ou a compreensão da alma.

O termo psicologia é rico em seu significado, pois é composto da subjetividade e do simbolismo da alma e a objetividade e racionalismo da razão, onde a integração destes conceitos permite à psicologia a partir da sua própria etimologia mostrar o seu objetivo.

Com o surgimento do capitalismo e seus aspectos econômicos e industriais, a partir do Séc. XIX nasce à psicologia de caráter científico, que para alguns estudiosos caracteriza-se como a ciência do comportamento humano, como o estudo do inconsciente, e/ou como o entendimento da consciência humana tendo como objeto de estudo o homem e a sua natureza.

2DESENVOLVIMENTO

Devido as transformações sócio-econômicas do país, pessoas que não conseguem seguir as regras que a sociedade estabelece acabam, na maioria dos casos, privadas de diversos direitos básicos de sobrevivência.

É considerada uma criança em situação de risco aquela que passa por situações que possam influenciar de maneira negativa seu desenvolvimento psíquico. Tais situações podem ser constituídas por violência, exploração, baixas condições financeiras, negligencia familiar ou governamental.

O Estatuto da Criança e do Adolescente tem como objetivo principal definir os direitos e os deveres das crianças e dos adolescentes, bem como legalizar a situação dessa parcela da sociedade.

Segundo o artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente, é dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária.

A criança e o adolescente são pessoas em desenvolvimento, sujeitos de direitos e destinatários de proteção integral. Como pessoas em desenvolvimento encontram-se num estágio propício ao investimento educativo que Ihes garanta a inclusão na sociedade. Nesse sentido, a prioridade na atenção à criança e ao adolescente significa a garantia de uma sociedade melhor, mais justa e em condições de atender às demandas.

De acordo com Vargas (2002) é chocante o fato de que ainda existam meninos e meninas em situação de rua que são excluídos de seus direitos de alimentação, educação, saúde e habitação. Os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, do IBGE, apontam que 5 milhões de crianças entre 0 e 14 anos, ou 10,9% do total deste segmento, vive em situação de risco.

Segundo o Conselho Tutelar do municipio de Alagoinhas/Bahia, existe no municipio crianças em situação de risco e não moradoras de rua. Para os conselheiros as crianças/adolescentes que vão para as ruas, estão, na maioria das vezes, fugindo de dados reais de suas vidas, ou seja, eles procuram escapar dos fatores ambientais e psíquicos que estão lhes causando danos físicos e psicológicos, estando vulneráveis a todos os tipos de violência mesmo que isso não lhes seja consciente.

Existe no municipio de Alagoinhas/Bahia, Casa Lar – Abrigo Provisório da Pastoral do Menor, que tem como objetivo geral acolher provisoriamente as crianças e adolescentes em situação de abandono, desestruturação familiar profunda ou vulnerabilidade social (por motivos diversos sendo negligenciadas por suas famílias de origem) promovendo o restabelecimento dos vínculos familiares, seja com a família de origem ou substituta.

Neste ambiente, busca-se a construção de vínculos afetivos que possibilitem o resgate do conceito de família e do referencial “adulto positivo”.

Segundo Izabela Simões1, a maioria destas crianças e adolescentes chegam até a Casa Lar, através do órgão competente, o Conselho tutelar deste município. Atualmente estão abrigadas 18 crianças, na sua maioria por vulnerabilidade social.

Atender crianças/adolescentes provenientes de algum tipo de violência/negligencia requer uma atenção muito especial. A princípio é usado formas de brincadeiras para que as mesmas possam elaborar fatos vivenciados em sua casa e resgatar sentimentos de pertencer a um lar, principalmente por estar chegando a um ambiente desconhecido e tendo a necessidade de criar-se um vinculo. Nesse sentido, Winnicott (1975) explicita que as crianças não brincam apenas por prazer. A atividade lúdica também é instrumento para a dominação de angústias ou impulsos que as conduzem ou então controle de idéias.

As crianças/adolescentes não apresentam perspectivas claras de futuro, não sabem se voltam ou não para suas famílias e percebem que esta situação está fora de seu controle, mesmo assim, eles descrevem suas vidas antes do abrigamento como contendo momentos bons e acontecimentos ruins.

Após a formação de vinculo com a Casa Lar e os técnicos, a criança/adolescente sente-se mais familiarizada com o ambiente. A partir daí inicia-se trabalhos em grupos com as demais crianças/adolescentes, abordando temas diversos do cotidiano dos mesmos.

Semanalmente são realizados atendimentos individuais, focando na psicoterapia breve, devido a incerteza do período em que a criança/adolescente irá permanecer na Casa Lar.

3CONCLUSÃO

Diante do expoxto, devemos olhar para a rua sob diversas dimenssões. Nela as crianças e adolescentes podem ocupar diferentes lugares, tais como o da sobrevivência, de vivências afetivas, o lugar da violência, mas também um lugar de acolhimento e prazer. O universo da rua é muito complexo, e para entendê - lo é preciso compreender o que a rua exerce sobre esses meninos e meninas que a escolhem como o seu lugar. O lugar de sua existência, onde seres únicos e subjetivos escrevem suas histórias de vida.

  1. Identificação da realidade do município de Alagoinhas – Bahia

  1. Você já se deparou com crianças que vivem nas ruas de sua cidade?

Não. No municipio de Alagoinhas segundo dados obtidos no Conselho Tutelar não existe crianças que moram na rua.

  1. Na sua opinião quais são os motivos que levam crianças a sairem de suas casas e viverem nas ruas?

Diversos são os fatores que levam essas crianças a viverem nas ruas, podemos citar as condições precárias de moradia, insalubridade, casa cheia, violência doméstica, fome; situação de abandono, desestruturação familiar entre outros.

  1. Existe em sua cidade programas de atendimento a crianças moradoras de rua? Se caso houver qual o tipo de atendimento realizado?

Sim. A Casa Lar – Abrigo Provisório da Pastoral do Menor, onde busca a construção de vínculos afetivos que possibilitem o resgate do conceito de família e do referencial “adulto positivo”.

4REFERÊNCIAS

Sinorski, Daniela Rampazzo, Lisnéia. Psicologia Geral:Pearson, 2009.

Bock, Ana et al. Psicologias: uma introdução ao estudo da psicologia. 13 ed. São Paulo: Saraiva,2002.

MORRIS, Charles G. et al. Introdução à Psicologia. São Paulo: Prentice Hal, 2004.

VARGAS, A. L. S. As sementes da marginalidade: uma análise histórica e bioecológica dos meninos de rua. Rio de Janeiro: Forense, 2002. 221 p.

Estatuto da Criança e do Adolescente. Brasília: 1990

http://www.direitosdacrianca.org.br. Acessado em 25/08/2010.

http://www.obscriancaeadolescente.org.br. Acessado em 25/08/2010.

1Psicologa e Arteterapeuta da Casa Lar – Abrigo Provisório / Pastoral do Menor de Alagoinhas - Bahia

Comentários