Artigo Científico - Síndrome de Down

Artigo Científico - Síndrome de Down

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SÍNDROME DE DOWN - DESCOBRINDO E TRABALHANDOCOM A INCLUSÃO NA EDUCAÇÃO INFANTIL

Resumo

A inclusão de pessoas com necessidades especiais no sistema regular de ensino é um dos mais importantes desafios vivenciados, principalmente, por educadores, por isso, este artigo tem como base a interação entre alunos com e sem Síndrome de Down, objetivando também práticas pedagógicas, desde a sua Educação Infantil, pois as crianças podem evoluir tanto quanto as outras, a diferença é somente o tempo de aprendizado e os estímulos recebidos.

O objetivo principal é realizar ações planejadas para a promoção de relacionamentos afetivos entre família, alunos, professor e escola, tendo como referência leis que garantem aos deficientes a inclusão, as adaptações curriculares e principalmente, a igualdade por todos.

Palavras-chaves: Inclusão, educação e interação.

  1. INTRODUÇÃO

    1. O que é Inclusão?

Entendemos por Inclusão o ato ou efeito de incluir. O conceito de educação inclusiva ganhou maior notoriedade a partir de 1994, com a Declaração de Salamanca. No que respeita às escolas, a idéia é de que as crianças com necessidades educativas especiais sejam incluídas em escolas de ensino regular e para isto todo o sistema regular de ensino precisa ser revisto, de modo a atender as demandas individuais de todos os estudantes. O objetivo deste artigo é mostrar que o processo de inclusão necessita de muitos ajustes para que possa demonstrar uma evolução da cultura ocidental, defendendo que nenhuma criança deve ser separada das outras por apresentar alguma diferença ou necessidade especial. Além disso, esta integração assume a vantagem de existir interação entre crianças, procurando um desenvolvimento conjunto, com igualdade de oportunidades para todos e respeito à diversidade humana e cultural. No entanto, a inclusão tem encontrado imensa dificuldade de avançar, especialmente devido a resistências por parte das escolas regulares, em se adaptarem de modo a conseguirem integrar as crianças com necessidades especiais, o convívio contínuo com a família dos Down e dos alunos considerados “normais”, e principalmente aos altos custos para se criar as condições adequadas. Além disto, alguns educadores resistem bastante a este novo paradigma, que exige destes uma formação mais ampla e uma atuação profissional diferente da que têm experiência.

“... o deficiente pode aprender”, tornou-se a palavra de ordem, resultando numa mudança de paradigma do “modelo médico”, predominante até então, para o “modelo educacional” GLAT (1995).

A ênfase não era mais a deficiência intrínseca do indivíduo, mas sim a falha do meio em proporcionar condições adequadas que promovessem a aprendizagem e o desenvolvimento

A linha do construtivismo é uma forma bastante rica e de fácil assimilação de conteúdo. Piaget afirmava:

“... os indivíduos nascem apenas com potencialidades (capacidade inata) a capacidade de aprender. Assim, todo conhecimento e todo o desenvolvimento da criança depende de exposição ao meio e dos estímulos advindos deste” PIAGET (1974).

Para Jean Piaget, a base do conhecimento é a transferência e assimilação de "estruturas". Assim, um conhecimento, um estímulo do meio é encarado como uma estrutura que será "assimilada" pelo indivíduo através de sua capacidade de aprender.

    1. Lei 9394/96

A aprovação da Lei de Diretrizes Educacionais - LDB (Lei 9394/96) estabeleceu, entre outros princípios, o de "igualdade e condições para o acesso e permanência na escola" e adotou nova modalidade de educação para "educandos com necessidades especiais."

O que era para ser tratado como Inclusão vem gerando algumas controvérsias, tanto no meio acadêmico quanto na própria sociedade, acarretando sentidos distorcidos.

Pesquisa realizada no Brasil (ano 2006) comprova que 80% das pessoas com síndrome de down freqüentavam a escola no momento da pesquisa, ficando assim distribuído:

      1. 30% dos estudantes freqüentam escolas especiais públicas;

      2. 24% estão em escolas especiais privadas;

      3. 46% freqüentam cursos EJA (antigo supletivo), sem estrutura e capacidade didática para o desenvolvimento do aluno, retardando o seu ano letivo, onde encontramos alunos com 21 anos de idade, sem interrupção de estudos, ainda cursando o Ensino Fundamental.

    1. Pesquisas realizadas com profissionais na área pedagógica e administrativa:

Muitas pessoas com Síndrome de Down são vistas de forma distorcida, mesclando entre pena e resignação à sua limitação. Do ponto de vista da “informação” conhecimentos específicos são escassos, em todas as categorias profissionais.

Com base no estudo da pedagoga Rita de Cássia Pereira Lima (2000), foram coletadas informações em relação à inteligência:

“... tem uns que tem... dificuldade e facilidade para aprender (...) tem os que têm mais dificuldade e os que têm menos dificuldade...” (curso superior completo - terapeuta ocupacional);

“... não sabe ler, não sabe nem escrever... porque a parte intelectual deles é comprometida. É aquela parte do cérebro que não elabora. Aquela viscosidade (...) Não tem como! Por mais técnica que você tenha de alfabetização, de técnica pedagógica, não elabora...” (curso superior – pedagogia);

“...chorei muito de início, chorava o dia todo, todo dia chorava... vinha do serviço, eu chorava, eu via uma deformidade, eu chorava, sabe?” (ensino fundamental completo - cozinheira);

“... sempre serão ajudantes, né? Estão ajudando a fazer tapetes, ajudando na dança, ajudando na música... Eles não são oficiais, mas sempre ajudantes... e bons ajudantes...” (curso superior completo – pedagogia);

“... eles só podem realizar serviços de produção...” (curso superior completo - terapeuta ocupacional);

“... o futuro deles... depende muito da família...” (ensino fundamental completo – auxiliar de serviços).

Isso é completamente contrário à idéia da educação inclusiva.

O portador da síndrome de down é capaz de compreender suas limitações e conviver com suas dificuldades, "73% deles tem autonomia para tomar iniciativas, não precisando que os pais digam a todo momento o que deve ser feito.". Isso demonstra a necessidade/possibilidade desses indivíduos de participar e interferir com certa autonomia em um mundo onde "normais" e deficientes são semelhantes em suas inúmeras diferenças.

Por outro lado, "...atualmente, no ensino regular, a criança deve adequar-se à estrutura da escola para ser integrada com sucesso. O correto seria mudar o sistema, mas não a criança. No ensino inclusivo, a estrutura escolar é que se deve ajustar às necessidades de todos os alunos, favorecendo a integração e o desenvolvimento de todos, que tenham ou não limitações" Schwartzman (1999, p253).

...a sociedade inclusiva é uma proposta que não está ligada a quem é minoria, mas quem está em minoria.” Werneck (1999).

    1. Síndrome de Down

      1. O que é?

A síndrome de Down é uma ocorrência genética natural e universal, estando presente em todas as raças e classes sociais. É a alteração genética mais comum, sendo registrada aproximadamente em 1 de cada 700 nascimentos. Não é uma doença e, portanto, as pessoas com síndrome de Down não são doentes. Não é correto dizer que uma pessoa sofre de, é vítima de, padece ou é acometida por síndrome de Down. O correto seria dizer que a pessoa tem ou nasceu com a síndrome de Down. A síndrome de Down também não é contagiosa.

      1. Genética

Por motivos ainda desconhecidos, durante o desenvolvimento das células do embrião são formados 47 cromossomos no lugar dos 46 que se formam normalmente. O material genético em excesso altera o desenvolvimento regular da criança. Este material extra se encontra localizado no par de cromossomos 21, daí o outro nome pelo qual é conhecida, Trissomia do 21. Para confirmar o diagnóstico de síndrome de Down é necessário fazer um exame genético chamado cariótipo.

Os efeitos do material genético adicional variam enormemente de indivíduo para indivíduo. Não há exames que determinem, no nascimento, como a pessoa vai se desenvolver. Para que ela tenha condições de desenvolver todo seu potencial é importante que seja encaminhada, ainda bebê, a profissionais habilitados para um programa de estimulação precoce.

Até os cinco anos o cérebro das crianças com síndrome de Down, encontra-se anatomicamente similar ao de crianças normais, apresentando apenas alterações de peso, que nestas crianças encontra-se inferior a faixa de normalidade, que ocorre devido uma desaceleração do crescimento encefálico iniciado por volta dos três meses de idade.

Esta desaceleração encontra-se de forma mais acentuadas em meninas, onde observamos também, freqüentes alterações cardíacas e gastrintestinais. SCHWARTZMAN, (1999, p.47), relata que há algumas evidencias de que durante o último trimestre de gestação existe uma lentificação no processo da neurogênese. Apesar da afirmação as alterações de crescimentos e estruturação das redes neurais após nascimento são mais evidentes e estas se acentuam com o passar do tempo.

      1. Incidências

Como a maioria das mulheres que têm filhos é jovem, cerca de 80% das crianças com síndrome de Down nascem de mulheres com menos de 35 anos. Mas a incidência da síndrome de Down em mulheres mais velhas é maior. De cada 400 bebês nascidos de mães com mais de 35 anos, um tem síndrome de Down.

      1. Características da Síndrome de Down.

As três principais características da síndrome de Down são:

        1. A hipotonia (flacidez muscular, o bebê é mais molinho);

        2. O comprometimento intelectual (a pessoa aprende mais devagar);

        3. O fenótipo (aparência física).

Algumas das características físicas são: olhos amendoados, uma linha única na palma de uma ou das duas mãos, dedos curtinhos, entre outros. Mas apesar da aparência por vezes comum entre pessoas com síndrome de Down, é preciso lembrar que o que caracteriza mesmo o indivíduo é sua carga genética familiar, o que faz com que seja parecido com seus pais e irmãos.

As crianças com síndrome de Down encontram-se em desvantagem em níveis variáveis face a crianças sem a síndrome, já que a maioria dos indivíduos com síndrome de Down possui retardo mental leve (QI 50-70) a moderado (QI 35-50), com os escores do QI de crianças possuindo síndrome de Down do tipo mosaico tipicamente 10-30 pontos maiores. Além disso, indivíduos com síndrome de Down podem ter sérias anomalias afetando qualquer sistema corporal.

Outra característica freqüente é a microcefalia, um reduzido peso e tamanho do cérebro. O progresso na aprendizagem é também tipicamente afetado por doenças e deficiências motoras, como doenças infecciosas recorrentes, problemas no coração, problemas na visão (miopia, astigmatismo ou estrabismo ou) e na audição.

Vários aspectos podem contribuir para um aumento do desenvolvimento da criança com síndrome de Down: intervenção precoce na aprendizagem, monitorização de problemas comuns como a tiróide, tratamento medicinal sempre que relevante, um ambiente familiar estável e condutor, práticas vocacionais, são alguns exemplos. Por um lado, a síndrome de Down salienta as limitações genéticas e no pouco que se pode fazer para sobrepô-las; por outro, também salienta que a educação pode produzir excelentes resultados independentemente do início. Assim, o empenho individual dos pais, professores e terapeutas com estas crianças pode produzir resultados positivos inesperados.

As crianças com Síndrome de Down freqüentemente apresentam redução do tônus dos órgãos fonoarticulatórios e, conseqüentemente, falta de controle motor para articulação dos sons da fala, além de um atraso no desenvolvimento da linguagem. O fonoaudiólogo será o terapeuta responsável por adequar os órgãos responsáveis pela articulação dos sons da fala além de contribuir no desenvolvimento da linguagem.

      1. Como se vive com a Síndrome de Down?

Hoje pessoas com síndrome de Down têm apresentado avanços impressionantes e rompido muitas barreiras. Em todo o mundo, e também aqui no Brasil, há pessoas com síndrome de Down estudando, trabalhando, vivendo sozinhas, se casando e até chegando à universidade. A melhor forma de combater o preconceito é através da informação e da inclusão de TODAS as pessoas, na família, na escola, no mercado de trabalho e na comunidade.

  1. Desenvolvimento da Análise Pedagógica

    1. Pensamento Pedagógico

Todo o conjunto pedagógico precisa ser levado em consideração:

      1. Organização administrativa e disciplinar;

      2. O currículo do período letivo;

      3. Métodos pedagógicos;

      4. Recursos humanos (professores habilitados para o desenvolvimento destes alunos);

      5. Materiais da escola.

A figura mais importante neste estudo é do professor. O professor é o mentor, formador de opinião, e a pessoa que irá desenvolver ou não as habilidades destes alunos.

A empatia deve prevalecer, conhecimento real da inclusão destes alunos, quais sejam, lidar com as diferenças e preconceitos por parte de pais e alunos; com as expectativas e possíveis frustrações dos familiares portadores da síndrome; com as limitações e alcances dos próprios portadores, dentre outras.

O professor deve ser o detentor de conhecimentos teóricos específicos com fundamentos médicos, psicológicos, pedagógicos e sociológicos.

Crianças especiais como as portadoras de síndrome de Down, não desenvolvem estratégias espontâneas e este é um fato que deve ser considerado em seu processo de aquisição de aprendizagem, já que esta terá muitas dificuldades em resolver problemas e encontrar soluções sozinhas.

As dificuldades ocorrem principalmente por que a imaturidade nervosa e não mielinização das fibras pode dificultar funções mentais como: habilidade para usar conceitos abstratos, memória, percepção geral, habilidades que incluam imaginação, relações espaciais, esquema corporal, habilidade no raciocínio, estocagem do material aprendido e transferência na aprendizagem. As deficiências e debilidades destas funções dificultam principalmente as atividades escolares.

A educação da criança é uma atividade complexa, pois exige adaptações de ordem curricular que requerem cuidadoso acompanhamento dos educadores e pais SCHWARTZMAN (1999, p. 233).

E o ensino das crianças especiais deve ocorrer de forma sistemática e organizada, seguindo passos previamente estabelecidos. O ensino não deve ser teórico e metódico e sim deve ocorrer de forma agradável e que desperte interesse na criança. Normalmente o lúdico atrai muito a criança, na primeira infância, e é um recurso muito utilizado, pois permite o desenvolvimento global da criança através da estimulação de diferentes áreas.

A fase da Educação Infantil tem por objetivo promover à criança maior autonomia, experiências de interação social e adequação, permitindo que esta se desenvolva em relação a aspectos afetivos, volitivos e cognitivos, que sejam espontâneas e antes de tudo sejam "crianças".

    1. Métodos pedagógicos aplicados aos Downs

      1. Material Dourado - Montessori

O método multissensorial Montessori (1948) busca combinar diferentes modalidades sensoriais no ensino da linguagem escrita às crianças. Ao usar as modalidades auditiva, visual, cinestésica e tátil, esse método facilita a leitura e a escrita ao estabelecer a conexão entre aspectos visuais (a forma ortográfica da palavra), auditivos (a forma fonológica) e cinestésicos (os movimentos necessários para escrever aquela palavra).

Figura 1 – Material Dourado

      1. Informática

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