Manual de Orientação Básica para Equipe de Enfermagem - HIV - AIDS

Manual de Orientação Básica para Equipe de Enfermagem - HIV - AIDS

(Parte 1 de 5)

AIDS é só uma doença desses nossos dias, uma qualquer: não aceito que façam dela sinônimo do último dia. Ela nada mais significa senão uma infecção por um vírus que causa uma epidemia que vamos vencer com todas as letras do amor:

tempo de descobrir, enfim, a vida

“ E é verdade que eu descobrira algo de suave e fascinante na sua atrocidade (da Aids). Não deixava de ser uma doença inexorável, mas não era fulminante. Era uma doença de patamares, uma escada muito alta que levava certamente para a morte, mas em que cada degrau representava uma aprendizagem sem par. Era uma doença que dava tempo de morrer e que dava à morte o tempo de viver, o HERVÉ GUIBERT

Breve Reflexão3
Introdução9
Conteúdo Programático10
Unidade 1 - Epidemiologia e transmissão do HIV1
Unidade 2 - A infecção pelo HIV e doenças oportunistas associadas15
Unidade 3 - Prevenção da transmissão do HIV em serviços de saúde19
indivíduo e na comunidade23

ÍNDICE Unidade 4 - O impacto psicossocial da infecção pelo HIV no

do HIV e a clientes portadores do HIV e da AIDS27
Unidade 6 - Educação como instrumento para evitar a infecção pelo HIV31
pelo HIV37

Unidade 5 - Capacitação para aconselhamento na realização de testes sorológicos Unidade 7 - Cuidados a serem oferecidos a adultos com doenças ocasionadas

sobre as mulheres39
Unidade 9 - Cuidados com a criança infectada pelo HIV e com AIDS43
Unidade 10 - Refletindo sobre a assistência de enfermagem ao cliente terminal47
prestar assistência ao portador do HIV e da AIDS53
Referências Bibliográficas211
Anexos215

Unidade 8 - O impacto da infecção pelo HIV e das doenças ocasionadas pelo vírus Unidade 1 - O papel do enfermeiro na educação da equipe de enfermagem para Equipe de Trabalho .................................................................................................................... 217

A necessidade de uma segunda tiragem do Manual de Orientação

Básica para Equipe de Enfermagem na Prevenção do HIV e Assistência a Pessoas Portadoras do HIV e de Aids reflete a sua adequação aos treinamentos realizados em 26 estados brasileiros, levando às equipes de enfermagem a informação e o estímulo à discussão sobre a realidade da epidemia de aids, cada vez mais presente no cotidiano dos profissionais de saúde do País.

Este Manual tem por objetivo principal instrumentalizar a equipe de enfermagem, capacitando-a a desenvolver, de maneira mais eficiente e humanitária, o seu trabalho de prevenção ao HIV e de assistência a pessoas portadoras de aids.

A equipe de enfermagem é essencial para a conjugação do trabalho multidisciplinar, podendo permanecer até 24 horas do dia ao lado de quem necessite dos seus cuidados, assistindo o paciente com uma proximidade maior e um espírito de solidariedade não apenas necessário, senão fundamental para o processo de recuperação da sua saúde, da sua força de vontade e da sua melhor qualidade de vida.

PEDRO CHEQUER Coordenador Nacional de DST e Aids-MS

O Programa Nacional de DST/AIDS, preocupado em imprimir uma política de capacitação para a área de enfermagem, no qual o enfermeiro assumisse efetivamente o papel do responsável por essa tarefa junto a sua equipe, traduziu e adaptou o manual “Prevenção do HIV e Assistência a Pessoas Afetadas pelo Vírus: Módulo de Ensino para Enfermeiros e Obstetras”, elaborado pelo Programa Global Contra a AIDS da Organização Mundial de Saúde (OMS/PGA), ano de 1992.

Elaborada esta adaptação, foi promovida uma Oficina de Trabalho, no qual profissionais ligados à área de educação e enfermagem em nível nacional fizeram a revisão e a validação do material instrucional. Após, realizou-se um treinamento-teste e finalmente a revisão final.

Esse Manual é composto de onze Unidades. A Unidade I procura dar uma visão da situação de pandemia de AIDS. A Unidade I mostra como o cliente pode ser atingido clinicamente pelo efeito de infecção. A Unidade I trata da prestação da assistência livre de riscos; a IV, discute o que torna a AIDS uma doença diferente das demais; a V enfatiza a importância do aconselhamento, o significado da aplicação do teste para detecção da infecção; a VI trata da importância da Educação como estratégia de prevenção; as Unidades VII, VIII e IX discutem a assistência ao adulto, às mulheres e às crianças; a Unidade X proporciona uma reflexão sobre o cliente terminal e a Unidade XI procura resgatar o compromisso do enfermeiro na capacitação da equipe de enfermagem.

Essas unidades podem ser aplicadas integralmente para todos os participantes, propiciando o enriquecimento das discussões pela troca de experiência de atuação nos diversos níveis de atenção e nas diversas especialidades.

Outra alternativa é aplicar essas Unidades em etapas, segundo as necessidades e realidade de cada Serviço de Saúde.

Seja qual for a alternativa adotada, é importante que todos os enfermeiros vivenciem a

Unidade XI, que não faz parte do material original da OMS, construído para sensibilizar os enfermeiros para uma das suas tarefas, já mencionada no início; a capacitação da equipe de enfermagem.

Esse material tem, portanto, a finalidade de ser referência para treinamento de enfermeiros e da equipe de enfermagem, tendo como diretriz que a mesma não se aproprie só do conteúdo técnico para realizar assistência de enfermagem, mas principalmente da forma de abordar e satisfazer as necessidades do cliente dando-lhe uma vida mais digna.

A duração do curso é de 80 horas, com carga horária diferenciada por Unidade, conforme quadro abaixo, devendo ser oferecido para grupos de 15 a 20 participantes.

I 6 2 8 I 6 3 9 I 5 - 5 IV 8 - 8 V 4.30 - 4.30 VI 8 - 8 VII 5 4 9 VIII 4 4 8 IX 4 4 8 X 4 - 4 XI 5.30 - 5.30 AVALIAÇÃO 3 - 3

TOTAL 63 17 80

A prática profissional deve ser realizada nos Centros de Referência e/ou Unidades

Especializadas, através de um estágio supervisionado onde se dará o processo de avaliação, devendo os enfermeiros saber o que e porque fazer, durante seu desempenho profissional.

A metodologia utilizada proporciona aos participantes vivenciarem várias estratégias de ensino, dependendo do tema a ser abordado.

Finalmente, considerando a especificidade do tema abordado, é importante que durante o treinamento haja participação de profissionais da área da saúde e que haja flexibilidade para incorporação de novos conhecimentos que estão sendo produzidos sobre o assunto.

Assim, este Manual é apresentado em colecionador com folhas destacáveis, organizadas por assuntos e que permitirá a incorporação de novas informações, propiciando a atualização sempre que necessária.

infecção pelo HIV causa uma condição que gera medo e insegurança.Como membros da sociedade, os enfermeiros tendem a compartilhar os temores e as interpretações, que podem ou não estar equivocadas, dos outros membros que compõem essa sociedade. Por essa razão, é essencial que compreendam e trabalhem claramente seus próprios temores e preocupações e, somente assim, saberão separar os medos infundados dos que realmente mereçam consideração. Os enfermeiros devem compreender o alcance da pandemia da AIDS e a forma pela qual o HIV é transmitido. Esse é o primeiro passo para se tornarem profissionais bem informados e devidamente capacitados para compreender a problemática que envolve a assistência de pessoas infectadas pelo HIV. Frente a essa problemática, o profissional deve assumir postura adequada, de maneira eficiente e eficaz. Deve também assumir seu papel de líder da equipe de enfermagem e articulador, com outros profissionais, da assistência a essa clientela.

Ao concluir esta unidade, o aluno estará apto a aplicar conhecimentos básicos de epidemiologia do HIV e da AIDS, num determinado contexto social e explicitar o processo de transmissão, ressaltando a função que lhe cabe nesse processo.

Identificar os principais temores pessoais e coletivos em relação à infecção pelo HIV e da AIDS.

05’1. Instrutor deve colocar no quadro negro ou numa folha de papel o seguinte texto acompanhado das perguntas:

“Muitas pessoas sentem medo quando ouvem a palavra AIDS pela primeira vez. Há muitas opiniões diferentes sobre a natureza da doença, como se propaga, quem a contrai e quantas pessoas falecem em decorrência dela.Vamos começar o nosso estudo de infecção pelo HIV e da AIDS pelo que vocês já sabem e sentem, e pelo que outras pessoas geralmente pensam e sentem em relação à AIDS.”

ƔO que você já ouviu a respeito da infecção pelo HIV e da AIDS? (fazer com que o grupo relate os conhecimentos científicos e populares) ƔO que você sabe sobre a transmissão do HIV? ƔDescreva as diferentes formas pelas quais as pessoas afirmam que a infecção se propaga. ƔQuando você pensa em cuidar de uma pessoa com AIDS, qual a sua reação?

2. Trabalhar com pequenos grupos para que discutam e respondam a essas perguntas. Solicitar que sintetizem a discussão escrevendo num painel.

30’ 3. Compartilhar os resultados das discussões, solicitando que cada grupo apresente seu trabalho.

Descrever o comportamento do agente etiológico da AIDS e suas características. Identificar questões relacionadas à transmissão.

20’4. Leitura em grupo do Anexo n° 1. Comparar essas informações, com os quadros apresentados no item anterior.

15’5. Solicitar a dois participantes do grupo que encenem a seguinte situação: “Uma enfermeira está fazendo compras e encontra uma vizinha que lhe diz que tem medo de beber água em copo de bar porque ouviu dizer que pode transmitir a AIDS. A enfermeira explica à vizinha como a infecção do HIV se propaga. A vizinha continua a citar formas de transmissão inadequadas”.

Solicitar ainda que finalizem da maneira que julgar mais adequada esta dramatização.

30’6. Compartilhar a discussão, solicitando que os enfermeiros relatem o que aprenderam com o exercício, enfatizando a importância da abordagem adequada à clientela.

Identificar as inter-relações existentes entre a infecção pelo HIV e outros agentes causadores de DST.

30’7. Solicitar ao grupo que listem as DST mais comuns que ocorrem na sua comunidade, anotando em um quadro. ƔDiscutir a relação que existe entre essas doenças e a transmissão do HIV, baseado nos dados do Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde ou publicações locais.

Descrever aspectos epidemiológicos locais, nacionais e globais da pandemia da AIDS, enfatizando a importância da vigilância como parte dos esforços para romper a cadeia de transmissão.

60’8. O instrutor deverá usar referências locais e nacional (Boletim emitido pelo Programa Nacional) para apresentar informações sobre a incidência e prevalência da infecção pelo HIV e da AIDS. Essas informações devem conter minimamente: ƔQuantas pessoas de sua comunidade estão infectadas pelo HIV (prevalência)? ƔComo o HIV está sendo transmitido em seu país (incidência)? ƔQuantos casos de AIDS foram relatados em seu país até o presente momento (prevalência)?

9. Apresentar a ficha de vigilância epidemiológica da AIDS em adulto e criança.

Sugere-se para o desenvolvimento das atividades 8 e 9 a presença de um profissional que atue no serviço de vigilância epidemiológica.

60’10. Organizar uma visita dos alunos, divididos em pequenos grupos, a serviços que tenham algum tipo de relação com AIDS (Programa Nacional, COAS, Hospitais, Ambulatórios Especializados, Serviços de Transfusão de Sangue, Serviços de Dados sobre Saúde, etc.), tendo como finalidade obter o maior número de informações possíveis sobre o assunto. Montar um roteiro prévio, conforme sugestão abaixo, segundo o tipo de instituição visitada.

ƔQual o tipo de vigilância de HIV e da AIDS que está sendo feito pelo serviço? ƔQual o número de casos novos? Qual é o percentual de casos em relação a população total? ƔQuem está realizando testes para detectar o anticorpo do HIV? É oferecida orientação antes e após o teste? ƔQue tipo de treinamento os profissionais tiveram para isso? ƔOnde as pessoas com AIDS podem ser assistidas? Como as pessoas são encaminhadas a esses serviços, que tipo de assistência e/ou orientação recebem?

ƔEsses serviços atendem também a clientela com DST? ƔQue serviços comunitários estão disponíveis à pessoas infectadas com HIV e com AIDS? ƔA AIDS é uma doença notificável: Quem notifica, e a quem? Existe formulário especial para isso? ƔQuantos testes para detectar o anticorpo do HIV foram realizados em seu serviço no ano passado? Quantos, desse total, foram positivos? E durante esse ano? ƔQuais as principais categorias de transmissão na sua localidade/país (por exemplo, heterossexual, homossexual, usuário de drogas injetáveis, transfusão de sangue)? ƔComo os casos de AIDS e/ou de pessoas que fizeram o teste para detectar o anticorpo do HIV e cujo resultado foi positivo estão distribuídos em termos de faixa etária, sexo, região etc? Como essas informações são coletadas?

120’ 1. Acompanhar, se possível, um ou mais grupos durante a visita.

60’ l2. Compartilhar a experiência, solicitando que cada grupo descreva as principais informações que conseguiu coletar. Comparar os resultados da visita com os dados descritos no item 08. Entregar a cada participante o Anexo n° 2.

Descrever o papel do enfermeiro na prevenção e controle da infecção pelo HIV na comunidade.

60’ 13. Rever com todo o grupo as principais informações adquiridas durante as atividades desta unidade e solicitar que listem quais seriam as principais atribuições do enfermeiro na prevenção evitando, dessa forma, a propagação do HIV. Guardar este material para uso posterior.

sta unidade consolidará o nível de aprendizagem alcançado na Unidade I e terá como finalidade facilitar a compreensão da história natural da infecção, das doenças ocasionadas pelo vírus e das conseqüências clínicas da infecção pelo HIV. Os conhecimentos adquiridos nesta Unidade e na Unidade I, lançarão base para: planejamento, implementação e avaliação das intervenções importantes na área da enfermagem e desenvolvimento de estratégias de educação para a saúde.

Ao concluir esta unidade o aluno identificará os efeitos da infecção pelo HIV sobre o sistema imunológico e suas conseqüências clínicas, reconhecendo as doenças oportunistas associadas á infecção.

Reconhecer como o HIV afeta o sistema imunológico, suas manifestações clínicas e as doenças oportunistas associadas.

60’ 1. Leitura da referência bibliográfica nº 1, páginas 41 a 62.

120’ 2. Discutir o texto. Levar o grupo à construção do conceito de sistema (rede) e principais órgãos envolvidos (medula óssea, timo, linfonodos, baço). Apoiar o grupo na esquematização destacando função dos órgãos e fluxo das células que proporcionam a resposta imune.

3. Descrever o que o grupo sabe sobre as manifestações clínicas que se associam às alterações do sistema imunológico causadas pelo HIV. Relacionar as principais doenças oportunistas associadas. Recomenda-se trazer um profissional da área para apoiar as atividades 2 e 3.

30’ 4. Trabalhar em 3 grupos, solicitando que cada um analise um caso e decida como deve ser classificado de acordo com os aspectos clínicos referidos no Anexo nº 2.

CASO A: O Sr. T. decidiu doar sangue no serviço local de hemoterapia. No entanto, após ser submetido a um teste sangüíneo, disseram-lhe que era portador do HIV e que não poderia mais doar sangue. Ele está bastante confuso, pois sente-se bastante saudável. CASO B: A Sra. A. submeteu-se a um teste recentemente e sabe que é portadora do HIV. A sua queixa atual inclui febre, calafrios, sudorese e mialgia. CASO C: O Sr. N. tem uma sorologia positiva para HIV, não está bem e se queixa de diarréia crônica e febre nas últimas sete semanas e de uma tosse persistente. Além disso, há diversas semanas está com aftas.

30’ 5. Compartilhar a discussão, com cada grupo apresentando a solução de cada caso. Reforçar os conceitos de Infecção Aguda, Infecção Assintomática e AIDS, definindo se algum desses casos deve ser notificado.

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