Sociologia da educação em durkheim marx e max weber

Sociologia da educação em durkheim marx e max weber

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SOCIOLOGIA DA EDUCAÇÃO EM DURKHEIM MARX E MAX WEBER

1. A SOCIEDADE E A EDUCAÇÃO EM DURKHEIM

Durkheim enfatiza: a questão da ordem social.

A sociedade para Durkheim: é uma realidade estruturada ao longo da história que converte o presente em que vivemos num fato duradouro, resistente ao capricho da nossa vontade.

A sociedade se apresenta: como um todo estruturado capaz de moldar os individuos, os quais da sociedade dependem, como uma realidade externa, independente do individuo.

Representações coletivas: quando a sociedade tem uma dimensão real, como o espaço que ocupa as instituições, os comportamentos sociais dos individuos.

Durkheim afirma que a sociedade desperta nos individuos: um sentimento de apoio, de proteção, de dependência.

O homem: é conjunto de bens intelectuais que constitui a civilização, e a civilização é obra da sociedade.

A influência da sociedade sobre o individuo: exige a ação comum, o compartilhar hábitos, costumes, normas morais, sentimentos que são essencialmente derivados do meio social em que nasce e vive.

Processo educativo segundo Durkheim: vem a ser a incorporação pelo individuo das representações coletivas constitutivas da sociedade concreta onde vive e morre.

A sociedade e a educação no sentido sociologico: a educação, entendida não só como o que é ensinado na escola, mas em todas as instituições sociais, é a forma pela qual a sociedade como realidade externa passa a fazer parte da “bagagem” mental, interna, de cada individuo. A sociedade atua como uma força operativa e imperiosa sobre os individuos é a socialização.

Processo educativo pelo qual a sociedade molda uma criança: toda educação consiste num esforço continuo para impor a criança maneiras de ver e de agir as quais ela não teria chegado espontaneamente. Desde os primeiros tempos da sua vida coagimos a comer, a dormir, etc. Se com o tempo, essa coação deixa de ser sentida, é porque fez nascer hábitos e tendências internas que a tornam inutil, mas que só a substituem porque derivam dela.

Os professores: são agentes que realizam um processo de coação sistemática sobre as novas gerações com a finalidade de educa-las para serem participantes ativos do meio social em que vivem.

2. A divisão social do trabalho e a solidariedade orgânica

O processo educativo é bem sucedido quando a coação deixa de ser sentida, o individuo bem educado passa a agir e pensar de acordo com as expectativas do meio social, não imposta de fora, mas como um hábito consciente, uma decisão própria.

A consciência coletiva mobiliza variadas sanções sociais para enquadrar os desviantes da norma e das regras morais que justamente regulam o cmportamento de cada um de nós.

Alberto Tosi Rodrigues: meio moral é produzido pela cooperação entre os individuos, através de um processo de interação que chamou de divisão do trabalho social. Vida moral será a base dos conteudos transmitidos na forma de crenças, valores e normas de geração para geração.

Divisão do trabalho social: é baseada na cooperação e consenso de seus membros. Durkheim estabelece duas formas: solidariedade mecânica e a solidariedade orgânica.

Solidariedade social: é a forma de ligação moral que se estabelece em cada tipo de sociedade, de acordo com a complexidade maior ou menor da divisão do trabalho social.

Solidariedade mecânica: o individuo está totalmente imerson na consciência coletiva que dirige o seu comportamento. Praticamente não há margem para a iniciativa individual e o individuo é obrigado a seguir a norma do grupo sem contestação. Ex. Tribo de índios.

Solidariedade orgânica: soliedariedade por diferença, as pessoas não estão juntas porque fazem juntas as mesmas coisas, mas o contrário: estão juntas porque fazem coisas diferentes e dependem das outras, que fazem coisas que elas não querem ou não são capazes de fazer.

O conceito de solidariedade orgânica reforça: a idéia de que os laços de dependência mutua que ligam os individuos na dinamica da divisão social do trabalho devem estimular a cooperação e o senso de pertencimento ao coletivo, condição necessária para a preservação da ordem social.

O equilibrio e a solidariedade originam-se: na própria divisão social do trabalho, constituindo fortes laços que unem as sociedades organicas os seus menbros.

Importante para Durkheim na análise da divisão social do trabalho: é a problemática da coesão social, a manutenção da ordem social, a questão do papel essencial das normas morais na garantia da estabilidade da ordem.

3. A EDUCAÇÃO MORAL

Barbara Freitag: adota uma perspectiva critica para avaliar a contribuição de Durkheim no campo da educação estabelece uma intima conexão entre o papel da educação com instância de socialização dos individuos e a necessidade de manter a ordem social por meio das normas morais.

A socialização: consiste em inculcar as regras morais vigentes no meio social. As regras morais tem duas caracteristicas: o dever e o bem.

O dever: expressa o carater de obrigatoriedade inerente a toda e qualquer regra moral, a proibição, sua forma negativa. Além de ser um dever, a regra moral precisa ser obedecida por um ato de boa vontade do individuo.

Durkheim postula: que uma regra moral precisa ser desejada, almejada pelos autores. Somente assim o seu carater moral pode ser atendido. Para Durkheim, a sociedade ou grupo representam o bem supremo realizado e centralizao. O supremo bem é a vida em grupo, portanto, o mal social é produzido basicamente pelos individuos com suas inclinações egoistas e anti-sociais.

A necessidade da educação decorre desse fato incontornavel: a natureza essencialmente má e egoista dos seres humanos, a busca da solidariedade orgânica, para desenvolver o senso de lealdade para os grupos básicos da sociedade no trabalho, na familia, com a nação.

A educação moralestá empenhada em desenvolver nas crianças os 3 principios básicos da moralidade social: o espirito de disciplina, a adesão ao grupo e autonomia.

Ensinar a disciplina significa fornecer os meios da crianças exercer o autocontrole sobre suas reaçes espontâneas, aprendendo a viver em sociedade, a levar em conta os grupos dos quais v participa.

A disciplina enfatiza a dimensão de regularidade de uma regra social, condição necessária para reconhecer sua autoridade e validade social e moral.

Aprender a viver em grupo passa a ser um dos objetivos maiores da atividade moral, o grande dever e o grande bem a ser aspirado pelos atores ou sujeitos sociais.

A educação moral se encarrega de promover a adesão da criança aos grupos básicos da sociedade (familia, escola, trabalho) e desenvolver o espirito de conformidade e obediência as normas morais que regulam o c omportamento social.

Autonomia moral: a moralidade concretiza-se no momento em que o novo ser social abre mão de sua liberdade e vontade individual e realiza-se como menbro do grupo, aceitando suas normas morais em outras palavras, a educação para aceitação da normal moral e a sujeição a ela.

Na avaliação de Feitag: Durkheim apesar de reconhecer o valor do individuo como resultado da divisão social do trabalho nas sociedades industriais, no entanto, termina por abolir a autonomia desse individuo, promovendo a sua subordinação quase que total ao todo social.

Conclui que: a função da educação em Durkheim seja mais garantir a preservação da ordem industrial capitalista do que promover a sua transformação radical. O papel do professor é assegurar a estabilidade da sociedade através do ensino das normas morais vigentes, e estimular o respeito a essas regras que visam a sobrevivência da coletividade, o bem social mais valioso. Durkheim ensina a moderar o individualismo desenfreado termina por nos reduzir a um estado de grande conformismo com a sociedade presente, vista como sagrada e digna de respeito.

4. KARL MARX E A EDUCAÇÃO PARA EMANCIPAÇÃO

A teoria social de Marx: busca analisar cientificamente as razões de a sociedade capitalista gerar continuamente a miséria e o empobrecimento de grandes segmentos da população e beneficiar exageramente uma elite, detentora do poder politico, economico e cultural. A tendência do capital é a acumulação interminável do próprio capital como meta suprema, movida pela lógica implacável do lucro e da concorrência.

Piotr Sztompka: apresenta a teoria de Marx a partir de 3 niveis distintos e entrelaçados de articulação e compreensão do processo histórico: 1. Ativisco-individual; 2. Socioestrutural; 3. Historico-universal. Em outras palavras, a teoria das formações socioeconomicas, no nivel superior; a teoria da luta de classes, no nivel intermediário; e a teoria do individuo humano, no nivel inferior.

O NIVEL ATIVISCO-INDIVIDUAL

A natureza humana deriva da rede de relações pela qual o ser humano se integra a sociedade e a natureza.

A essência humana não é uma abstração inerente a cada individuo isolado.

Um ponto em comum identificado em Marx e Durkheim: é a visão do individuo produzido e moldado pelo meio social.

Marx difere de Durkheim: no reconhecimento do papel ativo do individuo em transformar o “contexto de sua vida social”.

Marx enfatiza: com frequencia a equivalência entre condição humana e existência social. Não existe pessoa fora da sociedade; cada individuo está ligado aos demais por uma infinidade de relações de interdepência. Na análise da dimensão social do individuo é possivel distinguir dois tipos de relações básicas: A participação e a criação.

Participação: o individuo participa de relações sociais, de interações sociais, é membro da coletividade ou grupos sociais. O individuo ocupa uma posição social seja como proprietário ou não-proprietário, burguês ou proletário.

A dimensão criativa refere-se a capacidade do ser humano de mobilizar seus poderes, habilidades e recursos no processo de produção de uma realidade.

Para o Marx o trabalho é a atividade criativa, o individuo muitas vezes está envolvido nos processos que podem ser chamados de reprodução, de manutenção da ordem social. O sujeito repete padrões socialmente estabelecidos de comportamentos e ações que ele não criou, que encontrou prontos como uma realidade externa independente tal como Durkheim nos apresenta como criador ocorre o contrário,o individuo pode atuar sobre as relações sociais,aprender a lidar com essas forças sociais e atuar no sentido da transformação da sociedade.

A ação de educar reflete as duas dimensões destacadas por Marx. Na dimensão da participação o ato de educar está articulado com a reprodução da sociedade uma vez que consiste na transmissão do conhecimento acumulado pela humanidade, mas também se articula com a dimensão criativa do ser humano na medida em que o professor estimula o individuo a olhar criticamente a realidade e transformá-la como cidadão ativo.

Marx enfatiza que nao basta enterpretar a realidade e sim atuar no sentido de modificá-la.

O NÍVEL SOCIOESTRUTURAL: TEORIA DAS CLASSES

A Teoria das classes sociais em Marx é estruturalista no sentido de que as classes podem ser definidas como um conjunto de lugares ou posições que se desenvolvem na produção social ou na divisão social do trabalho. Um tipo de propriedade se destaca por permitr a geração de outros bens e produtos.

Meios de produção: terra, matérias-primas, edificações, ferramentas, maquinaria, capital, ela determina os interesses objetivos básicos do indivíduo, entendidos como obtenção de uma situação social que garanta a máxima satisfação de suas necessidades.

Em duas classes antagônicas em princípio: aqueles que detêm os meios de produção e aqueles que não os detêm e que devem, por conseguinte, vender se trabalho (a única mercadoria que possuem) para sobreviver. De um lado, a burguesia, dona do capital, o principal meio de produção da sociedade capitalista, e de outro, o trabalhador assalariado.

A classe não se define apenas por uma certa posição social configurada, se organizam de forma consciente, mobilizando recursos políticos e ideológicos no processo de formação de classe.

No modelo de Marx as relações entre as classes sociais estão permeadas por conflitos e antagonismos. Os interesses dos proprietários do capital emplica maiores restrições á realização dos interesses e necessidades dos trabalhadores assalariados. A consciência trabalhadores pobres conduz a uma atitude de hostilidade e desconfiança em relação aos detentores do capital e da riqueza. Os sindicatos e partidos políticos representam os interesses dos trabalhadores, partem para a ação coletiva, a materialização do poder social da classes trabalhadora, procurando modificar a estrutura de classes garantir uma redistribuição da riqueza e do poder econômico,político e ideológico.

O NIVEL HISTORICO-UNIVERSAL: A TEORIA DA FORMAÇÃO SOCIOECONOMICA

Na produção social de sua vida os homens estabelecem relações determinadas, e independentes de sua vontade, relações de produção que correspondem a um determinado estágio de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais, que constitui a estrutura economica da sociedade.

O modelo de Marx não é estático, ele contém uma lógica de movimento e transformação que constitui o processo histórico, que chega um ponto em que se quebra a correspondencia entre as forçasprodutivas e as relações de produção.

Contradição que impele a mudança histórica, as relações capitalistas no seio da sociedade feudal, e a superestrutura politica e ideologica tradicionais. A igreja catolica medieval eram obstaculos ao pleno desenvolvimento do mercado capitalista moderno.

Marx propõe cinco formações socioeconomicas: comunidades primitivas, escravidão, feudalismo, capitalismo e comunismo.

A linha evolutiva das formações socioeconomica é determinista e progressista.

A culminância do processo histórico vem com a inevitável passagem do capitalismo para comunismo: o agente dessa mudança de época é o proletariado moderno, a classe dos despossuídos e explorados, cujos os objetivos só podem ser satisfeitos pela completa abolição das divisões de classe e do governo de classe.

5. EDUCAÇÃO E IDEOLOGIA

A teoria de Marx questiona o papel da educação na sociedade capitalista.

A educação é entendida como a soma dos processos de aprendizagem social consciente, envolvida nos mecanismos encarregados de sustentar a ordem social vigente.

A dinâmica educacional se articula nos diferentes niveis em que operam as forças sociais e das estruturas sociais mais abrangentes.

A escola revela forças e tendências que atuam na direção de manter e reproduzir a estrutura social capitalista, que revela forças e tendências que atuam no sentido de contestar e preparar os individuos para uma visão critica da realidade social.

Ideologia entendida como lógica da ocultação e dissimulação que se baseia na idéia de uma sociedade e não no que acontece nessa sociedade, as pessoas pensam, sentem, agem guiadas por essa ilusão da sociedade, sem estar atentas ao que acontece.

A ideologia defende a liberdade total para ação do mercado, a pretensão de eliminar qualquer papel relevante do Estado no controle das tendências destrutivas do mercado.

Após um breve recesso histórico, quando predominou a visão de que o Estado deveria domesticar e civilizar o capitalismo, a partir dos anos 80 até os dias de hoje, o ressurgimento da ideologia neoliberal fracassou em resolver os problemas de desenvolvimento dessa sociedade, ou seja, implica a distorção sistemática da verdade, o ocultamento das condições e resultados reais produzidas pela aplicação das politicas neoliberais na economia e na sociedade.

A ideologia consiste em induzir os dominados a aceitarem a dominação da classe capitalista como legitima, como única possível, como verdade incontestável.

Terry Eagleton mostra que não devemos subestimar a força da ideologia, pelo contrário, deve afigurar-se como uma força social organizadora que constitui sujeitos humanos nas raízes de sua experiência vivida e busca equipá-los com formas de valor e crença relevantes para suas tarefas sociais especificas e para a reprodução geral da ordem social. Toda ideologia serve para estabelecer e sustentar relações de dominação.

6. MAX WEBER: SOCIEDADE, EDUCAÇÃO E DESENCANTAMENTO

A sociologia de Max Weber: a sociedade não é vista como um todo superior ao individuo e que determina o comportamento como uma força externa impositiva.

Objeto da sociologia: a ação social e seus desdobramentos, Marx desloca a enfase das totalidades superindividuais para o individuo e para as redes de interações em que este se envolve.

O conceito de ação social: define como uma conduta humana (omissão, permissão) dotada de um significado subjetivo dado por quem o executa, pode ser individualizados e conhecidos ou uma pluralidade de individuos indeterminados e completamente desconhecidos.

Weber considera que ação mais compreensivel é aquela que apresenta maior racionalidade.

Ir a escola é uma ação social porque agindo assm você terá, indo ou, no caso inverso, deixando de ir.

Esse tipo de ação que Weber classificaria como racional com relação aos fins, que estabelece os fins e procura os meios mais adequados para a concretização dos seus objetivos conscientemente visados.

O objetivo da ação é basicamente egoísta, no sentido de realização de metas do individuo como tal.

Weber vai definir o capitalismo como uma ação racional com vista a garantir o lucro de forma duradoura. Quando a ação do individuo é guiada por valores éticos e morais temos um outro tipo de ação social.

Quintaneiro: para estarem seguros quanto a sua salvação, ricos e pobres deveriam trabalhar sem descanso, trabalhar o dia todo em favor do que lhes foi destinado pela vontade de Deus e por meio de suas atividades produtivas.

As ações sociais mais afastadas da racionalidade são as que Weber classificou como ação tradicional e ação afetiva. O primeiro tipo de ação consiste no hábito e costumes arraigados na cultura.

Weber definiu que uma das caracteristicas básicas da sociedade moderna é a tendência crescente a racionalização de todas as esferas da vida social, politica e cultural. A ação corrosiva da razão produz o desencantamento do mundo, que passa a ser organizado de acordo com regras instituidas por meio de uma ação rigorosamente racional.

Octavio Ianni: o principio de desenvolvimento do capitalismo é um processo de racionalização, que ocorre o desenvolvimento de formas racionais de organização das atividades sociais geral, compreendendo as politicas, as economicas, as juridicas, as religiosas. A rigor, o desenvolvimento das ciências ditas naturais e sociais, traduzido em tecnologias de todos os tipos, revelam-se simultaneamente condições e produtos de um vasto complex processo de racionalização do mundo.

O sitema economico capitalista levou o controle burocrático ao seu mais extremo desenvolvimento. Marx Weber observou que quanto mais desumanizada se torna a burocracia, melhor ela desenvolve as caracteristicas valorizadas pelo capitalismo.

O poder burocratico é um poder de cima para baixo, mesmo que baseado em regras bem definidas que definem as competencias e brigações de cada menro da cadeia de comando numa organização burocrática.

Atualmente a burocracia como forma de organização das atividades numa empresa ou qualquer outro tipo de instituição tende a ser maid questionadas em sua eficácia.

Entendimento de Rodrigues: a educação para Weber é o modo pelo qual os homens são preparados para exercer as funções que a transformação causada pela racionalização da vida lhes colocou a disposição.

A educação enquanto processo formal de aprendizagem social está envolvida, numa pedagogia de treinamento com vista a formar o especialista, que possui uma competência técnica especifica destinada a ocupar um lugar na vasta organização de uma grande empresa ou orgão publico burocratizado. Esse tipo de educação, tem sido cada vez mais questionada por educadores, pois desvincula o aprendizado dos valores humanistas e lnge de uma perspectiva criticamente orientada para transformação da realidade social.

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