Dia 12

Desenvolvendo a amizade com deus

Ele oferece a sua amizade ao justo.

Provérbios 3.32; nlt

Aproximem-se de Deus, e ele se aproximam de vocês!

Tiago 4.8; nlt

Você está tão perto de Deus quanto escolher estar.

A exemplo de qualquer amizade, você deve se esforçar para desen­volver sua amizade com Deus. Isso não acontecerá por acidente. É necessário querer, ter tempo e energia. Se você deseja um vínculo mais profundo e íntimo com Deus, deve aprender a partilhar de forma honesta com ele os seus sentimentos, ter confiança quando ele lhe pedir para fazer algo, aprender a se importar com aquilo com que ele se importa e desejar sua amizade mais do que qualquer outra coisa.

Devo optar por ser sincero com Deus. O primeiro elemento fun­damental de uma amizade mais profunda com Deus é ser absoluta­mente sincero — a respeito de suas falhas e sentimentos. Deus não espera que você seja perfeito, mas insiste em que você seja absoluta­mente sincero. Nenhum dos amigos de Deus que aparecem na Bíblia era perfeito. Se a perfeição fosse um requisito para a amizade com Deus, jamais poderíamos ser seus amigos. Felizmente, em virtude da graça de Deus, Jesus ainda é amigo de [...] pecadores.1

Na Bíblia, os amigos de Deus foram sinceros sobre seus sentimen­tos; freqüentemente reclamando, criticando, acusando e discutindo com seu Criador. Deus, entretanto, não parecia se aborrecer com sua franqueza; na verdade, ele a incentivava.

Deus permitiu que Abraão o questionasse e desafiasse a respeito da destruição de Sodoma. Abraão importunou a Deus sobre o que seria necessário para poupar a cidade, negociando desde cinqüenta até somente dez pessoas justas.

Deus também escutou pacientemente a Davi, as muitas acusa­ções de injustiça, traição e abandono. Deus não destruiu Jeremias quando ele reclamou que Deus o havia enganado. Jó pôde expressar sua amargura durante a provação, e no final Deus defendeu Jó por ser sincero e repreendeu os amigos de Jó por serem falsos. Deus lhes disse: Vocês não foram sinceros comi­go ou a meu respeito; não da forma em que foi meu amigo Jó [...] Meu ami­go Jó agora orará por vocês e eu acei­tarei sua oração.2

Em um estupendo exemplo de ami­zade sincera,3 Deus expressou com sin­ceridade sua absoluta repugnância pela desobediência de Israel. Ele disse a Moisés que manteria a promessa de dar aos israelitas a Terra Prometida, mas não daria mais nem um passo com eles no deserto! Deus estava saturado, e disse a Moisés exatamente como se sentia.

Moisés, falando como um “amigo” de Deus, respondeu de forma igualmente sincera: Tu me ordenaste: “Conduza este povo”, mas não me permites saber quem enviarás comigo. [...] Se me vês com agrado, revela-me os teus propósitos [...] Lembra- te de que esta nação é o teu povo [...] Se não fores conosco, não nos envies. Como se saberá que eu e o teu povo podemos contar com o teu favor, se não nos acompanhares? [...] O Senhor disse a Moisés: “Farei o que me pede, porque tenho me agradado de você e o conheço pelo nome”.4

Deus pode lidar com esse tipo de franqueza a toda prova da parte de você? Sem dúvida! A verdadeira amizade é edificada sobre a transparência. O que poderia parecer audácia, Deus vê como au­tenticidade. Deus escuta as palavras exaltadas de seus amigos; ele se aborrece com as frases feitas, religiosas e previsíveis. Para ser amigo de Deus, você deve ser sincero com ele e dividir seus verdadei­ros sentimentos, e não o que você pensa que deveria sentir ou dizer.

É provável que você precise confessar alguma raiva ou ressenti­mento escondido em relação a Deus em certas áreas de sua vida, nas quais você se sentiu enganado ou decepcionado. Até que tenhamos amadurecido o suficiente para compreender que Deus usa todas as coisas para o nosso bem, abrigamos ressentimentos em relação a Deus por causa de nossa aparência, formação, orações não-respondidas, mágoas do passado e outras coisas que mudaríamos se fôs­semos Deus. As pessoas freqüentemente culpam a Deus por mágoas provocadas por outras pessoas. Isso cria o que William Backus cha­ma de “seus problemas ocultos com Deus”.

A amargura é a maior de todas as barreiras para a amizade com Deus: “Por que eu iria querer ser amigo de Deus, se ele permitiu isto?”. O antídoto, é claro, é atinar que Deus sempre age no seu melhor interesse; mesmo quando é doloroso e você não compreende. Mas liberar-se de seus ressentimentos e re­velar seus sentimentos é o primeiro passo para a cura. Do mesmo modo que tantas pessoas na Bíblia, diga a Deus exatamente como você se sente.5 Para nos instruir na honestidade sincera, Deus nos deu o livro de Sal­mos — um manual de adoração, cheio de discursos descontrolados, delírios, dúvidas, medos, ressentimen­tos e sofrimentos intensos combinados com ação de graças, louvores e declarações de fé. Todas as emoções possíveis estão catalogadas no livro de Salmos. Quando você lê as confissões emocionadas de Davi e de outros, percebe que é assim que Deus quer que você o adore — sem reter absolutamente nada do que sente. Você pode orar como Davi: Derramo diante dele as minhas queixas e conto-lhe to­dos os meus aborrecimentos. Estou totalmente abatido.6

É animador saber que todos os amigos íntimos de Deus — Moisés, Davi, Abraão, Jó e outros — tiveram acessos de dúvidas. Mas, em vez de mascarar seus receios com frases feitas, eles os expressaram sin­cera, aberta e publicamente. Exprimir as dúvidas às vezes é o primei­ro passo em direção ao próximo nível de intimidade com Deus.

Devo optar por obedecer a Deus na fé. Todas as vezes que você confia na sabedoria de Deus e faz tudo o que ele diz, mesmo sem compreender, você aprofunda sua amizade com ele. Normalmente, não consideramos a obediência como característica da amizade; ela é reservada para o relacionamento com pai, chefe ou oficial superi­or; não um amigo. Entretanto, Jesus deixou claro que a obediência é uma condição para obter intimidade com Deus. Ele disse: Vocês se­rão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno.7

No último capítulo, assinalei que a palavra usada por Jesus quando nos chamou de “amigos” poderia se referir a “amigos do rei” em uma corte. Embora esses companheiros íntimos tivessem privilégios espe­ciais, eles ainda estavam sujeitos ao rei e tinham de obedecer as suas ordens. Somos amigos de Deus, mas não somos seus iguais. Ele é o nosso amado líder, e nós o seguimos.

Obedecemos a Deus, não por obrigação, medo ou imposição, mas porque o amamos e confiamos que ele sabe o que é melhor para nós. Queremos seguir a Cristo em virtude da gratidão que sentimos por tudo que ele nos fez, e quanto mais de perto nós o seguimos, mais intensa a nossa amizade se torna.

Os incrédulos normalmente pensam que os cristãos obedecem por obrigação, culpa ou medo de ser punidos, mas o oposto é que é verdadeiro. Por termos sido perdoados e libertos, obedecemos por amor — e nossa obediência nos traz grande alegria! Jesus disse: Como o Pai me amou, assim eu os amei; permaneçam no meu amor. Se vocês obedecerem aos meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como tenho obedecido aos mandamentos de meu Pai e em seu amor permaneço. Tenho lhes dito estas palavras para que a minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa.8

Repare: Jesus espera que façamos somente o que ele fez com o Pai. Seu relacionamento com o Pai é o modelo para nosso relaciona­mento com ele. Jesus fez tudo que o Pai pediu que ele fizesse gra­ças ao amor.

A verdadeira amizade não é indolente; ela age. Quando Jesus nos pede que amemos os outros, ajudemos os necessitados, dividamos nossos recursos, conservemos nossa vida limpa, perdoemos e leve­mos outros a ele, o amor nos estimula a obedecer imediatamente.

Somos freqüentemente desafiados a fazer “grandes coisas” para Deus. Na realidade, Deus fica mais satisfeito quando fazemos pe­quenas coisas para ele por amor. Elas podem passar despercebidas de outras pessoas, mas Deus as observa e as considera atos de adoração.

Grandes oportunidades podem acontecer uma única vez durante toda a vida, mas pequenas oportunidades nos cercam todos os dias. Mesmo por um simples ato, como dizer a ver­dade, ser gentil e animar os outros, trazemos um sorriso à face de Deus. Deus guarda sim­ples atos de obediência com se fosse um tesou­ro, mais do que orações, louvores ou ofertas. A Bíblia diz: O que agrada mais ao Senhor: holocaustos e sacrifícios ou obediência à sua voz? É melhor obedecer do que sacrificar.9

Jesus iniciou seu ministério público com a idade de trinta anos, ao ser batizado por João. Naquele momento, Deus falou do céu: Este é o meu Filho amado, e estou plenamente satisfeito com ele.10

O que Jesus vinha fazendo durante trinta anos, que agradava tanto a Deus? A Bíblia não diz nada sobre esses anos desconhecidos, com exceção de uma única frase em Lucas 2.51: Então foi com eles para Nazaré, e era-Ihes obediente. Trinta anos agradando a Deus foram resumidos em três palavras: era-Ihes obediente!

Devo optar por valorizar o que Deus valoriza. É isso que os ami­gos fazem — importam-se com o que é importante para a outra pes­soa. Quanto mais você se torna amigo de Deus, mais se importa com as coisas com as quais ele se importa, sofre com as coisas por que ele sofre e se alegra com as coisas que lhe dão prazer.

Paulo é o melhor exemplo disso. As prioridades de Deus eram as suas prioridades, e os desejos de Deus eram seus: O que me deixa tão transtornado é preocupar-me tanto com vocês — esse é o zelo de Deus que queima dentro de mim!11 Davi se sentia da mesma forma: O zelo pela tua casa me consome, e os insultos daqueles que te insultam caem sobre mim.12

O que importa mais para Deus? A redenção de seu povo. Ele quer que todos os seus filhos perdidos sejam achados! Esse é o único motivo pelo qual Jesus veio à terra. A coisa mais preciosa ao coração de Deus é a morte de seu Filho. A segunda coisa mais preciosa é quando seus filhos comunicam essas novas a outras pessoas. Para ser amigo de Deus, você deve se interessar por todas as pessoas ao seu redor, com as quais Deus se importa. Amigos de Deus contam aos seus amigos a respeito de Deus.

Mais do que qualquer outra coisa, devo desejar ser amigo de Deus. Os salmos estão cheios de exemplos desse desejo. Davi, acima de tudo, desejou apaixonadamente conhecer a Deus; ele usou pala­vras como “anelo”, “anseio”, “sede”, “fome”. Ele almejava a Deus. Ele disse: Há uma coisa que realmente desejo do Senhor; o privilégio de viver durante toda a minha vida na sua presença, para descobrir a cada dia um pouco mais da sua perfeição e amor.13Em outro salmo, ele disse: O teu amor é melhor do que a vida.14

O desejo de Jacó pelas bênçãos de Deus na sua vida era tão inten­so que ele lutou durante toda a noite com Deus, dizendo: Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes.15A parte mais maravilhosa dessa história é que Deus, que é todo-poderoso, deixou Jacó vencer! Deus não fica ofendido quando “lutamos” com ele, porque lutar exige contato pessoal e nos traz para perto dele! Lutar também é uma atitu­de apaixonada, e Deus gosta quando estamos apaixonados por ele.

Paulo foi outro homem apaixonado por sua amizade com Deus. Nada era mais importante; era a sua primeira prioridade, objeto de sua total concentração e o mais importante objetivo de sua vida. Esse é o motivo pelo qual Deus usou Paulo de forma tão grandiosa. A versão bíblica The Amplified Bible [A Bíblia Ampliada] exprime a força total da paixão de Paulo: Meu firme propósito é que eu possa conhecê-lo — e que eu possa conhecê-lo cada vez mais profunda e intimamente, percebendo, reconhecendo e compreendendo as mara­vilhas de sua pessoa com mais clareza e intensidade.16

A verdade é: você está tão perto de Deus quanto escolhe estar. Amizade íntima com Deus é uma escolha, não um fato fortuito; você deve buscá-la intencionalmente. Você realmente a quer — mais do que qualquer coisa? Qual a importância disso para você? Vale a pena desistir de outras coisas por causa dela? Ela vale o esforço de desenvolver os hábitos e habilidades necessários?

Você pode ter sido apaixonado por Deus no passado, mas perdeu aquele desejo. Esse foi o problema dos cristãos de Laodicéia -— havi­am perdido o primeiro amor. Faziam todas as coisas corretamente, mas por obrigação, e não por amor. Se você estiver passando por abalos espirituais, não se surpreenda quando Deus permitir sofri­mento na sua vida.

O sofrimento é o combustível da paixão — ele nos dá energia com tal intensidade que transforma o que normalmente não possuímos. C. S. Lewis disse: “O sofrimento é o megafone de Deus”. É a forma de Deus nos sacudir da letargia espiri­tual. Os nossos problemas não são uma puni­ção; são chamadas de despertamento de um Deus amoroso. Deus não está louco com você, ele está louco por você, e fará o que for necessá­rio para trazê-lo de volta à comunhão com ele. Mas há uma forma mais fácil de reacender a pai­xão por Deus. Comece a pedir que ele lhe dê essa paixão e continue pedindo até que você a tenha. Faça esta oração ao longo do seu dia: “Querido Jesus, mais do qualquer outra coisa, quero conhecê-lo intimamente”. Deus disse aos cativos na Babilônia:

Se vocês seriamente me buscarem e me quiserem mais que a todas as coisas, garanto que não ficarão desapontados.17

Seu relacionamento mais importante

Não há nada — absolutamente nada — mais importante do que desenvolver uma amizade com Deus. Esse é o relacionamento que durará para sempre. Paulo disse a Timóteo: Algumas destas pesso­as perderam a coisa mais importante da vida — elas não conhecem a Deus.18Você perdeu a coisa mais importante da vida? Você pode fazer algo a respeito disso a partir de agora. Lembre-se: a escolha é sua. Você está tão perto de Deus quanto escolheu estar.

Décimo Segundo Dia

Pensando sobre meu propósito

Um tema para reflexão: Estou tão perto de Deus quan­to escolhi estar.

Um versículo para memorizar: Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês (Tiago 4.8; nlt).

Uma pergunta para meditar: Quais escolhas práticas eu farei hoje para me aproximar mais de Deus?

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