Princípios Para O Uso De Antimicrobianos

Princípios Para O Uso De Antimicrobianos

Princípios A Serem Seguidos Para O Uso De Antimicrobianos

Associação Entre Drogas

Com relação à associação entre antimicrobianos que são bactericidas ou bacteriostáticos, a maioria dos autores propõe que as associações dão os seguintes resultados:

  • Bactericida + Bactericida = Ocorre sinergismo entre as drogas, ou seja, uma potencializa a ação da outra. Como exemplo de associações entre bactericidas que são sinérgicas podemos citar a associação de aminoglicosídeos mais penicilinas;

  • Bacteriostático + Bacteriostático = Ocorre sinergismo entre as drogas. Como exemplo neste caso podemos citar as sulfas associadas ao trimetoprim. A associação nestes casos pode até se tornar bactericida;

  • Bactericida + Bacteriostático = Nesta associação ocorre antagonismo entre os fármacos envolvidos. Os principais autores comentam que as drogas bactericidas, principalmente as inibidoras de parede celular como é o caso das penicilinas, necessitam de um certo padrão de crescimento microbiano para atuarem. Quando os microrganismos estão crescendo, a síntese de parede celular, a síntese protéica e outras vias metabólicas biossintéticas estão funcionando a todo vapor, sendo que na presença de uma substância de efeito bacteriotático o metabolismo microbiano não dá condições para a atuação do bactericida.

A associação de antimicrobianos deve refletir o conhecimento do profissional responsável e não a prática condenável de se tentar atingir o agente etiológico ao acaso. Portanto, sempre que possível deve-se evitar a associação de antimicrobianos, restringindo-a a situações especiais.

Exemplos de associações de caráter sinérgico, ou seja, que possuem melhor efeito quando administrados em conjunto:

 aminoglicosídio + penicilina (Ex.: Estreptomicina + penicilina);

 aminoglicosídiio + cefalosporina;

 ácido nalidíxico + aminoglicosídio;

sulfa + trimetoprim;

aminoglicosídio + tetraciclina;

cloranfenicol + polimixina;

polimixina + sulfa;

 rifamicina + trimetoprim.

Exemplos de associações de caráter antagônico, ou seja, que possuem pior efeito quando administrados em conjunto:

 penicilina + macrolídios;

 penicilina + lincosamidas;

 macrolídio + cloranfenicol;

 lincosamida + macrolídios;

 lincosamida + cloranfenicol;

 macrolídio + tetraciclina;

novobiocina + tetraciclina;

penicilina + tetraciclina;

penicilina + cloranfenicol;

 cefalosporina + canamicina;

 penicilina + sulfa.

Classificação dos Antibióticos Segundo o Espectro de Ação

a) Ativos sobre protozoários: paromomicina, gabromicina, cabimicina, tetraciclinas, anfotericina B

b) Ativos sobre fungos: nistatina, anfotericina B, griseofulvina

c) Ativos sobre bactérias gram-positivas: penicilinas, macrolídeos, bacitracina

d) Ativos sobre bactérias gram-negativas: polimixinas, aminoglicosídeos

e) Ativos sobre bactérias gram-positivas e gram-negativas ("amplo espectro"): cloranfenicol, tetraciclinas, ampicilinas, cefalosporinas, rifampicina

f) Ativos sobre micobactérias: estreptomicina, rifampicina, ciclosserina, claritromicina

g) Ativos sobre riquétsias, micoplasmas e clamídias: tetraciclinas, cloranfenicol, macrolídeos

h) Ativos sobre espiroquetas: penicilinas, eritromicina, tetraciclinas

Principais Opções Antibióticas Contra Bactérias

Bactérias gram-posilivas, cocos gram-negativos e espiroquetas

Penicilinas

Eritromicina e outros macrolídeos

Tetraciclina

Estafilococos produtores de

penicilinase

Oxacilina e derivados (cloxacilina, dicloxacilina)

Cefalosporinas da 1ª geração

Gentamicina ou Amicacina

Rifampicina, Vancomicina, Teicoplanina

Lincomicina ou Clindamicina

Enterococo

Penicilina G + Gentamicina

Ampicilina + Gentamicina

Vancomicina, Teicoplanina

Tetraciclinas

Cloranfenicol

Bacilos gram-negativos

Gentamicina e outros aminoglicosídeos

Cloranfenicol, tianfenicol

Tetraciclinas

Ampicilina e similares (Amoxicilina, Epicilina)

Cefalosporinas

Polimixinas

Quinolonas

Monobactâmicos

Pseudomonas aerugínosa

Gentamicina ou Tobramicina ou Amicacina

Carbenicilina, Ticarcilina

Polimixinas

Cefalosporinas da 3ª geração (algumas) e 4ª geração

Aztreonam

Imipeném, Meropeném

Micobactérias

Rifampicína + Isoniazida + Pirazinamida ou Etambutol

Ciclosserina, Estreptomicina, Etionamida

Sulfonas, Clofazimina

Clamídias Riquétsias e

Micoplasmas

Tetraciclinas

Cloranfenicol, Tianfenicol

Eritromicina e outros macrolídeos

Anaeróbios

Penicilinas (exceto para o Bacteroídes fragilís )

Cloranfenicol

Clindamicina

Lincomicina

Metronidazol

Cefoxitina

Entretanto, o efeito bactericida ou bacteriostático é relativo e está na dependência da concentração atingida pela droga no meio onde se situa o microrganismo e da sensibilidade deste. Quando se conceitua uma droga de bactericida ou bacteriostática leva-se em consideração a concentração terapêutica média possível de ser utilizada e a média de germes sobre os quais ela atua. Qualquer antibiótico pode ter um efeito bactericida ou bacteriostático sobre um determinado germe in vitro dependendo da sua concentração no meio ser maior ou menor.

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