Paracelso - As Plantas Magicas Botanica Oculta [pdf]

Paracelso - As Plantas Magicas Botanica Oculta [pdf]

(Parte 7 de 13)

Vênus Pequeno, florido Belas, alegres Fino, delicado Açucarados

Mercúrio Médio, sinuoso Pequenos, cores várias Odor penetrante Sabores div.

Lua Caprichoso Flores brancas Odor suavís. Insípidos

As plantas que estão sob a influência do planeta Mercúrio possuem um sabor misto; produzem flores e folhas, mas não frutos; as flores são pequenas e de cores variadas.

As plantas que sofrem a influência da Lua são insípidas, vivem perto da água ou dentro da água; são frias, leitosas, narcóticas, antiafrodisíacas; suas folhas costumam ser de grande tamanho. Empregam-se em despachos de bruxaria.

SIMPATIA E ANTIPATIA das plantas de acordo com os signos:

"" " : Gêmeos: Libra: Aquário.
"" " : Câncer: Libra: Virgem: Touro

Há simpatia entre : Touro: Câncer: Sagitário. : Escorpião: Câncer.

Há antipatia entre: Touro: Libra: Escorpião.
"" " : Gêmeos: Capricórnio.
"" " : Virgem: Áries: Leão.
Planetas inimigos: Saturno: Marte: Sol.
"amigos : Vênus com todos, principalmente.com Marte.
"amigos : Mercúrio com todos, mormente com Júpiter.

: Câncer: Sagitário.

COMBINAÇÕES DE INFLUÊNCIAS. - Para ajuda do estudante leitor, vejamos alguns exemplos dos resultados que produzem as influências combinadas de vários planetas.

Por exemplo, Saturno com seu domínio forma uma planta de cor negra ou cinzenta — escura, de caule duro e sabor forte; uma planta grande, de flores sombrias; para dita forjação chama comumente a Marte e então a planta se torna rugosa, cheia de nós, de galhos inflados, de aspecto selvagem e atormentada.

Saturno e Vênus produzem grandes árvores, de grande resistência, porque a doçura venusiana proporciona a matéria que se desenvolverá no enxofre de Saturno.

Se Júpiter se encontra perto de Vênus, a planta nasce forte e cheia de virtudes. Se Mercúrio influir sobre uma planta entre Vénus e Júpiter, então é ainda mais perfeita; tornase um belíssimo vegetal, de corpo médio, com flores brancas ou azuis.

Se o Sol se aproxima dos dois citados anteriormente, a flor se torna amarela. Se Marte não se mostra contrário a isso, a planta é capaz de resistir a todas as más influências e torna-se própria para excelentes remédios, embora semelhante combinação costume ser muito rara.

Se Marte e Saturno opõem-se, a Mercúrio, Vénus e Júpiter, resulta uma árvore venenosa de flores avermelhadas e amiúde (por causa de Vénus), de tato áspero e sabor detestável.

Sim, apesar de Marte e Saturno se oporem, Júpiter e Vénus manifestam seu grande poder e Mercúrio mostra certa debilidade; a planta será quente e de virtudes curativas; seu caule será fino, a intervalos áspero e espinhoso; suas flores nascerão brancas.

Se Vénus está próxima de Saturno e se a Lua não está em oposição a Marte e Júpiter, teremos então uma planta bonita, tenra e delicada, com flores brancas, inofensiva, porém de pouca utilidade.

O mundo das plantas está sob a influência dos planetas e tem como finalidade alimentar o homem e curar as doenças.

A planta pode nutrir o homem, isto é, reparar suas forças orgânicas diminuídas. Em seu corpo físico, ou seja a alimentação; em seu corpo eletromagnético, ou seja a cura de suas doenças, e em seu corpo astral: sonambulismo, êxtase, cerimonias mágicas, adivinhação.

Por sua vez, o homem pode fazer três coisas em favor da planta: cultivá-la (agricultura mágica). Redimi-la (crescimento mágico). Ressuscitá-la (palingenesia).

Não é minha intenção fazer, aqui, uma defesa do vege-tarismo; autores mais conhecedores do assunto e com mais autoridade do que eu demonstraram suas vantagens. Tomarei somente a liberdade de indicar algumas regras dedicadas aos debutantes vegetarianos. 19 - Convém pular da creofagia ao vegetarismo com certa lentidão e parcimônia; e não devem ser trocadas as bebidas fermentadas pelo leite ou pela água até que a mudança de regime se tenha verificado para os alimentos sólidos. Esta mudança deverá ajudá-lo por meio de um consumo maior de fruta carnosa e aquosa. 29 - Se possível, efetuar esta mudança de regime no campo. 39 - Caso permaneça nas grandes cidades, não iniciar o regime nas tavernas ou restaurantes; e não fazê-lo, também, se a pessoa sofre de fraqueza geral. 49 - Ter em mente que a quantidade de alimentos vegetais deverá ser maior do que a alimentação animal que se seguia anteriormente. 59 - Conservar durante muito tempo o pescado nas minutas; os ovos, o leite, a manteiga de vaca não devem jamais ser excluídos absolutamente, afora os casos especiais de ascetismo. 69 - Finalmente, deve-se aprender, ao mesmo tempo, a governar o organismo físico; e antes de tudo, o homem deve ser senhor, por vontade, das pequenas irregularidades de funcionamento que podem produzir-se.

INSTRUÇÕES SOBRE AS COMIDAS. - De um modo geral se pode dizer que quanto mais forças se gastam para o cumprimento de um ato, tanto mais proveitoso e útil se torna este ato para nós. Razão porque, numa medida de extrema precaução, levando as coisas na ponta de espada, conforme vulgarmente se diz, conviria que nós mesmos cultivássemos nossas plantas alimentícias, fizéssemos a colheita e as preparássemos, valendo-nos de utensílios que só serviriam para dito fim. Para as iniciações naturalistas e panteístas que desenvolvem esta teoria, estudando-a com todo pormenor e muita profundidade, deve-se começar purificando e aperfeiçoando cada um seu corpo astral e finalmente sua inteligência. Por isso vemos que os brâmanes e os ascetas hindus são obrigados a preparar eles mesmos os seus alimentos e em nenhum caso consentem que os utensílios de cobre, que constituem sua bateria de cozinha, sejam tocados por outras mãos que não as suas próprias.

Daqui procedem também as prescrições referentes à posição do corpo durante os ágapes; existem certas relações entre as correntes eletromagnéticas de um planeta e os seres ou indivíduos que vivem sob sua influência; seria prolixo enumerar os fundamentos desta teoria, porém porfiamos pela prescrição que aconselha que os habitantes de nossas regiões comam com o rosto voltado para o norte.

Outra prescrição é aquela que se refere às abluções; os sacerdotes hindus se lavam as mãos, os pés, a boca, o nariz, os olhos e as orelhas, repetindo com frequência uma invocação sagrada; costume este que em nossas regiões corresponde à Bênção da mesa que, pronunciada magicamente, isto é, expressada com unção verdadeira, do fundo do coração, possui um valor real e positivo de dinamização.

Finalmente, uma última prescrição é a do silêncio, que é observada pelas comunidades religiosas do mundo inteiro. Tem por finalidade, pela concentração de toda a atenção no ato da comida, reduzir a quantidade de matérias necessárias à refeição, por meio de proporções sensíveis. Desta maneira a digestão requer uma menor atividade perto do plexus solar, donde resulta uma notável economia de força nervosa de que os exercícios de contemplação precisam para que se tornem verdadeiramente frutíferos. Mas, para as pessoas que vivem no mundo e com o mundo, na atmosfera pesada das grandes cidades, a alegria é o melhor digestivo e vale tanto como o melhor álcool para estimular a preguiça do estômago.

As virtudes curativas do reino vegetal foram celebradas desde os tempos mais remotos; neles já se destacava uma geral intuição sobre o particular. O próprio nome helênico do deus da Medicina — Esculápio — significava o bosque, a esperança da saúde ou, segundo Porfírio, a faculdade solar de regenerar os corpos ou, para nos expressarmos melhor, aquela faculdade que repara as soluções de continuidade nos tecidos humanos.

As plantas podem ser empregadas em medicina dentro de seus três estados: vivas, mortas ou ressuscitadas.

A planta viva serve de modificadora do centro ou corpo interior, principalmente quando é aromática. Seu perfume tonifica todas as inflamações das mucosas respiratórias. Desta forma, os tísicos acalmarão seu mal-estar, respirando o aroma dos pinhos, da alfazema, do alecrim, da menta, etc.

Este é o emprego exotérico das plantas vivas; seu emprego esotérico é indicado por Paracelso sob o nome de transplantação das doenças.

As doenças podem ser contagiadas ou transportadas da pessoa que as padece para qualquer outro ser vivente.

Embora recomendada pelos grandes mestres do Ocultismo, esta prática é perniciosa para o plano espiritual do homem e do vegetal; algum dia me alongarei em maiores explicações sobre este assunto; por ora contentar-me-ei com passar o modus operandi sob o mais absoluto silêncio.

Para as feridas e úlceras, empregam-se Polygonum persicaria, Symphytum officinalis, Botanus europeus, etc.

Paraa menorréia uterina, Polygenum persicaria.

Para dor de dentes, esfregam-se as gengivas, até que sangrem, com raiz de Senecio vulgaris. Para a menorréia difícil, Menta polegium. Para a tísica pulmonar, o roble e a cerejeira.

Chegou-se hoje em dia a experimentar a ação à distância, sobre indivíduos hipnóticos, de determinadas substâncias medicinais. Haja vista os trabalhos dos doutores Bourru, Burot, Luys e dos magnetizadores da primeira metade do século XIX sobre este particular.

E cumpre insistir que não apresentamos aqui senão exemplos isolados, que o leitor estudioso poderá ir multiplicando a seu bel-prazer segundo as leis dos signos.

A planta colhida pode ser utilizada exotericamente: em sumo, em pó e em infusão. Em decocção (fervida em água); tem resultados mais ativos do que em infusão. Em magistério, ou seja pela fórmula e preparação secretas.

Eis aí, portanto, as indicações práticas sobre esta farmacopéiaexterior, extraída dos livros
deParacelso; qualquer pessoa poderá fazer com elas variadas experiências e manipulações

Em tintura (combinada com álcool). Em quintessência. diversas.

E tenha-se sempre em mente que um medicamento vegetal é sempre tanto mais ativo, se a sua preparação é realizada por uma pessoa robusta e animada do desejo de curar.

TINTURAS, DECOCÇÕES, PÓS, ETC. - Para apresentação e desenvolvimento de nosso exemplo, lançaremos mão de três medicamentos vegetais: o heléboro, o breu e a cicuta.

De Paracelso transcrevemos o seguinte:

"O povo tem acreditado erroneamente que a planta chamada heléboro se julgará boa unicamente para a cura da loucura, já que é também utilíssima para curar e prevenir numerosas doenças, inclusive para conservar e prolongar a vida. Sua eficácia e virtude, observadas atentamente, se tornam notáveis para renovar a natureza do corpo, purificar o sangue e purgá-lo de todo tipo de excessos. Na antiguidade o heléboro era aplicado com êxito, fazendo-se com ele práticas muito bem sucedidas, que hoje caíram em desuso para prejuízo da humanidade, razão porque valeria a pena que o heléboro recuperasse sua primitiva prestância.

"Em primeiro lugar, convém escolher o heléboro negro de Teofrasto, que é o mais raro e o mais radical entre todas as suas espécies, segundo opinião de todos os que, durante longos anos, praticaram o sacerdócio da medicina. Os efeitos daquele são mais doces e favoráveis do que os de outros conhecidos, como o heléboro de Dioscórides, o heléboro branco, a heleborina ou falso heléboro, os quais proporcionaram resultados imprecisos em diversos ensaios.

"Pode-se colher a raiz do heléboro negro, cortá-la e fazer com ela uma pasta que será posta ao ar durante a noite; na manhã seguinte será cozida lentamente; depois de tirada do fogo, será transformada em pó. O peso deverá ser de meio escudo; será tomada horas antes das refeições, três ou quatro vezes ao ano, principalmente na primavera e outono. "Isto representa uma manifesta precaução para evacuação das imundícies do corpo, das quais se originam as mais graves indisposições; e pode-se aumentar a dose, se se quiser.

"Pode-se, também, cozinhar as folhas e a raiz do helé-boro com pão de centeio e, transformado em pó, tomá-lo como corretivo; a dose deve ser de trinta a quarenta gramas, podendo contudo ser mais para pessoas robustas, tanto em pílulas, em obreia ou tabletes, em pasta cozida ou por meio de outra manipulação antes da refeição do meio-dia.

'Toda a planta pode ser tomada também em pó; com a medida de peso anteriormente indicada, sem nenhum tipo de preparação, como era costume em Roma.

"Dita raiz pode ser condimentada com carne, no cozido; desfeita em sopa ou tomada diluída num líquido qualquer; é maneira de depurar-se bem e suavemente. Pode-se acrescentar a quantia que se quiser de algum ingrediente que resulte em agradável sabor.

"Os hunos, para purificar seu sangue, acostumaram-se aos poucos e insensivelmente ao uso das folhas do heléboro negro, colhida em perfeita maturação, e não ignoravam que, misturada com açúcar, a água de heléboro constituía um grande elixir para prolongar a vida e prevenir todo tipo de doenças, tanto externas como internas, até que lhes chegasse a hora da morte.

"No começo, a dose deve ser de 10 a 15 gramas, aumentando gradativamente até chegar a 30: então, durante algum tempo se tomarão os 30 gramas, para passar a um regime mais prolongado durante o qual se tomará uma dracma (uns três miligramas e meio), de seis em seis dias; desta maneira o heléboro se familiariza com o estômago e, ao perder sua grande força purgativa, se transforma somente num magnífico reconstituinte.

"Por meio da indústria se reduz a bálsamo e a dose desta virtude balsâmica é de 10 gramas. "Tira-se dela uma excelentíssima quintessência, superior a todos os preparados anteriores de heléboro que se ministram para rejuvenescer o corpo; a porção, neste caso, deve ser de cinco a seis gotas diluídas em algum licor apropriado, por exemplo, em água de melissa ou agrimônia.

"Depois de bem lavada e borrifada com vinagre, de toda a planta se destila uma espécie de xarope para purgar o humor negro e terrestre ou seja, melhor dito, para separar da natureza o puro do impuro, o saudável do nocivo e para arrancar toda classe de males que daquele provêm. Dito xarope atua com mais segurança e mais eficazmente do que qualquer outro purgante; é preferível ao extrato, embora ambos não tenham outro objetivo senão a ação de purgar; este último não é bastante poderoso para purificar todo sangue e conservar logo a saúde dentro duma estabilidade firme.

"Ao uso frequente desta planta, mui particularmente de sua raiz, devem-se a maravilhosa ação contra as mais terríveis doenças e a faculdade extraordinária de renovação do corpo e purificação do sangue; como também a excelente purgação, salvação da saúde; e é por isso que poderíamos qualificar este remédio como uma segunda medicina universal, sempre que se tenham em conta as condições aqui expostas superficialmente."

ÁGUA DE BREU. - Também de Paracelso: "Dissolva-se uma parte de breu em quatro partes de água fria, agitando-se com uma colher de madeira, pelo espaço de uns dez minutos. Conservese dita mistura bem fechada durante vinte e quatro horas, a fim de que o breu tenha tempo para precipitar-se. Colocar-se-á imediatamente a parte líquida numa garrafa, abandonando-se o resto, que para o caso não tem nenhuma utilidade.

"Deve-se ter presente que a água de breu, para ser perfeita, terá que assumir uma cor de vinho claro como os chamados vinhos brancos da Espanha ou da França."

A ÁGUA DE BREU PARA USO EXTERNO - "Derramem-se dois quartilhos (1) de água fervendo sobre um quartilho de breu; mexa-se tudo com um pau ou uma colher de madeira durante quinze minutos; deixe-se em repouso durante dez horas e em seguida poderá ser usada, procurando mantêla bem vedada.

1 — um quartilho equivale a meio litro.

"A água de breu pode ser mais ou menos forte segundo as necessidades ou a gosto do consumidor."

Emprega-se em loção contra o mal de pedra, a sarna, as úlceras, as escrófulas, a lepra; e tomada como bebida ou uso interno contra as seguintes doenças: varíola, erupção sanguínea, ulceração de intestino, inflamação, gangrena, escorbuto, erisipela, asma, indigestão, mal de pedra, hidropisia e histerismo.

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