Trabalho 25

Trabalho 25

(Parte 1 de 2)

Claudia Valéria T. Cabral1

Lauro de Vilhena B. Machado Neto2

Delly Oliveira Filho3 Antônia Sônia Alves C. Diniz4

1 Doutoranda do Dep. de Eng. Agrícola, Universidade Federal de Viçosa – UFV,

Viçosa, MG, (e-mail: tclavale@vicosa.ufv.br) 2 Professor da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas,

Belo Horizonte, MG 3 Professor do Dep. de Eng. Agrícola, Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG 4 Engenheira da Companhia Energética de Minas Gerais – CEMIG, Belo Horizonte, MG

Resumo - Um gerador fotovoltaico apresenta-se sujeito a diversas variações de intensidade solar, temperatura ambiente ou carga, que alteram o seu ponto ótimo de operação. Desta forma, devese analisar o seu comportamento mediante tais variações, para otimizar seu funcionamento. Este trabalho visa modelar um gerador fotovoltaico mediante características fornecidas pelo fabricante e simulá-lo, utilizando-se para isso, programas de digitalização de curvas e simulação (Simulink do Matlab), analisando seu comportamento em relação à variação de intensidade solar e temperatura, comparando as curvas obtidas com as fornecidas pelo fabricante. Os resultados obtidos foram satisfatórios, sendo válido o modelo utilizado para simulação de geradores fotovoltaicos.

Abstract - A photovoltaic generator is subject to diverse variations in solar intensity, surrounding temperature or load, which alter the optimal operation point. Thus, one must analyze its behavior regarding such variations in order to optimize its functioning. This paper aims at modeling a photovoltaic generator regarding the features provided by the manufacturer and simulate it, using, for that purpose, simulation and curve digitalization programs (Simulink of Matlab), analyzing its behavior with regard to the temperature and solar intensity variation, comparing the obtained curves to those provided by the manufacturer. The obtained results were satisfactory, the model used being valid for photovoltaic generators simulation.

1. Introdução

Atualmente, em virtude da preocupação com o meio ambiente, e também, com o esgotamento das fontes fósseis, tem-se dado mais atenção ao avanço e estudo tecnológico de fontes renováveis de energia.

O protocolo de Kyoto, cujo objetivo é fazer com que os países, que participam de tal acordo, reduzam as emissões de gases que causam o efeito estufa, é uma forma de se sugerir a utilização de fontes não poluidoras do meio ambiente, tais como, eólica, geotérmica, solar, dentre outras.

A energia solar, além de outras formas de conversão energética natural, pode ser convertida em energia elétrica. Esta conversão se dá por meio de células fotovoltaicas, constituídas por semicondutores. Uma célula fornece pouca energia (cerca de 0,6 V e uma densidade de corrente de curto-circuito da ordem de 150 mA/cm2, quando exposta a uma radiação solar de 1 kW/m2 (KRENZINGER et. al., 2002)), sendo que para se conseguir a tensão e corrente suficientes para alimentar o sistema, é necessário o agrupamento em módulos, que são células conectadas em arranjos. Existem diversos tipos de células fotovoltaicas, tais como: silício monocristalino, silício policristalino e filmes finos, sendo as mais eficientes as células de silício monocristalino.

Deve-se levar em consideração, também, na análise do gerador fotovoltaico, a geometria das células, pois estas devem ocupar o máximo de espaço possível do módulo. As células quadradas ocupam melhor área, enquanto que as redondas, têm a vantagem de não sofrerem perda de material devido à forma cilíndrica de crescimento do silício monocristalino.

De acordo com as mudanças de condições de carga, diversos valores de corrente e tensão podem ser medidos e arranjados graficamente. Esta curva gerada é chamada de curva característica I-V e está associada às condições de intensidade solar, temperatura, dentre outras, em que foi obtida. As condições padrões de teste para o gerador fotovoltaico são: radiação solar de 1000 W/m2, temperatura de célula de 25ºC e massa de ar 1,5.

O desempenho dos módulos fotovoltaicos é influenciado, principalmente, pela intensidade luminosa e temperatura das células. Com o aumento da temperatura ou diminuição da intensidade luminosa, observa-se uma redução da eficiência da célula.

Neste trabalho, foi desenvolvido um modelo para geradores fotovoltaicos do tipo mono e policristalinos, a fim de se simular seu funcionamento mediante várias intensidades de radiação solar e temperatura, para melhor entendimento do comportamento de um sistema fotovoltaico e posterior utilização em seu dimensionamento.

2. Modelo Matemático para o Gerador Fotovoltaico

É por meio da célula fotovoltaica, formada de material semicondutor, que há a conversão da energia solar em energia elétrica. Os semicondutores que geram maior produto corrente-tensão para a luz visível são os mais sensíveis, sendo os utilizados para isso os de silício, selênio, dentre outros. O silício é o mais utilizado devido à sua maior abundância na crosta terrestre. Os fabricantes de módulos fotovoltaicos apresentam uma família de curvas às condições padrão de teste e em diferentes intensidades solares e temperaturas. O valor máximo de potência para uma determinada intensidade solar encontra-se no “joelho” desta curva.

A. Equação que Descreve o Comportamento de Geradores Fotovoltaicos

O modelo matemático utilizado para descrever uma célula solar, foi baseado no seu circuito equivalente (modelo de um diodo), mostrado na Figura 1.

Figura 1. Circuito equivalente de uma célula fotovoltaica real (modelo de um diodo) (HECKTHEUER, 2001).

A Figura 1 mostra o circuito equivalente de uma célula fotovoltaica, sendo IL a corrente fotogerada,

RS e Rsh suas resistências série e paralela, V e I a tensão e corrente de saída da célula, respectivamente.

A partir do modelo da Figura 1, pôde-se chegar à equação que descreve o desempenho de geradores fotovoltaicos, relacionando tensão, corrente, intensidade solar e temperatura (SALAMEH et. al, 1995):

em que

)/IIln(1

1/V C

SCmp

mp 1 VC

V exp

refref IS S∆TS

V - tensão de saída do circuito (V);

Voc- tensão de circuito aberto (V); Vmp- tensão de máxima potência (V);

Vref- tensão nas condições de referência (V); I - corrente de saída do circuito (A);

ISC- corrente de curto-circuito (A); Imp- corrente de máxima potência (A);

Iref- corrente nas condições de referência (A); α - coeficiente de temperatura para a corrente de curto-circuito na radiação solar de referência (A/ºC); β - coeficiente de temperatura para a tensão de circuito aberto na radiação solar de referência (V/ºC);

RS- resistência série (Ω); S - radiação solar total no plano do gerador fotovoltaico (W/m2);

Sref- radiação solar de referência (1000 W/m2); T - temperatura da célula solar (ºC);

Tref- temperatura de referência da célula solar (25ºC).

Para a determinação da resistência série, utilizou-se a relação entre a potência, tensão e corrente, conforme mostrado em (9).

outoutoutIVP= (9) em que

Pout- potência de saída do gerador fotovoltaico (W); Vout- tensão de saída do gerador fotovoltaico (V); Iout- corrente de saída do gerador fotovoltaico (A).

Substituiu-se I, em (9), por (1), isolando-se, em seguida, o valor de RS. Tendo-se este valor, substituiu-se o mesmo em (1), podendo-se simular a curva característica I-V (corrente versus tensão) para o gerador fotovoltaico. Os valores de Voc, ISC, Vmp, Imp, α, β são fornecidos pelo fabricante, sendo utilizados na simulação.

Um arquivo contendo todos os dados fornecidos por diversos fabricantes, para diferentes geradores fotovoltaicos, foi criado, podendo-se simulá-los, a qualquer intensidade solar e temperatura.

Para determinação da veracidade das curvas características I-V simuladas, digitalizaram-se curvas fornecidas por fabricantes, utilizando-se, para isso, o programa Sacrid, desenvolvido na UFV (Universidade Federal de Viçosa) (SANTOS & RAMOS, 1997), podendo-se obter, desta forma, os pontos destas a diversas intensidades solar e temperaturas. Depois, no programa Matlab versão 6.5, plotaram-se estas curvas comparando-as com as simuladas para análise de possíveis erros. A seguir, para exemplificar, são apresentadas as curvas que foram digitalizadas para o módulo fotovoltaico modelo ASE-100-ATF/17 (100).

Figura 2. Curvas características I-V (corrente versus tensão) para o módulo fotovoltaico modelo ASE-100-ATF/17 (100) (ASE, 2004).

A Figura 2 mostra as curvas características I-V (corrente versus tensão) para o módulo fotovoltaico modelo ASE-100-ATF/17 (100) para uma insolação de 1000 W/m2, a 25ºC (condições padrão de teste) e a 50ºC, e para uma insolação de 500 W/m2, a 25ºC. Com o gráfico da Figura 2, torna-se claro que, o aumento do nível de insolação aumenta a temperatura da célula, e conseqüentemente, tende a reduzir a eficiência do módulo (CRESESB, 1999). Isto ocorre devido à diminuição significativa da tensão com o aumento de temperatura, enquanto que a corrente sofre uma pequena elevação.

A Figura 3 mostra um fluxograma para o programa, com a seqüência de passos, feito para simulação das curvas características I-V para geradores fotovoltaicos cristalinos.

O primeiro e segundo passos descritos no fluxograma da Figura 3 (desenvolvimento da equação para cálculo de RS e substituição de RS em (1)) foram feitos de forma literal, inicialmente, para depois, os valores dos parâmetros dos geradores fotovoltaicos, armazenados em banco de dados, serem substituídos nas equações. Os modelos de geradores foram numerados, de forma a facilitar sua escolha para simulação. Após a escolha do módulo fotovoltaico a ser analisado, deve-se fornecer a temperatura da célula fotovoltaica e a radiação solar para as quais se deseja testar o comportamento do gerador fotovoltaico. Após isto, automaticamente, o programa irá plotar as curvas I-V para a temperatura e radiação desejadas, além de serem plotadas curvas a 25ºC para a radiação solar solicitada e a 1000 W/m2. Em seguida, são fornecidos os valores de RS

(resistência série), Rsh (resistência paralela) e n (fator de idealidade do diodo) para uma temperatura de 25ºC, a 1000 W/m2. O programa também exibe o valor do erro máximo entre os dados simulados e os das curvas de fabricantes digitalizadas.

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