Paracelso - As Plantas Magicas Botanica Oculta [pdf]

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Vejamos, agora, algo sobre a bibliografia de Paracelso, que foi muito vasta. Hoje em dia são pagos a peso de ouro os livros deste homem genial, principalmente suas primeiras edições. Todas as suas obras originais foram diversas vezes reeditadas e traduzidas, por sua vez, em todos os idiomas cultos. Não pretendemos, pois, nem sequer fazer um resumo de sua prolixa produção; limitar-nosemos a citar algumas das obras menos conhecidas:

Opera Omnia Medico-Chirurgica tribus voluminibus comprehensa. Genebra, 1 658. Três volumes in-fólio.

astrológicas e alquímicasVolume I: Anatomia e cirurgia propriamente ditas.

Nesta obra está reunido quase todo o seu labor. índice: Volume I: Tratados médico, patológico e terapêutico ocultos. Mistérios magnéticos. Volume I: Obras mágicas, filosóficas, cabalísticas,

Arcanum Arcanorum seu Magisterium Philosophorum. Leipzig, 1 686. Um volume in-8.°. Também esta obra é interessantíssima, por tratar extensamente das Ciências Ocultas. Foi reeditada em Frank-furt, em 1 770.

Disputationum de Medicina Nova Philippi Paracelsi. Pars prin in qua quias de remediis superstitionis et magicis curationibus ille prodidit, proecipue examinantur a Thoma Erasto, medicina schola Heydelbergenti professore ad ilustris, principium. Liber omnibus quarumeunq; artium et scientiarum studiosis opprime cum necessarius tum utilis. Basileae apud Petrum Perna, sem ano (1 536). Um volume in 4.o.

Além de seu alto valor científico, esta obra desperta um interesse muito grande porque nela se encontra a luta travada com Tomás Erasto, o inimigo mais temível de Paracelso.

Limitamo-nos a citar apenas estas três obras em latim por julgarmos que com elas se pode formar um juízo perfeito do célebre médico, encarado sob todos os pontos de vista.

São muitíssimo mais numerosas as obras que publicou em latim e alemão. Também as suas traduções são numerosas. O Manuel Bibliographique des sciences psichiques, de Alberto L. Caillet, cita mais de trinta títulos e se deve levar em conta que referida bibliografia data de 1 913. Temos conhecimento de muitas reimpressões posteriores a dita data. Entre estas últimas citaremos a seguinte, por considerá-la muito interessante:

Paracelse (Théophraste): Les sept Livres de /'Archidoxe Magique, traduits pour Ia première fois en français, texte latin en regard. Paris, 1 929. Um volume in-4.°.

Contém numerosos segredos e talismãs preciosos contra a maior parte das doenças, para conseguir uma vida sem inquietudes; sobre a vida dupla, etc.

As obras de Paracelso, como todas as que tratavam de ciências ocultas — astrologia, magia, alquimia, etc. — contêm algumas frases obscuras que somente os iniciados conheciam em todo o seu valor. Os alquimistas velavam, principalmente, seus segredos por meio de símbolos e frases alegóricas, a que os leigos no assunto atribuíam as mais grotescas interpretações, quando os tomavam ao pé da letra. Iniciado que fora pelo abade Tritêmio, Paracelso adotou sua terminologia, acrescentando, por seu arbítrio, termos originários ora da índia ora do Egito.

No glossário de Paracelso vemos que o princípio da sabedoria se chama Adrop e Azane, que corresponde a uma tradução esotérica da pedra filosofal. Azoth é o princípio criador da Natureza ou a força vital espiritualizada. Cherio é a quintessência de um corpo, seja ele animal, vegetal ou mineral; é o seu quinto princípio ou potência. Derses é o sopro oculto da Terra que ativa seu desenvolvimento. Ilech Primum é a Força Primordial ou Causal. Magia é a sabedoria, é o emprego consciente das forças espirituais, que visa a obtenção de fenômenos visíveis ou tangíveis, reais ou ilusórios; é o uso benfeitor do poder da vontade, do amor e da imaginação; representa a força mais poderosa do espírito humano empregada em prol do bem. Magia não é bruxaria.

Poderíamos encher páginas e mais páginas, citando termos do glossário de Paracelso e dos alquimistas em geral, porém julgamos que são suficientes os que transcrevemos para dar uma idéia do caráter oculto de sua terminologia.

A chave, contudo, dessa linguagem misteriosa não se perdeu. Foi guardada zelosamente pelos cabalistas e transmitida oralmente entre os iniciados. Atualmente, os possuidores de dita chave são os chamados martinistas e os rosa-cruzenses.

Graças a ela, o sistema filosófico-religioso (2) de Paracelso pôde ser recuperado em toda a sua integridade.

Observamos que ele estabeleceu uma divisão dos elementos a serem estudados nos corpos animais, vegetais ou minerais. Dividiu-os em Fogo, Ar, Água e Terra, conforme tinham procedido também os antigos. Estes elementos se acham presentes em todo corpo, seja ele organizado ou não, e separáveis uns dos outros. Para efetuar a separação eram indispensáveis os laboratórios com material adequado. O fornilho era insuficiente; carecia-se de um fogo capaz de tornar vermelho vivo o crisol para aumentar constante-mente o calor quando se tornasse necessário. Necessitava-se de uma contínua provisão de água, de areia, de limalhas de ferro a fim de aquecer gradativamente os fornilhos. Nos armários e mesas dos laboratórios havia balanças perfeitamente aferidas e niveladas, almofarizes, alambiques, retortas, cadinhos, esmaltados, vasos graduados, grande quantidade de vasilhas de cristal, etc. além de um alambique especial para realizar as destilações.

2 - O termo "religioso" aqui empregado não se refere a nenhuma das religiões positivas, e sim ao reconhecimento espiritual da Verdade Divina.

Com um laboratório bem equipado, o alquimista capaz de aplicar-se rigorosamente, exercido na minuciosa observação das regras alquímicas, está em condições de verificar as diferentes operações indispensáveis para analisar as substâncias escolhidas e extrair delas a quintessência ou o Arcana, isto é, as propriedades intrínsecas dos minerais e vegetais.

As vezes infinitesimal em quantidade até nos grandes corpos, a quintessência afeta, contudo, a massa em todas as suas partes, da mesma forma que uma única gota de bílis produz o mau humor ou uns centigramas de açafrão são suficientes para colorir uma grande quantidade de água.

Os metais, as pedras e suas variedades trazem em si mesmos a sua quintessência, o mesmo que os corpos orgânicos e, embora sejam considerados sem vida, possuem essências de corpos que viveram.

Estamos aqui diante duma notável afirmação, que Paracelso sustenta com sua teoria de transmutação dos metais em substâncias diversas, teoria que também os ocultistas modernos defendem. Que clarividência possuía este homem a respeito do reino mineral! Ninguém poderá negar a

Paracelso o título verdadeiro de sábio, pois ele, com suas investigações sutis, soube arrancar os mais recônditos segredos da Natureza, que hoje em dia, sem dúvida, a ciência explica melhor, graças a descobrimentos de observadores que dispõem de maiores meios científicos, como demonstraram Madame Curie e seus colaboradores. Quando examinamos o novo sistema de filosofia natural desenvolvido por Paracelso, não devemos esquecer que já transcorreram quatro séculos desde o seu aparecimento. Na realidade, foi ele quem concebeu ditas investigações, inspirando com elas os grandes luminares de sua época e das gerações que se seguiram (3).

3-0 momento histórico é de suma importância para a justa apreciação deste descobrimento. É preciso estudar as condições do século XVI para apreciar

Suas análises eram efetuadas por meio de diferentes processos: pelo fogo, pelo vitríolo, pelo vinagre e pela destilação lenta; suas investigações principais ocuparam-se das propriedades curativas dos metais, antecipando-se ao que hoje chamamos de metaloterapia; contou com a colaboração do famoso bispo Erhard de Lavanthall, o qual incluiu no número dos seus mestres. O bismuto foi uma das substâncias que analisou com preferência, classificando-o de semi-metal; e foi certamente em virtude de dita substância, que previu a existência das propriedades ativas dos minerais, que surgiram os processos da transmutação. Descobriu igualmente o reino, que classificou também de semimetal, constituindo-se numa das numerosas contribuições que trouxe à farmácia.

Entre estas contribuições temos preparações de ferro, de antimônio, de mercúrio e de chumbo. O enxofre e o ácido sulfúrico foram objeto de interesse e práticas especiais, representando para o seu espírito uma substância fundamental, de vez que materializava a volatilidade. Realizou investigações sobre amálgamas com o mercúrio e com o cobre, sobre o alúmen e seus usos e sobre os gases produzidos pela solução e pela calcinação. Considerava como indestrutível e secreta parte de uma substância aquilo que permanecia em estado de cinza, devido à calcinação: seu sal, incorruptível. É o cª sal sidérico dos alquimistas.

Estas investigações culminaram em sua Teoria das Três Substâncias, bases necessárias a todos os corpos, a que ele chamou de enxofre, mercúrio, sal, em sua linguagem cifrada.

O enxofre significa o fogo; o mercúrio, a água; o sal, a terra. Ou, de outra maneira: a volatilidade, a fluidez, a solidez. Omitiu o ar por considerá-lo produto do fogo e da água. Todos os corpos, orgânicos ou minerais: homem ou metal:ferro, diamante ou planta constituíam, segundo ele, combinações variadas desses elementos fundamentais. Seu ensinamento sobre a base e as qualidades da matéria se cinge a essa Teoria dos Três Princípios, que considerava como premissas de toda atividade os limites de toda análise e a parte constitutiva de todos os corpos. São eles a alma, o corpo e o espírito de toda matéria, que é única. A potência criadora da Natureza, que ele denominou Archeus, proporciona à matéria uma infinidade de formas, contendo cada uma delas seu álcool, ou seja sua alma animal e, por seu turno, seu Ares, ou seja seu caráter específico. Além disso, o homem possui o Aluech, ou seja a parte puramente espiritual.

em todo o seu valor as realizações de Paracelso, com o fim de se apreender sua alta moralidade, que despertou um ódio feroz em todos os homens de cará-ter mau, de baixos sentimentos e de mentalidade nada lúcida, e para compreender seu ânimo inalterável diante das rancorosas oposições de seus inimigos.

Esta força criadora da Natureza é um espírito invisível e sublime: é como um artista e artesão que se compraz, variando os tipos e reproduzindo-os. Paracelso adotou os termos Macrocosmo e Microcosmo para expressar o grande mundo (Universo) e o pequeno mundo (o Homem), os quais considera reflexo um do outro.

Além das investigações supracitadas, descobriu o cloreto, o ópio, o sulfato de mercúrio, o calomelano e a flor de enxofre. Em fins do século passado receitava-se ainda às crianças um laxante composto de xarope de morangueiro e uns pós cinzentos, constituindo remédio excelente devido à terapêutica de Paracelso) da mesma forma que o unguento de zinco, que nunca deixou de ser receitado, tem sua origem no laboratório paracelsiano. De igual modo, foi ele o primeiro a utilizar o mercúrio e, para certas doenças de-pauperantes, o láudano.

Paracelso escrevia com uma clareza meridiana. Somente em seus escritos sobre alquimia se acham certas frases enigmáticas, como acontece com todos os demais autores que tratam de dita matéria. Em seu estilo não se vê nenhuma complicação, nada daquela verbosidade empolada e torturada própria da Renascença. Sua frase é contundente e expressa-se como homem convencido de que conhece a fundo o assunto de que trata. Em algumas de suas obras deparamos com a breve e fecunda expressão de um clarividente e seus pensamentos aparecem revestidos de uma linguagem que os coloca à altura dos aforismos que perduram através dos séculos.

"A Fé — diz ele — é uma estrela luminosa que guia o investigador através dos segredos da

Natureza. É preciso que busqueis vosso ponto de apoio em Deus e que coloqueis a vossa confiança num credo divino, forte e puro; aproximai-vos Dele de todo o coração, cheios de amor e desinteressadamente. Se possuirdes esta fé, Deus não vos esconderá a verdade, mas, pelo contrário, vos revelará suas obras de maneira visível e consoladora. A fé nas coisas da terra deve sustentar-se por meio das Sagradas Escrituras e pelo Verbo de Cristo, única maneira de repousar sobre uma base firme."

Em nenhum outro dos seus escritos se observa a precisão de estilo que predomina em sua tese sobre os 'Três Princípios", suas formas e seus efeitos. Um pequeno excerto pode dar uma idéia mais aproximada de sua concepção do que muitas páginas descritivas.

O livro foi editado em Basiléia, em 1 563, por Adam de Bodenstein, o qual em seu prólogo diz que Paracelso fora indignamente caluniado e que muitos médicos que lhe denegriam o nome se haviam aproveitado de suas descobertas e roubaram-lhe muitas de suas idéias.

Neste pequeno volume, Paracelso começa com uma exposição de sua teoria dos Três

Princípios; sustenta que cada substância ou matéria em crescimento é constituída de Sal, Enxofre e Mercúrio; a força vital consiste na união dos três princípios; existe, portanto, uma ação tríplice, sempre atuante para cada corpo: a ação da purificação por meio do sal, a da dissolução ou consumação pelo enxofre e a da eliminação pelo mercúrio.

O sal é um alcalino; o enxofre, um azeite; o mercúrio, um licor (a água), mas cada uma das matérias possui sua ação separadamente das outras. Nas doenças de certa complicação, as curas mistas são indispensáveis.

Deve-se ter o maior cuidado no exame de cada doença: identificar se é simples, de duas espécies ou tríplice; se é oriunda do sal, do enxofre ou do mercúrio e que quantidade contém de cada elemento ou de todos; qual a sua relação com a parte adjacente do corpo, a fim de saber se convém extrair dela o álcali, o azeite ou o licor; em resumo, o médico deve procurar não confundir duas doenças.

"A. Virtude — acrescenta Paracelso — é a quarta coluna do templo da Medicina e não há de fingir; significa o poder que resulta do fato de ser um homem na verdadeira acepção da palavra e de possuir não somente as teorias relativas ao tratamento da doença, mas igualmente o poder de curá-las".

Da mesma forma que o verdadeiro sacerdote, o verdadeiro médico é ordenado por Deus. Com respeito a isto assim se expressa Paracelso:

"Aquele que pode curar doenças é médico. Nem os imperadores, nem os papas, nem os colegas, nem as escolas superiores podem criar médicos. Podem outorgar privilégios e fazer com que uma pessoa, que não é médico, aparentemente o seja; podem conceder-lhe licença para matar, mas não podem dar-lhe o poder de curar; não podem fazer dessa pessoa um médico verdadeiro, se já não foi ordenada por Deus .

"O verdadeiro médico não se jactancia de sua habilidade nem elogia suas medicinas, nem procura monopolizar o direito de explorar o enfermo, pois sabe que é a obra que há de louvar o mestre e não o mestre a obra.

"Há um conhecimento que deriva do homem e outro que deriva de Deus por meio da luz da

Natureza. Quem não nasceu para ser médico, nunca o será. O médico deve ser leal e caritativo. O egoísta muito pouco fará em favor dos seus enfermos. É muito útil a um médico conhecer as experiências dos demais, mas toda ciência de um livro não é suficiente para tornar um médico, a menos que seja por natureza. Somente Deus dá a sabedoria médica" (4).

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