Manual de Instalação e Manutenção de Transformadores WEG

Manual de Instalação e Manutenção de Transformadores WEG

(Parte 1 de 5)

1 - INTRODUÇÃO

Este manual visa dar informações necessárias ao recebimento, instalação e manutenção de transformadores de distribuição e força imersos em óleo isolante. O atendimento a estas instruções proporcionará um bom desempenho do transformador, além de prolongar a sua vida útil. Os transformadores WEG são projetados e construídos rigorosamente segundo normas ABNT em suas últimas edições, estando, por isso, os dados deste manual sujeitos a modificações sem prévio aviso. Recomendamos, àqueles que desejarem aprofundar-se no assunto, a leitura das seguintes normas: NBR-7036 - Recebimento, instalação e manutenção de transformadores de distribuição imersos em líquido isolante – Procedimento.

NBR-7037 - Recebimento, instalação e manutenção de transformadores de potência em óleo isolante mineral - Procedimento. NBR-5416 - Aplicação de cargas em transformadores de potência - Procedimento.

É muito importante, ainda, ter em mãos as publicações sobre instalação de transformadores emitidas pelas concessionárias de energia da região, visto que muitas delas têm caráter normativo. Para maiores esclarecimentos, consulte nosso Departamento de Assistência Técnica. Solicitamos, também, verificar as condições de garantia estabelecidas pela WEG para seus transformadores conforme ANEXO C.

2 - INSTRUÇÕES BÁSICAS

2.1. Instruções gerais

Todos que trabalham em instalações elétricas, seja na montagem, operação ou manutenção, deverão ser permanentemente informados e atualizados sobre as normas e prescrições de segurança que regem o serviço, e aconselhados a seguí-las. Cabe ao responsável certificar-se, antes do início do trabalho, de que tudo foi devidamente observado e alertar seu pessoal para os perigos inerentes à tarefa proposta. Recomenda-se que estes serviços sejam efetuados por pessoal qualificado. Equipamentos para combate a incêndios e avisos sobre primeiros socorros não devem faltar no local de trabalho, sempre em lugares bem visíveis e acessíveis.

IMPORTANTE: Algumas das informações ou recomendações contidas neste manual podem não se aplicar a determinados transformadores. Portanto, desconsiderá-las sempre que não aplicáveis.

2.2. Recebimento

Os transformadores, antes de expedidos, são testados na fábrica, garantindo, assim, o seu perfeito funcionamento. Dependendo do tamanho do transformador ou das condições de transporte, ele pode ser expedido completamente montado ou desmontado. Maiores detalhes estão descritos mais adiante neste manual. Sempre que possível, o transformador deve ser descarregado diretamente sobre sua base definitiva. Quando for necessário o descarregamento em local provisório, deve ser verificado se o terreno oferece plenas condições de segurança e distribuição de esforço, bem como se o local é o mais nivelado e limpo possível. O equipamento nunca deve ser colocado em contato direto com o solo.

2.2.1. Inspeção de chegada

Antes do descarregamento, deve ser feita, por pessoal especializado, uma inspeção preliminar no transformador visando identificar eventuais danos provocados durante o transporte, na qual devem ser verificadas as suas condições externas (deformações, vazamentos de óleo e estado da pintura) e avarias e/ou falta de acessórios e componentes, fazendo-se, também, a conferência da lista de materiais expedida. Caso se constate alguma ocorrência, notificar imediatamente o representante WEG mais próximo ou diretamente a fábrica e a empresa transportadora para que não haja problemas com a empresa seguradora.

2.2.2. Descarregamento e manuseio

Todos os serviços de descarregamento e locomoção do transformador devem ser executados e supervisionados por pessoal especializado, obedecendo-se as normas de segurança e utilizando-se os pontos de apoio apropriados.

2.2.3. Verificações após descarregamento Para transformadores transportados sem óleo e pressurizado com gás seco, verificar a pressão do sistema. Caso a mesma seja “zero”, informar imediatamente o representante WEG mais próximo, ou diretamente à fabrica, para que seja providenciado ação corretiva pertinente. Para transformadores transportados com óleo, caso a pressão indicada seja “zero” executar análise físico-química do óleo isolante, afim de verificar se houve contaminação do sistema. Informar o representante WEG mais próximo, ou diretamente à fabrica.

2.3. Armazenagem

Para transformador transportado sem o óleo, preferencialmente montá-lo e enchêlo com líquido isolante em seu local de operação tão logo seja recebido, mesmo no caso do transformador não operar imediatamente à data de recebimento (e realizar inspeções regulares). Para curtos intervalos de tempo (máximo 3 meses) o transformador pode ser armazenado sem óleo, desde que permaneça pressurizado com gás seco. Neste caso, deve ser realizado, preferencialmente, inspeção diária na pressão de gás, de modo a detectar vazamentos em tempo hábil e evitar penetração de umidade. Quando não instalados imediatamente, devem ser armazenados, preferencialmente em lugar abrigado, seco, isento de poeiras e gases corrosivos, colocando-os sempre em posição normal e afastados de área com muito movimento ou sujeito a colisões.

Os componentes e acessórios, quando recebidos e armazenados a parte, devem atender ao seguinte: a) Os acessórios devem ser armazenados em locais adequados; b) Os radiadores devem ser armazenados próximos ao transformador, evitandose seu contato com o solo; c) As buchas devem ser armazenadas, se possível, em local coberto e seco; d) O óleo pode ser armazenado em tambores, que devem permanecer na posição horizontal, ficando os tampões alinhados horizontalmente e, se possível, protegidos por lonas, evitando-se ainda seu contato com o solo; e) Transformadores com comutador sob carga devem seguir as mesmas orientações de armazenamento do equipamento; f) Transformadores providos de painéis de circuitos auxiliares, devem ser mantidos com os resistores de aquecimento ligados, comandados por termostatos regulados para temperatura recomendada de 30ºC.

3. INSTALAÇÃO

3.1. Considerações Gerais

Transformadores de força, normalmente a partir da potência de 3.000kVA, são transportados parcialmente desmontados. Neste caso, após posicionamento do transformador sobre a base definitiva, adicionalmente às recomendações feitas neste item 3.1, deve-se observar as orientações específicas que são detalhadas no item 4 – MONTAGEM DO TRANSFORMADOR. Para a instalação do transformador, é de fundamental importância a disponibilidade de pessoal qualificado, assim como de equipamentos e ferramentas adequadas. Não é recomendável a montagem dos transformadores em dia chuvoso. Além das orientações principais que são relacionadas a seguir, recomendamos observar com detalhes o que é determinado na NBR-7036, quando se tratar de transformadores de distribuição, ou na NBR-7037, quando de força: a) Quando de instalação em base, verificar o adequado nivelamento e a resistência das fundações sobre as quais serão instalados os transformadores. Quando aplicável, confirmação da compatibilidade da distância entre rodas do transformador e respectivos trilhos fixados na base; b) Deve haver um espaçamento mínimo de 0,5m entre transformadores e entre estes e paredes ou muros, proporcionando facilidade de acesso para inspeção e ventilação, dependendo, entretanto, das dimensões de projeto e tensão. Os transformadores a serem instalados em poste devem ter seu sistema de fixação e montagem em conformidade com a norma ABNT; c) No caso de instalações abrigadas, o recinto no qual será colocado o transformador deve ser bem ventilado de maneira que o ar aquecido possa sair livremente, sendo substituído por ar fresco. Outrossim, devem ser evitados obstáculos de qualquer natureza ao fluxo de ar dentro da cabine. Para tanto, as aberturas de entrada de ar devem estar próximas do piso e distribuídas de maneira mais eficiente, de preferência abaixo dos transformadores e possuírem as dimensões máximas dos transformadores. As aberturas de saída deverão estar tão altas quanto permita a construção; número e tamanho das saídas dependem de suas distâncias acima do transformador, do rendimento e do ciclo de carga. Em geral, recomenda-se uso de aberturas de saídas de 5,50m2 por 1.000kVA de capacidade instalada. d) Realizar inspeção visual principalmente nas buchas, conectores e acessórios, para constatar a ausência de eventuais danos ou vazamentos que poderiam ocorrer devido ao manuseio e transporte do transformador; e) Confirmação de que os dados de placa estão compatíveis com a especificação técnica do equipamento; f) Verificar se os dados constantes na placa de identificação estão coerentes com o sistema em que o transformador será instalado e a correta posição do comutador (ou ligação do painel de derivações) em relação ao diagrama de ligações; g)Para transformadores religáveis, constatação de que a ligação de despacho (expedição) atende ao especificado; h)Verificar as conexões de aterramento do transformador. Observar, também o item 3.4; i)Atentar para as ligações do primário e secundário conforme ítem 3.3; j)Para o içamento do transformador, os cabos utilizados devem ser fixados nas alças, ganchos ou olhais existentes para essa finalidade.

3.2. Altitude de instalação Os transformadores são projetados conforme ABNT, portanto adequados para instalações até 1.000m acima do nível do mar. Em altitudes superiores a 1.000m, o transformador terá sua capacidade reduzida ou necessitará de um sistema de refrigeração mais eficaz. Para funcionamento em altitudes superiores a esta, não devem ser excedidos os limites de temperatura especificados na tabela 1.

Tabela 1 - Limites de elevação de temperatura

Tipos de transformadores

Limites de elevação de temperatura (C)

Dos enrolamentosDo óleo

Das partes metálicas

Método da variação da resistência Do ponto mais quente

Circulação do óleo natural ou forçada sem fluxo de óleo dirigido

Circulação forçada de óleo com fluxo dirigido

Em contato com a isolação sólida ou adjacente a ela

Não em contato com a isolação sólida e não adjacente a ela

Em óleo

Sem conservador ou sem gás inerte acima do óleo

Com conservador ou com gás inerte acima do óleo

Não devem atingir temperaturas sueriores à máxima especificada para o ponto mais quente da isolação adjancente ou em contato com esta

A temperatura não deve atingir, em nenhum caso, valores que venham danificar estas partes, outras partes ou materiais

o limite de elevação de temperatura em que o transformador é enquadrado.Medida próxima à superfície do óleo.Medida próxima à parte superior do tanque, quando tiver conservador, e próxima à superfície do
óleo, no caso de gás inerte.Quando é utilizado isolação de papel, este deve ser termoestabilizado

adjacentesOs materiais isolantes, de acordo com experiência prática e ensaios, devem ser adequados para

Pr = potência reduzida, em kVA Pn = potência nominal, em kVA H = altitude, em metros (arredondando, sempre, para a centena de metros seguinte) k = fator de redução, de acordo com a tabela 2

Tabela 2 - Redução da potência nominal para altitudes superiores a 1.000m

Tipo de resfriamento (em líquido isolante)Fator de redução k a) com resfriamento natural (ONAN)0,004 b) com ventilação forçada (ONAF)0,005 c) com circulação forçada do líquido isolante e com ventilação forçada (OFAF)0,005 d) com circulação forçada do líquido isolante e com resfriamento a água (OFWF)0,0

3.3. Ligações

As ligações do transformador devem ser realizadas de acordo com o diagrama de ligações de sua placa de identificação. É fundamental que se verifique se os dados da placa de identificação estão coerentes com o sistema ao qual o transformador vai ser instalado. As ligações das buchas deverão ser apertadas adequadamente, cuidando para que nenhum esforço seja transmitido aos terminais, o que viria ocasionar afrouxamento das ligações, mau contato e posteriores vazamentos por sobreaquecimento no sistema de vedação. As terminações devem ser suficientemente flexíveis a fim de evitar esforços mecânicos causados pela expansão e contração, que poderão quebrar a porcelana dos isoladores. Estas admitem consideráveis pesos de condutores, mas devem ser evitadas longas distâncias sem suportes. Alguns tipos de buchas permitem a conexão direta dos cabos ou barramentos; outros, necessitam de conectores apropriados, que podem ou não ser fornecidos com o transformador.

3.4. Aterramento do tanque O tanque deverá ser efetiva e permanentemente aterrado através do seu conector de aterramento (figura 1). Uma malha de terra permanente de baixa resistência é essencial para uma proteção adequada. No tanque está previsto um ou dois conectores para aterramento. A malha de terra deverá ser ligada a esses conectores por meio de um cabo de cobre nú com seção adequada.

Obs.: A redução da potência nominal para altitudes superiores a 1.000m se dá de acordo com a equação:Pr = Pn 1 - k , sendo:H - 1000100( )

3.5. Componentes de proteção e manobra

Os transformadores devem ser protegidos contra sobrecargas, curto-circuito e surtos de tensão. Normalmente usam-se chaves fusíveis, disjuntores, seccionadores, pára-raios, etc. Todos esses componentes deverão ser adequadamente dimensionados para serem coordenados com o transformador e testados antes de fazer as conexões. Devem ser instalados o mais próximo possível do transformador. Os elos utilizados nas chaves-fusíveis devem estar de acordo com a demanda e potência do transformador. O aterramento dos pára-raios deve ser feito com cabos independentes do aterramento do neutro do transformador.

4 - MONTAGEM DO TRANSFORMADOR

Para os transformadores fornecidos parcialmente desmontados, é imprescindível a contratação de profissionais qualificados para sua remontagem em campo, preferencialmente sob supervisão do fabricante do equipamento. Sugerimos observar a seqüência de montagem abaixo relacionada, atentando, adicionalmente, para o que consta na NBR-7037: a) Radiadores

Os radiadores devem ser inspecionados quanto à limpeza e umidade, caso necessário, devem ser lavados com óleo limpo e preferencialmente aquecido (máximo 50oC ). b) Conservador

(Parte 1 de 5)

Comentários