Pop Serviços farmaceuticos

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(Parte 1 de 2)

PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO

Serviços Farmacêuticos

Elaborado por: Dr. Fabiana Trento de Oliveira Ângelo CRF: 14341/PR

DATA: 23/10/2009

Objetivo

Padronizar os procedimentos farmacêuticos oferecidos aos clientes.

Responsabilidade

Farmacêutica responsável

Definições

São considerados serviços farmacêuticos passiveis de serem prestados em drogarias a atenção farmacêutica que compreende a aferição de parâmetros fisiológicos e bioquímicos e a administração de medicamentos. Um dos objetivos da atenção farmacêutica é a prevenção, detecção e resolução de problemas relacionados a medicamentos, além de promover o uso racional de medicamentos, a fim de melhorar a saúde e qualidade de vida dos usuários.

Para tanto este POP individualiza procedimentos operacionais para cada serviço:

Procedimentos

1- Atenção Farmacêutica

  • Somente pacientes diabéticos e hipertensos participam do programa de Atenção farmacêutica, pelo fato destes pacientes fazerem uso de um numero maior de medicamentos continuo contribuindo assim para ocorrência de diversos problemas relacionados aos medicamentos;

  • A atenção farmacêutica é iniciada após a confirmação do cliente na inclusão do programa que é feita através de um convite (anexo 1) , entregue ao cliente durante a dispensação de qualquer medicamento indicado para hipertensão ou diabetes;

  • È agendado com este paciente um horário apropriado para ambas as partes, farmacêutico e paciente, para a realização da entrevista (anamnese farmacêutica), onde o paciente se responsabiliza em trazer até a farmácia todos os medicamentos a qual faz uso;

  • A entrevista (anexo 2) é feita em local apropriado para este fim, e fica documentada em ficha especifica (anexo 3) onde consta dados e ações realizadas e registradas para a avaliação dos resultados;

  • Após realizada a entrevista e todos os dados registrados, afere-se padrões fisiológicos, e biológicos. No caso de hipertensos afere-se a PA e de diabéticos verificasse a glicemia capilar. Ou ambas em caso de diabéticos hipertensos. Os procedimentos individualizados estão dispostos nos próximos procedimentos;

  • Todos os valores obtidos durante atenção farmacêutica realizada são declaradas na Declaração de serviço farmacêutico (anexo 4) em duas vias, sendo que a primeira é entregue ao usuário e a 2 é arquivada na ficha do usuário;

  • Essas fichas são armazenadas em local especifico na sala de atenção farmacêutica ordenadas em ordem alfabética e todos os dados e informações obtidas recebem tratamento sigiloso, e somente são utilizadas para a prestação da atenção farmacêutica;

  • Com todos os dados em mãos o farmacêutico realiza estudo de todos os medicamentos utilizados pelo usuário, em relação a posologia utilizada, interação droga x alimento, droga x droga, reações adversas;

  • Com estudo definido obtem-se a avaliação dos resultados, e são repassado ao usuário, todas as informações necessárias para o seu tratamento bem como qualquer informação que o farmacêutico julgue necessário para um melhor tratamento;

  • Durante todo o tratamento a farmacêutica ira acompanhar o usuário, verificando sempre que julgar necessário os parâmetros fisiológicos e biológicos, e acompanhando de perto as possíveis alterações de tratamento feitas pelo clinico responsável, e se julgar necessário novo estudo o mesmo será realizado;

  • O farmacêutico deve sempre orientar o usuário a buscar assistência de outros profissionais de saúde, quando julgar necessário, considerando as informações ou resultados decorrentes das ações de atenção farmacêutica;

  • Tanto as inclusões como as exclusões dos usuários a este programa são feitos por escrito e anexados na ficha do usuário;

  • Todos os procedimentos adotados seguem requisitos e condições estabelecidas na resolução 44 de 17 de agosto de 2009.

2- Verificação da Pressão arterial

Hipertensão arterial é uma entidade clínica de origem multifatorial caracterizada por níveis de pressão sistólica e/ou diastólica elevados, sendo considerada uma doença silenciosa que geralmente não apresenta sintomas.

Procedimento para verificação da pressão arterial pelo método direto através do equipamento Esfigmomanômetro Aneróide.

  • Explicar o procedimento ao paciente.

  • Certificar-se de que o paciente:  não está com a bexiga cheia;  não praticou exercícios físicos; não ingeriu bebidas alcoólicas, café, alimentos, ou fumou até 30 minutos antes da medida. 

  • Deixar o paciente descansar por 5 a 10 minutos em ambiente calmo, com temperatura  agradável. 

  • Localizar a artéria braquial por palpação. 

  • Colocar o manguito firmemente cerca de 2 cm a 3 cm acima da fossa antecubital,  centralizando a bolsa de borracha sobre a artéria braquial. A largura da bolsa de borracha do manguito deve corresponder a 40% da circunferência do braço e seu comprimento, envolver pelo menos 80% do braço. Assim, a largura do manguito a ser utilizado estará na dependência da circunferência do braço do paciente. 

  • Manter o braço do paciente na altura do coração. 

  • Posicionar os olhos no mesmo nível da coluna de mercúrio ou do mostrador do manômetro aneróide.

  • Palpar o pulso radial e inflar o manguito até seu desaparecimento, para a estimativa do nível da pressão sistólica, desinflar rapidamente e aguardar de 15 a 30 segundos antes de inflar novamente. 

  • Colocar o estetoscópio nos ouvidos, com a curvatura voltada para frente. 

  • Posicionar a campânula do estetoscópio suavemente sobre a artéria braquial, na fossa antecubital, evitando compressão excessiva. 

  • Solicitar ao paciente que não fale durante o procedimento de medição. 

  • Inflar rapidamente, de 10 mmHg em 10 mmHg, até o nível estimado da pressão arterial. 

  • Proceder à deflação, com velocidade constante inicial de 2 mmHg a 4 mmHg por segundo, evitando congestão venosa e desconforto para o paciente. 

  • Determinar a pressão sistólica no momento do aparecimento do primeiro som (fase I de Korotkoff), que se intensifica com o aumento da velocidade de deflação. 

  • Determinar a pressão diastólica no desaparecimento do som (fase V de Korotkoff), exceto em condições especiais. Auscultar cerca de 20 mmHg a 30 mmHg abaixo do último som para confirmar seu desaparecimento e depois proceder à deflação rápida e completa. Quando os batimentos persistirem até o nível zero, determinar a pressão diastólica no abafamento dos sons (fase IV de Korotkoff). 

  • Registrar os valores das pressões sistólica e diastólica, complementando com a posição do paciente, o tamanho do manguito e o braço em que foi feita a mensuração. Deverá ser registrado sempre o valor da pressão obtido na escala do manômetro, que varia de 2 mmHg em 2 mmHg, evitando-se arredondamentos e valores de pressão terminados em “5”. 

  • Esperar 1 a 2 minutos antes de realizar novas medidas. 

  • O paciente deve ser informado sobre os valores da pressão arterial e a possível necessidade de acompanhamento.

Tabela de Classificação para pessoas adultas da Hipertensão Arterial segundo a V diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2006

Nível da Pressão Arterial

Valores para maiores de 18 anos

Classificação

< 120 sistólica e < 80 diastólica

Ideal

< 130 sistólica e < 85 diastólica

Normal

130~139 sistólica ou 86~89 diastólica

Normal-alta

140~159 sistólica ou 90~99 diastólica

Hipertensão Estágio 1

160~179 sistólica ou 100~109 diastólica

Hipertensão Estágio 2

> 110 diastólica ou > 180 sistólica

Hipertensão Estágio 3

Diastólica normal com sistólica > 140

Hipertensão Sistólica Isolada

3- Temperatura corporal

Temperatura corporal é o equilíbrio entre a produção e a perda de calor do organismo, mediado pelo centro termo-regulador. Pode ser verificada na região axilar, inguinal, bucal ou retal.

Terminologia básica

Febre ou pirexia: aumento patológico da temperatura corporal;

Hipertermia ou Hiperpirexia: elevação da temperatura do corpo ou de uma parte do corpo acima do valor normal;

Hipotermia ou Hipopirexia: redução da temperatura do corpo ou de uma parte do corpo abaixo do valor normal;

Procedimento para verificar temperatura axilar:

  • Lavar as mãos;

  • Explicar ao paciente o que vai ser feito;

  • Desinfetar o termômetro com algodão embebido em álcool a 70% e certificar-se que a coluna de mercúrio está abaixo de 35˚C.

  • Enxugar a axila com a roupa do paciente (a umidade abaixa a temperatura da pele, não dando a temperatura real do corpo);

  • Colocar o termômetro com o reservatório de mercúrio bem no côncavo da axila, de maneira que o bulbo fique em contato direto com a pele;

  • Pedir ao paciente para comprimir o braço de encontro ao corpo, colocando a mão no ombro oposto;

  • Após 3 minutos, retirar o termômetro, ler e anotar a temperatura;

  • Desinfetar o termômetro com algodão embebido em álcool 70% e sacudi-lo cuidadosamente até que a coluna de mercúrio desça abaixo de 35˚C (usar movimentos circulares)

  • Lavar as mãos;

4- Hemoglicoteste (Glicemia Capilar)

O teste da glicemia capilar permite conhecer os níveis de glicose no sangue, auxiliando na avaliação da eficiência do plano alimentar, das medicações (hipoglicemiantes orais e insulinas), assim como orientar as mudanças no tratamento.

Procedimento

      • Lavar cuidadosamente as mãos com água e sabão e secar.

      • Calçar as luvas de proteção.

      • Verificar se todo o material para a medição está presente, se usar aparelho de punção

      • Introduzir a lanceta.

      • Ligar o aparelho medidor de glicemia.

      • Introduzir a tira teste no aparelho, evitando tocar na parte reagente.

      • Desinfetar o dedo do doente com álcool e aguardar tempo suficiente para evaporação deste.

      • Realizar a punção, no bordo lateral da polpa do dedo, evitando o centro.

      • Descartar imediatamente a lanceta.

      • Esperar a formação da gota, segurando o dedo do doente.

      • Colocar a gota de sangue na tira teste.

      • Limpar o dedo do doente com algodão e álcool.

      • Colocar um penso rápido sobre a punção.

      • Aguardar o resultado.

      • Realizar a leitura.

      • Informar o doente do valor da medição.

      • Descartar o material usado no contentor: tira, luvas e algodão usados.

      • Registrar o valor da medição

As Recomendações da Associação Americana de Diabetes (ADA) é que os valores normais para a glicemia capilar em jejum estejam entre 70 a 100 mg/dl e até 2 horas após alimentação entre 70 a 140 mg/dl.

5- Administração de Medicamentos

A administração de medicamentos por via parenteral requer alguns cuidados especiais, além de técnicas especificas para cada via de aplicação. Entre esses cuidados está a correta analise da receita, verificando todos os itens necessários de uma prescrição correta, tais como: Identificação do paciente, nome legível do medicamento, concentração correta, via de aplicação, horário de administração, data da prescrição, identificação e assinatura do prescritor. O medicamento a ser administrado deve ser sempre identificado pelo rótulo, e ser sempre analisado o aspecto do medicamento, para identificar possíveis modificações ocasionadas pelo calor ou umidade, e principalmente a data de validade do mesmo.È importante escolher o material cuidadosamente de acordo com o tipo de injetável a ser aplicado. O calibre, o comprimento da agulha e o tipo de seringa devem ser compatível com a via de aplicação, característica física do medicamento, volume do medicamento, características físicas e idade do paciente.

ROTINA DE APLICAÇÃO

1. Lê e interpreta a prescrição médica, avaliando a dosagem, via de administração;

2. Conversa com o paciente, buscando mais informações, como histórico fisiopatológico e de reações alérgicas;

3. Anota no livro específico todos os dados da prescrição;

4. Em caso de paciente com histórico de variação de PA (Pressão Arterial), esta deve ser aferida antes de qualquer procedimento;

5. Em caso de pessoas idosas a PA deve ser sempre aferida;

6. Constatando-se PA em níveis fora da normalidade, o paciente deve ser informado e

encaminhado ao médico;

7. Separa e retira da embalagem primária a medicação a ser aplicada;

8. Em caso de frasco ampola, realiza a assepsia do anel de abertura com álcool 70%;

9. Em caso de frasco com rolha de borracha, retira cuidadosamente o lacre sem tocar na borracha;

10. Lava e faz assepsia das mãos, conforme orientação;

11. Calça as luvas, realizando a assepsia com álcool 70%;

12. Abre a embalagem da seringa, utilizando o sistema de descolamento de celulose, evitando rasgar o papel da embalagem;

13. Aspira a medicação na seringa utilizando a primeira agulha;

14. Realiza a troca da agulha, escolhendo o modelo adequado à aplicação;

15. Faz assepsia com álcool 70% no local da aplicação;

16. Descarta a seringa sem separar a agulha do corpo da mesma e do algodão na caixa específica;

17. O lixo gerado é recolhido pelas autoridades responsáveis, as quais dão o fim apropriado

VIA INTRADÉRMICA

Utiliza-se esta via para fazer vacinas e testes de sensibilidade. A seringa utilizada é do tipo insulina ou tuberculina e com agulhas pequenas e finas (13x3,8 e 13x3,45) o volume mínimo administrado é de 0,1 ml e no máximo de 1 ml de medicamentos em soluções cristalinas e isotônicas; A região mais utilizada para esta técnica é a face interna do antebraço. Nessa técnica não se faz assepsia com álcool, pois do contrário poderá ocorrer reações falso positivas em teste de sensibilidade e redução da atividade das vacinas aplicadas

Procedimento

Preparar todo o material a ser aplicado;

Orientar o paciente sobre o que será feito;

Colocar o braço sobre o suporte;

Para conforto do paciente fazer assepsia com algodão sem álcool;

Retirar o protetor da agulha;

Com o auxilio dos dedos polegar e indicador da mão esquerda esticar a pele;

Segurar as seringas com os dedos polegar, indicador e médio da mão direita, mantendo o bisel da agulha para cima, em ângulo aproximado de 10º a 15º. Introduzir ¼ da agulha de forma que esta fique paralela à região de aplicação, sobretudo, superficializada;

Segurar a seringa mantendo o polegar da mão esquerda sobre o cilindro e com os dedos da mão direita puxar o embolo para ter certeza de que nenhum vaso sanguíneo foi atingido;

Injetar a solução lentamente, observar a formação de uma elevação na pele, chamada pápula, característica essa que a aplicação foi correta;

Com o auxilio do dedo indicador sobre a pele, retirar a agulha. Não massagear o local. Se houver sangramento, comprimir o local com uma bola de algodão seca;

Colocar o Pad no local perfurado;

VIA SUBCÚTANEA OU HIPODÉRMICA

Esta via é utilizada para a aplicação de hormônios (insulina e adrenalina), vacinas e anticoagulantes o volume máximo indicado é de 3ml e os locais mais indicados para essa via são: face externa e posterior dos braços, face lateral externa e frontal das coxas, região abdominal exceto ao redor do umbigo, região glútea direita e esquerda, região escapular (parte superior das costas).

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