Coletnea de concursos questes

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QUESTÕES DE PORTUGUÊS Por Wagner – Junho de 2010

AGENTE DE FISCALIZAÇÃO JUDICIÁRIA 2010 – 30 QUESTÕES

Leia o texto para responder às questões de números 21 a 30. Sobre os perigos da leitura

Nos tempos em que eu era professor da Unicamp, fui designado presidente da comissão encarregada da seleção dos candidatos ao doutoramento, o que é um sofrimento. Dizer esse entra, esse não entra é uma responsabilidade dolorida da qual não se sai sem sentimentos de culpa. Como, em 20 minutos de conversa, decidir sobre a vida de uma pessoa amedrontada? Mas não havia alternativas. Essa era a regra. Os candidatos amontoavam-se no corredor recordando o que haviam lido da imensa lista de livros cuja leitura era exigida. Aí tive uma ideia que julguei brilhante. Combinei com os meus colegas que faríamos a todos os candidatos uma única pergunta, a mesma pergunta. Assim, quando o candidato entrava trêmulo e se esforçando por parecer confiante, eu lhe fazia a pergunta, a mais deliciosa de todas: “Fale-nos sobre aquilo que você gostaria de falar!”. [...] A reação dos candidatos, no entanto, não foi a esperada. Aconteceu o oposto: pânico. Foi como se esse campo, aquilo sobre o que eles gostariam de falar, lhes fosse totalmente desconhecido, um vazio imenso. Papaguear os pensamentos dos outros, tudo bem. Para isso, eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar, a partir da infância. Mas falar sobre os próprios pensamentos – ah, isso não lhes tinha sido ensinado! Na verdade, nunca lhes havia passado pela cabeça que alguém pudesse se interessar por aquilo que estavam pensando. Nunca lhes havia passado pela cabeça que os seus pensamentos pudessem ser importantes. (Rubem Alves, w.cuidardoser.com.br. Adaptado)

21. De acordo com o texto, os candidatos

(A) não tinham assimilado suas leituras. (B) só conheciam o pensamento alheio. (C) tinham projetos de pesquisa deficientes. (D) tinham perfeito autocontrole. (E) ficavam em fila, esperando a vez.

2. O autor entende que os candidatos deveriam

(A) ter opiniões próprias. (B) ler os textos requeridos. (C) não ter treinamento escolar. (D) refletir sobre o vazio. (E) ter mais equilíbrio.

23. A palavra brilhante, no início do 2.º parágrafo, significa

(A) refulgente. (B) luzente. (C) luxuosa. (D) admirável. (E) lustrosa.

24. A palavra a, em –no entanto, não foi a esperada. (3.º parágrafo), refere-se a

(A) candidatos. (B) pergunta. (C) reação. (D) falar. (E) gostaria.

25. A expressão um vazio imenso (3.º parágrafo) refere-se a

(A) candidatos. (B) pânico. (C) eles. (D) reação. (E) esse campo.

26. As palavras que, no 3.º parágrafo, retomam o termo os candidatos, são:

(A) eles, outros, próprios. (B) eles, isso, próprios. (C) aquilo, eles, seus. (D) eles, lhes, sua. (E) aquilo, isso, próprios.

uma responsabilidade dolorida

27. Assinale a alternativa que apresenta a mesma estrutura sintática do trecho – Dizer esse entra, esse não entra é

(A) Manter posições, disse o general aos seus comandados. (B) Ter dito não sei tudo foi o ponto alto da entrevista. (C) Disse o secretário que dez cidades estão em alerta contra a dengue. (D) Projeto de lei da pesca é aprovado e causa polêmica em MS. (E) Diz a Light que, após um dia, a luz foi restabelecida na zona sul.

28. Assinale a alternativa que apresenta a mesma estrutura verbal de voz reflexiva empregada na frase – Os candidatos amontoavam-se no corredor.

(A) Concebeu-se, assim, uma nova forma de viver. (B) Foi assim que o prédio se construiu. (C) Os candidatos não sabiam se estavam preparados. (D) Diante do frio, procuraram todos agasalhar-se. (E) Os campos aravam-se com instrumentos primitivos.

29. Indique a frase em que o verbo haver está empregado da mesma maneira que em – Para isso eles haviam sido treinados durante toda a sua carreira escolar.

(A) Há um contentamento de Dunga com os novos técnicos. (B) Pode haver muita chuva no Grande Prêmio da França. (C) O Instituto havia dito que os casos de câncer vão aumentar. (D) Durante meses, houve dúvidas sobre o candidato indicado. (E) Havia duas horas que os aeroportos estavam fechados.

30. Assinale a alternativa que preenche adequadamente e de acordo com a norma culta a lacuna da frase: Quando um candidato trêmulo eu lhe faria a pergunta mais deliciosa de todas.

(A) entrasse (B) entraria (C) entrava (D) entrar (E) entrou

Leia o texto para responder às questões de números 31 a 40.

No fim da década de 90, atormentado pelos chás de cadeira que enfrentou no Brasil, Levine resolveu fazer um levantamento em grandes cidades de 31 países para descobrir como diferentes culturas lidam com a questão do tempo. A conclusão foi que os brasileiros estão entre os povos mais atrasados – do ponto de vista temporal, bem entendido – do mundo. Foram analisadas a velocidade com que as pessoas percorrem determinada distância a pé no centro da cidade, o número de relógios corretamente ajustados e a eficiência dos correios. Os brasileiros pontuaram muito mal nos dois primeiros quesitos. No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar. O país dos relógios é, portanto, o que tem o povo mais pontual. Já as oito últimas posições no ranking são ocupadas por países pobres. O estudo de Robert Levine associa a administração do tempo aos traços culturais de um país. “Nos Estados Unidos, por exemplo, a ideia de que tempo é dinheiro tem um alto valor cultural. Os brasileiros, em comparação, dão mais importância às relações sociais e são mais dispostos a perdoar atrasos”, diz o psicólogo. Uma série de entrevistas com cariocas, por exemplo, revelou que a maioria considera aceitável que um convidado chegue mais de duas horas depois do combinado a uma festa de aniversário. Pode-se argumentar que os brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários porque a infraestrutura não ajuda. Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo e não se pode confiar no transporte público? (Veja, 02.12.2009)

31. De acordo com o texto, os brasileiros são piores do que outros povos em

(A) eficiência de correios e andar a pé. (B) ajuste de relógios e andar a pé. (C) marcar compromissos fora de hora. (D) criar desculpas para atrasos. (E) dar satisfações por atrasos.

32. Pondo foco no processo de coesão textual do 2.º parágrafo, pode-se concluir que Levine é um

(A) jornalista. (B) economista. (C) cronometrista. (D) ensaísta. (E) psicólogo.

3. Na expressão distância a pé não se emprega o acento de crase no a. Isso acontece, pelo mesmo motivo, na alternativa:

(A) É preciso comparecer a festas. (B) Vai pagar a perder de vista. (C) Gostava de andar a cavalo. (D) Viajou a Brasília. (E) Vai começar a viajar.

34. A expressão chá de cadeira, no texto, tem o significado de

(A) bebida feita com derivado de pinho. (B) ausência de convite para dançar. (C) longa espera para conseguir assento. (D) ficar sentado esperando o chá. (E) longa espera em diferentes situações.

A maioria considera aceitável que um convidado chegue mais de duas horas
(A) A maioria dos cariocas consideram aceitável que um convidado chegue mais de duas horas
(B) A maioria dos cariocas considera aceitáveis que um convidado chegue mais de duas horas
(C) As maiorias dos cariocas considera aceitáveis que um convidado chegue mais de duas horas
(D) As maiorias dos cariocas consideram aceitáveis que um convidado chegue mais de duas horas

35. Assinale a alternativa de concordância que pode ser considerada correta como variante da frase do texto – (E) As maiorias dos cariocas consideram aceitável que um convidado cheguem mais de duas horas...

(A)os brasileiros estão entre os povos mais atrasados...
(C) Os brasileirosdão mais importância às relações sociais...
(D) Como ser pontual se o trânsito é um pesadelo
(E)não se pode confiar no serviço público?

36. Há emprego do sentido figurado das palavras em: (B) No ranking geral, os suíços ocupam o primeiro lugar. 37. Assinale a alternativa em que todas as palavras ou expressões têm a função de construir a coesão do texto.

(A) chás de cadeira, Brasil. (B) quesitos, o país dos relógios. (C) povos, distância a pé. (D) Robert Levine, traços culturais. (E) Estados Unidos, tempo é dinheiro.

38. Analisar escreve-se com s porque é derivada da palavra análise, que tem s em seu radical. A palavra em que o mesmo processo justifica o emprego do s é

(A) tediosa. (B) bondoso. (C) pesquisador. (D) comunismo. (E) gigantesco.

39. Considere este trecho – … os brasileiros são obrigados a ser mais flexíveis com os horários porque a infraestrutura não ajuda. A oração que tem a mesma natureza sintática da oração subordinada – … porque a infraestrutura não ajuda. – é:

(A) uma vez que a infraestrutura não ajuda. (B) embora a infraestrutura não ajude. (C) a infraestrutura, pois, não ajuda. (D) muitas vezes a infraestrutura não ajuda. (E) como a infraestrutura não ajuda.

40. Assinale a alternativa em que as palavras são acentuadas graficamente pelos mesmos motivos que justificam, respectivamente, as acentuações de: década, relógios, suíços.

(A) flexíveis, cartório, tênis. (B) inferência, provável, saída. (C) óbvio, após, países. (D) islâmico, cenário, propôs. (E) república, empresária, graúda.

Leia o texto para responder às questões de números 41 a 50.

Zelosa com sua imagem, a empresa multinacional Gillette retirou a bola da mão, em uma das suas publicidades, do atacante francês Thierry Henry, garoto-propaganda da marca com quem tem um contrato de 8,4 milhões de dólares anuais. A jogada previne os efeitos desastrosos para vendas de seus produtos, depois que o jogador trapaceou, tocando e controlando a bola com a mão, para ajudar no gol que classificou a França para a Copa do Mundo de 2010. (...) Na França, onde 8 em cada dez franceses reprovam o gesto irregular, Thierry aparece com a mão no bolso. Os publicitários franceses acham que o gato subiu no telhado. A Gillette prepara o rompimento do contrato. O serviço de comunicação da gigante Procter & Gamble, proprietária da Gillette, diz que não.

Em todo caso, a empresa gostaria que o jogo fosse refeito, que a trapaça não tivesse acontecido. Na impossibilidade, refez o que está ao seu alcance, sua publicidade. Segundo lista da revista Forbes, Thierry Henry é o terceiro jogador de futebol que mais lucra com a publicidade

– seus contratos somam 28 milhões de dólares anuais. (...) (Veja, 02.1.2009. Adaptado)

41. A palavra jogada, em – A jogada previne os efeitos desastrosos para venda de seus produtos– refere-se ao fato

de

(A) Thierry Henry ter dado um passe com a mão para o gol da França. (B) a Gillette ter modificado a publicidade do futebolista francês. (C) a Gillete não concordar com que a França dispute a Copa do Mundo. (D) Thierry Henry ganhar 8,4 milhões de dólares anuais com a propaganda. (E) a FIFA não ter cancelado o jogo em que a França se classificou.

42. Assinale a alternativa em que todas as palavras ou expressões recuperam, por coesão textual, o fato de Thierry ter controlado a bola com a mão.

(A) jogada, gesto irregular. (B) jogada, impossibilidade. (C) impossibilidade, trapaça. (D) gesto irregular, trapaça. (E) gesto irregular, mão no bolso.

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