Logística na ind de alimentos - Luiza Helena

Logística na ind de alimentos - Luiza Helena

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Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará Campus Sobral Curso: Tecnologia em Alimentos Disciplina: Gestão da Qualidade e Empreendedorismo Professor: Paolo Araújo

Importância da Logística na Indústria de Alimentos

Luiza Helena Feitoza Freire 6° Período

Dezembro de 2009, Sobral - Ce

1. INTRODUÇÃO3
2. ORIGEM, CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DA LOGÍSTICA4
3. COMPONENTES DA LOGÍSTICA6
4. GERENCIAMENTO LOGÍSTICO6
5. MODELO DE ESTRATÉGIA LOGÍSTICA7
5.1. NÍVEL ESTRATÉGICO7
5.2. NÍVEL ESTRUTURAL8
5.3. NÍVEL FUNCIONAL8
5.4. NIVEL DE IMPLEMENTAÇÃO9
6. O PAPEL DA LOGÍSTICA NA EMPRESAS10
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS14

1. INTRODUÇÃO

A logística nos últimos tempos se tornou uma ferramenta que proporciona a empresa, quando bem utilizada, vantagem competitiva e conseqüentemente uma fatia maior do mercado, onde somente os inovadores e arrojados, conseguem alcançar os seus objetivos em sua totalidade. Além de estar ligada à agilidade com que ela irá manusear, armazenar, deslocar, adquirir, controlar seus produtos e reduzir seus custos (GARCIA & GARCIA, 2009).

A sua utilidade não está limitada ao que foi apresentado acima, o seu enfoque atual encaminha-se na direção de agregar a tudo isto as necessidades dos clientes, que podem ser diferenciadas, sejam elas para repor o estoque regulador, seja para produção imediata ou para atender a um pedido especial de algum consumidor. Esta visão está relacionada à satisfação daqueles que são parte fundamental dentro do processo de comercialização, proporcionando a empresa perspectivas de aumento de receitas de vendas e margens de lucro (GARCIA & GARCIA, 2009).

Setúbal) em Portugal, sendo um dos poucos daquele país (GARCIA & GARCIA, 2009)

A logística está a cada dia sendo mais estudada e até mesmo lançada como curso superior, oferecido pela Escola Superior de Ciências Empresariais (Instituto Politécnico de

Os recursos provenientes da logística poderão ser utilizados nos diversos ramos de atividades das empresas, isto é que lhe dá ainda mais significância para que seja utilizada por todos (GARCIA & GARCIA, 2009).

O mercado atual é caracterizado por constantes mudanças que são impulsionadas pelo processo de globalização, ocasionando a abertura dos mercados e o acirramento da competição. Dessa realidade global emerge a necessidade de adaptação das estruturas empresariais em busca da elevação do desempenho competitivo, através da adoção de novas técnicas e critérios que visam atender as exigências do mercado e garantir a sua sobrevivência e/ou liderança, sendo este o maior desafio que qualquer empresa enfrenta atualmente, independente do seu segmento, de seu porte ou de sua localização geográfica (OLIVEIRA & CÂNDIDO, 2006).

Nessa perspectiva, a gestão logística, nas últimas décadas, tem se apresentado como atividade primordial para o sucesso de muitas empresas em termos de posicionamento no mercado, ao criar diferenciais competitivos que refletem no seu desempenho, inclusive na satisfação dos clientes e na rentabilidade da empresa (OLIVEIRA & CÂNDIDO, 2006).

Portanto, partindo da compreensão de que a logística tem um papel relevante na gestão empresarial moderna, ao ganhar espaço e reconhecimento na hora de focalizar custos, receitas e, principalmente, quando agrega valor de tempo e lugar a aquilo que foi contratado, verifica-se a necessidade de realizar estudos sobre o gerenciamento logístico das empresas, uma vez que a otimização do sistema logístico possibilita as empresas alcançarem vantagem competitiva (OLIVEIRA & CÂNDIDO, 2006).

2. ORIGEM, CONCEITOS E CARACTERÍSTICAS DA LOGÍSTICA

A palavra logística tem origem francesa (do verbo loger, que significa “alojar”) e era entendida como um termo militar que significava a arte de transportar, abastecer e alojar as tropas. Assim, não se pode falar em logística sem antes comentar sua relação com as guerras. Ao decidir avançar suas tropas seguindo uma determinada estratégia militar, os generais precisavam ter, sob suas ordens, uma equipe que providenciasse o deslocamento, na hora certa, de munição, víveres, equipamentos e socorro médico para o campo de batalha (NOVAES, 2004).

Na seqüência, já na década de cinqüenta, professores da Harvard Business School desenvolveram, em conjunto com a Inteligência Americana (CIA) estratégias para a Segunda Guerra Mundial, tornando na seqüência, matéria obrigatória nas cadeiras de Administração de Empresas e Engenharia daquela Universidade (GARCIA & GARCIA, 2009).

No início de 1991, o mundo presenciou um exemplo prático e dramático da importância da logística. Como preparativos para a Guerra do Golfo, os Estados Unidos e seus aliados tiveram que deslocar quantidades enormes de materiais a grandes distâncias, o que se pensava fazer em um tempo extremamente curto. Meio milhão de pessoas e mais de meio milhão de materiais e suprimentos tiveram que ser transportados através de 12.0 quilômetros por via aérea, e mais de 2,3 milhões de toneladas de equipamentos transportados pelo mar, tudo isto feito em questão de meses. Ao longo da história do homem, as guerras têm sido ganhas ou perdidas através do poder e da capacidade da logística, ou a falta deles (GARCIA & GARCIA, 2009)

A logística é um verdadeiro paradoxo. É, ao mesmo tempo, uma das atividades econômicas mais antigas e um dos conceitos gerenciais mais modernos. Desde que o homem abandonou a economia extrativista, e deu início às atividades produtivas organizadas, com produção especializada e troca dos excedentes com outros produtores, surgiram três das mais importantes funções logísticas, ou seja, estoque, armazenagem e transporte. A produção em excesso, ainda não consumida, vira estoque. Para garantir sua integridade, o estoque necessita de armazenagem. E, para que a troca possa ser efetivada, é necessário transportá-la do local de produção ao local de consumo. Portanto, a função logística é muito antiga, e seu surgimento se confunde com a origem da atividade econômica organizada (FLEURY et al, 2000).

Definições tradicionais de logística encontram-se em Ballou (1993) ao afirmar que: “a Logística é responsável por diminuir o hiato entre a produção e a demanda, de modo que os consumidores tenham bens e serviços quando e onde quiserem e na condição física que desejar”. E, em Christopher (1997), quando define logística como o processo com o qual se dirige de maneira estratégica a transferência e a armazenagem de materiais, componentes e produtos acabados, começando dos fornecedores, passando através das empresas, até chegar aos consumidores. Porém, a definição mais recente de logística é dada segundo o CLM – Council of Logistics Management norte-americano, Conselho de Administração Logístico segundo a qual “a logística é um processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor” (NOVAES, 2001).

Desta forma, entende-se a logística como a junção, ou seja, a integração das atividades de uma empresa desde a identificação das necessidades dos consumidores, passando pelos fornecedores de matéria-prima, o local de produção, o operador logístico, o varejista até a fase final de atendimento das necessidades desses consumidores. Para satisfazer essas exigências é necessário que a logística reorganize globalmente as suas funções, procurando estruturá-las juntamente, tornando-as um sistema integrado (OLIVEIRA & CÂNDIDO, 2006).

3. COMPONENTES DE LOGÍSTICA

A logística é composta pela cooperação de diversas áreas funcionais, com o objetivo de gerar capacidade necessária ao atendimento das exigências do mercado. De acordo com Bowersox e Closs (2001), geralmente, a competência logística é alcançada pela coordenação das atividades de um projeto de rede, de informações, de transporte, de estoque, de armazenagem, de manuseio de materiais e de embalagem, as quais integram o gerenciamento logístico.

Figura 1: Componentes chave da estratégia logística

Fonte: ROBESON, James F., COPACINO, William C. The Logistics Handbook. New York. The Free Press. 1994,

4. GERENCIAMENTO LOGÍSTICO

Ante as considerações anteriores, constata-se que a missão do gerenciamento logístico é planejar e coordenar todas as atividades necessárias para alcançar níveis desejáveis dos serviços e qualidade ao custo mais baixo possível. Portanto, a logística deve ser vista como o elo de ligação entre o mercado e a atividade operacional da empresa. O raio de ação da logística estende-se sobre toda a organização, do gerenciamento de matérias-primas até a entrega do produto final (OLIVEIRA & CÂNDIDO, 2006).

Os princípios de gerenciamento logístico levaram uns 70 anos ou mais para ser claramente definidos. Segundo Christopher (1997), o gerenciamento logístico, do ponto de vista de sistemas totais, é o meio pelo qual as necessidades dos clientes são satisfeitas através da coordenação dos fluxos de materiais e de informações que vão do mercado até a empresa, suas operações e, posteriormente, para seus fornecedores. Para o autor, o gerenciamento logístico tem potencial para auxiliar a organização a alcançar tanto a vantagem em custo/ produtividade como a vantagem em valor. Em síntese, as organizações que serão líderes de mercado no futuro serão aquelas que procurarão e atingirão os picos gêmeos da excelência: conseguirão tanto a liderança de custos como a liderança de serviços.

Desta forma, as empresas reconhecem que devem estar prontas para enfrentar desafios logísticos, pois o impacto nas mudanças do conteúdo competitivo é muito grande, trazendo com isso novas complexidades e problemas para a gerência. Em verdade, dos muitos problemas estratégicos que as organizações enfrentam talvez o mais desafiante seja o da logística. Bowersox, Closs e Cooper (2006) afirmam que as empresas líderes percebem que um sistema logístico bem projetado e bem operado pode ajudar a alcançar vantagem competitiva.

5. MODELO DE ESTRATÉGIA LOGÍSTICA

5.1. Nível Estratégico

Christopher (1997) afirma categoricamente que o serviço ao cliente é a principal fonte da vantagem competitiva. Assim, o objetivo da logística e do gerenciamento da cadeia de suprimentos é projetar estratégias que possibilitem a realização de um serviço de qualidade superior e baixo custo. Os requisitos de serviço, formulados pelo cliente e pelo consumidor, devem orientar toda a cadeia de negócios, incluindo manufatura, marketing e logística.

Para se conhecer claramente o que os clientes necessitam é importante que se realize uma segmentação criativa. Este é um ponto essencial para que as organizações conheçam seus mercados mais detalhadamente e venham a obter uma posição diferenciada em seus mercados. Segundo Porter (1992), um segmento industrial é sempre a combinação de uma variedade (ou variedades) de produtos e de algum grupo de compradores na compra desta variedade de produtos. Em geral, há diferenças estruturais nos compradores e nas variedades de produtos nas indústrias, resultando em segmentos que consistem em um subconjunto de produtos vendidos para um subconjunto de compradores.

5.2. Nível Estrutural.

O nível estrutural pode ser composto pelo design de canal e pela estrutura de rede.

O Design do canal envolve determinar quais atividades e funções necessitam ser estruturadas para um determinado nível de serviços e quais organizações participarão delas. Em outras palavras é definir a extensão e o grau de participação de cada um dos membros da cadeia de negócios, na distribuição. Muitos fatores influenciam a estratégia para o design de canal, incluindo o nível e a qualidade da demanda dos consumidores, a economia de canal, o papel dos participantes e a força e poder dos participantes do canal (ALMEIDA, 2009).

A constituição da rede física torna-se relevante pois define quais são as instalações necessárias, qual é a missão de cada uma delas e onde poderiam ser alocadas. Plantas de produção, almoxarifados, centros de distribuição e outras estruturas necessárias para se operar plenamente o processo produtivo buscam deixar claro quais clientes e/ou linhas de produtos deverão ser servidos a partir de cada instalação e qual o tamanho de cada estoque será necessário se manter para satisfazer os níveis especificados de serviço. Também implica em se definir qual destas estruturas poderá ser terceirizada e quais devem obrigatoriamente ser próprias (ALMEIDA, 2009).

5.3. Nível Funcional.

No nível funcional situam-se as atividades de gestão das atividades fundamentais – informação, armazenagem, transportes - sem as quais a logística não pode funcionar. Ballou (1993) definiu a logística empresarial como sendo aquela que trata de todas as atividades de (gestão de) movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como (gestão) dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável.

A gestão da informação se incumbe de definir o design e operação da infra-estrutura de informação; inclui a definição do ciclo de processamento de pedidos, escolha de software, hardware e sistemas integrados de comunicação, rastreamento e segurança. A gestão da armazenagem busca definir o design e operação da infra-estrutura de armazenagem e inclui lay-out das instalações, tecnologia de seleção e manuseio de materiais, produtividade, segurança e regulamentação legal, entre outras. A gestão dos transportes define design e operação da infra-estrutura de transportes e pode incluir considerações sobre escolha de modais, seleção de transportadores, racionalização dos transportes, consolidação de cargas, roteirização, agendamento, gerenciamento de frotas, medição de performance de transportes etc. Estas atividades são consideradas primárias porque elas são essenciais para a coordenação e o cumprimento da função logística (ALMEIDA, 2009).

5.4. Nível de Implementação.

De acordo com Almeida (2009)Neste nível se incluem as atividades de suporte e apoio, aquelas que funcionam como objetos ou instrumentos para se executar as tarefas logísticas que suprirão as operações logísticas. Este é o nível operacional, onde se dão as atividades cotidianas da logística. Consiste nos sistemas de suporte à logística, como políticas e procedimentos, manutenção das instalações e equipamentos e gerenciamento e mudança da cultura organizacional. Inclui ainda: Organização dos serviços.

1. Nível Estratégico:Cliente/Consumidor2. Nível Estrutural:Design do canal e estratégia de rede 3. Nível Funcional:Gestão das atividades funcionais, transportes, armazenagem e informação4. Nível de Implementação: gestão das atividades de suporte e apoio:organização, políticas e procedimentos, equipamentos e instalações, etc.

Planejamento e controle das operações. Política de serviço ao cliente. Etc.

Figura 2: Modelo de estratégia logística

Fonte: ALMEIDA, 2009.

6. O PAPEL DA LOGÍSTICA NAS EMPRESAS

A estrutura organizacional da maioria das empresas tradicionalmente gira em torno da área comercial e da área de produção ou operações. Este modelo de empresa é justificado normalmente pelo fato dos produtos ou serviços de uma empresa somente terão valor se puderem ser produzidos e vendidos; porém, esta simplificação deixa de lado todas as atividades que devem ocorrer entre pontos e tempos de produção ou compra e de pontos e tempos de demanda, que certamente afetam a eficiência e eficácia do comercial e da produção (PEIXOTO, 2004).

Atualmente as empresas têm considerado a logística dentro de cada área específica, seja o comercio, a produção ou operação; no entanto, os objetivos destas áreas normalmente a produção/ operações busca minimizar os custos, esta diferença nos objetivos pode levar à fragmentação dos interesses e das responsabilidades das atividades logísticas, bem como à falta de coordenação entre o processo como um todo, que pode acarretar em baixos níveis de serviços e custos totais mais elevados que necessário (PEIXOTO, 2004).

A logística empresarial representa uma redefinição das atividades de estocarmovimentar que normalmente ficam divididas entre o controle e atuação do comercial e da produção/ operação. Esta redefinição pode ser dada por estrutura organizacional formal ou apenas por mudança conceitual na forma de gestão. As interfaces com o setor comercial e de produção seria dado da seguinte forma: O setor comercial fica responsável pela geração do valor de posse do produto, promoção, variedade, equipe de vendas, atendimento etc; o setor de produção ou operação seria responsável pela geração do valor de forma do produto, controle de qualidade, projeto do trabalho, planejamento e programação da produção, manutenção etc; enquanto que o setor de logística seria o responsável pela geração dos valores de tempo e espaço. Entre as áreas existem determinadas atividades que não podem ser geridas exclusivamente dentro de um setor, e que necessitam de cooperação entre as funções envolvidas para atingir o resultado desejado. A figura 3 mostra o papel da logística na empresa e a interfaces com o setor comercial e de produção/ operação.

Figura 3: Papel da logística na empresa

Fonte: PEIXOTO, 2004

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