Curso de construção alternativa

Curso de construção alternativa

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Curso de Construções Alternativas – Construção da Zona 1 1

CONSTRUÇÕES ALTERNATIVAS CONSTRUÇÃO DA ZONA 1

SÃO JOSÉ DO CERRITO – SC - 15 a 21 de Setembro de 2003

Instituto de Permacultura Austro Brasileiro - IPAB 2

Permacultura América Latina – PAL Rede Brasileira de Permacultura – RBP Instituto de Permacultura Austro Brasileiro – IPAB http://www.permacultura.org.br/ipab

Elaborado pelos Permacultores do IPAB: Jorge Roberto Timmermann – jorge@permacultura.org.br Pedro Marcos Ortiz – pedro.ipab@permacultura.org.br Jaime Roberto Rodrigues – jaime.ipab@permacultura.org.br Marcos Marques – marcos.ipab@permacultura.org.br Remi Beckhauser – remi.ipab@permacultura.org.br

Diagramação e Edição: Marcelo Venturi – marcelo.ipab@permacultura.org.br Revisão Final e Impressão: Jorge Roberto Timmermann – jorge@permacultura.org.br Suzana Maringoni– suzana.ipab@permacultura.org.br

Ilustrações: Hatsi Rio Apa: Livro Hortas Escolares, SED/UFSC/EPAGRI, 2002. E outras fontes diversas.

Impressão: Copyflo setembro de 2003.

É permitida a reprodução deste trabalho desde que citada a fonte.

Referência Bibliográfica

Curso de construções alternativas, construção da zona 1. São José do Cerrito/SC: IPAB - Instituto de Permacultura Austro Brasileiro, 2003. http://www.permacultura.org.br/ipab/

Construções; Agricultura; Permacultura; Arquitetura; Ecologia; Sustentabilidade; Título.

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SUMÁRIO Apresentação – Página 4

O entorno da casa

Compostagem – Página 5 Criação de Minhocas – Página 7 Horta Mandala – Página 9 Espiral de Ervas – Página 1

A casa

Fogão a Lenha – Página 13 Cisterna de ferro cimento – Página 17 Aquecedor de água solar – Página 21 Superadobe 23 Rebocos naturais 25

Tratamento de esgotos

Sistemas de evapotranspiração: • Círculo de bananeiras – Página 27

• Bacia de evapotranspiração – Página 28 Banheiro seco (compostável) – Página 30

Instituto de Permacultura Austro Brasileiro - IPAB 4

Na prática da formação de permacultores nos cursos padrão de Permacultura

Design e Consultoria (PDC) do Instituto de Permacultura Austro Brasileiro (IPAB) aparece sempre uma demanda recorrente:

Como começar?

Os novos permacultores demandam uma outra oportunidade de ver a permacultura em ação, num novo contexto, numa situação real. Onde as ações, que levam a concretizar o projeto ou design, sejam marcadas pela atividade prática de construir fisicamente no espaço as conexões previstas no projeto.

Esta demanda é genuína. Se considerarmos que um curso PDC encoraja as pessoas a agirem com a ética da permacultura, que construam seus espaços permanentes, que ajam com visão holística e sistêmica e que se disponham a utilizar toda a bagagem de conhecimentos disponíveis na cultura local mais o que e útil no saber científico e técnico moderno; não é de se estranhar que o peso da responsabilidade mais as dúvidas lógicas que se apresentam ante o novo, ante a mudança, façam surgir a pergunta “Como começar?.

Esta iniciativa pretende dar um encaminhamento aos anseios de ver as ações na prática, levando aos permacultores pelo caminho das realizações concretas e criando um novo ânimo, que poderia ser representada pela simples resposta:

E só fazer!

Por achar que a sustentabilidade dos nossos empreendimentos e a permanência do ser humano no planeta começa por ter uma moradia digna, alimentação sadia e emissão zero de efluentes desenvolvemos este curso que prioriza e propõe a construção da Zona 1 como o espaço central e de máxima dedicação (no que se refere a aplicação de energias e expectativas pessoais). Este espaço deve garantir a maximização da qualidade de vida, para logo estruturar o espaço integral (zonas 2,3,4 e 5) para o desenvolvimento familiar.

Esperamos que este curso seja o ponta pé inicial e que encoraje nossos parceiros nesta empreitada, para construirmos uma alternativa de mundo melhor, de uma vida sustentável em que predominem a parceria e a cooperação.

pessoalidade da equipe do IPAB

Esta apostila busca, de forma resumida registrar os conteúdos básicos de cada uma das oficinas, dando um suporte mínimo aos participantes do curso de construções de zona 1. Não temos a pretensão de esgotar ou aprofundar cada um dos temas aqui apresentados mas apenas registrar os pontos fundamentais e básicos de cada um deles. Este material foi elaborado por cada um dos instrutores na forma de coletânea, não tendo assim um estilo único, e sim a personalidade e Jorge Roberto Timmemann

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COMPOSTAGEM Jaime Roberto Rodrigues

A reciclagem do lixo tanto pode ser aplicada aos resíduos inertes (plásticos, vidros, metais, etc.) como aos resíduos orgânicos (restos de frutas, legumes e de alimentos em geral, folhas, gramas, etc).

A forma mais eficiente de reciclagem dos resíduos orgânicos é por intermédio de processos de compostagem.

Cerca de 65% do lixo urbano domiciliar produzido no país é constituído de matéria orgânica.

O termo matéria orgânica ou resíduo orgânico é dado a todos os compostos de carbono suscetível de degradação.

O termo degradação ou biodegradação dos resíduos orgânicos diz respeito à decomposição desses resíduos por microorganismos. Essa decomposição é mais ou menos rápida, em função, tanto da característica do resíduo orgânico, como as condições climáticas do local.

A compostagem é definida como um processo biológico aeróbio e controlado de tratamento e estabilização de resíduos orgânicos para a produção de húmus.

O processo de compostagem é desenvolvido por uma população diversificada de microrganismos e envolve necessariamente duas fases distintas, sendo a primeira de degradação ativa (necessariamente termofílica) e a segunda de maturação ou cura. Na fase de degradação ativa, a temperatura deve ser controlada a valores termofílicos, na faixa de 45 a 65 oC. Já na fase de maturação ou cura, na qual ocorre a humificação da matéria orgânica previamente estabilizada na primeira fase, a temperatura do processo deve permanecer na faixa mesofílica, ou seja, menor que 45 oC.

A compostagem de baixo custo envolve processos simplificados e é feita em pátios onde o material a ser compostado é disposto em montes de forma cônica, denominados “pilhas de compostagem”, ou em montes de forma prismática, com seção reta aproximadamente triangular, denominados “leiras de compostagem”:

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Toda essa massa heterogênea de resíduos orgânicos pode ser tratada e transformada em fertilizante orgânico para uso agrícola, eliminando, dessa forma, os vários problemas ambientais, e sanitários associados a eles, contribuindo decisivamente para a melhoria da qualidade de vida da população.

Pilha de Compostagem e seu funcionamento. Ilustração de Hatsi Rio Apa, do Livro Hortas Escolares, 2002, Secretaria do Estado da Educação - SED.

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CRIAÇÃO DE MINHOCAS Jaime Roberto Rodrigues

A minhocultura é usada como um estrutura de apoio dentro da propriedade rural, através da produção de húmus para hortaliças e/ou recuperação de áreas degradadas.

A escolha do local para instalação do minhocário deve ser de preferência em áreas planas, evitando baixadas devido ao encharcamento. O tamanho deve ser proporcional às necessidades e ampliações futuras, próximo de água e da matéria prima (esterco, resíduos orgânicos e restos culturais). Esta proximidade visa facilitar e racionalizar o uso tanto do seu produto (húmus), como o seu abastecimento (esterco e água).

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