esquizofrenia paranóide

esquizofrenia paranóide

(Parte 1 de 2)

14

Centro Universitário Augusto Motta

Curso de Enfermagem

ESTUDO DE CASO: Esquizofrenia Paranóide

por

Aline Luiza de Lima

Thainá Alves Ferreira Grechi

Rio de Janeiro

21 jul. 2010

Centro Universitário Augusto Motta

Curso de Enfermagem

ESTUDO DE CASO: Esquizofrenia Paranóide

Trabalho acadêmico apresentado a Disciplina Estágio Supervisionado em Saúde Mental, como parte dos requisitos para obtenção do Título de Bacharel em Enfermagem.

Por:

Aline Luiza de Lima

Thainá Alves Ferreira Grechi

Professor

Wanda Lúcia e Isabel

Rio de Janeiro

21 jul. 2010

SUMÁRIO

1.INTRODUÇÃO.....................................................................................................................03

3.FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...........................................................................................04

4.FARMACOLOGIA................................................................................................................08

5. CUIDADOS DE ENFERMAGEM........................................................................................11

6. CONCLUSÃO.....................................................................................................................12

5.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS....................................................................................13

INTRODUÇÃO

ANBS, 45 anos, casada com duas filhas, moradora do Anil, Bairro de Jacarepaguá, Rio de Janeiro - RJ foi admitida no dia 18 de maio de 2010 a uma unidade psiquiátrica da Colônia Juliano Moreira no Hospital Municipal Jurandir Manfredini, permanecendo até então na unidade de média permanência feminina. Deu entrada na unidade através do SAMU que foi acionado por uma amiga da própria paciente, apresentando quadro psicótico agudo, pensamento delirante, alteração de comportamento e heteroagressividade. ANBS foi encontrada pela ambulância do SAMU vagando pela rua completamente delirante e em condições precárias de higiene, há muitos dias sem realizar qualquer tipo de higiene corporal. Ao traçar o diagnóstico médico, descobriu-se que ANBS sofre de Esquizofrenia Paranóide.

Posteriormente, ao questionar a paciente no dia 02 de junho de 2010 a respeito do motivo da sua internação a mesma diz estar internada por ter agredido a própria irmã, com quem mantinha residência fixa atualmente, alegando que a mesma tentava aprisioná-la em um quarto e utilizava de métodos “cruéis” para coagi-la, bem como agredi-la com palavras “demoníacas” e de baixo calão. Segundo a paciente, a irmã após a agressão teria acionado o serviço da Central do SAMU para que viesse buscá-la e a levasse a uma unidade psiquiátrica, e a paciente em questão afirma veemente que “Tom Cruise” – um ator norte-americano – estava na ambulância desempenhando o papel de enfermeiro e o próprio teria cuidado da sua internação. ANBS discursa também a respeito de ser a compositora legítima de todas as músicas cantadas por Ney Matogrosso – ator e cantor brasileiro – e ser dotada de muita inteligência, pois é capaz de se comunicar verbalmente em três dialetos diferentes da sua língua nativa: Japonês, Francês e Inglês, além de praticar a sua “arte” com pintura em telas, a mesma diz que não consegue mais pintar devido à abstinência do tabaco. No dia 14 de junho de 2010 por relatos de outros acadêmicos, ANBS dizia que outro paciente na enfermeira de curta permanência masculina era na verdade “Tom Cruise” e no ultimo dia 16 de junho de 2010 a mesma não saiu ao pátio preferindo ficar reclusa ao seu leito. ANBS segue em observação psiquiátrica.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Segundo o dicionário Aurélio:

(1) “Esquizofrenia - Termo psiquiátrico que serve para denominar uma afecção mental que se caracteriza pelo relaxamento das formas usuais de associação de idéias, baixa de afetividade, autismo e perda de contato vital com a realidade, (...)”.

(2) “Paranóia – Uma das formas de psicopatia (doença psíquica) caracterizada pelo aparecimento de ambições suspeitas, que se acentuam evoluindo para delírios persecutórios e de grandeza – estruturados sobre base lógica”.

Portanto, “Esquizofrenia Paranóide” é uma modalidade de esquizofrenia que, vista como uma significativa perda de contato vital com a realidade, através do relaxamento das formas usuais de associação de idéias, toma forma (ou aspecto) de paranóia, vista, por sua vez, como um aparecimento de ambições desmedidas (suspeitas) que evoluem, geralmente, para mania de grandeza (megalomania) aliada a delírios persecutórios. No entanto, é interessante observar que apesar de ser observado o relaxamento das formas usuais de associação de idéias (característico da esquizofrenia), os sentimentos de perseguição e megalomania são, freqüentemente, estruturados sobre base lógica.

A esquizofrenia é uma das mais devastadoras dentre as desordens mentais conhecidas, fazendo com que o doente perca (parcial ou totalmente) o contato com a realidade objetiva. Os pacientes com essa modalidade de desordem psíquica costumam ver, ouvir e/ ou sentir sensações que realmente não existem na realidade objetiva e concreta, de que as pessoas supostamente “normais” partilham; e tais sensações percebidas pelo esquizofrênico - que não pertencem à realidade objetiva das pessoas consideradas normais - são denominadas “alucinações”.

Da mesma forma, o esquizofrênico é capaz de se estruturar logicamente a fim de se convencer veementemente de fatos que simplesmente não condizem com a realidade objetiva (desilusão) que o cerca. Essa verdade (ou conjunto de verdades) o consome completamente, em todos os sentidos, passando a viver em função das fantasias por ele criadas, fundindo-as (muitas vezes brilhantemente) com a realidade objetiva e concreta que ele deveria estar vivendo.

A “esquizofrenia paranóide” é, portanto, uma modalidade de esquizofrenia, e que se aproxima da paranóia, na medida em que o indivíduo apresenta tal desordem mental estruturada em traços visíveis de megalomania e desilusões persecutórias freqüentes. Dependendo do grau em que a doença se manifesta, nada impede que, de modo geral, os esquizofrênicos possam ser pessoas inteligentes, criativas e produtivas.

De qualquer forma, os esquizofrênicos geralmente sofrem demasiadamente, no sentido de que não sabem distinguir suas fantasias, manias e fixações da realidade que os cerca. Tendem a criar, portanto, mundos fantasiosos à parte, dentro do qual passam a viver isolados, posto que suas fantasias tendem a funcionar como um tampão em relação à realidade objetiva, funcionando, dessa forma, como uma muralha ao convívio social. É bem provável que os esquizofrênicos ajam dessa maneira por apresentarem, em todos os sentidos, uma baixa resistência à contrariedades, perdas e frustrações: eles não suportam que duvidem deles ou que contrariem a lógica das idéias absurdas que freqüentemente estruturam.

As primeiras manifestações de “esquizofrenia paranóide” costumam aparecer, em média, entre os 16 e 34 anos. É uma doença que não tem cura, mas que pode, porém, dependendo do grau, ser controlada através de medicamentos e acompanhamento psicoterapêutico, permitindo ao indivíduo levar uma vida relativamente normal. Ataques mais graves, em graus mais severos e com maior freqüência, podem exigir internações periódicas.

As causas

Os fatores que causam precisamente a “esquizofrenia paranóide” ainda são obscuros, sendo que já se sabe que o desequilíbrio na captação e recaptação de uma combinação de importantes neurotransmissores cerebrais constitui a causa fundamental da doença. No entanto, detalhes mais precisos sobre esse desequilíbrio e sobre o processo que o causa ainda são um grande mistério a ser desvelado pela ciência moderna.

O fator hereditário possui um papel significativo, de importância, posto que já foi observado que é mais provável de se ser um esquizofrênico, caso o indivíduo possua algum histórico de esquizofrenia na família. O stress e o excesso de álcool não causam a esquizofrenia, pois a esquizofrenia é uma doença de origem genética e, portanto, inata, ou seja, o indivíduo nasce potencialmente com ela. Porém o stress - aliado ao uso abusivo do álcool - pode agravar tanto os sintomas de quem possui a doença, quanto criar, em determinado grau, um quadro sintomático comportamental naqueles que não apresentam a doença.

Os principais sintomas para o correto diagnóstico da Doença

A esquizofrenia é uma doença que, geralmente, se desenvolve gradualmente – apesar de que, em determinados casos, ela pode se manifestar como um surto repentino. As pessoas mais próximas ao indivíduo esquizofrênico costumam perceber as mudanças primeiro do que o próprio.

Dentre os principais sinais, estão:

• Confusão mental;

• Inabilidade (ou incapacidade) para tomar decisões por si mesmo;

• Alucinações;

• Mudanças nos hábitos alimentares ou de sono, bem como nos níveis de energia;

• Desilusões (no sentido científico da palavra, anteriormente explicado);

• Nervosismo;

• Dizeres estranho e comportamento bizarro;

• Isolamento em relação aos amigos, trabalho ou estudos;

• Freqüente negligência à higiene pessoal;

• Raiva (intensa e freqüente) e agressividade (moderada);

• Indiferença pela opinião de terceiros;

• Tendência freqüente a discutir – com predileção a assuntos polêmicos ;

• Forte convicção de superioridade em relação aos demais, e que as pessoas são incapazes de entendê-lo.

O tratamento psicofarmacológico

Sem medicação e acompanhamento psicoterapêutico, a maior parte dos “esquizofrênicos paranóides” tornam-se incapazes de operar no mundo real. Sem auxílio dos medicamentos e da orientação de um profissional competente, eles poderão desenvolver severas alucinações e desilusões, podendo, facilmente, se tornarem perigosas, tanto para eles mesmos como para as pessoas que o cercam.

Os medicamentos mais comuns para o tratamento da “esquizofrenia paranóide” são: o Thorazine, o Haldol e o Risperdal, capazes de combater os sintomas de maneira eficaz, em 4 entre cada cinco pacientes (ou seja, são eficientes em 80% dos casos). Os tratamentos com os medicamentos duram de quatro a oito semanas. Como a doença é incurável, terapias convencionais ou grupais podem ajudar o paciente a entender melhor a sua condição, aprendendo, com isso, a conviver com sua doença, o que é decisivo para o aumento gradual de sua qualidade de vida e produtividade.

FARMACOLOGIA

  1. Akineton ( Biperideno)

O que é e para que serve ?

O akineton é o biperideno, uma medicação anticolinérgica usada para tratar a doença de Parkinson. Os psiquiatras usam para controlar os efeitos colaterais dos antipsicóticos. O akineton não possui nenhum efeito sobre o funcionamento mental, apenas sobre as funções motoras

Como é usado?

A dose depende da quantidade de antipsicótico administrada ao paciente, bem como a sensibilidade aos efeitos motores provocados pelos antipsicóticos. Geralmente os psiquiatras recomendam que seja tomado junto com o antipsicótico. Por exemplo: se um paciente toma um comprimido pela manhã, outro à tarde e outro à noite de algum antipsicótico, o akineton deve ser tomado também pela manhã, à tarde e à noite. Crianças de 1 a 5 anos podem tomar 0,5 a 3mg por dia, de 6 a 12 anos de 4 a 12mg ao dia. A dose prescrita mesmo para adultos costuma variar entre 6 e 12mg ao dia.

Principais efeitos colaterais

Ressecamento das mucosas, principalmente da boca, visão turva, prisão de ventre. No caso de confusão mental a medicação deverá ser suspensa. Essa decisão, contudo, só pode ser tomada pelo psiquiatra, pois só ele sabe com precisão o que está acontecendo com o paciente.

(Parte 1 de 2)

Comentários