Paracelso - As Plantas Magicas Botanica Oculta [pdf]

Paracelso - As Plantas Magicas Botanica Oculta [pdf]

(Parte 4 de 13)

Seu falecimento se deu no dia 24 de setembro, dia de São Ruperto, festa muito celebrada em

Salzburgo, que naquele ano calhou ser em dia de sábado. O Príncipe Arcebispo ordenou que os funerais do grande médico se celebrassem com toda pompa. A cidade se achava repleta de forasteiros, pessoas do campo e muitos estrangeiros.

Cincoenta anos depois de sua morte, seu túmulo foi aberto; foram retirados os seus ossos para serem trasladados para outra sepultura melhor disposta, encravada numa das paredes da igreja de São Sebastião.

O executor testamentário de Paracelso, Miguel Setzna-gel, mandou colocar uma lápide de mármore vermelho sobre o túmulo, com uma inscrição comemorativa, que dizia o seguinte, em latim:

"Aqui jaz Felipe Teofrasto de Hohenheim. Famoso doutor em Medicina que curou toda espécie de feridas, a lepra, a gota, a hidropisia e várias outras doenças do corpo, com ciência maravilhosa. Morreu no dia 24 de setembro de 1 541."

Para se conhecer a fundo o mundo das plantas do ponto de vista do Ocultismo, se torna absolutamente necessário estudá-las em suas relações com o Macrocosmo (Universo) e com o Microcosmo (o homem), de acordo com as teorias de Paracelso, teorias que se acham espalhadas nas obras do famoso médico e alquimista, as quais temos reunido com carinho, ordenando-as, além disso, até o ponto de formar com elas todo um corpo de doutrina, que procuramos condensar neste pequeno volume. Estamos cientes de que nosso modesto trabalho apresenta várias lacunas e omissões de certa importância e, por isso mesmo, não podemos nem remotamente ufanar-nos de poder apresentar aos estudiosos uma Botânica Oculta muito extensa e muito menos completa; mas sentimo-nos satisfeitos, até certo ponto, naturalmente, por ter assentado as bases de uma ciência vacilante em suas origens, estancada durante séculos num estado amorfo e, por último, em nossos tempos, completa-mente esquecida.

Nosso estudo nos levou a conceber uma Botanogenia, uma Fisiologia e uma Fisiognosia, cujas características se aproximam mais da Ciência Oculta do que daquela oficialmente reconhecida.

A Botanogenia nos esclarecerá a respeito dos princípios cosmogônicos, cujos germes em ação produzem na Natureza o reino que nos ocupa.

A Fisiologia vegetal nos levará ao estudo das forças vitais que, em sua constante evolução, constituem seu alimento e desenvolvimento.

E, finalmente, a Fisiognosia vegetal, ciência dos Signos ou ciência das Correspondências

Astrais, nos ensinará a conhecer, por seu aspecto exterior, as forças secretas de cada uma das plantas.

Além de ser um dos aspectos mais interessantes da Ciência Oculta, o estudo da Fisiognosia vegetal constitui um tema quase inédito na literatura esotéria espanhola.

Concluiremos este breve ensaio, publicando no final da obra pequeno dicionário de botânica oculta, no qual figurará um determinado número de plantas e flores/com a indicação de suas propriedades curativas e de suas virtudes mágicas. Sempre que os conheçamos, apontaremos em seu tempo próprio seus signos astrais, ou seja, a influência astrológica a que estão submetidas, cujo conhecimento é de grande transcendência para o estudante de Ocultismo que esteja algo preparado. preparado.

Para este pequeno estudo tomamos a decisão de ocupar-nos somente das teorias tradicionais correspondentes à botânica oculta e por isso deixamos de lado os princípios fundamentais da botânica oficial, razão por que começaremos proporcionando ao leitor aqueles conhecimentos que reputamos verdadeiramente autênticos. Antes de mais nada, recorreremos a um dos monumentos mais antigos que possuímos: o Sepher Bereschit de Moisés, o qual nos esclarecerá a respeito dos iniciados da raça vermelha e da raça negra. No primeiro capítulo, versículo segundo, expressa-se ele da seguinte forma:

"Prosseguindo na declaração de sua vontade, disse o Senhor dos senhores: A Terra fará brotar uma erva vegeta-tiva e, produzindo um germe inato, uma substância frutuosa, dará seu próprio fruto, segundo sua espécie, e possuirá em si mesma seu poder germinativo; e assim foi feito."

Isto coincide exatamente com o terceiro dia da criação, segundo a ordem que a seguir será transcrita: FOGO (1 .o dia) : Criação da luz.

ÁGUA, AR (2.° dia) : Fermentação das águas e sua divisão. TERRA (3.° dia) : Formação da terra; sua vegetabi-lidade.

FOGO (4.o dia) : Formação do sol.

ÁGUA, AR (5.° dia) : Fermentação das águas e do ar; pássaros e peixes. TERRA (6.° dia) : Fermentação da terra; homens e animais. Considerando o "Génese" em conjunto, o rabino iniciado nos ensinará que, sob o ponto de vista cosmogô-nico, a figura de Isaac representa o reino vegetal. Seu sacrifício (por pouco não consumado), sua filiação, o nome dos seus pais e de seus filhos, os atos de sua vida simbólica fornecem todas as provas necessárias que corroboram esta afirmação.

Com o fito de não cansar nossos leitores com um sim-bolismo demasiado árduo, abster-nosemos de todo pormenor e entraremos de cheio na decifração das teorias herméticas, cujo estudo pode levar-nos a feliz resultado.

TEORIAS HERMÉTICAS - Na origem primordial das coisas, os filósofos concebiam um caos no qual estavam prefiguradas as formas de todo o Universo; uma matriz ou matéria cósmica e, por outro lado, urçi fogo gerador em que a ação recíproca constituía a mônada, a pedra de vida ou Mercúrio: meio e fim de todas as forças.

Este fogo é ardente, seco, macho, puro, forte; é o espírito de Deus levado sobre as águas, a cabeça do dragão, o Enxofre.

Este Caos é uma água espermática, cálida, fêmea, úmida, lodosa, impura: o Mercúrio dos alquimistas. A ação destes dois princípios, no Céu, constitui o bom princípio:* luz, o calor, a geração das coisas.

A ação destes dois princípios sobre a Terra constitui o mau princípio: a obscuridade, o frio, putrefação ou a morte.

Sobre a Terra o fogo puro se converte em grande Limbo o yliáster, o misterium magnum de

Paracelso; isto é, uma terra vã e confusa, uma lua, com água mercurial, o Tohu v'bohou de Moisés. Finalmente, a água pura e celeste passa a ser uma matriz, terrestre, fria e seca, passiva: o Sal dos alquimistas.

Desta maneira vemos como na Natureza todas as coisas passam por três idades. Seu começo ou nascimento surge na presença de seus princípios criadores. Este duplo contato produz uma luz, depois vêm as trevas e uma matéria confusa e mista: é a fermentação.

Esta fermentação termina com uma decomposição geral ou putrefação, depois do que as moléculas da matéria em ação começam a coordenar-se, segundo a sutilídade da mesma: é a sublimação, é a vida que se manifesta.

Finalmente, chega o momento em que este último trabalho cessa: é a terceira idade. Então se estabelece a separação entre o sutil e o rude; o primeiro se eleva ao céu; o segundo permanece na terra; o restante permanece nas regiões aéreas. É o último término, a morte.

Conseguimos registrar o transcurso das quatro modalidades da substância universal chamadas

Elementos; o fogo, a terra e a água reconhecemo-los facilmente e podemos coordenar todas estas noções, estabelecendo um quadro de analogia que podemos ler mediante o triângulo pitagórico. Este processo é seguido na índia (sistema Sankya) e na Cabala (Tarot e Sefiroth).

Eis aqui os princípios atuantes nos três mundos, segundo a terminologia hermética: No primeiro mundo, o Espírito de Deus, o Fogo incri-ado, fecunda a água sutil, caótica, que é a luz criada ou a alma dos corpos.

No segundo mundo, essa água caótica, que é ígnea e contém o enxofre de vida, fecunda a água intermédia, este vapor viscoso, úmido e gorduroso, que é o espírito dos corpos.

No terceiro mundo, esse espírito, que é fogo elemental, fecunda o éter ígneo, que se chama também água espessa, lodo, terra andrógina, primeiro sólido e misto fecundado.

Assim, cada criatura terrestre é formada pela ação de três grandes séries de forças: umas provêm do céu empírico; outras, chegam do céu zodiacal;e as últimas, do planeta ao qual a respectiva criatura pertence.

Do céu empírico vêm a Anima Mundi, o Spiritus Mun-di e a Matéria Mundi, vapor viscoso, semente universal e incriada.

Do céu zodiacal vêm o enxofre de vida, o mercúrio intelectual ou éter de vida e o sal de vida ou água-princípio, semente criada e matéria segunda dos corpos.

Do planeta vêm o fogo elemental, o ar elemental (veículo de vida) e a água elemental (receptáculo de sementes e semente inata dos corpos).

Para que o reino vegetal possa manifestar-se sobre um planeta, é preciso, antes de tudo, que este tenha evoluído até poder — depois de ter cristalizado seus átomos em terra sólida — água e uma atmosfera, conforme vem indicado no relato de Moisés. Então desce uma onda de vida nova, que é o veículo da primeira animação sobre o planeta: ela é, portanto, o símbolo da beleza e é por isso que o reino vegetal corresponde a Vênus e tem por signo representativo a Espiral. Eis aqui por que a filotaxia pode servir-nos para medir o grau de força vital de cada planta.

Esta vida vegetal resulta da ação recíproca da luz solar e da avidez do enxofre interior; nenhuma árvore pode crescer sem a força do sol, que é atraída pelo princípio essencial daquela.

Eis aqui como o autor anônimo de Lumière d'Egypte explica a evolução do mineral para o vegetal:

"O hidrogênio e o oxigênio combinados em água se polarizam e formam uma substância que é o pólo oposto de seu estado inflamável primitivo.

"O calor do sol decompõe de novo uma porção infinitamente pequena das águas; os átomos de dita molécula de água iniciam então um movimento diferencial, que é o da espiral. Nesta ascensão, atraem os átomos de ácido carbôni-co e são atraídos, por sua vez, por eles, donde se deriva um terceiro movimento: uma rotação precipitada. Com novas combinações, forma-se então um germe de vida física. Sob o impulso de um átomo central de fogo, sendo as forças predominantes do oxigênio e do carbono, esta união produz outra mudança da polarização, devido à qual esses átomos são atraídos em direção à terra. A água recebe-os e desta maneira se forma a primeira céspede vegetativa. Quando estas primeiras formas de vegetação morrem, os átomos empreendem novamente sua marcha em espiral ascendente, sentem-se atraídos pelos átomos do ar e, pelo mesmo processo de polarização, chegam a formar os líquenes e as plantas cada vez mais perfeitas.

"A essência espirituosa do sol — que penetrou até o centro da terra pela atração de cada

Misto e por coagulação — gerou um fogo aquoso e, em seu desejo ardente de retornar à sua origem, ficou retida ao elevar-se entre as matrizes das espécies mais diversas. E, possuindo cada uma destas matrizes uma virtude particular para a sua espécie, numa se determina por uma criação e em outra, por outra, gerando sempre novas criações à sua semelhança. Quando esta essência espirituosa se subtiliza de maneira suficiente, a mesma penetra na superfície da terra e ativa o poder germinativo das sementes".

A mesma teoria se acha exposta de maneira mais concisa no tratado cabalístico intitulado Les

Cinquante Portes de rintelligence. A enumeração das portas da Década dos Mistos é interpretada conforme se segue: 1.° — Aplicação dos minerais pela disjuntiva da terra. 2.o — Flores e seivas dispostas para a geração dos metais. 3.o — Mares, lagos, flores, secreções entre os alvéolos. 4.o — Produção das ervas e das árvores. 5.o — Forças e sementes dadas a cada um deles, etc.

Para concluir esta rápida exposição, daremos a conhecer a teoria de Jacobo Boehme, com a qual se descobre uma perfeita identificação com as duas teorias anteriores.

Criados no terceiro dia pelo Fiat de Marte — que é a amargura, fonte do movimento — os vegetais nascem do raio de fogo nessa amargura. Quando Deus separou a matriz universal e sua forma ígnea e ao querer manifestar-se no mundo exterior e sensível, o Fiat que saiu do Pai, com sua vontade, deu força à propriedade aquosa do enxofre da primeira matéria; e já se sabe que a Água, como elemento, é uma matriz atrativa. Portanto, chegamos a um perfeito entendimento entre todas as teorias expostas.

Antes da Queda, os vegetais estavam unidos ao elemento interior paradisíaco; com a Queda, a santidade fugiu da raiz e permaneceu aderida aos elementos terrestres; conforme se verá mais adiante, somente as flores representam o verdadeiro paraíso.

CONSTITUIÇÃO ESTÁTICA DA PLANTA - Antes de traçar um esboço da fisiologia vegetal, convém anotar os princípios em ação que existem no reino que nos ocupa, de modo que nos seja possível conhecer com simplicidade seu complicado funcionamento.

Se estudarmos os vegetais sob o ponto de vista de sua constituição, reconheceremos neles cinco princípios:

1.° —Uma matéria, formada por Água vegetativa. 2.° — Uma alma, formada por Ar sensitivo. 3.o — Uma forma, composta de Fogo concupiscível. 4.o — Uma matriz, ou Terra intelectiva. 5.° — Uma Essência universal e primitiva ou Misto memorável, formada pelos quatro elementos que determina as quatro fases do movimento: a fermentação, a putrefação, a formação e o crescimento.

2.a— Uma forma, princípio ativo ou fogo.
3.a- Um vínculo entre os dois precedentes.

Se os estudamos sob o ponto de vista gerativo, encontraremos sete forças em ação: 1.a — Uma matéria ou paciente, formada de luzes e trevas, água caótica e vegetativa; eis aqui as Derses de Paracelso, exalação oculta da terra, em virtude da qual a planta cresce. 4.a — Um movimento, resultado da ação da gente sobre o paciente.

Este movimento, que se propaga pelos quatro elementos, determina as quatro fases anteriormente citadas a propósito do Misto memorável.

7.a— O corpo da planta.

Todo este trabalho, em sua maior parte preparatório e oculto, dá como resultados visíveis: 5.a — A alma do vegetal, ou semente corporificada, o clissus de Paracelso, poder específico e força vital. 6.a — O espírito ou Misto organizado, o leffas de Paracelso, ou corpo astral da planta.

Para se lograr uma ideia mais ampla possível destas duas classificações, será suficiente estudar as analogias que se depreendem do simbolismo na mitologia grega, que é assaz expressivo, e com o qual ofereceremos vasta matéria à meditação. expressivo, e com o qual ofereceremos vasta matéria à meditação.

ANATOMIA — Nada mais simples do que a estrutura da planta. As partes anatômicas se reduzem a três e são elas, precisamente, as que, individualizando-se, formam todos os órgãos.

traquéiasdas plantas. (Folhas: individualização das traquéias, pulmões da planta).

I.o — A massa geral da planta é formada pelo tecido celular, que pode ser classificado como órgão digestivo da mesma. (Raiz: individualização dos tecidos celulares; intestino da planta: semente; Embrião.) 2.° — Os intervalos entre as células ordinariamente hexagonais formam os canais que se estendem por toda a planta e conduzem a seiva com a qual a mesma se nutre. Estes canais ou condutos intercelulares são, portanto, para as plantas o que os vasos sanguíneos e as veias são para os animais. (Caule: individualização das veias; sistema sanguíneo da planta; invólucro: órgão fêmea.) 3.o — No tecido celular da maioria das plantas, existem outros canais que são formados por uma fibra contornada em espiral que conduz o ar por toda a planta. Estes canais, ou vasos em espiral, são para a planta o que as traquéias são para os animais. E é assim que são chamados:

(Parte 4 de 13)

Comentários