histologia

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Localização e Comparação Morfo-funcional dos Diferentes Tipos de Glândulas Salivares Menores

Introdução

Embriologia

As glândulas salivares tem origem embriológica a partir do epitélio bucal primário por meio da sua interação com o ectomesênquima. Essas células epiteliais se modificam e se diferenciam nas células do parênquima glandular, já o tecido conjuntivo forma o estroma que reveste e protege as glândulas. A citodiferenciação dos ácinos é influenciada por diversos sinais moleculares como a caderina, importante nas junções celulares; a membrana basal,importante para a ramificação dos ácinos; a laminina e a sindecana, que diferenciam as células acinosas via integrina; EGF e FGF-7, que regulam o processo de ramificação e controlam o alongamento das ramificações, respectivamente.

As glândulas maiores, parótida e submandibular, surgem na 6ª semana de vida intra-uterina, já a sublingual, na 8ª semana. As menores originam se somente mais tarde, na 12ª semana.

Glândulas Salivares

As glândulas salivares são exócrinas, ou seja, secreta seu produto para o meio externo (cavidade bucal). O produto de secreção é a saliva, a qual possui muitas funções essenciais para a manutenção da saúde bucal; já que facilita na mastigação dos alimentos; serve como solvente; contribui na digestão dos carboidratos; lubrifica os alimentos e os tecidos bucais; atua como tampão(ácido carbônico-bicarbonato (HCO3-/H2CO3, pK1= 6,1) e o fosfato (HPO4-/H2PO4-, pK2= 6,8);limpeza a cavidade bucal e auxiliar na limpeza dos dentes limpeza a cavidade bucal, inibe o crescimento de microorganismos, umedecer e lubrificar os alimentos e a mucosa bucal; participa da digestão dos alimentos: paladar, mastigação   e deglutição, transporta íons (Na e K), manutenção do equilíbrio hídrico, bactericida (enzima lisozima) e defesa imunológica (IgA).

Fluxo Salivar

O fluxo salivar quando estimulado é de normalmente 0,3 a 0,4 mL/min, sendo seu volume secretado em 25% pela glândula parótida, 60% pela submandibular, 7-8% pela sublingual e 7-8% pelas glândulas menores.

A maior parte do tempo a secreção permanece entre 1,5 e 2,0 mL/min, sendo 50% pela parótida, 35% pela submandibular, 7-8% pela sublingual e 7-8% pelas glândulas menores. Quando o volume secretado é inferior a essa média isso caracteriza um quadro de hipossalivação e suas causas devem ser cuidadosamente analisadas, para evitar prejuízos à saúde bucal.

A contribuição das glândulas salivares menores é de apenas 10% no total da secreção.

Glândulas Maiores

Glândula parótida: é uma glândula acinosa composta, sua porção secretora é exclusivamente serosa, contendo grânulos de secreção ricos em proteínas e elevada atividade de amilase. Esta atividade é responsável pela hidrólise de boa parte dos carboidratos ingeridos.

O tecido conjuntivo contém muitos plasmócitos e linfócitos.Os plasmócitos secretam IgA, que forma um complexo com um componente secretor sintetizado por células acinosas, células dos ductos intercalares e estriados-constituindo num mecanismo de defesa imunológica contra patógenos da cabidade oral.

Glândula submandibular :é uma glândula tubuloacinosa composta; ela é mista, isto é, contém células serosas e células mucosas.As células serosas são o principal componente desta glândula, apresenta núcleo arredondado e citoplasma basófilo.

Glândula sublingual : assim como a submandibular é tubuloacinosa composta formada por células serosas e mucosas. As células mucosas predominam nessa glândula.

Estruturas Anatômicas e Histológicas das glândulas

Uma cápsula de tecido conjuntivo rico em fibras colágenas circunda e reveste as glândulas salivares maiores .O parênquima destas glândulas consiste em terminações secretoras e em um sistema de ductos ramificados que se arranjam em lóbulos, separados entre si por septos de tecido conjuntivo que se originam da cápsula. As terminações secretoras possuem dois tipos de células secretoras - serosas ou mucosas, além das células mioepiteliais não secretoras. Esta porção precede um sistema de ductos cujos componentes modificam a saliva, a medida que a conduzem para a cavidade oral.

Células serosas: geralmente possuem formato piramidal, com uma base larga que repousa sobre uma lâmina basal e um ápice com microvilos pequenos e irregulares voltados pro lúmen. Células secretoras adjacentes estão unidas entre si por complexos secretores adjacentes estão unidas entre si por complexos juncionais e formam uma massa esférica chamada ácino.

Células mucosas: possuem geralmente formato cubóide ou colunar, seu núcleo é oval e encontra-se pressionado junto a base da célula. Elas exibem características de células secretoras de muco contendo glicoproteínas importantes para as funções lubrificantes da saliva. A maioria dessas glicoproteínas pertence a família das mucinas. As células frequentemente se organizam em túbulos, que consistem em arranjos cilíndricos de células secretoras circundando o lúmen.

Células mioepiteliais: são encontradas junto a lâmina basal de terminações secretoras e ductos intercalares, que formam a porção inicial do sistema de ductos. Duas ou três células mioepitelias envolvem a terminações secretoras, e nesta porção são bem desenvolvidas e ramificadas.Nos ductos intercalares, as células mioepitelias são as mais alongadas e fusiformes, dispondo-se paralelamente ao comprimento do ducto. Essas células têm várias características semelhantes ás células musculares, incluindo a contratilidade. Entretanto, elas estabelecem junções (desmossomos) entre si e também com as células secretoras. Embora a contração das células mioepiteliais acelere as secreção de saliva sua principal função aprece ser a prevenção da distensão excessiva da terminação secretora durante a secreção, devido ao aumento da pressão luminal.

No sistema de ductos, as terminações secretoras se continuam com os ductos intercalares, formado por células epiteliais cubóides. Vários destes ductos curtos se unem para formar um ducto estriado.O ducto são caracterizados por estriações que consistem em invaginações da membrana plasmática basal com numerosas mitocôndrias alongadas.Ductos intercalares e estriados são denominados também ductos interlobares, devido sua localização dentro dos lóbulos glandulares.

Os ductos estriados de cada lóbulo convergem e desembocam em ductos maiores localizados nos septos de tecido conjuntivo que separam os lóbulos, onde se tornam ductos interlobulares ou excretores.Estes são formados inicialmente por epitélio cubóide estratificado, mas porções mais distais do ductos excretores são revestidas por epitélio colunar estratificado.O ducto principal de cada glândula salivar maior desemboca na cavidade oral e, no final, é revestido por epitélio pavimentoso estratificado não queratinizado.

Vasos e nervos penetram nas glândulas salivares maiores pelo hilo e gradualmente se ramificam até os lóbulos. Um rico plexo vascular e nervoso circunda os componentes secretores e ductais de cada lóbulo. Os capilares que circundam as terminações secretoras são importantes para a secreção saliva, após o estímulo pelo sistema nervoso autônomo. O estímulo parassimpático, geralmente iniciado pelo gosto e pelo cheiro do alimento, provoca uma secreção abundante de saliva aquosa. O estímulo simpático produz uma pequena quantidade de saliva viscosa, rica em material orgânico. Esta secreção frequentemente associada a sensação de boca seca.

Inervação

Simpático: gânglio cervical superior

Parassimpática: nervo intermédio – facial e nervo glossofaríngeo

Suprimento nervoso

Na maioria das glândulas, a atividade secretora é controlada por impulsos que alcançam as células via nervos secretomotores. Em algumas glândulas, especialmente nas glândulas mucosas menores, pode ocorrer um lento fluxo residual de secreção espontânea, independente do controle nervoso. A inervação da glândula salivar é essencialmente complexa; informações atualmente disponíveis, obtidas a partir de estudos em glândulas de várias em glândula de várias espécies animais, indicam que as glândulas recebem nervos secretomotores pós-ganglionares de ambas as fontes, simpáticas e parassimpáticas, embora existam grandes variações entre as espécies, entre as glândulas e entre os tipos celulares em uma mesma glândula. Em relação a essa complexidade nos padrões de inervação, é possível reconhecer (no mínimo, morfologicamente) dois padrões de inervação.

Características que distinguem as glândulas salivares menores

Estão localizadas por toda a cavidade bucal, nos lábios, nas bochechas, no palato duro e mole, na língua e no sulco sublingual ou assoalho da boca.Elas não são encapsuladas e são nomeadas de acordo com suas localizações. Existem glândulas mucosas, serosas e mistas. Os produtos de secreção esvaziam-se na cavidade bucal através de numerosos ductos pequenos.

Glândulas salivares menores

Glândulas labiais

São numerosas pequenas glândulas que medem de 1 a 3 mm de diâmetro, situadas na submucosa dos lábios superior e inferior. Elas chegam a formar uma camada quase contínua entre a mucosa e o músculo orbicular da boca e são palpáveis quando se passa a língua na superfície interna dos lábios.

As glândulas labiais não possuem cápsulas. Portanto, não são lobuladas como as glândulas salivares maiores. As células predominantes são mucosas, porém, há algumas semiluas serosas. Com relação aos ductos, há apenas ductos excretores que se abrem diretamente na mucosa dos lábios.

Essas glândulas constituem a fonte principal de secreção de imunoglobulinas A da saliva, já que são responsáveis pela produção de cerca de 1/3 de IgA de toda a cavidade oral. A saliva produzida pelas glândulas labiais possui uma concentração média de IgA quatro vezes maior que a saliva produzida pela glândula parótida. Isto se deve ao fato de que seus ductos, freqüentemente, possuem bactérias orais em seus fundos. A alta concentração de IgA nesta saliva forma uma importante atividade reguladora de microorganismos da cavidade oral.

Se os ductos ficarem ocluídos por algum distúrbio, um cisto mucoso azulado (mucocele) se desenvolverá devido ao intumescimento da glândula.

Glândulas da bochecha (ou bucais)

As glândulas bucais, também chamadas de genianas ou jugais, são pequenas, arredondadas e estão localizadas irregularmente na submucosa da bochecha, entre os feixes do músculo bucinador e mesmo nas faces externas desse músculo. Essas glândulas são essencialmente mucosas e possuem a mesma aparência básica e estrutura das glândulas labiais.

As glândulas bucais estão distribuídas da seguinte maneira: da região anterior da bochecha até aproximadamente o canal parotídeo, as glândulas são muito escassas, já na região posterior, elas são mais volumosas.

Ao longo da submucosa, há formação de grupos de glândulas. Um grupo é chamado de glândulas dos molares, pois está localizado sob a região póstero-inferior da bochecha, que corresponde à área medial do ângulo da mandíbula. Recebe este mesmo nome um grupo de quatro ou cinco glândulas aumentadas localizadas próximo ao ducto da glândula parótida.

Há um grupo de glândulas bucais que está localizado medialmente ao músculo bucinador. Algumas das glândulas do grupo atravessam o músculo e estendem-se para a superfície externa.

Glândulas palatinas

As glândulas palatinas representam um grupo de aproximadamente 230 glândulas, que estão densamente agrupadas, formando uma camada na submucosa do palato mole. Estão localizadas na região póstero-lateral, entre a rafe e a gengiva. Dessa forma, além de ocuparem o palato mole, ocupam também parte do arco palatoglosso e a porção posterior do palato duro. Também podem ser encontradas na úvula.

As glândulas palatinas são mucosas puras e apresentam-se ultra - estruturalmente semelhantes às células mucosas da glândula sublingual. Essas glândulas consistem de longos ácinos mucosos que drenam para os ductos excretores. Estes ductos se fusionam com o epitélio do palato para formar a papila glandular, identificável a olho nu.

Apesar das glândulas estarem compactadas como se fossem um corpo único, cada glândula tem seu próprio ducto que perfura a mucosa do palato. Nos pacientes que ficam com a boca aberta durante longo tempo, pode-se visualizar gotículas de saliva nos locais de abertura dos ductos.

Glândulas linguais

As glândulas linguais são divididas em 3 grupos. A saliva produzida por essas glândulas possui secreções serosas e mucosas. A secreção serosa é fluida e aquosa, ajudando a remover partículas de alimento da superfície gengival, bochecha e dorso da língua. Já a secreção mucosa, que é viscosa e espessa, ajuda a ligar a comida mastigada para formar o bolo a ser deglutido e protege o epitélio bucal da ação das partículas de alimento.

As glândulas linguais são divididas em:

- Glândulas de Blandin-Nuhn

As glândulas de Blandin-Nuhn também são chamadas de glândulas linguais anteriores. Elas estão localizadas próximas a superfície ventral de ambos os lados do frênulo lingual.

Essas glândulas são formadas por cerca de 5 ductos que se abrem abaixo da língua na prega franjada. As porções mais anteriores são puramente mucosas e as posteriores são mucosas com algumas semiluas seromucosas.

As glândulas de Blandin-Nuhn são razoavelmente volumosas, com cerca de 14 a 22 mm de comprimento, 7 a 9 mm de largura e 5 a7 mm de altura.

- Glândulas serosas linguais posteriores ou de Von Ebner

Estas glândulas estão associadas com as papilas valadas no dorso da língua e, em menor extensão, com as papilas foliadas nas bordas laterais da língua. Os ductos se abrem em um sulco que circunscreve parcial ou completamente a papila valada ou em sulcos entre as papilas foliadas.

As glândulas de Von Ebner possuem importantes funções. A primeira é a produção de fluido aquoso que serve para levar partículas de alimentos e outros resíduos para fora das papilas valadas, além de lavar os botões gustativos. Outra função atribuída a essas glândulas é a ação de lípase, que ao chegar ao estômago, um ambiente altamente ácido, é capaz de hidrolisar os triglicerídeos. Essa função pode ter um papel muito importante em crianças que consomem grandes quantidades de gordura do leite, pois a lípase lingual tem um papel relevante na digestão desses lipídeos, principalmente quando os níveis de lípase pancreática não são suficientes.

- Glândulas mucosas puras ou de weber

As glândulas de Weber são consideradas puramente mucosas. É tipo mais numeroso de glândulas salivares linguais. Elas estão localizadas posteriormente às papilas valadas, na região faríngea da língua, se estendendo para frente e se misturando com as glândulas de Von Ebner. Também estão presentes ao longo das bordas laterais da língua.

Os ductos das glândulas de Weber se abrem nas criptas das tonsilas linguais e em fissuras e depressões entre os folículos tonsilares.

Essas glândulas têm como função lavar as criptas tonsilares. Devido a esse mecanismo de limpeza, raramente há infecção nas tonsilas linguais em comparação a outras massas de tecido lingual.

Patologias relacionadas ás Glândulas Salivares Menores

Distúrbios da alteração da função das glândulas:

  • Xerostomia:

Ressecamento crônico da boca devido a falta de saliva provocada por muitas causas, tais como, Síndrome de Sjogren, fármacos

  • Síndrome de Sjogren:

É uma doença auto-imune caracterizada pela ausência ou diminuição de saliva e/ou lágrimas. As glândulas submandibular, parótida, palatina e labial são as mais frequentemente afetadas pela doença, que se manifesta por um extensivo infiltrado linfocitário e atrofia das células do ducto acinar e mioepitelial.

  • Mucocele:

É um cisto de retenção dos ductos de glândulas salivares menores que contém muco.

Mais encontrado no lábio inferior, surge após irritação ou trauma mecânico ao ducto da glândula salivar, obstruindo o ducto muitas vezes.

  • Aumento:

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