Gestão da qualidade em empresas prestadoras de serviços educacionais como diferencial competitivo

Gestão da qualidade em empresas prestadoras de serviços educacionais como...

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Claudinei Eli1

Eduarda Aparecida Batistella2 Profª MSc. Andreia Pasqualini3 Profº Vander Cláudio Sezerino4

Resumo

Além da busca pela qualidade, a globalização da economia força as empresas a buscarem a competitividade e, assim também, a eficiência nos processos, pois se estas não continuarem o seu esforço de melhoria e aprimoramento, correrão o risco de perder competitividade e ter seu espaço ocupado por concorrentes melhores e mais ágeis. A maneira mais adequada de se ter qualidade é através da adoção de técnicas gerenciais, onde todas as ações sejam previamente planejadas. Neste contexto se enquadram os sistemas de gestão da qualidade que têm como base a norma NBR ISO 9001:2008, que é uma norma específica para sistemas de gestão da qualidade que permite as empresas em primeiro lugar verificar a consistência de seus processos, medi-los e monitorá-los com o objetivo de aumentar a sua competitividade e com isso assegurar a satisfação de seus clientes.

Palavras-chave: Gestão; qualidade; ISO; serviços.

1 INTRODUÇÃO

A implantação de sistemas de gestão de qualidade não se originou apenas por modismo ou tampouco nasceu de projetos acadêmicos. O modo de vida dos consumidores e a eficiência das empresas em seus ramos de negócio agora dependem do desempenho, confiável e consistente, de produtos e serviços, sem haver tolerância para a perda de tempo e custos de falhas. A qualidade, portanto, torna-se estratégia básica para a atual competitividade.

1 Acadêmico do Curso de Engenharia de Produção, e-mail: claudinei.francisco@riosulense.com.br ;

2 Acadêmica do Curso de Engenharia de Produção, e-mail: lab.eduarda@unidavi.edu.br ;

3 Orientadora do projeto de pesquisa, professora da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do Itajaí (UNIDAVI), mestre em Engenharia de Produção – Qualidade e Produtividade, e-mail:

apasqualini@unidavi.edu.br;

4 Orientador do projeto de pesquisa, professor da Universidade para o Desenvolvimento do Alto Vale do

Itajaí (UNIDAVI), especialista em Engenharia de Produção – Modalidade Mercado de Trabalho, e-mail: vander@unidavi.edu.br ;

Há bastante tempo fala-se da necessidade das organizações trabalharem com qualidade. Em especial no Brasil, essa exigência tornou-se pré-requisito quando, em novembro de 1990, o governo federal lançou o PBQP – Programa Brasileiro de Qualidade e Produtividade, após a abertura de nosso mercado, até então paternalista, exigindo mudança dos paradigmas existentes em nossas organizações humanas, principalmente as do setor industrial. A partir daí diversas organizações em nosso país procuraram implementar em seus processos programas ou sistemas que acarretassem numa melhoria da qualidade de seus produtos e/ou serviços.

Nesta luta desenfreada pela manutenção de um lugar competitivo no mercado globalizado, as empresas se vêem obrigadas a se reinventar seus negócios, criando novas técnicas e métodos que auxiliam-nas na resolução diária de problemas através de fórmulas, implantam a cultura da mudança, e se comprometem com o aperfeiçoamento contínuo, no desejo de superar as expectativas de seus clientes.

Mais especificamente no setor de prestação de serviços, há um perceptível crescimento do número de empresas que têm buscado a melhoria da sua competitividade através da implantação de sistemas de gestão. O foco no cliente passou a ser um requisito fundamental e as organizações que atuam neste ramo passaram a ser parceiras de seus clientes na busca por soluções às necessidades destes, e não mais uma mera coadjuvante.

Com relação ainda à crescente competição mundial, composta por organizações e países cada vez mais competitivos, a necessidade de padronização de produtos para maior sucesso na comercialização entre os povos, fez com que o homem, ora por tentativa e erro, ora pela adoção de modelos científicos, aprimorasse produtos e serviços numa velocidade muito acentuada nos últimos 50 anos. Tal situação propiciou um elevado grau de desempenho as organizações que optaram pelo caminho da qualidade.

Analisando mais detalhadamente esta evolução, pode-se estabelecer um marco significativo na década de 80, mais precisamente em 1987 com o surgimento das normas ISO Série 9000. As diretrizes de qualidade estabelecidas por estas normas, foram seguidas por diversas empresas como forma de implementação de seus Sistemas da Qualidade. A equipe responsável pela criação destas normas denomina-se TC 176, Comitê Técnico da Qualidade da ISO – International Organization for Standardization (Organização Internacional para Normalização). Além de adotarem as diretrizes de qualidade de forma ampla, algumas organizações inclusive partiram posteriormente para certificação de sistemas da qualidade.

Em relação aos programas de gestão da qualidade, mais especificamente no setor de serviços, o número de implantações é bem menos expressivo que na área da indústria. No entanto, a simples existência e implantação de um sistema oficial de gestão da qualidade definido não é suficiente para garantir o sucesso de uma organização. O processo real, praticado, deve estar alinhado com o processo oficial documentado, que, por sua vez, deve ser adequado aos objetivos e características da organização. Caso contrário, o processo oficial não é espelhado pelo real, e torna-se apenas mais um entrave burocrático.

Essa melhoria do processo real deve ser realizada adotando-se um programa de melhoria da organização em processos e pessoas, que contemple as necessidades da organização. Para fazê-lo de forma sistemática, verificável, controlável e repetível, é preciso que esse programa também seja conduzido de acordo com um processo bem definido e documentado. Segundo Mello ET AL (2006, p. 43), “se essa evolução for reconhecida a tempo por um gerente bem informado e hábil, ele poderá entrar no circuito, no ponto onde existe a maturidade, e propor o redesenho do processo, devolvendo-lhe a eficácia”.

Para certificar-se dos resultados desse novo enfoque de gerenciamento para a qualidade, uma ferramenta fundamental e indispensável a ser utilizada é a gestão de indicadores, uma forma de avaliar até que ponto existe aderência do desempenho da organização às suas principais diretrizes estratégicas. O estabelecimento dos indicadores dará suporte às tomadas de decisão, além de mostrar os eventuais “desvios de rota” no planejamento efetuado.

Chiavenato e Neto (2003, p. 69) afirmam que “para a administração de operações, os indicadores de desempenho são os sinais vitais de uma organização”. Dessa forma, é inviável a existência de um bom gerenciamento sem a aplicação de indicadores que norteiem as decisões estratégicas da empresa.

2 SOBREVIVÊNCIA DAS EMPRESAS ATRAVÉS DA QUALIDADE

Hoje vivemos num mundo onde as mudanças são muito rápidas, as empresas precisam cada vez mais desenvolver sistemas administrativos suficientemente fortes e ágeis e criar condições internas de tal forma a garantir a sobrevivência das mesmas. Para isto devemos estar atentos aos fatores como: qualidade, produtividade, competitividade e sobrevivência.

A qualidade de um produto ou serviço é aquela que atende o cliente quanto à confiança, com valor acessível, de forma segura, no tempo e quantidade certa, diante das suas necessidades. A qualidade pode ser definida, então, como sendo uma vantagem competitiva da organização em relação a seus concorrentes. Chiavenato e Neto (2003, p. 102) afirmam que “a vantagem competitiva ocorre quando uma empresa supera as demais em determinado aspecto do seu comportamento ou em alguma das características de seus bens ou serviços em um mercado”. Dentro deste conceito, o termo “qualidade”, portanto, remete à diferenciação.

Na visão de Crosby (1992), qualidade é definida como “conformidade com os requisitos”. Para o autor, ou há conformidade (qualidade) ou há não-conformidade (nãoqualidade). Usando esta abordagem, Crosby desenvolveu, em 1961, o conceito de “defeito zero”, enfatizando que todas as pessoas da organização são capazes de desenvolver um trabalho de maneira correta, na primeira e em todas as vezes.

Já o termo produtividade significa produzir cada vez mais e melhor com cada vez menos. A produtividade é representada como o quociente entre o que a empresa produz (OUTPUT) e o que ela consome (INPUT).

Para aumentar a produtividade de uma organização humana, deve-se agregar o máximo valor (máxima satisfação das necessidades dos clientes) ao menor custo. Não basta aumentar a quantidade produzida, é necessário que o produto tenha valor, que atenda às necessidades dos clientes. Quanto maior a produtividade de uma empresa, mas útil ela será para a sociedade, pois atendendo as necessidades dos seus clientes a um baixo custo. O lucro decorrente é um prêmio que a sociedade paga pelo bom serviço prestado e um sinal de que deve crescer e continuar a servir bem. (CAMPOS, 1992, p.3)

A produtividade da empresa está diretamente ligada à satisfação das necessidades do cliente, de forma que tenha o menor custo. Nada adianta a empresa ter alta produtividade se o produto não atende mais as necessidades do cliente.

A competitividade, por sua vez, representa possuir tecnologia superior, custos menores, maior produtividade que os concorrentes e o que hoje em dia está garantindo a sobrevivência das empresas, ou seja, o rápido aprendizado. As vantagens de custo oscilam com os mercados, a tecnologia encontra-se em constante mudança e organização que aprende rapidamente poderá administrar melhor essas mudanças.

Garantir a sobrevivência de uma empresa é cultivar uma equipe de pessoas que saiba montar e operar um sistema, que seja capaz de projetar um produto que conquiste a preferência do consumidor a um custo inferior ao de seu concorrente. Foi exatamente para se conseguir a sobrevivência das empresas que elas começaram a implantar um sistema de Gestão da Qualidade. Para Moller (1993, p. 17), “O futuro de uma empresa ou organização depende dela conseguir satisfazer os requisitos de qualidade do mundo exterior. Ela precisa produzir e entregar bens e serviços que satisfaçam às exigências e expectativas de clientes e usuários”.

Para que isso aconteça, Chiavenatto e Neto afirmam que é necessário que “as pessoas tenham uma orientação definida sobre o que devem fazer, quando, quanto, onde, para que, para quem e para onde”. Essa orientação é fundamental para o gerenciamento efetivo e garantia de resultados confiáveis, tanto para o cliente quanto para a organização.

No entanto, a implementação de um novo modelo de gestão gera um impacto de cunho comportamental, num primeiro momento. No caso da implementação de um sistema de gestão da qualidade com base na norma ISO 9001, também acaba resultando em mudanças estruturais que, de certa forma, burocratizam os processos da organização. O impacto comportamental se dá devido à necessidade de se reconfigurar o trabalho, o que nem sempre é visto como algo interessante por todos os envolvidos.

Para diversos autores, prever as reações dos funcionários é sempre conveniente no planejamento das mudanças. Neste aspecto, a informação é essencial para que sejam minimizados os riscos para o novo sistema. Buckingham (apud CHAMPION, 1979, p. 254) afirma que “informar o pessoal a ser afetado das mudanças previstas e da possibilidade de deslocação ou recolocação serve como sistema de aviso prévio e como meio de encorajar uma transição mais suave para novos procedimentos”. A informação é, portanto, componente fundamental do processo de mudança e tem como objetivo a disseminação da nova cultura em todas as áreas da empresa. A qualidade em todas as áreas cria uma “cultura da qualidade”, a qual influencia toda a empresa (MOLLER, 1993).

A mudança da cultura passa então a ser o suporte para o programa de qualidade implementado. Segundo Küller (1996), o operador recupera, no trabalho, a sua condição de ser pensante, e é através dessa condição que ele avaliará os benefícios da mudança para a empresa e para si mesmo. Como resultado, deverá participar da mudança com sugestões e opiniões que acrescentem valor ao processo.

3 GESTÃO DA QUALIDADE

Para definirmos o que é a gestão da qualidade, faz-se necessário reforçar ainda mais o conceito da própria qualidade. A implantação de um processo de gestão da qualidade deve começar com o pleno entendimento e compreensão do que significa qualidade. Torna-se relevante saber o que é exatamente qualidade para que os esforços destinados a obtê-la sejam corretamente direcionados. Primeiramente faz-se necessário estabelecer a diferença entre qualidade e gestão da qualidade total, ressalvando que são conceitos distintos e que, embora nem sempre possam ser dissociados, não estão necessariamente relacionados.

A qualidade, por si só, diz respeito à adequação de determinado produto ou serviço, apresentando reconhecidos valor e utilidade para o indivíduo que dele faz uso. A gestão da qualidade total, como considerada neste trabalho, refere-se a um conjunto de atividades para dirigir e controlar uma organização no que diz respeito aos princípios de gestão da qualidade, de modo a satisfazer todas as pessoas envolvidas com a organização.

Mello ET AL considera que um “sistema de gestão refere-se a tudo o que a organização faz para gerenciar seus processos ou atividades”. Ocorre que este conceito envolve uma multiplicidade de elementos necessários para viabilizar, que sejam colocados em prática. Considerado o conceito de que qualidade é adequação ao uso (JURAN, 1991), surge um fato concreto: apesar de uma variedade muito ampla de conceitos com a qual é definida, entendida e praticada, a qualidade deve ser sempre definida de forma a orientar-se para seu alvo específico, o consumidor, pois é ele quem usa o produto ou o serviço. Assim, qualidade não é apenas beleza, ou somente leveza ou só uma bonita embalagem ou um produto com um custo compatível etc. De fato, adequação, envolve atender as necessidades específicas daquele usuário, se limitada a alguns itens, tal adequação fica prejudicada (PALADINI, 1997). Por sua abrangência, o conceito redireciona e redefine qualidade, bem como todos os esforços feitos para produzi-la. Todos os elementos que compõem a empresa contribuem de alguma forma, para adequação ao uso do produto ou serviço.

Esta definição determina enorme compromisso e requer muito de quem se dispõe a adotá-la, porque exige que tudo aquilo que, de uma forma ou de outra, possa contribuir para uma maior adequação do produto ou serviço ao uso que dele se fará, deve ser desenvolvido. Conforme Paladini (1997, p.16), “Qualidade é muito mais de que algumas estratégias ou técnicas estatísticas. É, antes, uma questão de decisão, que se reflete em políticas de funcionamento da organização”.

A definição de qualidade como a „adequação ao uso‟, fornece as bases do que se poderia chamar de gestão da qualidade total (JURAN, 1991). É um conceito que amarra as duas pontas da qualidade. De fato, ao mencionar o termo adequação ao uso, não foram fixados os elementos que determinam como este ajuste se processa. Fica entendido que qualidade é característica de um produto ou serviço que atende „totalmente‟ ao consumidor. O termo total refere-se aos elementos que garantem a plena utilização do produto, em conformidade ao que necessita o consumidor. Para Deming (1997), em muitos casos, vai-se até bem mais além, pretende-se superar as necessidades do consumidor, atendendo expectativas que nem se quer haviam sido formuladas.

Esses aspectos mostram que a noção de „Qualidade Total‟ está completamente direcionada para o consumidor; pela abrangência do conceito, envolve a todos na organização, direcionando seus esforços para atendê-lo; pelo nível em que se coloca a questão, é uma das grandes metas da empresa, fixada em termos de políticas globais. Daí o conceito de „gestão da qualidade‟. Para Mello ET AL (2006, p.16), “as grandes organizações ou aquelas com processos complexos poderiam não funcionar bem sem um sistema de gestão, apesar de ele poder ser chamado por algum outro nome”. Para que a organização garanta a qualidade naquilo que vende, é necessário que gerencie essa qualidade.

Uma característica fundamental da definição de qualidade como “adequação ao uso”, é o aspecto dinâmico da definição. De fato, a alteração do conceito da qualidade dentro do ambiente produtivo é decorrente das mudanças ditadas pelo dia-a-dia do mercado consumidor. A história mostra que, na verdade, quem prestou atenção a estas alterações, se manteve sempre com seus produtos ou serviços aceitos e sobreviveu. Quem se isolou e criou seus próprios conceitos acabou por afastar-se da realidade, e foi viver em outra dimensão ou deixou de viver. Isso foi observado em passado recente com alguns regimes políticos, com empresas, com grandes impérios e instituições.

Portanto essas mudanças exigem novos conhecimentos. Em outras palavras, o problema é a educação e o desenvolvimento de uma cultura que dê valor à aprendizagem (DEMING, 1997). Esse é um dos aspectos que fundamenta a relação entre qualidade e cultura organizacional, onde, através de um processo educacional, busca-se criar uma nova consciência nas organizações com base em novos valores. (MOLLER, 1997).

A gestão da qualidade deve ter, portanto, como resultado fundamental à satisfação dos requisitos do cliente. Para isso todos os setores, áreas pessoas ou, enfim, elementos que tiverem alguma participação direta ou indireta, em sua produção serão igualmente responsáveis pela qualidade. Nada e ninguém da organização será excluído deste esforço, pois se o objetivo da organização é a qualidade, todos deverão estar comprometidos com o objetivo em questão.

Portanto, a coordenação de todos os elementos da empresa, no esforço de adequar o produto de modo a satisfazer o cliente, é a definição de gestão da qualidade.

Segundo Paladini (2004, p.185) “[...] a gestão da qualidade envolve ações produtivas de três naturezas distintas: as atividades industriais, a geração de serviços e a estruturação de métodos”.

As atividades industriais são aquelas que produzem algum bem tangível. As de serviço envolvem a produção de bens intangíveis, a comercial também pode ser classificada como serviço, pois ela não fabrica produtos. Sua maior atividade é o “atendimento”, que é um serviço. As atividades de estruturação de métodos têm como produto o modo de fazer, a metodologia. Exemplos deste tipo de atividade são as empresas de softwares e empresas de franquias.

3.1 GESTÃO DA QUALIDADE NA ÁREA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS

Nas empresas prestadoras de serviços não há como diferenciar claramente o processo produtivo. Dessa forma, a gestão da qualidade está direcionada para a interação com o usuário. A qualidade de serviços deixa de ser um diferencial competitivo e passa a ser uma das formas de sobrevivência das organizações. Diante disso, Campos (1999) mostra que a qualidade dos serviços é medida pela satisfação do consumidor, nos seus aspectos de qualidade intrínseca, custo e atendimento.

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