Cultura do abacateiro

Cultura do abacateiro

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8.2 - A operação de colheita

Deve ser realizada com muito cuidado, evitando-se batidas ou rachaduras. Frutos com ferimentos além de amadurecer mais rapidamente, podem permitir a entrada de fungos, causando podridão.

Utilizam-se escadas e tesouras apropriadas, conhecidas como “apanhadores de saco”, que consistem de longas varas de bambu, providas de uma sacola de tecido resistente presa a um aro de ferro que tem no extremo oposto uma lâmina de metal cortante. Um colhedor prático é capaz de colher em torno de 900Kg de abacate por dia, o que equivale a 30 caixas (caixa M).

Os frutos jamais devem ser colhidos sem pedúnculo. Os pedúnculos podem ser aparados com uma tesoura, de forma a facilitar o acondicionamento na embalagem . Isso evita que o pedúnculo de um fruto possa causar dano a outro, também. A retenção ou remoção completa do pedúnculo e do pedicelo aumenta muito a taxa respiratória, e por conseguinte a perda de peso, e também o processo de amadurecimento (Beinroth, 1995).

 

 

9  Pós-colheita

Segundo Beinroth (1995), após colhidas, as frutas são levadas a um barracão onde recebem um tratamento fitossanitário; são selecionadas, classificadas e submetidas a um tratamento de proteção e posteriormente são acondicionadas.

 

9.1 Tratamento fitossanitário: é necessário no caso de frutas destinadas á exportação, cujo consumo será feito somente após 15 dias depois do tratamento. Não se recomenda esse tratamento fitossanitário pós-colheita para frutas destinadas a o mercado interno, pois os prazos de carência não são respeitados. O tratamento visa ao controle de fungos responsáveis por podridão e que atacam o abacate no período pós-colheita. Os principais são: a Diplodia natalensis P. Evans, que causa a podridão peduncular, e o Colletrotrichum gloeosporioides Penz que causa a podridão da casca. O tratamento consiste na imersão das frutas em solução fungicida de thiabendazole 5g/L ou benomyl 1g/L por um período de dois minutos. Em seguida as frutas são retiradas do tanque e secadas.

 

9.2 Seleção e classificação

A seleção deve ser feita mediante a eliminação de frutos com defeitos de descoloração da casca, frutas sem pedúnculo, frutas com manchas na casca, causadas por danos mecânicos, frutas com polpa mole devido a queda no momento da colheita, e frutas mal formadas, frutas com manhas resultantes da infestação de determinados fungos.

Após a seleção as frutas devem ser classificadas, osbervando-se os seguintes fatores: cultivar, conforme a espécie cultivada: grupo, de acordo com a sua forma, podendo ser esférico, oblongo ou piriforme; classe, de acordo como tamanho, grande, médio, ou pequeno; e tipo, conforme a sua qualidade, que geralmente é estabelecida pelo importador e está relacionada ao tamanho, forma, coloração da casca e seu aspecto, tamanho do caroço, rendimento em polpa e teor de lipídeos (Beinroth, 1995).

 

9.3 Tratamento de proteção das frutas

A proteção é feita por meio de impermeabilizantes como cera ou revestimento plástico com a finalidade de reduzir a respiração e conseqüentemente, a liberação de etileno, evitando que o seu amadurecimento se acelere. A temperatura ambiente o abacate requer no máximo 10 dias a partir da colheita para atingir o seu amadurecimento. Quando as frutas são enceradas, o seu tempo de prateleira pode ser ampliado de 10 para 17 dias, dependendo da concentração de cera na emulsão aplicada (Beinroth, 1995).

 

9.4  Tratamentos complementares

São tratamentos exigidos por países importadores para que a importação seja autorizada pelo departamento fitossanitário desses países. Os principais são a fumigação e a inundação. O objetivo é destruir insetos, larvas e ovos de mosca-das-frutas (Ceratites capitata) que possam estar presentes (Beinroth, 1995).

 

9.5  Amadurecimento controlado

E utilizado quando se deseja amadurecer uma grande quantidade de abacates ao mesmo tempo. As frutas são colocadas em câmaras próprias, semelhantes às utilizadas para o amadurecimento da banana. Nelas se faz o controle dos seguintes elementos: temperatura (21 º C, o que possibilita uniformidade, e aroma e sabor agradáveis); umidade relativa (90%, pois teores baixos de umidade relativa causam perda de textura; gás ativador de amadurecimento (para que se tenha o amadurecimento em escala contínua é utilizado 100mg/L de etileno na câmara atmosférica); ar atmosférico (deve ser renovado após 12horas da aplicação do gás, mediante exaustão por 30 a 60 minutos, a fim de que o excesso de CO2 liberado pelas frutas seja removido). Após a renovação do ar, faz-se nova aplicação de gás, mantendo-se o equipamento fechado por 24horas, quando os frutos já estarão maduros (Beinroth, 1995).

 

10  Custo de Produção

Considerando os insumos, calcário, adubo, e defensivos e os tratos culturais, aplicação de defensivos, aplicação de fertilizantes, controle de formigas e colheita como os principais itens de despeza para manutenção de um pomar adulto (de 5 a 10 anos) no espaçamento 5 x 10m , produzindo 15T/há/ano, Donadio (1995) estimou o custo de produção em U$532,00/há/ano, o que equivale a U$0,035/Kg de abacate produzido.

Para um pomar em formação com mesmo espaçamento referido acima, considerando-se os insumos, mudas adubos, calcário e defensivos, e os tratos culturais, aplicação de defensivos, marcação, coveamento, e cultivo mecânico e cultivo manual, Donadio (1995) estima um custo de U$443,00/há no 1o. ano; U$221,20 no 2o. ano; U$351,00 no 3o. ano, e U$402,80 no 4o. ano.

 

Referência bibliográfica

 

 

BEINHOT, E. W. Colheita e Tratamentos. In: GAYET, J. P. et al. Abacate para exportação: procedimentos de colheita e pós-colheita. Publicações técnicas FRUPEX, n º 15. Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Programa de Apoio à Produção e Exportação de Frutas, Hortaliças, Flores e Plantas Ornamentais. Brasília. EMBRAPA – SPI, 1995. 37p.

 

DONADIO, L. C. Abacate para exportação: aspectos técnicos da produção. 2a. ed. rev aum. Publicações técnicas FRUPEX, n º 2. Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, Secretaria de Desenvolvimento Rural, Programa de Apoio à Produção e Exportação de Frutas, Hortaliças, Flores e Plantas Ornamentais. Brasília. EMBRAPA – SPI, 1995. 53p.

 

Ferro, M. C. Abacate x Colesterol. In: Saúde e Treinamento. [On line]. 1992. Disponível ‹www.runnerbrasil.com.br/saude›.[acessado em junho de 2003].

 

KOLLER, O.C. ABACATICULTURA. Porto Alegre. Ed. Da Universidade/UFGRS, 1984. 138p.

 

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