Manual de Normas de Enfermagem (Procedimentos Técnicos)

Manual de Normas de Enfermagem (Procedimentos Técnicos)

(Parte 1 de 4)

Lisboa, 2008

Manual de Normas de Enfermagem Procedimentos Técnicos

Manual de Normas de Enfermagem

Bárbara Soares Veiga Eunice Henriques Fátima Barata Fátima Santos Isabel Silva Santos Maria Manuela Martins Maria Teresa Coelho Paula Cannas da Silva

2ª Edição Lisboa 2008

Manual de Normas de Enfermagem Grupo de trabalho

Bárbara Soares Veiga Enfermeira Licenciada em Enfermagem Licenciada em História Consultora do SCD/E, na Administração Central do Sistema de Saúde, IP Eunice Henriques Enfermeira Especialista na área de Enfermagem Medico Cirúrgica Mestre em Ciências de Enfermagem Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem de Lisboa Fátima Barata Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Reabilitação Licenciada em Enfermagem Enfermeira Chefe do Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E. – Hospital de S. José Fátima Santos Enfermeira Especialista na área de Enfermagem Medico Cirúrgica Licenciada em Enfermagem Enfermeira Chefe do Centro Hospitalar do Médio Tejo, E.P.E. – Unidade de Torres Novas Isabel Silva Santos Enfermeira Licenciatura em Administração dos Serviços de Enfermagem Enfermeira Chefe do Instituto Português do Sangue, IP Maria Manuela Martins Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Reabilitação Doutorada em Ciências de Enfermagem Professora Coordenadora na Escola Superior de Enfermagem do Porto Maria Teresa Coelho Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Saúde Mental e Psiquiátrica Mestre em Teologia e Ética da Saúde Professora Adjunta na Escola Superior de Enfermagem de Santarém Paula Cannas da Silva Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Reabilitação Licenciada em Enfermagem Enfermeira Especialista do Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E. – Hospital de Santa Cruz, actualmente no Hospital da Luz

Manual de Normas de Enfermagem

Prefácio Maria Helena Simões Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Saúde Infantil e Pediátrica Licenciada em Enfermagem Coordenadora do SCD/E na Administração Central do Sistema de Saúde, IP

Revisão José Joaquim Penedos Amendoeira Enfermeiro Especialista na área de Enfermagem Medico Cirúrgica Doutorado em Sociologia da Educação Professor Coordenador na Escola Superior de Enfermagem de Santarém

Capa Ricardo Ribeiro Licenciado em Gestão de Marketing Gestor de projectos – Administração Central do Sistema de Saúde, IP

Fotografia Hélder Carneiro Técnico de audiovisual – Escola Superior de Enfermagem do Porto

Secretariado Anabela Silva Assistente administrativa – Administração Central do Sistema de Saúde, IP

Manual de Normas de Enfermagem

Agradecimentos

A todos aqueles que contribuíram de forma significativa para a elaboração deste manual, em especial às organizações mencionadas e aos colaboradores abaixo indicados:

Organizações: Centro de Medicina de Reabilitação de Alcoitão Centro Hospitalar de Lisboa Central, E.P.E. Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental, E.P.E. Centro Hospitalar do Médio Tejo, E.P.E. Centro Hospitalar do Nordeste, E.P.E. Centro Hospitalar Trás-os-Montes e Alto Douro, E.P.E. Direcção Geral de Saúde, Direcção de Serviços da Qualidade Clínica, PNCI Escola Superior de Enfermagem de Lisboa Escola Superior de Enfermagem do Instituto Politécnico de Santarém Escola Superior de Enfermagem do Porto Instituto Português do Sangue, I.P.

Colaboradores: Anabela Araújo Feliz dos Santos Enfermeira Licenciada em Enfermagem Ana Célia Brito Santos Enfermeira Licenciada em Enfermagem Ana Geada Enfermeira Licenciada em Enfermagem Ana Lúcia Coelho Graça Enfermeira Licenciada em Enfermagem Carla Sílvia Fernandes Enfermeira Mestre em Ciências de Enfermagem Isabel Araújo Enfermeira Especialista na área de Enfermagem Medico Cirúrgica Mestre em Educação: Especialidade Educação para Saúde

Manual de Normas de Enfermagem

Joaquim António Lagarto Telo Enfermeiro Licenciado em Enfermagem Filomena Maria Graça Castelão Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Reabilitação Licenciada em Enfermagem Glória Couto Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Reabilitação Licenciada em Enfermagem Maria Goretti Silva Enfermeira Licenciada em Enfermagem Maria José Maia Enfermeira Licenciada em Enfermagem Maria Luísa Dias Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Reabilitação Licenciada em Enfermagem Maria Salomé Cordeiro Relvão Sacadura Enfermeira Especialista na área de Enfermagem de Reabilitação Mestre em Ciências de Enfermagem

Manual de Normas de Enfermagem

Siglas

ACSS, IP – Administração Central do Sistema de Saúde, Instituto Público CO2 – Dióxido de carbono DGCG – Doenças Genéticas, Crónicas e Geriátricas DGS – Direcção Geral da Saúde DPOC – Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica E.P.E. – Entidade Pública Empresarial EV – Endovenosa

FiO2 – Fracção de oxigénio inspirado IM – Intramuscular

IP – Instituto Público mmHg – Milímetros de mercúrio

O2 – Oxigénio OE – Ordem dos Enfermeiros

PNCI – Programa Nacional de Controlo de Infecção PVC – Pressão Venosa Central

SaO2 – Saturação de Oxigénio SC – Subcutânea

SCD/E – Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem SOS – Sempre que necessário UOFC – Unidade Operacional de Financiamento e Contratualização

Manual de Normas de Enfermagem

Prefácio

A ideia de reunir num documento único “um conjunto sistemático de normas” para a enfermagem, é antiga, pois há que disciplinar processos e definir procedimentos que garantam aos enfermeiros respostas seguras, flexíveis e com iguais níveis de qualidade. Filiado no Sistema de Classificação de Doentes em Enfermagem, surge o primeiro manual na década de 80. Face ao carácter técnico que envolve uma publicação deste teor, aconteceram duas actualizações até à presente edição do Manual de Normas de Enfermagem - Procedimentos Técnicos.

A preocupação do grupo de trabalho na concepção deste documento foi a de favorecer a enfermagem com orientações dirigidas à prática dos cuidados a oferecer ao ser humano, individualmente e na família, de modo integral e holístico. As práticas seguras e o controlo de infecção foram enfatizadas porque esta é uma área em que a segurança das pessoas é crítica e o custo do desperdício é elevado. Há consciência de que o cliente não dispõe de escolha na maioria das vezes, contudo está aqui plasmado que este tem direito a uma elevada qualidade de serviços a par da técnica rigorosa, face ao actual estado de arte.

Nesta edição há um aspecto inovador que se deve realçar: a linguagem própria, actualizada e editada pelo Conselho Internacional de Enfermeiras (ICN) e designada por Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE), que guia os enfermeiros na formulação de diagnósticos de enfermagem, planeamento das intervenções e avaliação dos resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem. A introdução da linguagem CIPE tornou esta actualização mais morosa, mas este esforço pretende uma aproximação à actual conjuntura de desenvolvimento das práticas.

Este documento reveste-se de um carácter nacional, pois advém da recolha de opiniões de enfermeiros de várias instituições do País e considera as críticas às versões anteriores. Neste contexto e de forma inédita, foram trabalhadas normas sobre as temáticas da dor e feridas.

É recomendável partir para esta consulta equipado com alguns apetrechos que facilitam a compreensão dos conceitos subjacentes, pelo que é fundamental a leitura do capítulo 1 – ORIENTAÇÕES PARA UTILIZAÇÃO. Ao longo destas páginas descubra um trabalho enriquecido por figuras, desenhos e fotografias, na sua maioria originais, que ilustram as acções descritas. Fica aqui o convite à consulta e à reflexão do Manual de Normas de Enfermagem, bem como a sugestões que queira partilhar connosco.

À coordenadora que assegurou a liderança, a energia e o entusiasmo necessários ao processo e ao grupo que se dedicou com a sua experiência e saber, além do rigor e qualidade, um agradecimento especial. Maria Helena Simões

Manual de Normas de Enfermagem

0 – INTRODUÇÃO14
1 – ORIENTAÇÕES PARA UTILIZAÇÃO16
2 – INTERVENÇÕES NO PROCESSO CORPORAL19
2.1 – Normas no Processo do Sistema Circulatório20
2.1.1 – Monitorização electrocardiográfica21
2.1.2 – Cateterização de veia periférica24
2.1.3 – Cateterização de veia central29
2.1.4 – Manutenção de cateteres intravasculares3
2.1.5 – Monitorização da pressão venosa central, por manómetro de água36
2.2 – Normas no Processo do Sistema Gastrointestinal39 
2.2.1 – Entubação nasogástrica40 
2.2.2 – Alimentação entérica através de sonda nasogástrica45 
2.2.3 – Colostomia – Substituição do saco51 
2.2.4 – Colostomia – Irrigação54 
2.2.5 – Clister de limpeza58 
2.3 – Normas no Processo do Sistema Tegumentar62
2.3.1 – Pensos a feridas63 
2.3.1.1 – Ferida Cirúrgica65 
2.3.1.2 – Ferida Traumática67 
2.3.1.3 – Úlceras68 
2.4 – Normas no Processo do Sistema Musculosquelético70 
2.4.1 – Posicionamentos na cama71 
2.4.1.1 – Decúbito Dorsal74 
2.4.1.2 – Decúbito Lateral76 
2.4.1.3 – Decúbito Semi-dorsal78 
2.4.1.4 – Decúbito Ventral81 
2.4.1.5 – Decúbito Semi-Ventral84 
2.4.2 – Posicionamentos ao indivíduo com incapacidade lateral86 
2.4.2.1 – Decúbito Dorsal88 
2.4.2.2 – Decúbito lateral para o hemicorpo afectado89 
2.4.2.3 – Decúbito lateral para o hemicorpo são91 
2.4.3 – Exercício corporal93 
2.5 – Normas no Processo do Sistema Nervoso100 
2.5.1 – Monitorização da dor101 
2.6 – Normas no Processo de Resposta Física104 
2.6.1 – Monitorização da Temperatura Corporal105 
2.6.2 – Monitorização da Tensão Arterial108 
2.6.3 – Monitorização do Pulso111 
2.6.4 – Monitorização da Respiração114 
2.7 – Normas no Processo do Sistema Respiratório117 
2.7.1 – Monitorização da Saturação de Oxigénio118 
2.7.2 – Traqueostomia121 
2.7.3 – Aspiração de Secreções125 
2.7.3.1 – Através da Orofaringe/Nasofaringe127 
2.7.3.2 – Através do Tubo Endotraqueal/Traqueostomia129 
2.7.4 – Drenagem Torácica Sub-aquática131 
2.7.4.2 – Fase de Manutenção135 
2.8 – Normas no Processo do Sistema Urinário138 
2.8.1 – Cateterismo Urinário139 
2.8.2 – Manutenção do Cateter Urinário145 
3 – INTERVENÇÕES NO COMPORTAMENTO148 
3.1 – Autocuidado: Cuidar da Higiene Pessoal149 
3.1.1 – Tomar Banho e Vestir-se ou Despir-se149 
3.1.1.1 – Banho na Cama com Ajuda Parcial150 
3.1.1.2 – Banho na Cama com Ajuda Total153 
3.1.1.2.1 – Preparar a Cama159 
3.1.1.3 – Banho no Chuveiro com Ajuda Parcial164 
3.1.1.4 – Banho no Chuveiro com Ajuda Total167 
3.1.2 – Arranjar-se170 
3.1.2.1 – Lavar a Cavidade Oral com Ajuda Parcial171 
3.1.2.2 – Lavar a Cavidade Oral com Ajuda Total174 
3.1.2.3 – Arranjar o Cabelo177
3.1.2.3.1 – Lavar o Cabelo na Cama177
3.1.2.3.2 – Lavar o Cabelo na Casa de Banho180
3.1.2.3.3 – Pentear o Cabelo182
3.1.2.4 – Cuidados Complementares de Conforto183
3.2 – Autocuidado: Alimentar-se186 
3.2.1 – Alimentação por Via Oral com Ajuda187 
3.3 – Autocuidado: Erguer-se191 
3.3.1 – Primeiro Levante192 
3.4 – Autocuidado: Transferir-se196 
3.4.1 – Transferir com Ajuda197 
3.4.1.1 – Transferir da cama para a cadeira/cadeira de rodas198 
3.4.1.2 – Transferir da cadeira/cadeira de rodas para a cama200 
3.4.1.3 – Transferir da cama para a cadeira de rodas com tábua de deslize201 
3.4.1.4. – Transferir da cama para a maca203 
3.4.1.5 – Transferir da maca para a cama205 
3.4.1.6 – Transferir da cadeira de rodas para a sanita205 
3.4.1.7 – Transferir da sanita para a cadeira de rodas206 
3.4.1.8 – Transferir com elevador hidráulico/eléctrico206 
3.5 – Autocuidado: Andar210 
3.5.1 – Andar com Auxiliares de Marcha211 
3.5.1.1 – Andarilho212 
3.5.1.2 – Canadianas215 
4 – INTERVENÇÕES TERAPÊUTICAS218
4.1 – Oxigenoterapia219 
4.1.1 – Oxigénio por Sonda221 
4.1.2 – Oxigénio por Máscara/Sonda Nasal Dupla222 
4.2 – Inaloterapia224 
4.3 – Hemoterapia227 
4.4 – Técnicas de Administração de Medicamentos233 
4.4.1 – Via Oral234 

Manual de Normas de Enfermagem 4.4.2 – Via Cutânea..................................................................................................................................... 238

4.4.2.1 – Aplicação de Gel, Loções, Cremes e Pomadas240 
4.4.2.2 – Aplicação de Sprays242 
4.4.2.3 – Aplicação Transdérmica242 
4.4.3 – Via Ocular244 
4.4.3.1 – Aplicação de Gotas246 
4.4.3.2 – Aplicação de Pomada248 
4.4.4 – Via Nasal250 
4.4.5 – Via Auricular254 
4.4.6 – Via Vaginal258 
4.4.7 – Via Rectal262 
4.4.8 – Via Subcutânea266 
4.4.9 – Via Intramuscular270 
4.4.10 – Via Intravenosa274 
4.4.10.1 – Terapia Intermitente277 
4.4.10.2 – Terapia Contínua278 

Manual de Normas de Enfermagem BIBLIOGRAFIA ..................................................................................................................................... 280

Manual de Normas de Enfermagem

FIGURA 1 – Diagrama da estrutura do manuaL16
FIGURA 2 – Diagrama de organização da norma17
FIGURA 3 – Punção27
FIGURA 4 – Medição da sonda42
FIGURA 5 – Inserção da sonda43
FIGURA 6 – Confirmação do local da sonda43
FIGURA 7 – Sonda clampada4
FIGURA 8 – Verificação da localização da sonda48
FIGURA 9 – Alimentação entérica contínua49
FIGURA 10 – Irrigação56
FIGURA 1 – Clister de limpeza60
FIGURA 12 – Material de penso65
FIGURA 13 – Exposição da área da ferida65
FIGURA 14 – Remoção de pontos6
FIGURA 15 – Aplicação de penso67
FIGURA 16 – Limpeza da ferida68
FIGURA 17 – Transfer72
FIGURA 18 – Massagem de conforto73
FIGURA 19 – Posicionamento no centro da cama74
FIGURA 20 – Posicionamento do membro superior no decúbito dorsal75
FIGURA 21 – Posicionamento dos membros inferiores75
FIGURA 2 – Verificação do alinhamento corporal76
FIGURA 23 – Posicionamento em decúbito lateral7
FIGURA 24 – Membro superior em decúbito lateral78
FIGURA 25 – Aplicação de uma almofada em cunha79
FIGURA 26 – Posicionamento do membro inferior no decúbito semi-dorsal79
FIGURA 27 – Posicionamento do membro superior no decúbito semi-dorsal80
FIGURA 28 – Posicionamento em decúbito semi-dorsal80
FIGURA 29 – Membro superior direito no decúbito ventral82
FIGURA 30 – Membro superior esquerdo no decubito ventral82
FIGURA 31 – Posicionamento em decúbito ventral83
FIGURA 32 – Posicionamento da articulação tibio-társica no decúbito ventral83
FIGURA 3 – Membro superior esquerdo no decúbito semi-ventral84
FIGURA 34 – Posicionamento em decúbito semi-ventral85
FIGURA 35 – Decúbito dorsal ao indivíduo com incapacidade lateral8
FIGURA 36 – Decúbito lateral para o lado afectado89
FIGURA 37 – Decúbito lateral para o lado são91
FIGURA 38 – Mobilização da cabeça94
FIGURA 39 – Mobilização do tronco94
FIGURA 40 – Mobilização do ombro95
FIGURA 41 – Mobilização do cotovelo96
FIGURA 42 – Mobilização do punho96
FIGURA 43 – Mobilização dos dedos97
FIGURA 4 – Mobilização do membro inferior98
FIGURA 45 – Mobilização do joelho98
FIGURA 46 – Mobilização da tíbio társica9
FIGURA 47 – Mobilização dos dedos do pé9
FIGURA 48 – Escalas da dor102
FIGURA 49 – Escala da dor – Triagem de Manchester102
FIGURA 50 – Fixação da cânula123
FIGURA 51 – Verificação do aspirador127
FIGURA 52 – Máscara com viseira127
FIGURA 53 – Posicionamento para aspirar128
FIGURA 54 – Inserção da sonda128
FIGURA 5 – Sistema de drenagem132
FIGURA 56 – Cantos dos lençóis161
FIGURA 57 – Aplicação do resguardo161

Índice de figuras FIGURA 58 – Colocação do lençol de cima..................................................................................................162

FIGURA 59 – Prega de protecção aos pés162
FIGURA 60 – Acabamento da cama163
FIGURA 61 – Instalação do dispositivo178
FIGURA 62 – Massagem do couro cabeludo179
FIGURA 63 – Massagem da face189
FIGURA 64 – Dispositivos de compensação para a transferência193
FIGURA 65 – Levante da cama194
FIGURA 6 – Indivíduo sentado194
FIGURA 67 – Rotação dos membros inferiores199
FIGURA 68 – Verificação do alinhamento corporal200
FIGURA 69 – Transferência da cama para a cadeira202
FIGURA 70 – Transferência da cama para a maca204
FIGURA 71 – Transferência para a maca204
FIGURA 72 – Instalação da lona do elevador207
FIGURA 73 – Mobilização do elevador208
FIGURA 74 – Indivíduo sentado com ajuda do elevador208
FIGURA 75 – Posição de pé com andarilho213
FIGURA 76 – Estabilização de pé com ajuda de cinto213
FIGURA 7 – Marcha assistida com andarilho214
FIGURA 78 – Ajuste da altura das canadianas215
FIGURA 79 – Equilíbrio com ajuda de cinto215
FIGURA 80 – Primeiro momento de marcha216
FIGURA 81 – Segundo momento de marcha216
FIGURA 82 – Terceiro momento de marcha216
FIGURA 83 – Quarto momento de marcha216
FIGURA 84 – Preparação da pomada241
FIGURA 85 – Aplicação de pomada241
FIGURA 86 – Hiperextensão da cabeça246
FIGURA 87 – Aplicação de gotas oculares247
FIGURA 8 – Aplicação de gotas nasais252
FIGURA 89 – Aplicação de gotas no canal auditivo256
FIGURA 90 – Aplicação do óvulo260

Manual de Normas de Enfermagem FIGURA 91 – Utilização de aplicador............................................................................................................ 260

Manual de Normas de Enfermagem

0 – INTRODUÇÃO

Concebeu-se o presente manual a pensar a enfermagem como profissão centrada na relação interpessoal onde “a pessoa é um ser social e agente intencional de comportamentos baseados nos valores, nas crenças e nos desejos da natureza individual” (OE 2002), com potencial para desenvolver habilidades intelectuais e práticas a fim de manter motivação para o autocuidado (OREM, 1993). Neste contexto foram privilegiados os domínios das competências do enfermeiro de cuidados gerais.

Toda a pessoa é digna de respeito e consideração. Porém há situações ou circunstâncias específicas que por tornarem a pessoa mais frágil e vulnerável, exigem aos enfermeiros uma maior sensibilidade e um maior empenho no respeito pelos direitos humanos.

O processo de gestão dos cuidados exige um equilíbrio constante entre o respeito pelo indivíduo enquanto pessoa, e a resposta às exigências da organização. Assim, é necessário recorrer a elementos transversais concebendo normas técnicas que permitam a regulação dos comportamentos, que emergem das características individuais e do conhecimento profissional.

Numa perspectiva de gestão, as normas técnicas tornam-se um meio regulador, económico e integrador, razão pela qual se adoptou sempre a mesma estrutura. Contudo, tornam-se uma mais-valia se expressarem a convicção de ganhos para o cliente, daí a construção deste manual pretender ser um compromisso entre a arte e o saber.

Ao conceber este documento centrámo-nos na actividade dos enfermeiros, tendo em conta que esta se contextualiza num trabalho multiprofissional. O ambiente assistencial do nosso país leva a cuidados partilhados com outros profissionais e desenvolvidos, algumas vezes, com a colaboração dos auxiliares de acção médica, familiares e conviventes significativos, mas sempre sob a responsabilidade dos enfermeiros.

Na produção das normas considerou-se o cliente como actor do autocuidado, intervindo o enfermeiro de forma pró activa, no sentido de valorizar a autonomia e as reminiscências das capacidades.

Este manual pretende ser um contributo para profissionais de enfermagem e alunos em processos de cuidar, tendo por base os princípios científicos, não esquecendo os constrangimentos que decorrem do estado da arte em contexto real nas unidades de saúde, pelo que se delinearam os seguintes objectivos: - Estabelecer linhas orientadoras para a prestação de cuidados de enfermagem

- Normalizar procedimentos que garantam as boas práticas

Manual de Normas de Enfermagem

- Orientar a execução de procedimentos por princípios científicos e de optimização de recursos - Desenvolver a arte de saber fazer, considerando o conforto do cliente e a estética dos actos

Focalizámos o desenvolvimento das normas relativamente aos domínios ético-legais realçando o direito à diferença, a promoção da saúde e o ambiente seguro. No sentido de constituir um sistema de informação em enfermagem considerámos a interligação entre a prática e a gestão de cuidados expressa em acções como a colheita de dados, o planeamento, a execução e a avaliação do processo de cuidar.

A metodologia de desenvolvimento deste manual centrou-se em discussões e análises de grupos de peritos de várias áreas, da prática, do ensino e da investigação, com pareceres de informadores chave, individuais e ou de organismos, além de consultas específicas. Os princípios do controlo de infecção, considerados em todos os procedimentos, têm em conta as actuais exigências dos contextos de trabalho e a evolução do conhecimento científico. Este documento teve como ponto de partida o Manual de Normas e Procedimentos Técnicos de Enfermagem de 2001, e ainda a análise dos questionários de opiniões e sugestões sobre o mesmo.

Face ao debate actual do Conselho Internacional dos Enfermeiros e ao desenvolvimento e utilização de uma linguagem classificada em muitas das unidades de saúde, procurou-se basear o texto na Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE), recorrendo sempre que possível, à nomenclatura do eixo acção. Contudo utilizou-se outra linguagem, quando não se encontrou tradução cultural.

O manual está organizado por capítulos onde o corpo do texto descreve pormenorizadamente os procedimentos. Da sua organização constam 4 capítulos num total de 72 normas.

O grupo que elaborou este manual está convicto que o seu valor é limitado no tempo, face ao desenvolvimento da ciência, mas poderá constituir em si uma oportunidade de orientação e discussão para melhorar os cuidados de enfermagem e implicitamente o nível de satisfação dos clientes. Considerando a importância do contributo de todos os utilizadores, este manual é acompanhado de um questionário de opinião para ser preenchido e devolvido à ACSS – UOFC, ao cuidado da enfermeira coordenadora do SCD/E.

Manual de Normas de Enfermagem

Intervenções no Processo Corporal Intervenções Terapêuticas

Sistema Cardíaco Sistema Gastrointestinal Sistema Tegumentar Sistema Músculosquelético Sistema Nervoso Processo de Resposta Física Sistema Respiratório Sistema Urinário

Tomar Banho Vestir‐se ou Despir‐se Arranjar‐se Alimentar‐se Erguer‐se Transferir‐se Andar

Autocuidado

Oxigenoterapia Inaloterapia Hemoterapia Técnicas de Administração de Medicamentos

Intervenções no Comportamento

1 – ORIENTAÇÕES PARA UTILIZAÇÃO

Este capítulo pretende ser uma ajuda à utilização e esclarecimento de algumas das decisões que presidiram ao desenvolvimento do conteúdo deste manual.

Estas normas, pelo carácter técnico que as suporta, baseiam-se numa prática profissional multicultural, decorrente de conhecimento científico, mas sempre questionável. Por outro lado, torna-se imperativo entender que a sua elaboração seguiu a Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem.

Nas normas, as acções enunciadas não tendo em conta a especificidade do indivíduo cuidado, contemplam o princípio de que “… a enfermeira deve estar sempre presente – restaurar a independência do doente se isso for possível, ajudá-lo a viver o melhor possível com as limitações insuperáveis, ou aceitar o fim inevitável…” (HENDERSON, Virgínia; 2007).

Neste manual encontrar-se-ão normas focalizadas nos processos corporais, no comportamento e nos recursos. Os processos são um “conjunto de funções ou acções para atingir um resultado” (CIPE versão1.0, 2005:39). Nos processos corporais estão incluídas normas relativamente aos vários sistemas (ex. circulatório). Em relação ao comportamento, desenvolveu-se o autocuidado, considerando este como uma actividade realizada pelo próprio para “… manter-se operacional e lidar com as necessidades individuais básicas e íntimas e as actividades de vida diária” (CIPE versão 1.0, 2005:46). Os recursos são “forma ou método de concretizar uma intervenção” (CIPE versão 1.0, 2005:1) onde estão incluídas as terapias.

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