simulação computadorizada colinomimeticos e bloqueadores muscarinicos

simulação computadorizada colinomimeticos e bloqueadores muscarinicos

INTRODUÇÃO

“A acetilcolina é um neurotransmissor endógeno das sinapses e junções neuroefetoras colinérgicas dos sistemas nervosos central e periférico. Suas ações são mediadas por receptores nicotínicos e muscarínicos, que fazem a transdução de sinais através de mecanismos diferentes. Os receptores muscarínicos no sistema nervoso periférico são encontrados primariamente nas células efetoras autônomas inervadas pelos nervos parassimpáticos pós-ganglionares, além de estarem presentes nos gânglios e em algumas células endoteliais dos vasos sanguíneos, que recebem pouca ou nenhuma inervação colinérgica. Os antagonistas dos receptores colinérgicos inibem as ações da acetilcolina nos locais efetores, eles se subdividem em: antimuscarínicos ou antinicotínicos, de acordo com os tipos de receptores que são atingidos. A atropina constitui o protótipo deste grupo de fármacos” (BRUNTON, 2007).

“Walter Cânon, por volta de 1920, definiu que o sistema nervoso autônomo, por meio de dois sistemas antagônicos (o simpático e o parassimpático), era fundamental para manutenção do equilíbrio do organismo, definindo esta situação com o termo homeostasia. O sistema nervoso autonômico influencia tônica e reflexamente o sistema cardiovascular, uma vez que, tanto a noradrenalina como a acetilcolina liberadas no coração, modificam o débito cardíaco por alterar a força de contração das fibras miocárdicas e a freqüência cardíaca” (ANGELIS et al ,2004)

“Assim, a acetilcolina exerce efeitos sobre as várias funções do corpo controladas por fibras parassimpáticas, tais como freqüência cardíaca, pressão arterial, entre outras. Entretanto suas ações podem ser “potencializadas ou inibidas por diversos tipos de substâncias” (BRUNTON, 2007). “Os anticolinérgicos ou bloqueadores colinérgicos, tais como a atropina, são antagonistas da acetilcolina, competindo com esse neurotransmissor por local ou locais de ligação nos receptores colinérgicos e, assim, bloqueando a sua ação sobre esses receptores” (SILVA, 2006).

A prática objetiva observar o efeito de fármacos mimetizadores da estimulação dos nervos parassimpáticos (parassimpaticomiméticos) e bloqueadores colinérgicos nos seguintes parâmetros: frequência cardíaca, pressão arterial e diâmetro dos vasos viscerais e vasos musculares, em Canis familiares através da utilização de um software.

MATERIAIS E MÉTODOS

A aula experimental foi realizada através de simulação computadorizada da aplicação de três drogas colinérgicas: acetilcolina, nicotina e neostigmina e um antagonista colinérgico: a atropina em canis familiaris.

Nessa simulação, observou-se a pressão arterial e o tônus dos vasos musculares e viscerais antes e após a aplicação de cada droga, que seguiu a seguinte ordem: aplicação de ACh (20 μg), aplicação de ACh (20 μg) após aplicação de neostigmina (0,5mg), aplicação de nicotina (300 mg) e aplicação de ACh (20 μg e 2 mg) após aplicação de atropina.

RESULTADOS

TABELA 01 – REGISTRO DA VARIAÇÃO DA PRESSÃO ARTERIAL E TÔNUS DO VASO MUSCULAR E VISCERAL SIMULADA DE FORMA COMPUTADORIZADA EM Canis familiaris ANTES E APÓS ESTÍMULOS DE DROGAS. TERESINA, 2010.

 Parâmetros

 

Frequência cardíaca (bpm)

Pressão arterial

Tônus do vaso muscular

Tônus do vaso visceral

 

Drogas

Antes

Depois

Antes

Depois

Antes

Depois

Antes

Depois

ACh (20µg)

Normal

-

Normal

- - -

Normal

Dilatado

Normal

Dilatado

Neostigmina (0,5mg)

Normal

-

Normal

-

Normal

Normal

Normal

Normal

ACh (20µg)

Normal

- - -

Diminuída

- - - -

Normal

Dilatado

Normal

Dilatado

Nicotina

(300 mg) inicial

Normal

- -

Diminuída

- -

Normal

Dilatado

Normal

Dilatado

Nicotina

(300 mg) segundos depois

Diminuída

+ + +

Diminuída

Aumentada

Dilatado

Constrição

Dilatado

Constrição

Atropina

Normal

Normal

Normal

Normal

Normal

Normal

Normal

Normal

ACh (20µg)

Normal

Normal

Normal

Normal

Normal

Normal

Normal

Normal

ACh (2 mg)

Normal

+

Normal

+ + +

Normal

Normal 

Normal

 Normal

Legenda: Diminuição (-) e Aumento (+) da pressão arterial

Fonte: Laboratório de Farmacologia da UFPI, alunos de Farmácia, 2010.2.

GRÁFICO 01: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE ACETILCOLINA NA DOSE DE 20 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2010

Legenda:Ach (Acetilcolina), PA (pressão arterial).

Fonte: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 2010.2

GRÁFICO 02: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE NEOSTIGMINA SEGUIDA DE ACETILCOLINA NA DOSE DE (0,5 mg) EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2010

Legenda:Ach (Acetilcolina), Ne (Neostigmina) e PA (pressão arterial).

Fonte:Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 2010.2

GRÁFICO 03: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE NICOTINA NA DOSE DE 300 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2010

Legenda:Ni (Nicotina) e PA (pressão arterial).

Fonte: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 2010.2

GRÁFICO 04: REGISTRO DA PRESSÃO ARTERIAL OBTIDA APÓS A ADMINISTRAÇÃO DE ATROPINA, SEGUIDA DE ACETILCOLINA (DOSES DE 20 μg E 2 mg) E DE PILOCARPINA NA DOSE DE 300 mcg EM Canis familiares ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA. TERESINA, 2010

Legenda: At (Atropina), Ach (Acetilcolina), Pi (Pilocarpina) PA (pressão arterial).

Fonte: Laboratório de Farmacologia da UFPI. Alunos de Farmácia, 2010.2

DISCUSSÃO

“Os agonistas dos receptores colinérgicos muscarínicos podem ser divididos em 2 grupos: (1) acetilcolina e vários ésteres sintéticos da colina e (2) alcalóides colinomiméticos naturais (em particular pilocarpina, muscarina e arecolina) e seus congêneres sintéticos. A acetilcolina (Ach), sintetizada pela primeira vez por Baeyen em 1867, praticamente não tem aplicações terapêuticas porque suas ações são difusas e sua hidrólise, catalisada tanto pela acetilcolinesterase (AChE) como pela butirilcolinesterase plasmática, é rápida. Consequentemente foram sintetizados vários derivados na tentativa de obter fármacos com uma ação mais seletiva e prolongada” (BRUNTON, 2007).

“Os receptores muscarínicos são de cinco tipos: M1, M2, M3, M4 e M5. M1 no gânglio, M2 no coração, M3 na musculatura lisa, M4 e M5 ainda são interrogações. As ações da Ach e dos fármacos relacionados nos locais efetores autônomos são denominados muscarínicas, com base na observação inicial de que a muscarina age seletivamente nesses locais e exerce os mesmos efeitos qualitativos da Ach. Consequentemente as ações muscarínicas ou parassimpaticomiméticas dos fármacos relacionados são praticamente equivalentes aos efeitos dos impulsos nervosos parassimpáticos pós-ganglionares como diminuição da frequência cardíaca, dilatação das arteríolas, etc. todas as ações da Ach e de seus congêneres nos receptores muscarínicos podem ser bloqueadas pela atropina. As ações nicotínicas dos agonistas colinérgicos são atribuídas à sua estimulação inicial e frequentemente em altas doses até o bloqueio subseqüente das células ganglionares autônomas, da medula supra-renal e da junção neuromuscular, ações comparáveis às da nicotina” (BRUNTON, 2007).

“O tônus do músculo liso vascular é regulado por receptores adrenérgicos. Por conseguinte, as catecolaminas são importantes no controle da resistência vascular periférica e da capacitância venosa. Os receptores α aumentam a resistência arterial, enquanto os receptores 2 promovem o relaxamento do músculo liso. Existem diferenças importantes nos tipos de receptores encontrados nos vários leitos vasculares. Os vasos cutâneos apresentam receptores predominantemente  e sofrem contração na presença de adrenalina e noradrenalina, o mesmo ocorrendo com os vasos esplâncnicos. Os vasos no músculo esquelético podem contrair-se ou dilatar-se, dependendo de serem ativados os receptores  ou ” (KATZUNG, 2007).

“Os efeitos diretos sobre o coração são determinados, em grande parte, pelos receptores 1, embora estejam também envolvidos os receptores 2 e, em menor grau, os receptores . A ativação dos receptores  resulta em aumento do influxo de cálcio nas células cardíacas. Isso possui conseqüências tanto elétricas quanto mecânicas. Ocorre aumento na atividade marca-passo tanto normal (nó sinoatrial) quanto anormal (por exemplo, fibras de Purkinje) (efeito cronotrópico positivo). A velocidade de condução no nó atrioventricular aumenta e, verifica-se uma diminuição do período refratário. A contratilidade intrínseca apresenta-se aumenta (efeito inotrópico positivo), enquanto o relaxamento é acelerado. Em conseqüência, a resposta de contração do músculo cardíaco isolado tem a sua tensão aumentada, porém a sua duração abreviada. Na presença de uma atividade reflexa normal, os efeitos diretos sobre a freqüência cardíaca podem ser dominados por uma resposta reflexa a alterações da pressão arterial” (KATZUNG, 2007).

“A acetilcolina é um neurotransmissor endógeno das sinapses e junções neuroefetoras colinérgicas dos sistemas nervosos central e periférico. Suas ações são mediadas por receptores nicotínicos e muscarínicos, que fazem a transdução de sinais através de mecanismos diferentes. Os receptores muscarínicos no sistema nervoso periférico são encontrados primariamente nas células efetoras autônomas inervadas pelos nervos parassimpáticos pós-ganglionares, além de estarem presentes nos gânglios e em algumas células endoteliais dos vasos sanguíneos, que recebem pouca ou nenhuma inervação colinérgica. Os antagonistas dos receptores colinérgicos inibem as ações da acetilcolina nos locais efetores, eles se subdividem em: antimuscarínicos ou antinicotínicos, de acordo com os tipos de receptores que são atingidos. A atropina constitui o protótipo deste grupo de fármacos” (BRUNTON, 2007).

“As funções básicas dos receptores muscarínicos colinérgicos são mediadas por interações com as proteínas G, e deste modo, por alterações induzidas por elas na função de diferentes moléculas efetoras ligadas a diferentes membros da família. Assim subtipos M1, M3 e M5 acoplam-se através de G11 e G13 responsáveis pela ativação da fosfolipase C que hidrolisa fosfatidilinositol 4,5-difosfato da membrana para formar trifosfato de inositol (IP3) que causa a liberação de Ca2+ responsáveis pela ativação de fenômenos como contração do músculo liso e secreção. A estimulação dos receptores M2 e M4 leva à interação com as proteínas G com a resultante inibição da adenilciclase, ocasionando o decréscimo de AMPc, ativação dos canais de influxo regenerador de K+ regulados por voltagem. Como conseqüências funcionais desses efeitos tem-se hiperpolarização e inibição das membranas excitáveis. Efeitos são mais claros no miocárdio, onde a inibição da Adenilciclase e o aumento da condutância ao K+ respondem pelos efeitos cronotrópicos e inotrópicos negativos da ACh” (BRUNTON, 2007).

“A Ach exerce 4 efeitos primários no aparelho cardiovascular: vasodilatação, redução da frequência cardíaca (efeito cronotrópico negativo) (TABELA 01), diminuição da taxa de condução nos tecidos especializados dos nodos sinoatrial (SA) e atrioventricular (AV) (efeito dromotrópico negativo) e redução da força de contração cardíaca (efeito inotrópico negativo). A aplicação intravenosa de uma pequena dose de Ach causa uma queda fugaz da pressão arterial por vasodilatação generalizada (GRÁFICO 01), em geral acompanhada de taquicardia reflexa. É necessária uma dose consideravelmente maior para causar bradicardia ou bloqueio da condução do nodo AV por ação direta da Ach no coração” (BRUNTON, 2007).

“A Neostigmina atua inibindo a hidrólise da acetilcolina por inibição da atividade da acetilcolinesterase. O efeito da acetilcolina endógena é deste modo prolongado e intensificado. No trato gastrointestinal, sistema geniturinário e outros órgãos contendo musculatura lisa, a neostigmina facilita a transmissão dos impulsos motores e sensoriais; restaura a função muscular normal durante várias horas. Como os agentes anti-ChE entre eles a neostigmina, preservam a ACh endógena e também atuam diretamente sobre a junção neuromuscular, podem ser utilizados no tratamento da dosagem excessiva com agentes bloqueadores competitivos (GRÁFICO 02). De forma semelhante, ao ser concluído o procedimento cirúrgico, muitos anestesistas utilizam neostigmina ou edrofônio para reverter ou diminuir a duração do bloqueio neuromuscular competitivo com neostigmina” (BRUNTON, 2007).

A ação da neostigmina provocou uma redução na pressão arterial e freqüência cardíaca (TABELA 01). Como a neostigmina é um agente anticolinesterásico, ou seja, inibe a acetilcolinesterase, impedindo a degradação da acetilcolina, ela provoca “acúmulo de acetilcolina nos locais receptores colinérgicos e, por conseguinte, é capaz de produzir efeitos equivalentes à estimulação excessiva dos receptores colinérgicos do Sistema Nervoso Central e Periférico” (BRUNTON, 2007). No sistema nervoso periférico, esse acúmulo se dá tanto nos receptores dos gânglios autonômicos como nos órgãos efetores. Assim, a administração de neostigmina provoca um acúmulo de acetilcolina sobre os receptores periféricos de vasos inervados por fibras colinérgicas. Assim, a ação da acetilcolina, posterior a administração de neostigmina, sobre tais receptores provocou vasodilatação, reduzindo, então, a resistência periférica total e, consequentemente, a pressão arterial. A diminuição da freqüência cardíaca também pode ser explicada pelo mesmo mecanismo anterior: o acúmulo da acetilcolina sobre os receptores muscarínicos do coração gera um aumento da concentração do substrato (acetilcolina). "Os agentes anticolinesterásicos, como a neostigmina, reduzem o período refratário efetivo das fibras musculares atriais e aumentam o período refratário e o tempo de condução dos nódulos sinoatrial e atrioventricular. A ação excitatória da acetilcolina sobre as células ganglionares simpáticas tende a reforçar a diminuição do débito cardíaco" (BRUNTON, 2007), o que leva à redução da freqüência cardíaca.

Segundo BRUNTON, 2007, quando administrada por via intravenosa a cães, a nicotina tipicamente aumenta a frequência cardíaca e a pressão arterial, a última constituindo, habitualmente uma resposta mais persistente. Em geral, as respostas cardiovasculares à nicotina devem-se à estimulação dos gânglios simpáticos e da medula adrenal, juntamente com a descarga de catecolaminas das terminações nervosas simpáticas. A ativação dos quimiorreceptores dos corpos aórtico e carotídeo também contribui para a resposta simpaticomimética à nicotina, resultando reflexamente em vasoconstrição, taquicardia e elevação da pressão arterial (GRÁFICO 03). A nicotina estimula transitoriamente os receptores nicotínicos presentes nos gânglios, porém é mais conhecida pelas suas propriedades aditivas que decorrem de suas ações pré-sinápticas que influenciam a liberação de neurotransmissores no cérebro. O uso de agentes bloqueadores ganglionares para o controle da hipertensão foi superado por fármacos mais apropriados apesar de constituírem, algumas vezes, alternativas úteis quando outros agentes não conseguem controlar a pressão arterial.

Segundo SILVA, 2006, a atropina é um éster alcalóide de amônio terciário do ácido trópico, representante dos antagonistas muscarínicos: age bloqueando a ação da acetilcolina sobre os receptores colinérgicos do tipo muscarínico nas junções neuroefetoras do parassimpático, inibindo assim a resposta da estimulação parassimpática no órgão atingido. “Os antimuscarínicos bloqueiam o efeito vagal sobre o coração, provocando taquicardia”. Devido à diminuição do tônus vagal sobre o coração, há aumento da freqüência cardíaca pela potencialização do efeito simpático sobre este órgão. Com isto, há um aumento do débito cardíaco e conseqüente elevação da pressão arterial. Porém, em doses pequenas, pode haver estimulação do centro vagal, observando-se bradicardia inicial.

“Os antagonistas muscarínicos costumam ser denominados parassimpatolíticos, por reduzirem ou abolirem seletivamente os efeitos da estimulação parassimpática. Todos eles são antagonistas competitivos da acetilcolina nos receptores muscarínicos”. (RANG, 1997)

Ainda aegundo KATZUNG, 2007, os vasos periféricos são pouco afetados pelos antimuscarínicos devido à fraca ou nenhuma inervação parassimpática desses órgãos.

“O principal efeito da atropina no coração é o de alterar a freqüência cardíaca. Apesar de a resposta dominante ser a taquicardia, a freqüência cardíaca muitas vezes cai transitoriamente com doses clínicas intermediárias da droga.” (BRUNTON, 2007). Quando observou-se a ação da atropina percebeu-se que não houve modificações na P.A. nem na F.C. (TABELA 01), mas esperava-se que ambas aumentassem, já que a atropina inibe a ação da acetilcolina sobre os receptores muscarínicos, o que provoca taquicardia.A bradicardia é resultante da estimulação da atropina sobre o núcleo vagal, mas esse efeito é sobrepujado pela taquicardia resultante da inibição da ligação da acetilcolina com os receptores muscarínicos do coração. Segundo RANG, 1997, a pressão arterial pode não ser afetada pois a maioria dos vasos de resistência não apresenta inervação colinérgica.

Segundo BRUNTON, 2007, a atropina e compostos relacionados são antagonistas competitivos das ações da acetilcolina e outros agonistas muscarínicos. Eles competem com este tipo de agonista por um sítio de ligação comum em receptor muscarínico. O antagonismo pode, portanto, ser suplantado por um aumento suficiente da concentração de acetilcolina nos sítios receptores do órgão efetor. Os receptores afetados são aqueles das estruturas periféricas que são estimulados ou inibidos pela muscarina – ou seja, glândulas exócrinas e músculo cardíaco e liso.

Como observado pelo GRÁFICO 04 o acréscimo de atropina tem seus efeitos diminuídos, praticamente não havendo mais efeito do sistema nervoso parassimpático sobre o sistema cardiovascular, devido ao bloqueio dos receptores muscarínicos. O efeito observado no experimento foi uma inalteração da pressão arterial, como também uma inalteração da freqüência dos batimentos (TABELA 01 e GRÁFICO 04), que possivelmente decorre dos mecanismos fisiológicos intrínsecos de regulação.

“Os vasos periféricos são pouco afetados pelos antimuscarínicos, como a atropina, devido à fraca ou nenhuma inervação parassimpática desses órgãos” (SILVA, 1994), por isso a administração de atropina nada alterou a pressão arterial. "Há a possibilidade, entretanto, de haver fibras simpáticas colinérgicas que são capazes de provocar vasodilatação, como se observa em vasos dos músculos esqueléticos. Neste caso, a atropina pode bloquear a vasodilatação acetilcolínica. Por outro lado, os vasos sanguíneos podem apresentar receptores muscarínicos, não associados a terminais colinérgicos, que podem condicionar vasodilatação e são sensíveis a agonistas muscarínicos circulantes. Também neste casos, os antimuscarínicos podem inibir essa vasodilatação" (SILVA, 1994). O que explica a inalteração do tônus dos vasos muscular e visceral.

Ainda de acordo com BRUNTON, 2007, se forem aplicadas grandes doses de ACh após a administração de atropina, observa-se aumento da pressão arterial (GRÁFICO 04), provocado pela estimulação da medula supra-renal e dos gânglios simpáticos para a liberação de catecolaminas para a circulação e pelas terminações nervosas simpáticas pós-ganglionares. A atropina e os compostos relacionados competem com a ACh e outros agonistas muscarínicos por um local comum de ligação no receptor muscarínico. Como o antagonismo da atropina é competitivo, pode ser anulado se a concentração de ACh nos receptores do órgão efetor aumentar suficientemente. Os antagonistas dos receptores muscarínicos inibem as respostas à estimulação nervosa colinérgica pós-ganglionar com menos facilidade que a resposta aos ésteres injetados de colina. Tal diferença pode ser devida à liberação de ACh pelas terminações nervosas colinérgicas tão próximas dos receptores que concentrações muito altas do transmissor tem acesso aos receptores na junção neuroefetora.

A administração subseqüente de elevada dose de acetilcolina, levou a uma elevação da pressão arterial e da freqüência cardíaca (TABELA 01 e GRÁFICO 04). A taquicardia observada se deve a liberação de adrenalina pela glândula supra-renal, enquanto a elevação da pressão arterial se deve ao fato de que ambos os gânglios autônomos apresentam como neurotransmissor a acetilcolina; sendo que em altas concentrações a acetilcolina desencadeia um potencial de ação pós-sináptico nos sistemas parassimpático e simpático. Como a adrenalina liberada pelo sistema simpático forma um complexo com seu receptor específico e, em última análise, causa o aumento da pressão arterial este contribui para reduzir o efeito colinérgico da queda de pressão arterial

“As ações cardiovasculares dos agentes anti-ChE são complexas, visto que refletem efeitos tanto ganglionares quanto pós-ganglionares da ACh acumulada no coração e nos vasos sanguíneos. O efeito predominante da ação periférica da ACh acumulada sobre o coração consiste em braquicardia, com conseqüente queda do débito cardíaco. A administração de doses maiores geralmente provoca queda da pressão arterial, muitas vezes em consequência dos efeitos dos agentes anti-ChE sobre os centros vasomotores medulares do SNC. Os agentes anti-ChE aumentam as influências vagais sobre o coração, o que diminui o período refratário efetivo das fibras musculares atriais aumenta o período refratário e o tempo de condução nos nodos AS e AV. Em nível ganglionar, o acúmulo de ACh é inicialmente excitatório sobre os receptores nicotínicos; todavia, em concentrações maiores, ocorre bloqueio ganglionar em decorrência da despolarização persistente da membrana celular” (BRUNTON, 2007).

CONCLUSÃO

Pode-se constatar através do experimento por simulação computadorizada em Canis familiaris, o efeito parassimpaticomimético nos receptores muscarínicos da acetilcolina, neostigmina e nicotina sobre a pressão arterial como também o da atropina, que é um antagonista competitivo reversível dos receptores muscarínicos da Acetilcolina (ACh).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRUNTON, L. L.; LAZO, J. S.; PARKER, K. L. Goodman & Gilman: As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 11a ed. Rio de Janeiro: Mcgraw-Hill Interamericana, 2007.

ANGELIS, K. DE SANTOS, M. S.B. IRIGOYEN M. C. Sistema nervoso autônomo e doença cardiovascular, Revista da Sociedade de Cardiologia do Rio Grande do Sul - Ano XIII nº 03 Set/Out/Nov/Dez 2004

KALANT, V. F. Principios de Farmacologia Clínica. RIO DE JANEIRO: Guanabara Koogan, 5 ed. 1991;

KATZUNG, B. G. Farmacologia Básica e Clínica. 10° ed. RIO DE JANEIRO: Guanabara Koogan , 2007.

SILVA, P. Farmacologia. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2006.

RANG, H. P. et al. IN: Farmacologia. 3 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1997

UNIVERSIDADE FEDERAL DO PIAUÍ-UFPI

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE-CCS

DEPARTAMENTO DE BIOQUIMICA E FARMACOLOGIA

DISCIPLINA: FARMACOLOGIA BÁSICA PARA FARMÁCIA

PROFESSOR: PAULO MARQUES DA SILVA CAVALCANTI

CURSO: BACHARELADO EM FARMÁCIA E BIOQUÍMICA

PRESSÃO ARTERIAL EM Canis familiares:

AÇÕES E EFEITOS DE FÁRMACOS PARASSIMPATICOMIMÉTICOS E BLOQUEADORES COLINÉRGICOS

ATRAVÉS DE SIMULAÇÃO COMPUTADORIZADA

Anna Layse Barros da Silva Oliveira

TERESINA-PI,

SETEMBRO DE 2010

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