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Behaviorismo

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Vamos estudar o behaviorismo?! Convidamos você para as seguintes atividades:

1º) Pense em um momento de sala de aula em que você teve que resolver algum tipo de conflito. Relembre os passos que você, como professor(a), seguiu para solucionar o impasse. Pense na reação dos alunos, como eles se comportaram. Esse material será analisado posteriormente.

2º) Agora, realize um pequeno exercício sobre os conteúdos com os quais você terá contato posteriormente. Clique no link abaixo. Não se preocupe. É isso mesmo! Primeiro faça o exercício e depois a leitura. Nessa ordem. Bom trabalho!

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Behaviorismo

O behaviorismo (behavior = comportamento) surgiu como uma reação à psicologia introspectiva (mentalista) que estava em alta no início do século XX. Seu fundador foi o norte-americano John B. Watson (1878 - 1958) que em 1913 escreveu o artigo O comportamentismo, que ficou conhecido como Manifesto behaviorista. Opcionalmente, leia o artigo.

O Objetivo principal do behaviorismo de Watson era estabelecer as leis que regem o comportamento, relacionando as respostas com os estímulos que as precedem.

Você pode perceber que ele se preocupava com o que podia ser observado no comportamento. Watson propôs que o termo consciência deveria ser abandonado por todo e qualquer estudioso do comportamento.

Apresentaremos algumas das idéias formuladas por Watson com o objetivo de constituir sua teoria behaviorista (segundo Schultz e Schultz, 2005, p.228): Watson sofreu a influência da tradição filosófica objetivista e mecanicista que tem entre seus expoentes o filósofo Descartes.

As explicações de cunho mecanicista sobre o funcionamento do corpo humano constituíram uma das primeiras iniciativas rumo a uma ciência objetiva, diferente da que era desenvolvida na época. De Auguste Comte (1798 – 1857), o fundador do positivismo, Watson incorporou a compreensão do "movimento com ênfase no conhecimento positivo", baseado em fatos. O conhecimento daí resultante "constituiria uma verdade inquestionável. De acordo com Comte, o único conhecimento válido é o de natureza social e observável de forma objetiva. Esses critérios eliminavam a introspecção, já que ela depende da consciência individual particular e não é passível de estudo objetivo" (p.228).

Psicologia Animal

Watson era especialista em psicologia animal e foi influenciado pelos estudos sobre o comportamento dos animais no período que abrangeu os 10 primeiros anos do século XX. Esses estudos eram decorrentes da teoria evolucionista, que tinha por objetivo comprovar a presença da mente nos organismos inferiores e a relação entre a mente dos animais e a dos seres humanos.

Um dos estudiosos do comportamento animal foi Edward L. Thorndike (1879 – 1949). Ele acreditava que a ênfase do trabalho dos psicólogos deveria ser o estudo do comportamento manifesto. Estudava a conexão entre a experiência vivida pelos sujeitos e a resposta dada por eles: o conexionismo.

Ivan Petrovitch Pavlov (1849 – 1936) foi outro pesquisador do comportamento animal que influenciou o pensamento de Watson, principalmente fornecendo uma metodologia de trabalho na busca pelo controle e modificação do comportamento. Pavlov teve reconhecimento sobre suas pesquisas sobre o reflexo condicionado.

Para entender o comportamento reflexo, pense em um cão ou em um gato que é alimentado cotidianamente por uma pessoa. Pense no momento em que ele recebe um pedaço de carne. Provavelmente ele salivará. Isso ocorre de forma involuntária.

Condicionamento

Trabalhamos o comportamento reflexo. Agora, abordaremos o condicionamento reflexo, por meio de um experimento de condicionamento da resposta de salivação em um cão, realizado por Pavlov.

Um dos conceitos importantes para o entendimento do experimento é o de estímulo. O que vem a ser um estímulo? Algo ou alguma coisa que provoca uma resposta.

Outro conceito importante é o estímulo incondicionado. O que vem a ser o estímulo incondicionado? É um estímulo que gera uma resposta, independentemente de qualquer aprendizado.

O que seria então um estímulo condicionado? É aquele que por si só não gera uma resposta, mas pode vir a gerar se for associado a um outro estímulo, por meio do condicionamento.

Experimento de Pavlov:

1º) Ele apresentou a um cão um estímulo sonoro, neutro para a salivação (por exemplo, uma campainha ou cigarra).

2º) Uma pequena fração de tempo após (um segundo) ele apresentou o estímulo incondicionado carne.

3º) Apresentou os dois estímulos sucessivas vezes, produzindo uma associação entre os dois.

O que aconteceu? Elabore mentalmente uma hipótese e escreva na caixa de texto abaixo. Depois, confira clicando em "ver resultado".

- Ver resultado

“Após certo número de pareamentos do estímulo sonoro e do alimento, o animal passava a salivar com a simples emissão do som. Nesse caso, formava-se uma associação ou uma ligação entre o som e o alimento, e o animal era condicionado a responder mediante a apresentação do estímulo condicionado. Esse condicionamento ou aprendizagem não ocorre, a menos que o som seja seguido de apresentação de comida um número de vezes suficiente" (Schultz e Schultz, 2005, p. 245).

Reflexo condicionado

Agora pense no caso dos seres humanos. Podemos provocar o mesmo condicionamento com algum tipo de comida?

Sim, mas não podemos esquecer que determinado alimento pode fazer com que uma pessoa salive e outra não. Por quê?

Vamos tomar como exemplo o chocolate. Uma pessoa pode gostar de chocolate e outra não. Então, o que é um estímulo para uma pode não ser para a outra. Para aqueles que gostam, a visão do chocolate somente produziu salivação após a associação entre o sabor e a visão.

Preste atenção no seu comportamento. Você está ou não salivando agora? Então você salivou mesmo sem querer? Lembrou do chocolate ou de alguma outra coisa de que gosta?

Psicologia funcional

Uma terceira influência que Watson sofreu foi da psicologia funcional.

A psicologia funcional tinha interesse na pesquisa das funções mentais. Os psicólogos funcionalistas focavam seus estudos no processo de adaptação do homem ao meio ambiente no qual estava inserido.

Um exemplo é o de James Cattel (1860-1944) que não é o fundador do funcionalismo, mas utilizou seus princípios e elaborou testes mentais, aplicando-os em grandes amostras, buscando dar um caráter científico à Psicologia. Ele também era contra a introspecção como metodologia de estudo. Cattel e outros funcionalistas desejavam a objetividade na análise dos comportamentos.

Acima apresentamos as influências que culminaram com a construção da teoria do behaviorismo ou comportamentalismo. Com o estudo desses conceitos, você conseguiu elaborar uma crítica ao behaviorismo de Watson? Será que ele tem alguma contribuição para a construção da psicologia como ciência?

Vajamos o que os estudos apontam: uma das principais críticas ao behaviorismo de Watson era que ele não estudava a percepção e os componentes sensoriais do comportamento humano; por outro lado, ele contribuiu para tornar mais claros os conceitos básicos e métodos de estudo da psicologia, influenciando, conseqüentemente, o futuro da psicologia como ciência e suas implicações em outras áreas, como a educação.

Skinner

Burrhus Frederic Skinner (1904–1990) é considerado o principal expoente do behaviorismo ou neo-behaviorismo, como alguns o denominam, tendo sido uma pessoa bastante conhecida em diversos segmentos da sociedade.

Skinner sofreu influências de Watson e de Pavlov. Elaborou um projeto com o intuito de controlar o comportamento social, com técnicas que facilitassem a supressão ou a aquisição de comportamentos.

Ele criou um mecanismo para que um berço fosse embalado, com o intuito de ajudar no trabalho de criação de bebês. Será que ele realmente acreditava que a máquina substituiria a interação entre a criança e seu cuidador? Um processo mecânico poderia suprir a relação? Pense e tire suas próprias conclusões.

Skinner não se preocupava com os sentimentos, com o que acontece na mente humana. Ele acreditava que tudo podia ser controlado a partir do comportamento manifesto e que os materiais obtidos através da observação dos fatos eram a melhor forma de fazer ciência. A base dessa maneira de pensar é o empirismo, doutrina filosófica que refere que a totalidade da aprendizagem humana é decorrente das experiências realizadas pelo homem no contato com o meio (Japiassú e Marcondes, 1996).

Condicionamento Operante

B. F. Skinner preocupou-se com o chamado comportamento operante. Pavlov tratava do comportamento reflexo ou respondente, que tem como característica ser involuntário.

O comportamento operante caracteriza-se por ser um comportamento voluntário. Exemplos: andar, correr, pular, escrever, etc. Ele não é produto de um estímulo que o antecede, mas é seguido de conseqüências. Se a conseqüência for recompensadora ou agradável, aumenta a probabilidade do comportamento se repetir em ocasiões futuras. E esse evento é chamado de reforçamento.

Exemplos: o aluno recebe um ponto na média quando realiza as tarefas solicitadas; a criança ganha a guloseima que deseja ao fazer escândalo no supermercado; o trabalhador recebe o pagamento após realizar a tarefa; etc.

Opcionalmente, veja um vídeo de condicionamento, em um rato, da resposta de pressionar a barra em uma caixa de Skinner http://www.youtube.com/watch?v=--VoFnc7z-Y.

Condicionamento Operante - O Reforço

Existem dois tipos de reforço: o positivo e o negativo. O positivo, consiste na apresentação de um estímulo agradável ou recompensador após a ocorrência da resposta. O negativo, consiste em retirar um estímulo aversivo ou desagradável após a ocorrência da resposta.

Por exemplo, o comportamento de estudar poderá ser mantido com grande probabilidade de ocorrência se o aluno obtiver boas notas. As boas notas servem como reforço positivo para o comportamento de estudar.

Um exemplo de reforço negativo é quando a pessoa está numa siuação desagradável, como uma pedra no sapato. O comportamento de retirar a pedra elimina o estímulo avesivo, e esse comportamento tenderá a se repetir sempre que esse incômodo se apresentar.

Mais um exemplo: numa sala de aula, um aluno apresenta um comportamento considerado inadequado pela professora, que o encaminha para a sala de orientação educacional. Como a orientadora estava ocupada em entrevistas com pais, permitiu que o aluno utilizasse o computador. Ele brincou com jogos eletrônicos enquanto aguardava. Seu comportamento inadequado em sala de aula foi reforçado positivamente. Ou seja, ele poderá repetir o comportamento para voltar a brincar no computador. Por outro lado, o comportamento da professora de encaminhar a criança para o SOE foi reforçado negativamente na medida em que eliminou uma situação desagradável para ela. Das próximas vezes em que comportamentos inadequados ocorrerem, é provável que ela encaminhe os alunos para o SOE.

Um elogio também pode funcionar como reforço positivo. Procure lembrar situações corriqueiras em que você tenha recebido um elogio. Provavelmente, o comportamento elogiado passou a ocorrer com maior freqüência.

Extinção operante

Quando queremos aumentar a probabilidade de ocorrência de uma resposta, utilizamos o reforço. Quando queremos eliminar uma resposta, utilizamos o mecanismo de extinção. A extinção de um comportamento ocorre mediante a supressão do reforço. Na medida em que uma resposta não é mais reforçada, ela tende a deixar de ocorrer.

Num primeiro momento após a retirada do reforço, pode ocorrer um aumento de freqüência da resposta que se quer eliminar. Esse aumento tende a ser passageiro.

Punição

Outra forma de eliminar uma resposta é a punição. A punição consiste na apresentação de um estímulo aversivo após a ocorrência de um comportamento que se quer eliminar. Estudos experimentais indicam que a punição não é a melhor forma de extinguir um comportamento. Melhores resultados são obtidos quando reforçamos um comportamento incompatível com aquele que desejamos extinguir. Por exemplo, ao invés de punir um aluno quando ele se comporta de maneira inadequada, podemos reforçá-lo quando ele se comporta de maneira adequada.

Não há garantias de que um comportamento seja extinto permanentemente se apenas utilizarmos a punição. Além disso, há uma tendência do indivíduo de adaptação à punição e seria necessário aumentar a sua intesidade para a obtenção dos mesmos efeitos.

Modelagem

O reforço pode ser utilizado quando desejamos condicionar um comportamente já existente. A técnica da modelagem permite condicionar comportamentos que ainda não fazem parte do repertório comportamental do indivíduo. A modelagem consiste em reforçar respostas parecidas com a desejada, aumentando gradativamente a exigência quanto à semelhança em relação à resposta que se quer condicionar.

Caixa de Skinner

Skinner criou um equipamento para realizar experimentos com animais. Antes de ser submetido ao experimento, o animal é privado de alimento ou água. Na caixa há um dispositivo que libera o reforço, na forma de alimento ou água, quando o animal apresenta o comportamento que desejamos.

Outro instrumento criado por Skinner é a Máquina de Ensinar. O pressuposto é de que os meios mecânicos auxiliam no processo de aquisição de comportamentos, traduzidos, nesse caso, por respostas corretas sobre o conteúdo desenvolvido pelo professor ou especialista.

No início do estudo sobre o behaviorismo você fez uma atividade em uma máquina de ensinar. Essa ferramenta está baseada em outra idéia de Skinner, a instrução programada.

A instrução programada é uma forma de ensino na qual o conteúdo é dividido, pelo programador ou especialista, em diferentes etapas de acordo com o que ele acredita ser um grau de complexidade crescente. Sempre que o sujeito atinge o esperado, ele é reforçado com o próprio acerto da atividade ou com a permissão para seguir adiante no exercício que está realizando. Cada nova etapa pressupõe as aprendizagens anteriores e por isso a seqüência deve ser obedecida.

Algumas obras de B. F. Skinner

* The behavior of organisms (1938).

* Ciência e comportamento humano. São Paulo: Martins Fontes, 1985. Original publicado em 1953.

* Walden II. Uma sociedade do futuro. São Paulo: E.P.U., 1988. Um romance originalmente publicado em 1948.

* Para além da liberdade e da dignidade. São Paulo: E.P.U., 1971.

O Indivíduo

Para o behaviorismo, o indivíduo é considerado:

= tabula rasa ou folha de papel em branco (a partir da visão empirista);

= produto das forças do meio no qual ele vive;

= produto da história de reforços que ele sofreu ao longo de sua vida.

Los Horcones

No México foi fundada uma comunidade, a Los Horcones, baseada na teoria behaviorista. Veja alguns dos 17 princípios nos quais eles se baseiam para educar as crianças do grupo.

O primeiro princípio diz: “o comportamento do professor e do aluno são eventos naturais, ou seja, trata-se de fenômenos observáveis e mensuráveis”.

O quarto diz: “o professor aprende a ensinar efetivamente pelas conseqüências que recebe ao ensinar”.

O décimo segundo diz: “o reforçamento positivo é mal interpretado quando se diz que sua aplicação produz efeitos colaterais negativos, como dependência e falta de criatividade. É claro que a aplicação inapropriada de reforçamento positivo produzirá efeitos negativos”.

Atividade de reflexão

Após a leitura das 17 páginas precedentes, retorne a suas reflexões iniciais sobre uma situação de conflito que ocorreu em sua sala de aula. Pense em como você agiu e se há alguma relação com o behaviorismo.

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