Guia básico de orientação nutricional para as equipes de saúde da atenção básica

Guia básico de orientação nutricional para as equipes de saúde da atenção básica

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Guia Básico de Orientação Nutricional para as Equipes de Saúde da Atenção Básica

Guia Básico de Orientação Nutricional para as Equipes de Saúde da Atenção Básica

Governo do Estado Bahia Secretaria de Saúde do Estado da Bahia Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia

Governo do Estado Bahia Secretaria de Saúde do Estado da Bahia Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia

Guia Básico de Orientação Nutricional para as Equipes de Saúde da Atenção Básica

Guia Básico de Orientação Nutricional para as Equipes de Saúde da Atenção Básica

Governo do Estado Bahia Secretaria de Saúde do Estado da Bahia Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia

Governo do Estado da Bahia Jacques Wagner

Secretário de Saúde do Estado da Bahia Jorge José Santos Pereira Solla

Superintendência de Atenção Integral à Saúde Alfredo Boa Sorte

Diretoria de Gestão do Cuidado Débora do Carmo

Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia Reine Marie Chaves Fonseca

Coordenação Técnica - SESAB/CEDEBA Maria Teresa Nunes Gouveia

Coordenação de Apoio a Rede - SESAB/CEDEBA Júlia de Fátima Coutinho

Criação e Elaboração do Texto Equipe técnica da SESAB/CEDEBA

Nutricionistas:

Lúcia Barbosa Marisa Sacramento Gonçalves

Maria Palmira C. Romero

Enfermeira: Maria das Graças Velanes de Faria

Revisão Geral:

Reine Marie Chaves Fonseca Odelisa Silva de Matos

Projeto Gráfico: Grajaú Gráfica e Encadernadora Ltda.

Coordenação de Rede de Cuidados Especializados Luana da Silveira

da atenção básica.
Salvador: SESAB/CEDEBA, 2008.

GUIA básico de orientação nutricional para as equipes de saúde 1. Equipe de saúde - Guia nutricional. CDU 612.39

para diabetes e hipertensão7
em situações específicas8
Metas do tratamento do diabetes mellitus tipo 29
Avaliação Nutricional10
Necessidades energéticas totais1
Composição do plano alimentar12
Carboidratos13
Gorduras13
Proteínas14
Vitaminas e sais minerais14
Fibras15
Água15
Fracionamento do Plano Alimentar15
Adoçantes16
Alimentos Diet e Light16
Álcool16
Primeira consulta17
Consulta subsequente18
da hemoglobina glicada19
ANEXOS21

Apresentação.............................................................................................5 Objetivos da terapia nutricional Objetivos da terapia nutricional Aspectos clínicos e laboratoriais

disponíveis na rede básicaAnexo 1
disponíveis na rede básicaAnexo 2
Os 10 passos para a alimentação saudávelAnexo 3
Lista de Substituição - DMAnexo 4
Planos AlimentaresAnexo 5 a 1
Referências Bibliográficas34

Medicamentos para diabetes Medicamentos para hipertensão SUMÁRIO

A partir do Plano de Reorganização da Atenção ao Diabético e Hipertenso-2001, favorecido pelo fortalecimento da atenção básica de saúde desencadeado pelo processo de municipalização da saúde, e a implantação do Projeto Mais Saúde pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia e implementado nas micro e macro regionais de saúde fica evidente a necessidade de rediscutir a atuação da equipe de saúde nas ações de Diabetes e Hipertensão Arterial.

Do ponto de vista dos serviços de saúde, se antes havia a intencionalidade, atualmente há responsabilidade e compromisso. Isto porque um dos principais objetivos deste Plano é vincular às equipes de saúde os diabéticos e hipertensos do SUS. Para tal, a qualificação técnica dos recursos humanos através das capacitações e treinamento são elementos essenciais na melhoria da qualidade da assistência a que se propõe.

Diante das experiências vivenciadas na assistência ao diabético e hipertenso, na atenção básica observa-se que com o quadro reduzido do profissional de nutrição, em especial no Programa de Saúde da Família, surge um hiato na EDUCAÇÃO ALIMENTAR. Aliado ao mau hábito alimentar e as condições sócio-econômicas e culturais do paciente, a fragilidade técnica dos demais profissionais da equipe de saúde da atenção básica no tocante à nutrição contribui como um dos fatores que mais influenciam na falta do cumprimento das orientações sobre o plano alimentar por parte dos diabéticos e hipertensos.

Embora não substitua a consulta com um profissional nutricionista, mas vislumbrando maior desempenho técnico da equipe de saúde das Unidades de Saúde no tocante à prescrição do tratamento não farmacológico, especificamente, no planejamento alimentar dos diabéticos e hipertensos, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia, através do Centro de Diabetes e Endocrinologia da Bahia/Coordenações Técnica e Apoio à Rede, elaborou este Manual contendo orientações nutricionais, de forma objetiva e essencial, dirigidos a essa clientela, viabilizando assim, a identificação do plano alimentar mais apropriado ao paciente.

Salientamos que estas instruções seguem as diretrizes das Normas estabelecidas pelo Ministério da Saúde e Orientações Técnicas das Sociedades Científicas de diabetes e hipertensão .

1.Prevenir e tratar as complicações crônicas do diabetes e hipertensão, modificando a ingestão de nutrientes e o estilo de vida de forma adequada para prevenção e tratamento da obesidade, dislipidemia, doenças cardiovasculares, hipertensão e nefropatia

2.Alcançar e manter os parâmetros metabólicos satisfatórios, incluindo:

Níveis de glicose sanguíneos no limite normal ou mais perto do normal possível de ser seguro para prevenir ou reduzir o risco para complicações do diabetes.

Um perfil de lipoproteínas e de lipídios que reduza o risco para doença macrovascular.

Níveis de pressão arterial que reduzam o risco cardiovascular.

Nutrição adequada levando em consideração as necessidades individuais, preferências pessoais e culturais e estilo de vida e ao mesmo tempo respeitando os desejos do individuo e sua vontade de mudar.

1.Jovens com diabetes tipo 1

Promover aporte de energia adequado para assegurar crescimento e desenvolvimento normais , integrar regimes de insulina juntamente com os hábitos alimentares e atividade física usuais

2.Jovens com diabetes tipo 2

Facilitar mudanças de hábitos alimentares e atividade física que reduzem resistência a insulina e melhora status metabólico

3. Idosos

Prover as necessidades psicossocial e nutricional, para um individuo em envelhecimento.

4.Indivíduos tratados com insulina ou secretagogos de insulina

da hipoglicemia, principalmente relacionada ao exercício

Prover educação de auto-cuidado para tratamento (e prevenção) 8

Glicose Plasmática(mg/dl) Ideal Aceitável

Glicohemoglobina(%)< 6,5

Colesterol(mg%)

Total< 200 HDL >45 LDL <100

Triglicérides (mg%) <150

Pressão Arterial(mmHg) Sistólica <135 Diastólica <80

Índice de massa Corpórea(Kg/m²)20 – 25 Kg/m²

Fonte: Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes-2007

DIABETES MELLITUS TIPO 2 e da hipertensão arterial

Avaliação nutricional

Uma avaliação básica do estado nutricional do individuo pode ser feita com dados antropometricos (peso, altura, circunferência abdominal)

Medida geralmente encontrada próxima a cicatriz umbilical, deve ser feita no meio da distância entre a crista ilíaca e o rebordo costal inferior

É um indicador utilizado para determinar o estado nutricional.

O IMC é calculado pela divisão do peso em kg pela altura em metros ao quadrado

IMC = Peso

Altura²

IMC Estado Nutricional
18 a < 60 anos> 60 anos

Classificação (OMS,1998) e Parâmetros do SISVAN

MULHER >80 >8

Fonte: I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica

Os alimentos são fontes de energia para o trabalho do organismo, a qual chamamos de caloria. A quantidade de calorias necessária para um indivíduo varia de uma pessoa para outra, deve ser calculada com base no estado nutricional e adequada ao estilo de vida de cada um.

Para calcular o VET com base no Estado Nutricional em indivíduos de 18 a 60 anos e em idosos utilizar a tabela abaixo .

OBESOIDOSOSPD x 25-35 CAL PD x 25-30 CAL

< 18,5BAIXO PESO

PA x 40 - 50 CAL PA x 30 - 40 CAL

PD x 30 - 35 CAL PD x 30 - 35 CAL

PD x 25 - 30 CAL

PA x 35-45 CAL

PA x 25-35 CALPD x 25-35 CAL18,5 - 24,9 25,0 - 29,9

PA Peso atual

2 PD Peso desejável (IMC desejável x altura ( m )

IMC desejável para homens = 2 Kg/ midosos = 25 Kg/ m
IMC desejável para mulheres = 20,8 Kg/ midosas = 23,8 Kg/ m

2 2 OBSERVE O NÍVEL DE ATIVIDADE DA PESSOA COM DIABETES.

O plano alimentar do diabético e/ou hipertenso , deve ser individualizado e nutricionalmente adequado considerando também o perfil metabólico (pressão arterial, perfil glicêmico e lipídico, função renal)

Através da pirâmide de alimentos podemos visualizar a importância da variedade, moderação e proporção dos alimentos que devem ser consumidos diariamente de acordo com seu valor nutritivo e funcional .

Energia Concentrada

Construtores

Energéticos

Reguladores Reguladores

Construtores

Fornecem energia ao organismo. Cada grama fornece 04 calorias. Carboidrato e gordura monoinsaturada devem perfazer 60 - 70% das calorias totais do Plano Alimentar.

Alimentos contendo carboidratos de cereais integrais, frutas, verduras e leite desnatado devem ser incluídos em uma dieta saudável. Como a sacarose não aumenta a glicemia mais que quantidades isocalóricas de amido, alimentos contendo sacarose podem eventualmente ser consumidos no contexto de uma alimentação saudável.

Também fornecem energia, cada grama de gordura fornece 09 calorias. Recomenda-se o consumo aproximado de 30% do VET ou 80 a 85% de CHO + gorduras totais, sendo :

* Saturada < 10% Recomendar até 7% se LDL-colesterol for > 100mg/dL. Evitar carnes gordas, embutidos, laticínios integrais, frituras, gordura do coco, azeite dendê, pele de frango, bacon, toucinho e alimentos ricos em gorduras trans.

* Poliinsaturada até 10 % .Incluir óleos vegetais soja, milho, girassol e peixes (sardinha, cavala, arenque, salmão)

* Monoinsaturada 60 a 70 % CHO + ácidos graxos. Incluir azeite oliva , óleo canola, abacate, oleaginosas

*Colesterol < 300 mg/ dia. Recomenda-se 200 mg diárias para indivíduos com LDL-colesterol >100 mg/dL

Observação:

saturam

As gorduras mono e poliinsaturadas quando submetidas a altas temperaturas

O consumo excessivo de gorduras eleva significativamente o total de calorias da dieta , conseqüentemente há aumento de peso que é fator de risco de doenças cardiovasculares, hipertensão, obesidade e outras patologias.

Duas ou três porções de peixe por semana provêem gordura poliinsaturada

Omega 3 na dieta e devem ser recomendas. 13

Responsáveis pela formação da estrutura dos tecidos. Cada grama de proteína fornece 04 calorias

Representam 15 - 20% do VET. Preferir carne magra, leite e derivados desnatados. Ovos respeitar o limite de duas gemas por semana.

Não há evidências para sugerir que o percentual de proteínas deva ser modificado em pessoas com diabetes se a função renal é normal.

Quando a ingestão dietética é adequada, em geral não há necessidade de suplementação. É recomendado o consumo de 2 a 4 porções de frutas, sendo uma rica em vitamina C (frutas cítricas) e de três a cinco porções de hortaliças cruas e cozidas e sempre que possível, dar preferência aos alimentos integrais.

A ingestão diária de 1000-1500 mg de cálcio, especialmente em indivíduos idosos com diabetes é recomendada. Leite e derivados , folhosos verde escuro são boas fontes de cálcio

Deve ser limitado a 6g/dia ou 2,4 g de sódio que equivalem a 4 colheres de café rasas de sal (4g de sal ) + sal próprio do alimento (2g de sal). Evitar os alimentos processados, como embutidos,conservas, enlatados, defumados e salgados de pacotes do tipo snacks. Retirar o saleiro da mesa

Componentes de origem vegetal que resistem a hidrólise pelas enzimas digestivas e desempenham um importante papel no bom funcionamento do aparelho digestivo, favorecendo a integridade da mucosa intestinal, melhorando a intolerância à glicose e o perfil lipídico. Classificam-se em :

FIBRAS SOLÚVEIS (pectina e gomas) tem a função de retardar o esvaziamento gástrico e do trânsito intestinal ,tornar mais lenta a absorção da glicose e reduzir os níveis de colesterol.

FIBRAS INSOLÚVEIS, (celulose, hemicelulose e lignina) tem a função de acelerar o trânsito intestinal e dão saciedade.

É recomendado o consumo diário mínimo de 20 gramas/dia da forma de hortaliças, frutas, leguminosas e grãos integrais.

É o principal componente do organismo, constitui cerca de 2/3 do peso corporal total. Junto ao oxigênio, ela é o elemento mais importante para a manutenção da vida. Possui função reguladora, de transporte de nutrientes, bem como a eliminação de toxinas, regula a temperatura corporal. Em situações normais recomenda-se o uso mínimo de 2 litros de água /dia.

Nos pacientes que usam doses fixas de insulina ou secretagogos de insulina os alimentos devem ser distribuídos em 3 refeições com 2 a 3 lanches intermediários nestes incluído a refeição noturna. Manter constante, a cada dia e em cada refeição, a quantidade de carboidrato ingerida, com auxílio da lista de equivalentes ou usando o recurso da contagem de carboidrato .

O fracionamento do plano alimentar é importante para que haja equilíbrio entre a ação da medicação e a liberação de glicose, evitando flutuações nos níveis séricos.

Os adoçantes artificiais não-calóricos podem ser utilizados respeitando-se as recomendações diárias oficiais

Os alimentos diet são formulados de maneira que sua composição atenda às necessidades específicas

Os alimentos light são aqueles que em relação ao produto convencional apresentam uma redução de algum nutriente, no mínimo, de 25%

Recomendações: Usar com orientação do profissional de saúde Conhecer composição ( ler o rótulo) Substituir o valor de carboidrato na dieta Evitar produtos que tenham teor > 5g de gordura/porção.

Não é recomendado o uso habitual de bebidas alcoólicas. O uso excessivo pode aumentar o risco de hipoglicemia e está relacionado com o aumento da pressão arterial e do peso. Contudo, estas podem ser consumidas moderadamente no limite de duas doses para homem e uma dose para mulher . Uma dose é definida como 360 ml de cerveja, 150 ml de vinho ou 45 ml de bebida destilada. Para reduzir o risco de hipoglicemia, bebidas alcoólicas devem ser consumidas com alimentos.

Diet Light

Selecione o plano alimentar* que mais se aproxime ao valor encontrado e adeque aos hábitos do paciente

Leia o plano alimentar e oriente o uso da lista de substituição** para o paciente e/ou acompanhante

Reforçe a necessidade dos lanches da tarde e noite nos diabéticos , principalmente os que fazem uso de medicação.

Encaminhe para os demais profissionais da equipe e incentive a participação nos grupos educativos.

Proceda a avaliação do Estado Nutricional. Com base no IMC calcule o VET 1º Passo:

2º Passo:

3º Passo: 4º Passo:

5º Passo:

*Ver anexo páginas 5-1 ** Ver anexo pagina 4

1º Passo:

Verifique os níveis de glicemia e pressão arterial

Investigue sinais e sintomas apresentados

Avalie a necessidade de ajuste do plano alimentar de acordo com a nova avaliação

Reforce as orientações da LISTA DE SUBSTITUIÇÃO. Esclareça dúvidas

2º Passo: 3º Passo:

4º Passo: 5º Passo:

Repita a avaliação do estado nutricional

Encaminhe o paciente para os demais profissionais da equipe e reforce a participação nos grupos educativos. 6º Passo:

Fonte : Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes - 2007

SIGNIFICADO DA A1C

Reflete a glicemia média de um indivíduo durante os dois ou três meses anteriores à data de realização do teste, e assim, tem grande utilidade na avaliação do nível do controle glicêmico e da eficácia do tratamento vigente.

Deve ser realizada de rotina em todos os pacientes desde o início do tratamento e no mínimo a cada três ou quatro meses.

Hemoglobina glicada (%) Glicemia (mg/dl)

Sulfoniluréias agem principalmente aumentando a secreção de insulina pelo pâncreas. A hiperinsulinemia tardia, a probabilidade de reações hipoglicêmicas e ainda o ganho de peso tornam estas drogas merecedoras de cuidados específicos.

Biguanidas, particularmente a metformina, são indicados para pacientes em que predomina a resistência à insulina, pois seu mecanismo de ação principal é melhorar a sensibilidade à insulina. São contra-indicadas em pacientes com insuficiência renal, hepática e cardíaca.

Inibidores das alfa-glicosidases, como o acarbose, agem retardando a absorção intestinal (da glicose, frutose) reduzindo a hiperglicemia e a hiperinsulinemia após as refeições, porém podem trazer efeitos colaterais indesejados como eliminação de gases e alterações do ritmo intestinal.

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