Recursos Naturais e Poluicao Ambiental

Recursos Naturais e Poluicao Ambiental

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Gestão Ambiental I Professora: Aline Louzada

DISCIPLINA: Gestão Ambiental I Professora: Msc. Aline Louzada

4. RECURSOS NATURAIS

Recursos naturais são elementos da natureza com utilidade para o Homem, com o objetivo do desenvolvimento da civilização, sobrevivência e conforto da sociedade em geral. Trata-se de qualquer insumo de que os organismos, populações e ecossistemas necessitam para sua manutenção. O termo surgiu pela primeira vez na década 1970, por E.F. Schumacher no seu livro intitulado Small is Beautiful. A Política Nacional de Meio Ambiente, através da lei nº 6.938/81, estabelece como recursos ambientais: a atmosfera, as águas interiores, superficiais e subterrâneas, os estuários, o mar territorial, o solo, o subsolo e os elementos da biosfera.

Os recursos naturais são componentes, materiais ou não da paisagem geográfica, mas que ainda não tenham sofrido importantes transformações pelo trabalho humano e cuja própria gênese é independente do Homem, mas aos quais lhes foram atribuídos, historicamente, valores econômicos, sociais e culturais. Portanto, só podem ser compreendidos a partir da relação homem-natureza.

Nem todos os recursos que a natureza oferece ao ser humano podem ser aproveitados em seu estado natural. Quase sempre o ser humano precisa trabalhar para transformar os recursos naturais em bens capazes de satisfazer alguma necessidade humana. Existe um envolvimento entre recursos naturais e tecnologia, uma vez que há necessidade da existência de processos tecnológicos para utilização de um recurso. Recursos naturais e economia também interagem de modo bastante evidente, uma vez que algo é recurso na medida em que sua exploração é economicamente viável. E finalmente, algo se torna recurso natural caso sua exploração, processamento e utilização não causarem danos ao meio ambiente. Assim, na definição de recurso natural encontramos três tópicos relacionados: tecnologia, economia e meio ambiente.

Os recursos naturais podem ser classificados em dois grandes grupos: os renováveis e os não-renováveis. O principal critério para a classificação é a capacidade de recomposição de um recurso no horizonte do tempo humano.

Chamamos de recurso natural não-renovável aquele que é finito ou que só pode ser renovado ao longo de um intervalo de tempo geológico muito longo, ou seja, aquele que, uma vez utilizado, não pode ser reaproveitado. Minerais são recursos naturais não renováveis. Recursos fósseis como petróleo, carvão mineral e gás natural levam muito tempo (no mínimo alguns milhões de anos) para se formar, por isso se incluem entre os não-renováveis. Dentro dos recursos não-renováveis é possível, ainda, identificar duas classes: a dos minerais não-energéticos (fósforo, cálcio, etc.) e a dos minerais energéticos (combustíveis fósseis e urânio).

Recurso natural renovável é aquele que não se esgota, que pode ser reciclado ou reproduzido num ritmo constante. São aqueles que, depois de serem utilizados, ficam

Gestão Ambiental I Professora: Aline Louzada disponíveis novamente graças aos ciclos naturais. O ar e os ventos, a luz do sol, a água são recursos naturais renováveis. A flora e a fauna também são renováveis porque se reproduzem e voltam a ficar disponíveis. Além da água, podemos citar como recursos renováveis a biomassa, o ar e a energia eólica.

Figura 1: Classificação dos Recursos Naturais

Os recursos naturais podem, também, ser categorizados da seguinte maneira: perpétuos, renováveis, potencialmente renováveis e não renováveis.

Recursos Perpétuos (Energia Solar, Energia Eólica, Ondas e Marés e Energia Geotermal); Recursos Renováveis (flora e a fauna); Recursos Potencialmente Renováveis (Água Superficial e Água Subterrânea); Recursos Não Renováveis (Recursos Minerais, combustíveis fósseis e Recursos exauríveis).

De acordo com o IBAMA podem-se distinguir os seguintes elementos em recursos naturais: a) Solo; b) Recursos Hídricos; c) Biodiversidade; d) Recursos de Fauna e Flora; e) Recursos Florestais; f) Oceanos; g) Recursos Pesqueiros; h) Atmosfera e i) Energia.

Os recursos da terra são finitos, frágeis e não-renováveis. Incluem o solo, que é importante principalmente para a agricultura; a cobertura do solo, que é importante para o meio ambiente; e as paisagens, que são um importante componente do habitat e do bem-estar humanos. São diversas as definições de solo, conforme o enfoque desejado. Abaixo estão listados alguns exemplos destas definições segundo as diferentes áreas:

Engenharia civil: material escavável, que perde sua resistência quando em contato com a água. Agronomia: camada superficial de terra arável, possuidora de vida microbiana.

Arqueologia: material no qual se encontram registros de civilizações e organismos fósseis. Geologia: produto do intemperismo físico e químico das rochas. Pedologia: camada viva que recobre a superfície da terra, em evolução permanente, por meio da alteração das rochas e de processos pedogenéticos comandados por agentes físicos, biológicos e químicos.

Solo é um corpo de material inconsolidado, que recobre a superfície terrestre emersa, entre a litosfera e a atmosfera. Os solos são constituídos de três fases: sólida (minerais e matéria orgânica), líquida (solução do solo) e gasosa (ar). Essas fases podem ser encontradas em diferentes proporções, dependendo de fatores como tipo de solo e forma de utilização.

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É produto do intemperismo sobre um material de origem, cuja transformação se desenvolve em um determinado relevo, clima, bioma e ao longo de um tempo, ou seja, o solo é o resultado de algumas mudanças que ocorrem nas rochas. Estas mudanças são bem lentas, sendo que as condições climáticas e a presença de seres vivos são os principais responsáveis pelas transformações que ocorrem na rocha até a formação do solo. Calculase que cada centímetro do solo se forma num intervalo de tempo de 100 a 400 anos. Os solos demoram entre 3000 a 12000 anos para tornarem-se produtivos para a a agricultura.

Figura 2: Processo de formação de solos

Os solos estão constantemente em desenvolvimento, nunca estando estáticos, por mais curto que seja o tempo considerado. Desde a escala microscopia, diariamente, há alteração por organismos vivos no solo, da mesma forma que o clima, ao longo de milhares de anos, modifica o solo. Dessa forma, temos solos na maioria recentes, quase nunca ultrapassando idades Terciárias. Geralmente, o solo é descrito como um corpo tridimensional, podendo ser, porém, ao se considerar o fator tempo, descrito como um sistema de quatro dimensões: tempo, profundidade, largura e comprimento.

Um solo é o produto de uma ação combinada e concomitante de diversos fatores. A maior ou menor intensidade de algum fator pode ser determinante na criação de um ou outro solo. São comumente ditos como fatores da formação de solo: clima, material de origem, organismos, tempo e relevo. Para suprir suas necessidades, o ser humano usa a terra – entendida como fase terrestre, onde se situam os recursos naturais – de diversas maneiras: para produzir alimentos, fibras e madeiras para finalidades urbanas e industriais, para transportes rodoviários, ferroviários e aéreos, para a extração de minérios e de materiais de construção, para distribuição de energia e para a disposição dos resíduos. Adicionalmente, precisa da terra para fins considerados não-produtivos, tais como recreação e, em seu estado natural, como habitat da imensa variedade de plantas e animais.

Degradação dos Solos

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O solo, como um dos recursos da terra, vem sofrendo uma crescente pressão decorrente dos diferentes tipos de uso. Tal situação é preocupante, na medida em que o solo é um recurso natural finito e não-renovável, se considerado em uma escala temporal compatível com a intervenção humana.

A degradação do solo pode ocorrer por meio da desertificação, uso de tecnologias inadequadas, falta de conservação, destruição da vegetação nele encontrado pelo desmatamento ou pelas queimadas. A contaminação dos solos dá-se principalmente por resíduos sólidos, líquidos e gasosos, águas contaminadas, efluentes sólidos e líquidos, efluentes provenientes de atividades agrícolas, etc.

4.2 Recursos Hídricos

Pompeu (2002) atribui a palavra água quando se faz referência ao bem natural, descomprometido com qualquer uso ou utilização, e a expressão recursos hídricos quando a água é utilizada para um determinado fim econômico. Essencial à vida, a água constitui elemento necessário para quase todas as atividades humanas, sendo, ainda, componente da paisagem e do meio ambiente. Os recursos hídricos podem ser de usos consuntivos, onde há perda entre o que é derivado e o que retorna ao curso natural; e não-consuntivos, que são aqueles que não implicam em retirar a água das coleções hídricas. Os principais usos consuntivos da água são: abastecimento humano, abastecimento industrial, irrigação e dessedentação de animais; e os usos não-consuntivos são: recreação, harmonia paisagística, geração de energia elétrica, conservação da flora e da fauna, navegação, pesca, diluição, assimilação e afastamento de despejos (MOTA, 1995).

Figura 3: Usos Multiplos da Agua

Trata-se de bem precioso, de valor inestimável, que deve ser, a qualquer custo, conservado e protegido. No planeta Terra a água ocupa mais de 2/3 de sua superfície, porém isso não significa que toda esta quantidade está facilmente disponível para consumo humano. De todo esse volume, cerca de 97,5% está sob a forma de água salgada, restando 2,5% de água doce. Entretanto, mais da metade dessa água doce (cerca de 68,7%), está sob a forma de geleiras e armazenados nas calotas polares. A quantidade de água doce disponível em rios e lagos representa apenas 0,27% do total de água doce, e somente 0,007% do total de água no mundo (SETTI et. al., 2001).

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Figura 4: Distribuição de Água no Mundo

Toda a movimentação de água na Terra ocorre devido ao ciclo hidrológico, o qual é um fenômeno natural que se encarrega da ciclagem da água. Este ciclo é responsável pela quantidade de água que circula na Terra, fazendo com que ela permaneça inalterada ao longo de todo o percurso hidrológico natural, não existindo perda e nem acréscimo no globo.

Figura 5: Ciclo Hidrológico. 4.3 Recursos de Fauna e Flora

Fauna é o termo coletivo para a vida animal de uma determinada região ou período de tempo. O termo correspondente para plantas é flora. Em botânica, flora é o conjunto das espécies de plantas (geralmente, apenas as plantas verdes) características de uma região.

Zoólogos e paleontólogos geralmente usam o termo fauna para se referir a uma coleção de animais tipicamente encontrados em um período específico ou lugar específico. O Ibama e o MMA consideram a fauna silvestre brasileira a todos os animais pertencentes às espécies nativas, migratórias e quaisquer outras, aquáticas ou terrestres, que tenham seu ciclo de vida ocorrendo dentro dos limites do Território Brasileiro ou águas jurisdicionais brasileiras.

O acesso e o uso dos recursos de fauna e flora, a exemplo de outros recursos ambientais, devem ser feitos como base em planos de gestão integrada, que pressupõem o manejo racional dos recursos e do ambiente na busca da perenidade e estabilidade dos recursos e dos sistemas produtivos. Esses planos não podem prescindir de formas seguras de controle e monitoramento referentes ao manejo que está sendo praticado. A exploração desordenada do território brasileiro é uma das principais causas de extinção de espécies.

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O desmatamento e degradação dos ambientes naturais, o avanço da fronteira agrícola, a caça de subsistência e a caça predatória, a venda de produtos e animais procedentes da caça, apanha ou captura ilegais (tráfico) na natureza e a introdução de espécies exóticas em território nacional são fatores que participam de forma efetiva do processo de extinção.

Este processo vem crescendo nas últimas duas décadas a medida que a população cresce e os índices de pobreza aumentam.

Uma forma de se perceber o efeito deletério da exploração desordenada das aéreas nativas sobre a fauna residente é o acréscimo significativo do número de espécies na lista oficial de fauna silvestre ameaçada de extinção. Essa lista foi revisada, pelo Ibama e MMA.

4.4 Recursos da Biodiversidade

A biodiversidade refere-se à variedade de organismos vivos de qualquer fonte, incluindo os ecossistemas terrestres, marinhos e outros aquáticos, e os complexos ecológicos dos quais fazem parte. Esta definição unifica os três níveis tradicionais de diversidade entre seres vivos: - diversidade genética - diversidade dos genes em uma espécie.

- diversidade de espécies - diversidade entre espécies.

- diversidade de ecossistemas - diversidade em um nível mais alto de organização, incluindo todos os níveis de variação desde o genético.

Desde 1986, o termo e conceito têm adquirido largo uso entre biólogos, ambientalistas, líderes políticos e cidadãos informados no mundo todo. Este uso coincidiu com o aumento da preocupação com a extinção, observado nas últimas décadas do Século X. Pode ser definida como a variedade e a variabilidade existente entre os organismos vivos e as complexidades ecológicas nas quais elas ocorrem. Ela pode ser entendida como uma associação de vários componentes hierárquicos: ecossistema, comunidade, espécies, populações e genes em uma área definida. A biodiversidade varia com as diferentes regiões ecológicas, sendo maior nas regiões tropicais do que nos climas temperados. Não há uma classificação mundial universalmente aceita, mas Olson (1994) definiu 94 classes de ecossistemas baseados na cobertura terrestre, na vegetação e no clima. Essa classificação fornece um mecanismo para resumir dados em âmbito global, mas reconhecendo o caráter distintivo dos ecossistemas em cada região em particular. A biodiversidade é uma das propriedades fundamentais da natureza e fonte de imenso potencial de uso econômico, o Brasil possui aproximadamente 20% da biodiversidade mundial e é o país com a maior ocorrência de endemismos (grupos taxonómicos que se desenvolveram numa região restrita). A biodiversidade é base das atividades agrícolas, pecuárias, piscícolas, florestais, assim como a base para a estratégica indústria da biotecnologia.

4.5 Recursos Florestais

O Brasil é detentor da maior extensão de florestas tropicais do mundo. As áreas de florestas nativas no Brasil correspondem a 65% do seu território, ou seja, 544 milhões de hectares e mais 5,0 milhões de hectares de florestas plantadas. Essas florestas detêm mais da metade das espécies conhecidas da fauna e flora. O país ocupa também lugar de destaque entre os países detentores de megadiversidade, especialmente nos grupos de vertebrados e plantas superiores. O Brasil é também o maior produtor e consumidor mundial de madeira tropical. A produção nacional de madeira, em tora, em 2002, proveniente de florestas nativas foi da ordem de 21,4 milhões de m³ e o Estado do Pará foi responsável por 52,0% deste total. A indústria

Gestão Ambiental I Professora: Aline Louzada brasileira de base florestal consome anualmente, cerca de 107 milhões de m³ de madeiras provenientes de florestas plantadas. Estes números colocam o Brasil como um dos maiores mercados de madeira do mundo. Este potencial já representa para o país, em forma de uso direto, 4,5% do PIB

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