Teniase e cisticerco

Teniase e cisticerco

Teníase e Cisticercose

O parasito

Adultos:

  • Adultos:

  • - Escólex – fixação do parasito

  • - Colo – região de crescimento do parasito, conforme se alonga forma as proglotes. Zona de crescimento do parasito, as células estão em intensa atividade de multiplicação.

  • - Estróbilo – formado por proglotes (protandria)

  • Larvas:

  • - Cysticercus bovis – Taenia saginata

  • - Cysticercus cellulosae – Taenia solium

  • Ovos:

  • - Embrião hexacanto (oncosfera)

Ciclo Evolutivo

Ciclo Evolutivo

  • O parasito adulto fica fixado na mucosa do intestino delgado (jejuno) através de suas ventosas (T. saginata) e ventosas e acúleos (T. solium).

  • Os ovos são eliminados com as fezes e ao serem ingeridos pelo boi (T. saginata) ou porco (T. solium – o porco principalmente, pois possui hábitos coprófagos) ser rompem por conta dos sucos digestivos e da bile, liberando a oncosfera.

  • A oncosfera penetra na mucosa intestinal e cai na corrente sanguínea. O cisticerco da T. solium pode ir para qualquer lugar, mas possui preferência por músculos esqueléticos e cardíaco dos suínos. O cisticerco da T. solium também se desenvolve no músculo esquelético e cardíaco do boi, mas também pode se desenvolver no tecido gorduroso e parênquima de outros órgãos. Ao final de 60 a 70 dias esta larva já é infectante para o homem.

  • O homem ao comer a carne de porco ou de boi crua ou mal cozida pode ingerir o cisticerco juntamente com a carne. Com a ação de sucos digestivos e bile na carne esse cisticerco é liberado, há desinvaginação do escólex e fixação das ventosas e acúleos (dependendo da tênia) na mucosa intestinal e há crescimento do estróbilo. As primeiras proglotes são eliminadas com as fezes 60 a 70 dias depois. Nesta ocasião o helminto já mede em torno de 2 metros de comprimento.

Transmissão

Sinais e Sintomas

  • Geralmente assintomática

  • Sintomas

    • Dor abdominal
    • Náuseas
    • Fraqueza
    • Perda de peso
    • Apetite aumentado
    • Constipação Intestinal
    • Diarréia
    • Prurido anal

Diagnóstico

  • Presença de proglotes na fezes – indicada pelo paciente

    • Pesquisa de proglotes – Tamisação
  • Pesquisa de Ovos na fezes – qualquer método parasitológico (mais utilizados são Kato-Katz ou sedimentação espontânea).

    • Presença de ovos 3 meses após a infecção
    • Ausência de ovos após a eliminação de grandes porções do estróbilo
  • Pesquisa de ovos com fitas adesivas (fita de Celofane colante)

    • Mais eficiente com T. saginata
    • Liberação de grandes porções do estróbilo inibe a eliminação de proglotes por um tempo e consequentemente a presença de ovos
    • Os ovos são eliminados apenas 3 meses após a infecção
  • Imunofluorescência indireta

  • Hemaglutinação indireta

Tamisação – o bolo fecal deve ser desmanchado em água e depois passado em peneira de malhas finas para reter as proglotes. Para o diagnóstico da espécie deve-se comprimir a proglote entre duas lâminas e colocar o conjunto submerso em ácido acético para clarificar o material e permitir a visualização das ramificações uterinas.

  • Tamisação – o bolo fecal deve ser desmanchado em água e depois passado em peneira de malhas finas para reter as proglotes. Para o diagnóstico da espécie deve-se comprimir a proglote entre duas lâminas e colocar o conjunto submerso em ácido acético para clarificar o material e permitir a visualização das ramificações uterinas.

  • Fita adesiva de celofane colante ou fita adesiva transparente – colocar a fita no ânus do paciente e depois colocá-la em uma lâmina para visualização no microscópio. Quando positivas as lâminas costumam ser ricas em ovos. Esse método é capaz de revelar 90% das infecções por T. saginata.

Tratamento

  • T. saginata – pode escolher qualquer medicamento que seja indicado para o tratamento da teníase

  • T. solium – Não devem ser utilizados medicamentos que atuem sobre as formas larvárias caso haja suspeita de cisticercose (pode agravar o quadro clínico);

    • evitar drogas que provoquem vômito, para evitar a auto-infecção (o antiperistaltismo pode levar os ovos para o estômago);
    • Os medicamentos não atuam sobre os ovos.

Niclosamida – droga de escolha

  • Niclosamida – droga de escolha

    • Quase não apresenta efeitos colaterais
      • Náuseas
      • Indisposição
      • Dor abdominal
    • Dosagem – 2g para adultos e 1 a 2g para crianças
    • Provoca a morte e desintegração do parasita (ação tenicida) – não aparece inteiro nas fezes
    • Não precisa usar laxativo depois, mas pode-se utilizar pelas seguintes razões:
      • Evitar reação de hipersensibilidade pela digestão de grande quantidade de proteínas parasitárias.
      • Psicologicamente reconfortante.

Praziquantel - Não se recomenda para infecções por T. solium porque atua sobre a fase cística do parasito

  • Praziquantel - Não se recomenda para infecções por T. solium porque atua sobre a fase cística do parasito

    • Caso use, utilizar corticóide junto para inibir a ação do sistema imune
    • Doses entre 5 e 15 mg/Kg do paciente
    • Sem efeitos colaterais

Mebendazol – nematóides e cestóides

  • Mebendazol – nematóides e cestóides

    • 200 mg duas vezes ao dia por 4 dias
    • 300 mg duas vezes ao dia por 3 dias
  • Paromomicina – Ação tenicida evidenciada após tratamento de pacientes com amebíase. Possui efeitos colaterais:

    • Náuseas
    • Vômitos
    • Diarréias
    • Vertigens
    • Dosagem analisada
      • 40 mg/Kg durante 5 dias (93% dos pacientes ficaram curados)
      • 75 mg/Kg em dose única (85% dos pacientes ficaram curados)
  • Sementes de abóbora

    • Tenífuga – promove a expulsão das tênias (relaxamento e desprendimento)
    • Tomar laxativo depois para eliminar o helminto
    • Misturar 200 a 400 g de sementes de abóbora com mel
    • Cura de 85%
    • Através de aplicação com sonda duodenal há 100% de êxito

Critérios de Cura

  • Só a destruição ou expulsão do escólex assegura a cura da teníase, pois todo o estróbilo pode ser reconstituído (Tamisação).

  • Acompanhamento por 3 a 4 meses para verificar a presença de anéis ou ovos nas fezes.

Como evitar a transmissão?

Cisticercose

Qual a diferença entre Teníase e Cisticercose?

  • Teníase – provocada pela forma adulta da Taenia solium ou T. saginata no intestino delgado do homem.

  • Cisticercose – Provocada pela presença de formas larvárias de Taenia solium (geralmente) nos tecidos de suínos, bovinos ou do homem.

Modos de infecção

  • Heteroinfecção – ingestão de ovos presentes no alimentos e água contaminada (ovos oriundos de dejetos de pacientes). É a ocorrência mais comum.

    • Dejetos humanos contaminando fontes de água para beber ou regar hortaliças;
    • Disseminação de ovos de T. solium por moscas e baratas;
    • Acidentes de laboratório;
    • Práticas sexuais orais.
  • Auto-infecção externa – ingestão de ovos pelo próprio portador da teníase.

    • Maus hábitos higiênicos – não lavar as mãos após ir ao banheiro, antes de manipular alimentos, levar as mãos à boca (crianças e doentes mentais).
  • Auto-infecção interna – movimentos antiperistálticos ou vômitos. Algumas proglotes grávidas podem voltar ao estômago e através do suco gástrico podem ser romper.

Localização das larvas

  • Através da ação do suco gástrico os ovos se rompem no duodeno ou primeiras porções do jejuno, as larvas penetram na mucosa intestinal através de seus acúleos e glândula de penetração, alcançando os vasos intestinais e se disseminando pela corrente sanguínea

  • Neurocisticercose

    • crises convulsivas epilépticas
    • distúrbios neurológicos (paralisia, paresia, afasia, alterações de sensibilidade
    • Hipertensão intracraniana com sintomas neuropsíquicos
    • (apatia, indiferença, torpor, excitação, diminuição da atenção, esquizofrenia, manias, delírios)
    • Pode durar 10 anos ou mais
    • Leva a morte

Globo ocular - Atinge o órgão através dos vasos da coróide, instalando-se na retina.

  • Globo ocular - Atinge o órgão através dos vasos da coróide, instalando-se na retina.

    • Deslocamento da retina
    • Perfuração da retina (penetrando no vítreo)
    • Conjuntivite
    • Catarata (opacidade do cristalino)
    • Perda da visão ou do globo ocular
  • Músculo esquelético – geralmente é assintomática. Quando há numerosos cisticercos pode ocorrer dor, fadiga, cãibras (principalmente quando localizados na perna, nuca e região lombar).

  • Tecido subcutâneo – palpável, geralmente indolor e pode ser confundido com um cisto sebáceo.

  • Coração – palpitações, ruídos, dispnéia

Neurocisticercose

  • Uma ação mecânica (Deslocamento ou compressão dos tecidos)

  • Uma ação inflamatória (presença de linfócitos, plasmócitos, eosinófilos e gigantócitos).Esta é a principal responsável pelos sintomas da neurocisticercose, ocorre com a presença do cisticerco e de acordo com o seu processo de degeneração.

  • A longevidade do cisticerco é de 2 a 5 anos. O  cisticerco é totalmente absorvido (ficando no local apenas um nódulo cicatricial) ou sofre calcificação (permanecendo por longos anos)  A reação em torno dos cisticercos pode provocar distúrbios circulatórios graves, como redução do fluxo sanguíneo e periarterites. A calcificação é a forma cicatricial da neurocisticercose e está relacionada com a epileptogênese.

  • Ao degenerar e morrer o parasito, o líquido contido na vesícula turva-se e a parede torna-se permeável aos produtos de desintegração da larva, que passam a exercer, então, ação tóxica e irritativa. O helminto morto perde a sua vesícula e fica reduzida a um nódulo esbranquiçado. Posteriormente pode haver um processo de calcificação.

  • Durante o tempo em que permanecem viáveis observam-se modificações anatômicas e fisiológicas até se completar a calcificação da larva:

Estágio vesicular – o cisticerco apresenta membrana fina e transparente, líquido incolor e escólex normal. Pode permanecer ativo por tempo indeterminado ou iniciar um processo degenerativo, de acordo com a resposta imune do hospedeiro;

  • Estágio vesicular – o cisticerco apresenta membrana fina e transparente, líquido incolor e escólex normal. Pode permanecer ativo por tempo indeterminado ou iniciar um processo degenerativo, de acordo com a resposta imune do hospedeiro;

  • Estágio coloidal – líquido turvo (gel esbranquiçado) e escólex em degeneração;

  • Estágio granular – membrana espessa, gel com deposição de cálcio e escólex minaralizado com aspecto granular;

  • Estágio granular calcificado – cisticerco calcificado e de tamanho reduzido.

    • OBS: O cisticerco racemoso (Cysticercus racemosus) possui várias membranas aderidas e possui o aspecto de cacho de uva. O escólex não pode ser visualizado (Mais grave, pois o volume ocupado pelo parasita é maior, causando compressão cerebral, efeito de massa e desvio de estruturas. A reação inflamatória também é mais intensa).

Diagnóstico

  • Clínico: Crises epileptiformes, perda da visão de forma progressiva e rápida, cefaléias, etc.

  • Laboratorial: (empregar 2 testes: 1 muito sensível e outro muito específico)

    • Imagens (radiografias, tomografias e ressonância magnética, ultrasonografia nas formas oculares).
    • Exame do Líquido Cefalorraquidiano (pressão aumentada ou não), (Citologia hipercitose moderada com 5 a 50 células - leucócitos), (aumento das taxas de proteínas totais e particularmente das globulinas).
    • Testes Imunológicos (Hemaglutinação indireta, IFI, ELISA no soro e no líquor, Western blotting)

Tratamento

  • Neurocirurgia – quando o número de cisticercos é pequeno e de fácil localização (fácil intervenção)

  • Praziquantel + Corticosteróides – não usar na cisticercose ocular, pois pode ocasionar cegueira.

  • Cisticercose ocular – cirurgia simples

  • Albendazol

FIM

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