Bioq.Clinica-Rim e Funcao Renal

Bioq.Clinica-Rim e Funcao Renal

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Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

Rim e Função Renal

regulação dos líquidos e eletrólitos e a eliminação dos resíduos metabólicos são essenci- ais à homeostase corpórea. O sistema renal exerce papel fundamental na realização destas funções. O sistema urinário consiste de rins, ureteres, bexiga e uretra. Os rins são os componentes fisiologica- mente dinâmicos do sistema realizando muitas funções, incluindo a formação da urina. São cinco

§ Regular o equilíbrio eletrolítico no líquido intersticial controlando, simultaneamente, o movimento e a perda de água ao nível celular em colaboração com a pele e os pulmões.

O néfron é a unidade organizacional básica do rim e consiste num leito capilar especializado – o

de segmentos epiteliais especializados – os túbulos. Cada rim humano contém cerca de 1,2 milhão de néfrons.

O néfron é responsável por dois processos em série: ultrafiltração glomerular e a reabsorção/secreção tubular.

A ultrafiltração é a passagem seletiva de pequenas moléculas, água ou íons pela estrutura capilar denominada de glomérulo na porção do néfron conhecida como espaço de Bowman. A reabsorção é o movimento de substâncias para fora do lúmem tubular do néfron e para os capilares renais circundantes ou para o interstício. Isto significa que os rins conservam ou “reciclam”

A secreção é o movimento de partículas dos capilares renais ou interstício para o lúmem do néfron. As partículas secretadas entram no néfron tanto por filtração como secreção, ou ambos. Todos estes processos ocorrem simultaneamente e é move. O estudo da função renal visa avaliar:

§ Filtração glomerular. Esta função é que melhor se correlaciona com a capacidade dos rins em manter a composição dos líquidos corpóreos.

§ Fluxo sangüíneo renal. É a que mantém a h omeostase adequada, portanto, que exista fluxo sangüíneo suficiente.

§ Função tubular. É bastante complexa pelas diferentes ações realizadas pelos túbulos.

A urina é uma solução formada p elo rim, o principal órgão excretor do organismo que mantém constante o volume, a composição química, o pH e a pressão osmótica dos líquidos do corpo.

O suprimento de sangue da unidade funcional é realizado pelas arteríolas aferentes (ao redor de

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1.200 mL/minuto de sangue total passa pelos dois rins de um adulto normal) que dá origem a um grande número de capilares dentro do glomérulo. Estes capilares se unem para formar as arteríolas eferentes que compõe a rede capilar que abastece o tecido tubular adjacente. A formação de urina é um processo que en- volve ultrafiltração, secreção e reabsorção de comp onentes essenciais. Estes processos são controlados pela pressão osmótica e hidrostática, pelo suprimento de sangue renal e pela secreção de hormônios. Resumidamente, o mecanismo de formação de urina consiste:

1 Filtração do plasma sangüíneo pelo glomérulo, na velocidade de 130 mL por minuto, com a formação de ultra-filtrado com todos os cons -

2 No túbulo proximal:

§ Reabsorção passiva de algumas substâncias, tais como glicose, creatinina, aminoácidos, vitamina C, lactato, piruvato etc., pelas células tubulares.

células tubulares renais e/ou secreção de materiais derivados do líquido intersticial peritubular.

§ Reabsorção isotônica de 8% da água do filtrado, além de cloretos, sódio, potás sio, fósforo e outros eletrólitos. A reabsorção destas substâncias é obrigatória e independe

das necessidades do organismo.

3 Nos ramos descendente e ascendente da alça de Henle acontece uma reabsorção adicional de

4 O túbulo distal realiza o ajuste da concentração de eletrólitos de acordo com as necessidades orgânicas. O sódio pode ser removido sob a in- fluência do sistema aldosterona-angiotensina.

O hormônio antidiurético (HAD) controla a reabsorção da água para estabelecer o equilíbrio osmó tico.

5 No túbulo coletor se processa a transformação final do filtrado em urina hipertônica. O volume é 1,0 mL/min.

O volume da diurese normal, em adultos, varia entre 800 a 1.800 mL em 24 h. Estes valores estão sujeitos a variações, pois são influenciados pelo volume corporal, consumo de 1íquidos, sudoração e temperatura ambiente. Em crianças, a diurese é maior que no adulto em proporção ao volume corporal. O volume urinário de 24 horas em várias idades é dado na tabela 9.1..

Tabela.1.2. Volume urinário de 24 horas em relação a idade.

1 a 2 dias 30 a 60

3 a 10 dias 100 a 300 10 a 60 dias 250 a 450

60 a 360 dias 400 a 500

1 a 3 anos 500 a 600 3 a 5 anos 600 a 700

5 a 8 anos 650 a 1400 8 a 14 anos 800 a 1400

O volume de urina formado durante a noite é menor que o diurno (proporção de aproximada- mente 1:3). Em condições patológicas (exemplo: insuficiência renal) a eliminação noturna pode ria). Um volume urinário maior que 2.0 mL/d é denominado de poliúria enquanto uma excreção menor que 500 mL/d chama-se oligúria. As principais causas de poliúria são: grande ingestão de líquidos (polidipsia), insuficiência renal crônica, diabetes mellitus, diabetes insípido, aldosteronis mo primário e mobilização de líquido previa- mente acumulado em edemas. A oligúria é encon- trada na redução de ingestão de água, desidratação (diarréia, vômitos prolongados, sudoração exces- quemia renal, reações de transfusão, pielonefrite, disfunção glomerular, obstrução e agentes tóxicos.

Rim e função renal

Bibliografia consultada

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CARPENTER, Charles C. J., PLUM, Fred. Cecil Medicina interna básica. Rio de Janeiro : Guanabara-

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WALMSLEY, R. N., WHITE, G. H. Guide to diagnostic clinical chemistry. London : Blackwell, 1994. 672 p.

Bioquímica Clínica: Princípios e Interpretações

exame qualitativo de urina (EQU) é um conjunto de provas não-invasivas e baratas que fornecem informações sobre várias funções metabólicas do organismo. É útil no diagnóstico e tratamento de doença renal ou do trato urinário como, também, na detecção de doenças metabólicas ou sistêmicas não relacionadas com o rim. O teste consiste na verificação da cor e aspecto da amostra; determinação do pH e densidade; pesquisa de proteínas, glicose, corpos cetônicos, uro- bilinogênio, bilirrubina, sangue, nitrito e leucócito esterase, além de sedimentoscopia.

A primeira urina da manhã é recomendada para o

EQU pois é mais concentrada, o que garante a detecção de substâncias e elementos figurados que podem estar ausentes em amostras aleatórias mais diluídas. Antes da coleta, os genitais devem ser limpos com uma solução antisséptica suave ou

pelo emprego de água e sabão neutro. A mulher deve manter os grandes lábios afastados no momento da micção. Desprezar a primeira e última porção da micção e recolher o jato médio. A

dade de contaminação decorrente da lavagem in- correta de frascos reutilizáveis. O recipiente da amostra deve ser etiquetado com o nome do paci- ente, data e hora da coleta além de outras infor- mações pertinentes. A análise da urina deve ser realizada até uma hora após a coleta. Refrigerar no máximo por 4 horas a amostra quando não examinada imediatamente, mas deixar adquirir temperatura ambiente antes de proceder os testes. A urina deve ser isenta de contaminações vaginais ou fecais.

Nas últimas décadas foram desenvolvidos vários sistemas analíticos simplificados capazes de for- necer rapidamente uma série de parâmetros na urina. Os mais comuns são as tiras reagentes que possuem substâncias químicas fixadas a uma tira plástica, revelando a positividade dos testes por modificações de cor.

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