trabalho de conclusão de curso
Produção de Etanol
(Parte 1 de 6)
Faculdade de Ciência e Tecnologia de Montes Claros – FACIT
Gustavo Gonçalves Pimenta Lílian Regina Ruas de Oliveira
- Trabalho - PRODUÇÃO DE ETANOL
Docente: Edson Vander Jorge
Montes Claros - MG Outubro, 2010

| 1 PRODUÇÃO DE ETANOL | 3 |
| 1.1 Importância | 3 |
| 1.2 Vias de obtenção | 4 |
| 1.3 Matérias-primas, composição e conservação | 5 |
| 1.3.1 Composição das matérias-primas | 6 |
| 1.3.1.1 Melaços | 6 |
| 1.3.1.2 Cana-de-açúcar | 7 |
| 1.3.1.3 Milho | 7 |
| 1.3.1.4 Sorgo sacarino | 7 |
| 1.3.1.5 Mandioca | 8 |
| 1.3.1.6 Resíduos celulósicos | 8 |
| 1.3.1.7 Outras matérias-primas | 8 |
| 1.3.2 Conservação da matéria-prima | 9 |
| 1.4 Preparação dos meios | 10 |
| 1.4.1 Preparo de mostos de melaço | 10 |
| 1.4.2 Preparo de mostos de caldo de cana-de-açúcar | 1 |
| 1.4.3 Preparação de mostos de materiais amiláceos | 1 |
| 1.4.3.1 Sacarificação pelo malte | 1 |
| 1.4.3.2 Sacarificação por ação microbiana | 13 |
| 1.5 Fermentação alcoólica | 14 |
| 1.5.1 O metabolismo no interior da célula | 14 |
| 1.5.2 Produtos secundários da fermentação | 16 |
| 1.6 Fatores que afetam a fermentação | 17 |
| 1.6.1 Agente de fermentação | 18 |
| 1.6.2 Nutrição mineral e orgânica | 18 |
| 1.6.3 Temperatura | 19 |
| 1.6.4 pH | 19 |
| 1.6.5 Inibidores de fermentação | 20 |
| 1.6.6 Concentração de açúcares | 20 |
| 1.6.7 Concentração do inóculo | 21 |
| 1.6.8 Contaminação bacteriana | 21 |
| 1.6.9 Antissépticos | 21 |
| 1.6.10 Antibióticos | 2 |
| 1.7 Correção dos mostos | 2 |
| 1.8 Preparo do inóculo | 23 |
| 1.8.1 Prática da fermentação alcoólica | 24 |
| 1.9 Pureza das fermentações | 25 |
| 1.10 Sistemas de fermentação | 26 |
| 1.1 Fermentação alcoólica contínua | 27 |
| 1.12 Salas de fermentação | 31 |
| 1.13 Recipientes de fermentação | 31 |
| 1.14 Destilação | 32 |
| 1.14.1 Destilação descontínua | 3 |
| 1.14.2 Destilação contínua | 34 |
| 1.15 Retificação | 37 |
| 1.16 Prática de retificação industrial | 38 |
| 1.17.2 Processo de absorvente regenerável | 42 |
| 1.17.3 Processo de separação por meio de peneiras moleculares | 42 |
| 1.18 Fluxograma do processo de produção de álcool e açúcar | 4 |
| 1.19 Planta fotográfica de uma usina de álcool e açúcar | 45 |
| 2 BALANÇO ENERGÉTICO NA PRODUÇÃO DE ETANOL | 47 |
| 2.1 Cana-de-açúcar | 47 |
| 2.2 Mitigação do Efeito Estufa | 48 |
| REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS | 50 |
3 1 PRODUÇÃO DE ETANOL
1.1 Importância
No Brasil, as indústrias de açúcar e de álcool estiveram sempre intimamente ligadas, desde o tempo do descobrimento. Deduz-se que a produção de álcool iniciou na Capitania de São Vicenteudas de cana-de-açúcar, trazidas da ilha da Madeira em 1532.
A Alemanha e, principalmente a França, deram grande contribuição ao desenvolvimento das técnicas de fermentação alcoólica, de destilação e de construção de aparelhos de destilação. Utilizava-se o etanol para fins farmacêuticos, para a produção de alguns produtos químicos derivados, para bebidas e como fonte de energia térmica, por combustão, em algumas atividades.
Em 1929, a grande crise internacional colocou em xeque as economias de todos os países e, no Brasil, a indústria açucareira não ficou a salvo. Sobrava açúcar e cana e faltavam divisas para a aquisição de combustível líquido. A primeira destilaria de álcool anidro foi instalada e o Governo Federal, em 1931, estabeleceu a obrigatoriedade da mistura de 5% de etanol à gasolina (Decreto 19.717), como medida de economia na importação de combustível e para amparar a lavoura canavieira.
A crise internacional do petróleo que se deflagrou em 1974, fez com que se iniciasse, no Brasil, uma nova fase na produção de etanol. Na busca de alternativas para combustível líquido, o álcool adquiriu uma importância sem paralelo. Dos 700 milhões de litros por ano, em pouco tempo a indústria passou a produzir 15 bilhões de litros, para abastecer uma frota de mais de 4 milhões de automóveis, que se movem com álcool puro e também, para misturar-se a toda a gasolina usada no País. Com o abaixamento do preço do petróleo no mercado internacional, perdeu-se o interesse político pela sua produção.
4 1.2 Vias de obtenção
Obtém-se etanol por três maneiras gerais: por via destilatória, por via sintética e por via fermentativa.
A via destilatória não tem significação econômica no Brasil, a não ser para certas regiões vinícolas, para o controle de preço de determinadas castas de vinhos de mesa.
Por via sintética, obtém-se o etanol a partir de hidrocarbonetos não saturados, como o eteno e o etino, e de gases de petróleo e da hulha. Nos países em que há grandes reservas de petróleo e uma indústria petroquímica avançada, é uma forma econômica de produzir álcool.
A via fermentativa é a maneira mais importante para a obtenção do álcool etílico no
Brasil. Mesmo que venha a haver disponibilidade de derivados de petróleo que permitam a produção de álcool de síntese, a via fermentativa ainda será de grande importância para a produção de álcool de boca, sob a forma de aguardentes. As bebidas fermento-destiladas possuem características próprias de aroma e sabor, conferidas por impurezas decorrentes do processo fermentativo.
Um dos fatores que torna a produção de etanol por fermentação a forma mais econômica de sua obtenção, é o grande numero de matérias-primas naturais existentes em todo o País. Sua distribuição geográfica, que encerra diversos climas e tipos de solos, permite seu cultivo em quase todo o território e durante todo o ano.
Na obtenção do álcool por via fermentativa, distinguem-se três fases: o preparo do substrato, a fermentação e a destilação. O preparo do substrato e o tratamento da matériaprima para dela se extraírem os açúcares fermentescíveis difere para as distintas matériasprimas.
A fermentação é um processo comum a todos os substratos açucarados, cujo princípio é a transformação dos açúcares em etanol e dióxido de carbono. As variações entre os processos de fermentação são apenas em detalhes.
Na destilação, separa-se o etanol geralmente em duas operações. A primeira, para separá-lo do substrato fermentado, sob a forma de mistura hidroalcoólica impurificada com aldeídos, ésteres, álcoois superiores e ácidos orgânicos. Outra, para separar as impurezas do etanol.
5 1.3 Matérias-primas, composição e conservação
Qualquer produto que contenha açúcar ou outro carboidrato constitui-se em matériaprima para a obtenção do etanol. Entretanto, para que seja viável economicamente é preciso considerar-se seu volume de produção, o rendimento industrial e o custo de fabricação.
Há varias maneiras de classificar as matérias-primas para a produção de etanol, mas qualquer dos critérios que se adote deixa algo a desejar. Podemos classificá-las em matérias açucaradas, agrupando cana-de-açúcar, beterraba açucareira, sorgo sacarino, milho sacarino, melaços, mel de abelhas e frutas; em matérias amiláceas e feculentas, agrupando grãos amiláceos, raízes e tubérculos feculentos; e em matérias celulósicas, incluindo palhas, madeiras, resíduos agrícolas e resíduos sulfíticos de fabricas de papel.
Entre as matérias açucaradas, costuma-se distinguir as diretamente fermentescíveis e as não diretamente fermentescíveis. As primeiras são as que contêm monossacarídeos e se limitam aos sucos de frutas. Sua importância reside na produção de álcool em bebidas como o vinho e a sidra. As não diretamente fermentescíveis são as que contêm os dissacarídeos, que fermentam após uma hidrólise, à qual se da o nome de inversão, e que se realiza naturalmente por ação da invertase, enzima produzida pelo agente de fermentação. A sacarose é a representante mais importante dos componentes da cana-de-açúcar e dos melaços. O processo de alcoolização é fácil, não exige conhecimentos profundos e a matéria-prima que se usa nas indústrias nem sempre é pura.
As matérias amiláceas e feculentas fermentam após uma hidrólise, que se denomina de sacarificação, pela qual o amido infermentescível se transforma em açúcar fermentescível. A alcoolização processa-se através de técnicas industriais mais complexas. Pela necessidade de maiores conhecimentos, pelas dificuldades de conservação e de fermentação da matéria-prima original e pelo custo de fabricação, os álcoois de cereais produzem-se no Brasil em pequena escala, com maior importância para a indústria de bebidas.
A massa de matérias celulósicas disponível é vultosa, mas ainda não oferece, para o
País, condições econômicas para a produção de etanol. O processo de hidrólise, necessário para sacarificar a celulose é complexo, e o teor de açúcares fermentescíveis obtenível é inferior ao encontrado nas matérias-primas sacarinas.
Para o Brasil as matérias-primas, de importância econômica imediata para a produção de etanol industrial, são os melaços e a cana-de-açúcar; para a preparação de bebidas destiladas, a cana-de-açúcar e as matérias amiláceas, com destaque para o milho. A mandioca é matéria feculenta potencial.
1.3.1 Composição das matérias-primas
A composição de qualquer produto vegetal varia com grande número de fatores, uns controláveis pelo homem, outros não. Entre eles destacam-se: a variedade, a idade, as regiões e as condições climáticas e edáficas, de maturação, de sanidade, de colheita, de transporte, de armazenamento e de industrialização. Esses fatores também afetam a composição das matérias-primas derivadas da industrialização dos vegetais.
As composições que se seguem, referem-se principalmente ao material suscetível de transformação em etanol.
Denominam-se melaços os resíduos da fabricação de açúcar que não são mais utilizados para a separação da sacarose. Eles se originam nas usinas de açúcar, pela centrifugação das massas cozidas para a separação dos cristais de açúcar.
No Brasil, todos os meios que se enviam para a destilaria, qualquer que seja sua composição, denominam-se de mel final. Sua composição varia de acordo com o processo de produção do açúcar; entretanto, pode-se admitir que encerra, em números gerais, até 62% de açúcares, 20% de água, 8% de cinzas, 3% de matérias nitrogenadas e 7% de outros, como gomas e ácidos. Na fração de açúcares distinguem-se 32% de sacarose, 14% de dextrose e 16% de levulose. De maneira geral, não se incorre em erro afirmar que o melaço encerra 50% de açúcares fermentescíveis. Quanto mais açúcar se obtiver das massas cozidas, menos sacarose se encontra no mel final. Este se obtém em proporções variáveis, segundo o processo de fabricação, excesso de cana-de-açúcar e outros fatores.
O açúcar predominante é a sacarose. Os açúcares redutores compõem-se primordialmente de glicose e frutose. Esses açúcares se encontram em proporções quase iguais nas canas imperfeitamente maduras.
O caldo obtido pela moagem da cana-de-açúcar encerra entre 78 e 86% de água, 10 e 20% de sacarose, 0,1 e 2% de açúcares redutores, 0,3 e 0,5% de cinzas e entre 0,5 e 1,0% de compostos nitrogenados. O pH do caldo varia entre 5,2 e 6,8.
A cana-de-açúcar é uma cultura plurianual, com colheita anual. De maneira geral, ela é economicamente produtiva por três anos consecutivos. Admite-se que a média do rendimento agrícola atinge entre 85 e 100 toneladas anuais por hectare, em grandes culturas e em condições normais.
O milho limpo, ventilado, em condições de armazenamento, apresenta-se com 9 a 15% de água, 59 a 70% de extrativos-não-nitrogenados, 5 a 15% de material protéico, 1,5 a 8,5% de material celulósico e 1,3 a 4% de cinzas. A produção no Brasil é variável, de 1,1 a 3 toneladas de grãos por hectare, mas pelas campanhas de produtividade incentivadas, há registros de mais de 7 toneladas por hectare.
Dentre as variedades de sorgo, algumas apresentam um caldo açucarado em seu colmo, com teores de açúcares semelhantes ao da cana-de-açúcar. Não só possuem um alto teor de açúcares fermentescíveis, como produzem alta tonelagem de colmos por hectare, em um período agrícola inferior ao da cana-de-açúcar. Entretanto, o período de colheita é mais curto também, conduzindo a problemas de utilização industrial. A redução do estímulo oficial à produção de etanol também reduziu o interesse por mais estudos dessa matéria-prima.
As raízes frescas contém de 67 a 75% de água, de 18 a 23% de fécula e o restante distribuído entre material protéico, celulose, graxas e cinzas. Encontram-se variedades melhoradas, que acusam teores de amido superiores a 30%.
O volume de álcool produzido por tonelada de mandioca é superior ao produzido por uma tonelada de cana-de-açúcar, porém a produtividade agrícola da mandioca não compete com a da cana-de-açúcar. Outros fatores, como a maior dificuldade de preparação dos mostos, e a falta de resíduo combustível, desaconselharam seu uso.
1.3.1.6 Resíduos celulósicos
A disponibilidade de resíduos celulósicos, representada por palhas, folhas, resíduos de exploração madeireira e outros, despertaram o interesse para seu uso como matéria-prima para produção de álcool. Entretanto, fatores como dificuldade da preparação do mosto, presença de elementos tóxicos nos substratos hidrolisados de celulose capazes de dificultar a fermentação alcoólica, somados ao baixo rendimento em açúcares fermentescíveis (2 a 3%) e ao alto volume de resíduos da destilação, reduzem, no Brasil, as possibilidades de seu emprego para a produção de etanol.
1.3.1.7 Outras matérias-primas
A literatura é rica em informações sobre matérias-primas adequadas para a produção de etanol. Arroz, centeio, cevada, milheto, trigo, batata, batata doce e tupinambo podem produzir álcool, mas ainda não têm importância econômica para o Brasil. A cevada e o arroz são usados em cervejarias. A bata doce foi experimentada durante a vigência do Proálcool.
1.3.2 Conservação da matéria-prima
Na indústria, faz-se um aprovisionamento de matéria-prima para um período de operações mais ou menos longo, em depósitos próximos à destilaria. O melaço conserva-se em reservatórios fechados de chapas de ferro, com capacidade compatível com a produção da destilaria. O volume aproximado de armazenamento de melaço calcula-se pela fórmula:
Em que: volume de armazenamento em litros; quantidade de cana-de-açúcar moída por dia em toneladas; volume de melaço (litros) produzido por tonelada de cana, variável entre 30 e 40; fator de segurança, representado por 30 dias de produção, no mínimo.
Deve-se colher e moer a cana-de-açúcar o mais rápido possível, sendo ideal cortar e moer no mesmo dia. Admitem-se até três dias de conservação para canas colhidas sem queimar. As que são queimadas antes de colher, para eliminar a palha, têm período de conservação mais curto. Quanto mais dilatado for o tempo entre corte e moagem, maiores são os riscos de deterioração física, química, enzimática ou microbiana, que prejudicam a fermentação futura do caldo, rendimento e qualidade do produto. Recomenda-se a moagem da cana colhida crua e picada em no máximo 10 dias.
Pode-se conservar o milho por longo período, utilizando-o ao longo do ano. A produção agrícola restringe-se a um período, mas as indústrias trabalham por muitos meses, até todo o ano.
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