(Parte 5 de 8)

Diante deste cenário, a sociedade deve permanentemente poupar recursos para fazer frente a esta perda natural. Esta poupança é suplementar àquela que é necessária para acrescentar novos itens de infraestrutura e equipamentos aos já existentes. É inquestionável a existência de uma poupança mínima que reponha os bens de capital existentes na sociedade e o aumento de seu estoque, se é que se deseje o aumento da produção e não só

Macroeconomia - LIVRO Grafica 26-04-10.pmd27/4/2010, 1:1229

30 Bacharelado em Administração Pública

Macroeconomia sua manutenção nos padrões atuais. Mantermos a produção nos níveis atuais ao longo de grandes períodos de tempo é considerada uma má política econômica. Ainda hoje consideramos que o crescimento é natural para qualquer economia.

Respeitadas estas condições mínimas exigidas para o funcionamento de uma sociedade, podemos solicitar à Macroeconomia que trate de aspectos mais sofisticados, como os listados na seção a seguir.

Macroeconomia - LIVRO Grafica 26-04-10.pmd27/4/2010, 1:1230

31 Módulo 2

Unidade 1 – Macroeconomia

Os problemas macroeconômicos fundamentais lidam com a modelagem, o entendimento e a eventual elevação/diminuição de variáveis como:

X Produto Interno Bruto. X Taxa de inflação. X Taxa de juros. X Taxa de câmbio.

X Taxa de desemprego dos recursos produtivos, em especial da mão de obra.

Esta lista curta pode ser expandida para uma lista longa envolvendo outras variáveis. São elas:

X Produto potencial. X Amplitude dos ciclos econômicos. X Produto interno bruto per capita. X Distribuição de renda. X Taxa de inflação nominal.

X Índices de correção monetária da inflação e indexadores de preços.

Macroeconomia - LIVRO Grafica 26-04-10.pmd27/4/2010, 1:1231

32 Bacharelado em Administração Pública

Macroeconomia

X Taxa de juros nominais. X Gastos públicos.

X Orçamentos públicos equilibrados (adequação entre despesas e receitas).

X Taxa de poupança e de investimento em relação ao produto interno bruto.

X Quantidade de moeda em circulação na economia. X Velocidade de circulação da moeda. X Participação dos impostos no produto interno bruto. X Gastos de governo. X Taxa de desemprego natural. X Ociosidade das instalações fabris. X Salários médios do fator trabalho.

X Paridade cambial em relação a uma cesta de moedas estrangeiras.

X Valorização de ativos mobiliários e não mobiliários.

A Macroeconomia visa em geral estabilizar estas variáveis, determinar seu crescimento a taxas constantes ou atingir metas que possam ser consideradas saudáveis, por exemplo, um certo nível de desemprego e um certo nível de taxa de juros.

Sendo assim, podemos evidenciar que não é exigido da

Macroeconomia nenhuma garantia de sucesso na correta análise dos itens da lista, na escolha de políticas para implantação de reações às situações analisadas e o posterior monitoramento dos resultados a alcançar. Apesar de apresentar um programa frouxo de exigências, é com ele que os macroeconomistas devem exaustivamente se ocupar.

Macroeconomia - LIVRO Grafica 26-04-10.pmd27/4/2010, 1:1232

3 Módulo 2

Unidade 1 – Macroeconomia

Agora que você conhece a lista de problemas será que poderia se recordar das metas macroeconômicas?

Vamos recordar! As metas macroeconômicas envolvem o alto nível de emprego, a estabilidade de preços, a distribuição justa da renda e o crescimento econômico.

Macroeconomia - LIVRO Grafica 26-04-10.pmd27/4/2010, 1:1233

34 Bacharelado em Administração Pública

Macroeconomia

A partir do que foi apresentado na disciplina Introdução à

Economia, podemos afirmar que a economia tem como fim último o bem-estar geral. Com base nesta afirmação, a Macroeconomia toma como medida de sucesso/fracasso os valores atingidos por algumas das variáveis anteriores e principalmente a variabilidade em torno de suas linhas de tendência. Foram exemplos notórios de fracasso na condução da Macroeconomia de uma sociedade:

X a hiperinflação, como as ocorridas na Alemanha na década de 1920 e nos países latino-americanos na década de 1980;

X o crescimento e a eventual falta de pagamento de dívidas externas;

X os picos de taxas de desemprego; X as maxidesvalorizações cambiais; e X os surtos de falências bancárias.

É de bom senso pensarmos que as descontinuidades citadas não são normais e não devem fazer bem para a economia e para os cidadãos. Contudo, podemos argumentar que alguma coisa deveria ter sido feita para minimizá-las. Somente alguns economistas radicais diriam que a economia deve sofrer seus altos e baixos sozinha, sem nenhum auxílio, acreditando que esta é a forma mais correta e rápida de encontrar a sua autodepuração.

Macroeconomia - LIVRO Grafica 26-04-10.pmd27/4/2010, 1:1234

35 Módulo 2

Unidade 1 – Macroeconomia

Por outro lado, podemos apontar uma série de histórias de sucesso de ações macroeconômicas. O problema é encontrarmos as relações de causa e efeito que possam assegurar que estas situações de aparente sucesso tenham decorrido de ações macroeconômicas implantadas. Poderíamos argumentar ainda que elas ocorreram pelo funcionamento autônomo da economia, sem a influência de seus atores encarregados da condução da política econômica. Ainda assim, seria possível, em parte, creditarmos à Macroeconomia as ações que as tornaram possíveis, tais como:

X a estabilidade econômica e das taxa de inflação do Brasil depois de 1994;

X as taxas de crescimento da economia brasileira ao longo do século passado até o início da década de 1980;

X a diminuição das oscilações do produto interno bruto dos EUA na década de 1990 e o aumento do intervalo entre crises, quando comparado com décadas anteriores;

X as altas taxas de crescimento do Japão no passado e da China atualmente;

X a recuperação dos EUA e dos países europeus da Grande Depressão de 1929; e

X a reconstrução e a recuperação econômica da Europa no pós-guerra (Segunda Guerra Mundial).

(Parte 5 de 8)

Comentários