canola, grao de bico, lentilha, ervilha

canola, grao de bico, lentilha, ervilha

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INTRODUÇÃO Um grande risco na agricultura a nível mundial sem duvida é a baixa diversidade de plantas empregadas, pois da enorme diversidade vegeta existente apenas 15 contribuem com cerca de 90% da alimentação do mundo, são: arroz, trigo, milho, soja, sorgo, cevada, cana-de-açúcar, beterraba açucareira, feijão, amendoim, batatinha, batata doce, mandioca, coco e banana. Isso representa, sem dúvida, uma redução da biodiversidade genética utilizada. (PATERNIANI, 2001).

A agricultura familiar no Sul do Brasil, de maneira geral, está em dificuldades em virtude da baixa renda e da pequena lucratividade de suas atividades. Isso tem acarretado reflexos sociais e econômicos em toda a sociedade, como, por exemplo, aumento de desemprego, êxodo rural e marginalidade no meio urbano e rural. Portanto, é fundamental o esforço na busca de alternativas diversificadas de produção agrícola e pecuária que promovam desenvolvimento sustentável, geração de riquezas e produção de alimentos de qualidade, aumentando a viabilidade dos sistemas produtivos, principalmente no inverno, quando muitas áreas encontram-se improdutivas e o uso do solo é inadequado. (TOMM; LIMA, 2010)

CANOLA A canola é uma oleaginosa de inverno, desenvolvida por melhoramento genético convencional de colza. Essa cultura tem um grande potencial como alternativa para cultivo de inverno, quando geralmente os produtores fazem apenas um cultivo para cobertura do solo. Com essa possibilidade, os produtores podem obter uma renda maior e aproveitar melhor a terra.

Apesar dos inúmeros aspectos positivos no consumo da canola na alimentação, o óleo da canola também é utilizado para o biodiesel, que juntamente com o álcool são combustíveis da moda, pois geram uma poluição bem menor que os combustíveis fósseis

Os grãos de canola produzidos no Brasil possuem 38% de óleo, aproximadamente o dobro dos 18% da soja. Já o farelo de canola possui 34 a 38% de proteína, sendo ótimo para a fabricação de rações.

A canola é a terceira maior commoditie mundial, respondendo por 16% da produção de óleos vegetais, ficando atrás apenas da soja e da palma, além do que seu óleo ser o terceiro mais consumido.

Os principais produtores são China, Índia, Canadá e Austrália. No Brasil iniciou em 1974, no Rio Grande do Sul, e nos anos 1980, no Paraná. (JOSEANI, 2010)

No Brasil cultiva-se apenas canola de primavera, da espécie Brassica napus L. var. oleifera, que foi desenvolvida por melhoramento genético convencional de colza. As principais cultivares utilizadas são PFB-2, da EMBRAPA, e ainda existem alguns híbridos importados.

O cultivo de canola reduz a ocorrência de doenças, como por exemplo, contribuindo para que o trigo semeado no inverno subseqüente produza mais e tenha melhor qualidade e menos doença. Isso ocorre devido a redução de inoculo de fungos necrotróficos que comprometem o rendimento e qualidade de trigo, a exemplo do Fusarium graminearum e Septoria nodorum e isso diminui o custo de produção. Também traz benefícios para as leguminosas, como soja e feijão, pois não é hospedeira de nematóide de cisto, e gramíneas, caso do milho, onde reduz problemas causados por mancha de diplodia e cercosporiose, cultivadas em sucessão aos cultivos de inverno, na safra de verão. (GILBERTO, 2010)

O cultivo é realizado completamente mecanizado, basicamente com as mesmas máquinas e implementos agrícolas empregados para os cultivos de soja, milho e trigo, com pequenas adaptações e acréscimos.

Essa cultura requer solos bem drenados, sem compactação, sem resíduos de determinados herbicidas. O pH do solo deve ser preferencialmente superior a 5,5 e o nível de fertilidade deve ser médio ou superior.

A densidade de semeadura é de 40 sementes aptas/m2 . Populações excessivas geram plantas com caules finos e suscetíveis ao acamamento e reduzem o rendimento de grãos. A canola tem grande capacidade de compensar baixas populações de plantas. Rendimentos de até 1.800 kg/ha foram obtidos em lavouras com apenas 15 plantas/m2 , mas com distribuição uniforme. Entretanto, é recomendável ter 40 plantas/m2 , a fim de assegurar um número adequado de plantas para permitir maior potencial de rendimento, compensar o danos causados por insetos e doenças, e ainda cobrir o solo rapidamente, diminuindo a presença de plantas daninhas.

Já a profundidade de semeadura é de 1 à 2 cm. É preferível que elas fiquem na superfície de solo úmido, do que muito profundamente. É importante não semear com o solo seco, a não ser que haja previsão de chuva após o plantio. (GILBERTO, 2010)

A canola tem uma grande demanda de nitrogênio (N) e enxofre (S).

Freqüentemente ocorre deficiência destes dois nutrientes em solos que apresentam acidez ou baixo teor de matéria orgânica. Para canola, a proporção entre os nutrientes disponíveis é importante para obter elevada produtividade.

A deficiência de enxofre causa alta taxa de abortamento de flores, síliquas pequenas, mal formadas, apresentando engrossamento. (GILBERTO, 2010)

A área foliar possui importância decisiva no rendimento, especialmente no início da floração, sendo essa a fase critica da cultura em relação a pragas e doenças foliares.

Geada na floração tem menor efeito sobre o rendimento de grãos de canola do que sobre outras espécies cultivadas no inverno. Embora cause abortamento floral, o longo período de floração compensa essa perda. Porém a geada mais tardia pode causar prejuízo se a cultura recém terminou a floração e os grãos estão na fase leitosa. (GILBERTO, 2010)

Pragas: As principais pragas quem atacam a cultura são os corós, formigas cortadeiras (saúvas e quenquéns) especialmente na fase inicial da cultura. A vaquinha ou patriota causa desfolha em canola, especialmente da fase cotiledonar até 2-3 folhas verdadeiras.

Em anos em que não ocorre frio intenso no inverno se verifica a migração de percevejo verde (Nezara viridula), de percevejo verde pequeno (Piezodorus guildinii), e de percevejo marrom (Euschistus heros) de lavouras de soja para lavouras de canola.

A traça das crucíferas (Plutella xylostella) é a principal praga, pois se alimenta das folhas, e podem diminuir drasticamente a área foliar. Durante a floração ocorrem infestações de pulgões. (JOSE, 2010)

Doenças: A principal doença é a canela-preta (Leptosphaeria maculans), que causa lesões nos caules apresentam coloração que varia de cinza-fosco a branco e uma borda escura. Estruturas pretas, duras, do tamanho de uma ponta de lápis, podem aparecer na base dos caules infectados. Com infecções acentuadas, as síliquas podem amadurecer e abrir antecipadamente, causando perdas de grãos.

Ainda existem outras doenças como a podridão branca da haste

(Sclerotinia sclerotiorum), a podridão negra das crucíferas (Xanthomonas campestris pv. Campestris) e a mancha de alternaria (Alternaria brassicae, A. raphani e A. alternata). (GILBERTO, 2010)

Colheita: A colheita da canola pode ser feita através do corte e enleiramento ou da colheita direta. A maior parte da área cultivada tem sido colhida de forma direta, semelhantemente a soja e trigo. Para esse método, umidade dos grãos deverá ser de no máximo 18% para que se possa iniciar a colheita direta da lavoura, sendo então necessária a secagem imediata até a umidade de 10% ou menos. Diferença de rendimento de grãos na mesma lavoura, antes e após temporais, indicaram que perdas superiores a 30% da produção, causadas por desgrane natural, sendo freqüentes esse fatores climáticos em nosso pais.

Para reduzir estas perdas, a principal alternativa consiste no corte e enleiramento. A ocorrência de temporais de vento, chuvas torrenciais e granizo, as vésperas da colheita, na safra de 2007 e fatos de anos anteriores, geraram evidências do potencial da antecipação da colheita, através do corte e enleiramento, para evitar perdas por desgrane. Assim, além da produção de equipamentos para esse fim para acoplamento em tratores, também estão sendo construídas ou adaptadas plataformas estendidas, autopropelidas.

A realização da operação de corte e enleiramento no momento adequado é mais crítica que a operação de colheita. Tem-se observado que atrasos de até 15 dias após atingir o ponto ideal para colheita determinam perdas relativamente grandes, cerca de 30% do potencial produtivo.

Sugere-se que, quando 40% a 60% dos grãos do caule principal das plantas apresentarem coloração marrom ou preta, fica definido o momento ideal para se fazer o corte e enleiramento da lavoura.

Para avaliar este ponto, toma-se o caule principal da planta e examina-se a cor dos grãos de diversas síliquas localizadas na base, no meio e no terço superior da parte produtiva. Os grãos da base e do terço central deverão ter aparência variando de marrom a completamente pretos.

Durante períodos de temperaturas muito elevadas, deve-se dar preferência ao trabalho noturno para reduzir a debulha natural e a debulha devida aos impactos dos mecanismos da enleiradora ou da colheitadeira. (EMBRAPA TRIGO, 2010)

É indispensável a vedação de orifícios em colheitadeiras e carrocerias de veículos de transporte. Grandes volumes de grãos são perdidos, devido ao seu pequeno diâmetro (de 1 a 2 m). Perdas na colheita e transporte são inaceitáveis e ainda causam um grande prejuízo para os produtores. (EMBRAPA TRIGO, 2010)

Após a colheita, os grãos de canola que permaneceram na lavoura, devem germinar e ser controlados por dessecação para não serem enterrados durante a semeadura da cultura seguinte infestando a área. O glifosato é um herbicida sistêmico de baixa toxicidade e pode ser usado para esse fim.

Culturas como soja e milho só devem ser semeados 20 dias após a colheita de canola devido ao efeito alelopático da palha de canola, que é maior sobre a soja do que sobre o milho. (GILBERTO, 2010)

ERVILHA A ervilha (Pisum sativum) é uma planta da qual existem mais de duzentas variedades, e de suas vagens são extraídos diversos tipos de grãos. Em algumas regiões de alguns países é costume utilizar os grãos e as vagens no alimento, pois se constituem em uma fonte de fibras.

Originária da Ásia Ocidental, de onde foi levada para a índia, e de lá para a

Europa. Chegou ao Brasil através dos colonos portugueses. Outros pesquisadores acreditam que sua origem é procedente da América Central e de lá levada para a Europa e logo após seguiu-se para outros continentes.

A ervilha pertence à família Fabaceae, a mesma do feijão. A germinação ocorre em temperaturas que vão desde 5 até 25 ºC, com melhores resultados na faixa de 14 a 17 ou 18 ºC. (AGRIGULTURA E PECUÁRIA, 2010)

Existem dois tipos de grãos, o liso e o rugoso, sendo o primeiro é menor e mais resistente, amadurecendo antes do rugoso. Este, no entanto, é mais apreciado por ser de maior tamanho e mais doce. As ervilhas são alimento de fácil digestão, e podem ser conservadas secas ou enlatadas.

A Ervilha é uma planta de inverno com boa adaptação a região Sul e a região de cerrados do Brasil, sendo uma excelente alternativa para rotação de culturas de inverno. Esta reduz a ocorrência de doenças nas gramíneas possibilitando melhor rendimento de Trigo e outras gramíneas. Além disso, ainda ocorre a Incorporação de nitrogênio no solo e ainda é uma cultura que requer pouca chuva. (FERRARI, 2010)

caule flexível, folhas simples e flores características das leguminosasO fruto é

A planta pode ser do tipo herbácea anual, trepadeira ou prostrada com um legume, também chamada de vagem, com sementes globosas, verdes, saborosas. Tem ciclo de 70 dias na média e pode ser cultivada em quase todo o país. (STUMPF, 2010)

No Sul e Sudeste pode ser plantada no período de setembro a março; no

Centro-Oeste planta-se no período de março a agosto, no Norte de abril a julho e no Nordeste pode ser plantado o ano todo.

As principais cultivares são produzidas pela Embrapa devido ao pouco interesse de grandes empresa. As mais utilizadas são a forró, frevo, pagode e samba. (GIORDANO; NASCIMENTO; SANTOS, 2010)

O espaçamento para a variedade torta é de 80 x 50cm; para a ervilha rasteira deve-se manter a distância entre linhas de 40cm. Enterrar 8 sementes por metro linear de sulco, raleando as 5 plantinhas mais fracas, menores ou defeituosas, mantendo uma distância média de 20cm entre plantas.

A semeadura é direta, manualmente e na profundidade de 2,5cm. O local deve ser ensolarado e o solo fértil e rico em matéria orgânica, além de permeável e solto. A acidez é importante para a cultura, o pH ideal de cultivo fica em torno de 5,5 e 6,8.

No caso da ervilha torta, é necessário fazer o tutoramento das plantas, podendo ser em “X” ou estaca com galhos junto à haste principal, para que a planta possa se espalhar.

A cultura pode ser consorciada com hortaliças, como milho, pepino, rabanete, nabo e cenoura. Ainda é possível fazer rotação com hortaliças de outras famílias e de variedades que resistem ao calor.

O mato competição é importante no inicio da cultura e as ervas daninhas devem ser controladas.

Pragas: Os pulgões são os principais causadores de danos na cultura, necessitando duas a três pulverizações de produtos específicos, nas doses recomendadas. (STUMPF, 2010)

Doenças: A doença mais freqüente é a ascoquitose, que deve ser tratada quando surgirem os primeiros sintomas. O oìdio e antracnose também podem incidir sob a cultura. (FERRARI, 2010)

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