(Parte 3 de 6)

A declividade mínima é função do diâmetro, e pode ser obtida na tabela 6.

TABELA - 6

Declividades mínimas

Diâmetro - m 40 50 75 100 125 150 200 250 300 40 0

Declividade - % 3 3 2 1 1 1 0,5 0,5 0,5 0,5

4.2 PERMITIR FÁCIL DESOBSTRUÇÃO DAS TUBULAÇÕES.

O acesso à tubulação e a fácil desobstrução são viáveis através dos seguintes dispositivos: - caixas de gordura, caixas de inspeção, desconectores, sifões, visitas.

A NBR 8160 estabelece ainda:

⇒ Todo trecho de tubulação deve ser acessível. ⇒ Os sifões devem ser inspecionáveis.

⇒ Entre duas inspeções só pode haver uma deflexão, obrigatóriamente menor que 90o e executada com curva longa.

⇒ A distância entre duas inspeções deve ser menor que 25 m.

⇒ A distância entre o coletor público e a primeira inspeção deve ser menor que 15m.

⇒ A distância entre o vaso sanitário e a primeira inspeção deve ser menor que 10 m.

⇒ Em prédios com mais de 5 andares a distância máxima do tubo de queda até a primeira inspeção deve ser de 2 m.

Instalação de Esgoto Doméstico Detalhes construtivos da caixa de inspeção

Detalhes construtivos da caixa de gordura

Função

Separar a gordura da água antes de lançar a água na rede do esgoto primário.

Número de Pias

D mínimo cm h mínimo cm

Ø saída m H cm

Volume de retenção mínimo - litros

N = número de pessoas.

Instalação de Esgoto Doméstico A caixa de gordura pode ser cilíndrica ou quadrada.

4.3 VEDAR A PASSAGEM DE GASES E ANIMAIS DAS TUBULAÇÕES PARA O INTERIOR DAS EDIFICAÇÕES.

O alcance deste objetivo está vinculado à correta compreensão do que seja esgoto primário, esgoto secundário e desconector, definidos anteriormente. Portanto, para alcançar este objetivo, deve-se prever e posicionar corretamente os desconectores e ligar corretamente os aparelhos sanitários ao sistema de esgoto . Os aparelhos devem ser ligados segundo o esquema:

lavatórios banheiras ralos sifonados chuveiros ligam-se a caixas sifonadas bidês tubulações primárias usando sifões tanques tubulações secundárias pia de cozinha caixas de gordura máquina de lavar luoça ligam-se a pia de copa tubos de gordura vaso sanitário liga-se à tubulação primária (100mm).

Pia de despejo liga-se à tubulação primária usando sifão.

Máquina de lavar roupa: devido ao sabão em pó que forma espuma na grelha da caixa sifonada, liga-se a máquina de lavar roupa diretamente na tubulação primária. Convém construir uma caixa sifonada especial, para evitar o retorno dos gases do esgoto.

herméticamente fechada. (NBR 8160 - itens 4.4.2 e 4.5.9.9)

Mictórios: devem ser ligados a caixas sifonadas sem grelha, a tampa deve ser

OBSERVAÇÃO: Pela Norma, um desconector só pode receber ramais de descarga dos aparelhos do ambiente onde ele está instalado.

5. DESTINO FINAL DO ESGOTO DOMÉSTICO

O nosso objetivo quando projetamos instalações hidrossanitárias é dar um destino adequado ao esgoto doméstico de residências isoladas, edifícios residenciais, comerciais, industriais e conjuntos habitacionais. Não cabe, portanto, a preocupação com o esgoto de grandes comunidades, que merece ser tratado por especialistas no assunto. Este assunto é regulamentado através da norma 7229/93 que trata do projeto, construção e operação de sistemas de tanques sépticos, da norma 13969/97 que abrange o tratamento e disposição final dos efluentes de tanques sépticos.

5.1 Princípios gerais

O esgoto doméstico deve ser tratado e afastado de maneira que as seguintes condições sejam atendidas:

⇒ nenhum manancial destinado ao abastecimento domiciliar corra perigo de poluição, ⇒ não sejam prejudicadas as condições próprias à vida nas águas receptoras,

esporte,

⇒ não sejam prejudicadas as condições de balneabilidade de praias e outros locais de recreio e ⇒ não haja perigo de poluição de águas subterrâneas,

daquelas utilizadas na dessedentação de rebanhos e na horticultura.

⇒ não haja perigo de poluição de águas localizadas ou que atravessem núcleos de população ou

inconvenientes,

⇒ não venham a ser observados odores desagradáveis, presença de insetos e outros ⇒ não haja poluição do solo capaz de afetar direta ou indiretamente pessoas e animais.

5.2 O esgoto doméstico

A reunião dos despejos provenientes do uso da água para fins higiênicos é que se denomina de esgoto doméstico. Fisicamente o esgoto contém em torno de 9% de água, uma certa quantidade de partículas sólidas em suspensão e ar dissolvido. Normalmente os esgotos têm certa alcalinidade devido ao uso de sabão e detergentes. Sua coloração se altera de cinza para escuro à medida que ocorre a fermentação aeróbica, com a redução do oxigênio dissolvido e exalação de mau cheiro devido à formação de gases. Os esgotos domésticos contêm enorme quantidade de bactérias. Algumas são patogênicas, causando doenças. Outras não são patogênicas, portanto não causam doenças. As bactérias coliformes não são patogênicas, são portanto inofensivas, mas a sua presença indica que há contaminação por fezes e, portanto, há a possibilidade da presença de microrganismos patogênicos que podem causar enfermidades como: cólera, hepatite infecciosa, tuberculose, tifo, poliomielite e diversas gastroenterites. No esgoto há ainda bactérias que propiciam a transformação do esgoto. Elas são dos tipos:

Bactérias Aeróbicas: Elas retiram o oxigênio contido no ar, seja diretamente da atmosfera, seja do ar dissolvido na água. Elas se alimentam das matérias orgânicas, formando produtos estáveis. Essa ação bacteriana é chamada de oxidação ou decomposição aeróbica.

Bactérias Anaeróbicas: Elas não consomem oxigênio do ar. Elas retiram o oxigênio dos compostos orgânicos ou inorgânicos, os quais perdem, portanto, o oxigênio de suas moléculas. Essa ação bacteriana é chamada putrefação ou decomposição anaeróbica.

Bactérias Facultativas: Podem viver tanto em meios dos quais possam retirar o oxigênio, como retirar oxigênio de substâncias que o contém. Sem oxigênio não há condições para a estabilização da matéria orgância existente no esgoto. Essa avidez de oxigênio, para atender ao metabolismo das bactérias, e a transformação da matéria orgância chama-se Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO). A DBO é, assim, um índice de concentração de matéria orgância presente num volume de água e, por consequência, um indicativo dos seus efeitos na poluição. Portanto, quanto maior a poluição por esgoto, maior a quantidade de matéria orgânica presente e maior será a demanda de oxigênio para estabilizar essa matéria orgânica. À medida que ocorre a estabilização da matéria orgânica, diminui evidentemente a DBO. Sua determinação se realiza medindo-se a quantidade de oxigênio consumida em uma amostra do líquido a 20° C, durante cinco dias, que simbolicamente se representa por DBO 5,20°C. Então: DBO 5,20°C = 320mg/litro ou 320 ppm (partes por milhão) significa dizer que os esgotos considerados na temperatura de 20° C retiram 320 mg de oxigênio por litro. Nos esgotos domésticos, a DBO 5 varia de 100 a 300 mg/litro e, quando o tratamento é eficiente, a redução pode situar a DBO5 entre 20 e 30 mg/litro. O grau de tratamento, ou eficiência de tratamento, é a relação, expressa em percentagem, entre a redução dos valores dos parâmetros característicos de esgoto, tais como a matéria em suspensão (MS) e a demanda bioquímica de oxigênio (DBO) após o tratamento, e os valores dessas mesmas grandezas para o esgoto bruto, isto é, não tratado. Quando não se têm meios de realizar a determinação direta da DBO, admite-se para essa grandeza o valor de 54g/hab/dia na elaboração do projeto de uma estação de tratamento de esgotos.

5.3 O processo de tratamento

Como já ficou estabelecido no início, pretendemos dar um destino ao esgoto doméstico de pequenos grupos habitacionais, residências, prédios comerciais, industriais, hotéis, quartéis, hospitais, escolas etc. Neste caso o destino ocorrerá segundo o esquema seguinte:

Tanque Séptico

Estação compacta baseada em aeração

Estação compacta baseada no Bio Disc

Corpo receptor:

Rios

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