Apostila Instalações Gado De Leite

Apostila Instalações Gado De Leite

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Instalações para gado de leite - Área de CRA/DEA/UFV - Cecília de F. Souza et al. 1

Os principais destaques mundiais na produção de leite são EUA, Índia, Rússia, Alemanha,

França e Brasil (FAO).

O Brasil contava com 34 milhões de cabeças no seu rebanho bovino leiteiro, contabilizado em 2002, o que representava aproximadamente 20% do rebanho bovino mundial (ANUALPEC, 2003). Em 2001 foram produzidos 19,8 bilhões de litros de leite de 18 milhões de vacas ordenhadas (IBGE, 2002).

Em 2002 a produção de leite no Brasil foi de 21 bilhões de litros, permitindo um consumo médio de 127 litros por habitante, mas em média são produzidos apenas 3 litros por vaca por dia contra 2,5 dos Estados Unidos, 20,5 do Canadá, 16, 9 da Alemanha, 14,5 da Austrália e 10,6 da França, ou seja, nesses países apesar do rebanho ordenhado ter sido menor que o do Brasil, foi mais especializado (ANUALPEC, 2002).

Os estados que se destacam na produção de leite no Brasil são: Minas Gerais, Goiás, Rio

Grande do Sul, São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Em Minas Gerais, a produção média foi de aproximadamente 6 bilhões de litros de leite obtidos de 4,5 milhões de vacas ordenhadas no ano de 2000, o que gerou produtividade de 1.3 litros/vaca (3,7 litros/dia) ou de 328 litros/habitante nesse ano. Goiás produziu nesse mesmo ano 2,5 bilhões de litros, 1.095 litros/vaca e 439 litros/habitante (IBGE, 2000).

Apesar disso, o setor leiteiro no Brasil tem passado por crises históricas que vêm contribuindo para o abandono ou mesmo substituição desta atividade por outras mais vantajosas. Considerandose o período de 1992 a 2002, houve aumento de 5% na produção nacional de leite (IBGE).

Por outro lado, as crises também tornaram obrigatória a racionalização do empreendimento para atingir um nível satisfatório de rentabilidade, forçando adequada combinação de fatores genéticos do rebanho, alimentação a manejo, que por sua vez contribuíram para a melhoria produtiva. Atualmente o Brasil tem o custo de produção mais baixo do mundo, US$ 0,18 por litro (LEITE BRASIL, 2003).

Dentre os fatores que contribuíram para aumento da produtividade, destaca-se o manejo intimamente ligado às instalações bem planejadas a executadas, que reduzem os custos de produção, devido a maior eficiência de mão-de-obra, conforto, salubridade e produtividade dos animais, bem como maior satisfação do pecuarista.

Dados da EMBRAPA/CNPGL(2003) ainda evidenciam queda acentuada das importações de leite. Considerando-se por exemplo o leite in natura, em 1997 o Brasil importou 122.469 mil kg e em 2002, 27.560 mil kg. A redução das importações significa mais economia para o país e possibilidade de geração de novos empregos, uma vez que a mão de obra familiar pode ser empregada para repor o que não foi importado.

A importância da pecuária leiteira nacional ainda pode ser reforçada pelo segmento industrial , que por meio de grandes empresas de laticínios, é capaz de ofertar ao mercado uma infinidade de subprodutos como o leite em pó, os queijos, a manteiga, os doces e iogurtes. Recentemente, a

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Podem ser citados alguns fatores de entrave do setor no Brasil, tais como: carência de mão-deobra qualificada e baixo nível de escolaridade; carência e ineficiência da assistência técnica; deficiência gerencial do produtor; baixo nível de adoção de tecnologias (alimentação, manejo, raças, o que resulta em baixa produtividade e qualidade); alto custo da produção; custo elevado dos equipamentos (tanques) para a coleta a granel do leite; distorções entre os agentes da cadeia produtiva (formação de preços de produto e de insumos); baixa representatividade (política) do setor; tributação de ICMS desigual entre Estados e, entre produtos, dentro de um mesmo estado; competição com o setor informal; desorganização da cadeia produtiva, com competição autodestrutiva; problemas de gestão e integração do sistema cooperativo; falta de marketing para aumentar o consumo de produtos lácteos; restrição de linhas de crédito e recursos para atender a pecuária de leite; falta de projetos para captação de recursos externos; recursos hídricos escassos – barragens; ausência de isenções de tributos para os produtos derivados do leite; custos cartoriais elevados para contratação de projetos; orçamento insuficiente da SEAG; falta de política de defesa comercial em relação ao mercado externo (importações).

Porém, podem ser citados os fatores que facilitam a manutenção e evolução da atividade no país: atividade adequada a políticas de geração de empregos e ocupação de mão-obra familiar; tradição do país na atividade pecuária; disponibilidade de tecnologias de produção, projetos para processo de industrialização, máquinas e equipamentos; disponibilidade de material genético de alto padrão, com avanço nas técnicas de inseminação artificial e transplante de embriões; infra-estrutura para realização de feiras e exposições; políticas para garantia de preço mínimo; boa capilaridade da rede de distribuição de insumos; existência de cooperativas e empresas privadas; proximidade dos grandes centros consumidores; boa infra-estrutura educacional para formação de técnicos e capacitação de agricultores.

Dessa forma, pode-se observar que a cadeia produtiva tem demonstrado que o setor da pecuária bovina é capaz de aumentar a produção de leite de forma a poder competir e sobreviver no mercado globalizado instalado. O que deverá acontecer nos próximos 10 (dez) anos, com a pecuária bovina dependerá dos modelos econômicos, políticos e sociais que serão seguidos pelo Brasil.

Além dos fatores mencionados, o sucesso da cadeia produtiva do leite estará associado ao manejo adotado e como o manejo está intimamente ligado ao projeto adequado das instalações, as mesmas deverão atuar no sentido de:

- Amenizar as adversidades climáticas inerentes ao meio ambiente, oferecendo maior conforto aos animais e homens, em todas as fases da exploração;

- Otimizar a mão-de-obra, tornando os trabalhos agrícolas menos árduos, com economia de tempo a espaço;

- Aumentar a renda da propriedade agrícola por meio da maior produção de homens e animais, bem como permitir a estocagem de alimentos abundantes na estação das águas.

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Para que as instalações zootécnicas de um modo geral, não só aquelas destinadas à produção de leite, sejam consideradas satisfatórias, na fase de planejamento devem ser considerados os seguintes pontos:

1. LOCALIZAÇÃO

O terreno onde será implantada a unidade de produção deve ter boas características de drenagem, ser levemente inclinado, firme, ensolarado e protegido contra ventos frios, com o que se conseguirá minimizar os problemas advindos da alta concentração de umidade no local de criação dos animais. Deve ter abastecimento de energia elétrica ou outra alternativa e de água potável. Deve ser servido de vias de acesso e por fim, deve ter formas e dimensões necessárias para permitir ampliações futuras e distribuição racional das instalações.

2. ORIENTAÇÃO

A orientação está intimamente relacionada com a localização. No entanto, há uma regra básica que deve em geral ser respeitada para todo tipo de construção zootécnica nos trópicos (salvo raras exceções como os bezerreiros): o eixo longitudinal da obra deve estar orientado no sentido leste-oeste, com o que se conseguirá:

- Que a superfície exposta a oeste seja a menor possível, evitando-se superaquecimento pela forte insolação nas longas tardes de verão;

- Que ao dispor de uma fachada totalmente orientada a norte, o sol de inverno, que sobe pouco no horizonte, penetre até o interior da instalação, enquanto que no verão o beiral atuará como guarda-sol;

- Que no caso de duas fachadas, uma permanentemente quente a outra permanentemente fria, seja favorecida a ventilação natural naquelas instalações que não dispõem de outro meio de ativá-la.

3. DISTRIBUIÇÃO DOS PRÉDIOS QUE COMPÕEM A EXPLORAÇÃO

A disposição das instalações deve permitir um bom fluxograma, com o que se conseguirá maior rendimento da mão-de-obra, boa movimentação dos insumos ou produtos finais, bom destino final dos subprodutos e conseqüentemente maiores lucros. A distância das instalações em relação aos pastos das vacas leiteiras não deve exceder a 1 km para não resultar em quebra de produção. Como pode ser observado nas FIGURAS 1 e 2, só é possível definir a distribuição dos prédios de uma instalação para gado leiteiro, após a definição do manejo a ser empregado.

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1- estradas, circulação 2- sala de ordenha e leite 3- curralete de espera ( mínimo 2 m/cabeça a ter entrada na ordenha 4- conjunto lavapés-pedilúvio 5;6-brete pulverizador 4,70 e escorredouro 1,5 a 6,0 m 7- curral de alimentação 6-8 m/cabeça 8- comedouro p/ volumosos-0,8 m/cabeça 9- bebedouro

10- saleiros 1- bateria de silos e coberta para picadeira 12- bezerreiro individual e coletivo 13- baias p/ bezerros 14- baias p/ touros 15- depósito geral e galpões 16- instalação sanitária 17- tanque para esterco líquido 50,0 m da sala de leite, capacidade 100 l/cabeça/dia + margem(escova para descarga) 18- Áreas ajardinadas

Figura 1 – Planejamento de localização das Instalações para Gado de Leite

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Quebra-Vento

1. Curral de Alimentação 2. Bebedouro 3. Cocho da volumoso 4. Curral de espera 5. Sala de Ordenha 2x6 6. Sala de leite 7. Sala de máquinas 8. Escritório, depósito 9. Vestiário/ Reservatório d’água

10. Calçada 1. Bezerras, Abrigos individuais móveis 12. Bezerras, novilhas 13. Baia para touro 14. Tanque, esterco “líquido” 15. Depósito/ Mistura de concentrados 16. Depósito de feno

17. Silos (trincheira) 18. Picadeira 19. Galpão de máquinas/ferra mentas 20. Residência do retireiro 21. Estradas 2. Maternidade, abrigo

Figura 2 – Planejamento de Localização das Instalações para Gado de Leite

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Não poderá jamais haver uma receita de manejo de gado leiteiro que se adapte a todas as propriedades rurais. O manejo depende de um número muito grande de variáveis entre as quais: raça do animal, mão-de-obra disponível, topografia, área da propriedade, nível sócio-econômico do proprietário, centro consumidor, vias de acesso, objetivo da exploração, etc.

O processo de manejo é uma dinâmica de difícil definição mas representa a linha mestra do sucesso da exploração leiteira. O manejo adotado é que define as instalações, e dessa forma, podem ser citadas algumas instalações necessárias ao processo produtivo de leite:

- Currais para volumosos; - Currais de Espera;

- Anexos aos Currais: * seringa

* lava-pés

* pedilúvio

* brete pulverizador

- Divisórias de Curral (Figuras 13,14) / Porteira (figura 3) * madeira

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