Integração Moodle X Q-Academico

Integração Moodle X Q-Academico

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Edilson Luiz do Nascimento, Msc – CEFET-ES – edilson@CEFETES.br Elton Siqueira Moura, Msc, MBA – CEFET-ES - elton@CEFETES.br

Categoria (Métodos e Tecnologias)

Setor Educacional (Educação Universitária)

Natureza (Descrição de Projeto em Andamento)

Classe (Experiência Inovadora)

Este artigo descreve uma experiência de integração do ambiente de aprendizagem Moodle com software de gestão acadêmica (Q-Acadêmico) do CEFETES. A instituição implantou em dezembro de 2007 o curso de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas no ambiente Moodle, e decidiu manter todos os controles das informações dos envolvidos (alunos, tutores, conteudistas, etc.) no software que já mantinha as informações dos cursos presenciais (Q-Acadêmico). Assim, o objetivo é mostrar os passos que sucederam à aprovação do curso a distância no CEFETES, culminando na integração entre os ambientes Moodle e Q-Acadêmico. O projeto está em produção, com grande parte das funcionalidades definidas e em pleno funcionamento.

Palavras chave: EaD; Moodle; Sistema de Gestão Acadêmico; integração; ambiente de aprendizagem.

1 – Introdução

O surgimento da Internet revolucionou a maneira de agir e pensar de todos: empresas, governos, instituições públicas, privadas e pessoas observaram o potencial e a diversidade de oportunidades nesse novo meio de comunicação. Sob essa ótica desenvolveu-se o Ensino a Distância (EaD), como uma ferramenta capaz de levar conhecimento e vislumbrar um crescimento cultural e educacional de populações de países de dimensões continentais como o Brasil, em lugares de difícil acesso do ensino presencial, além de razões econômicas e sociais.

Vanessa Battestin Nunes, Msc, MpsBr – CEFET-ES - vanessa@CEFETES.br

Já nos atuais tempos do modelo de capitalismo vigente, nos quais se firma a chamada especialização flexível [1] apud [2], exige-se:

mudanças no processo educacional/formativo, de tal modo que

capacitem o trabalhador a adquirir habilidades necessárias para acompanhar a velocidade das inovações tecnológicas, recrudesce, concomitantemente, a preocupação dos governos que representam países de um baixo índice de estudantes universitários formados, tal como no caso do Brasil. É neste contexto que se insere o escopo do governo brasileiro de criar o programa Universidade Aberta do Brasil e os cursos de formação universitária...”

A promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação [3], em substituição a de Lei de 1961[4], dá novo incentivo à pesquisa e desenvolvimento na área de Educação a Distância. Em seu artigo 80 estabelece [3]:

“O Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada”.

Com esse objetivo, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) [5] publicou, através de edital de seleção [6], chamada pública para seleção de pólos municipais de apoio presencial e de cursos superiores de Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) na modalidade de educação a distância, definindo as seguintes diretrizes [3]:

“Esse sistema será formado por instituições públicas de ensino superior, as quais levarão ensino superior público de qualidade aos municípios brasileiros que não têm oferta ou cujos cursos ofertados não são suficientes para atender a todos os cidadãos”.

O Centro Federal de Educação Tecnológica do Espírito Santo (CEFETES) faz 100 anos em 2009, mostrando que sua história se confunde com as mudanças e avanços da educação no Brasil nos séculos X e XI, tendo uma vasta experiência em cursos presenciais de nível médio, superior de tecnologia, bacharelado e licenciatura, pós-médio e pós-graduações latu senso; e espera compartilhar todo esse know-how para cursos de ensino a distância.

Em consonância com a UAB, o CEFETES, ciente do seu papel de destaque no contexto de ser uma instituição de ensino, pesquisa e extensão de qualidade, teve o curso Superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas (CSTADS), aprovado através do primeiro edital [6] em 13 pólos municipais de apoio presencial, além de se candidatar a outros 4 (quatro) cursos em editais posteriores. Os municípios listados na Figura 1 participam com o apoio presencial através de infra-estrutura e parte do pessoal necessário, como coordenadores de pólos, tutores de laboratórios e presenciais [7].

Figura 1 – Pólos instalados em municípios do Espírito Santo com curso superior de Tecnologia em Análise e Desenvolvimento de Sistemas

A UAB define, então, após análise de diversos softwares especializados em ambiente de aprendizagem, o Moodle como padrão de ambiente para que as IFES utilizem como plataforma dos seus cursos a distância. Softwares como o Moodle são também definidos como Sistemas de Gerenciamento de Cursos.

Com a definição do Moodle, e, observando que os softwares existentes nas IFES não dispunham da preparação necessária para tratamento da parte acadêmica dos cursos a distância, a UAB resolve disponibilizar verba para que seja feita integração entre o ambiente de aprendizagem Moodle e os softwares de gestão acadêmico dessas IFES.

As seções a seguir dão uma visão do ambiente Moodle, do software de gestão acadêmico utilizado no CEFETES, além de algumas experiências vividas no projeto desenvolvido, para que essa integração ocorresse dentro do nível de satisfação dos envolvidos nesse projeto.

2 – Sistemas de Gerenciamento de Cursos Moodle

Com o objetivo de padronizar o ambiente de aprendizagem das instituições que implantaram os seus cursos de EaD através da participação no primeiro edital, além de facilitar a troca de experiências e a homogeneização desse ambiente, foi escolhida a ferramenta Moodle (Modular Object Oriented Dynamic Learning Envirionment) [8].

Estudos mais aprofundados do Moodle sob as óticas Comportamental,

Cognitiva e Construtivista podem ser vistos em [10] e [1]. Para detalhes de instalação e suporte, ver [8].

3 – Sistema de Gestão Acadêmica – Q-Acadêmico

O CEFETES dispõe de dezenas de cursos presenciais e em níveis diversos que necessitam de um software de gestão acadêmica para controle dos mesmos. Notas, pautas, históricos de alunos e professores geram uma massa de dados que demanda de sistematização mecanizada para todo esse ambiente.

O sistema utilizado para todas essas funções, entre outras, é o software de gestão acadêmica - Q-Acadêmico. Desenvolvido pela empresa Qualidata Soluções em Informática Ltda. [12], empresa com sede em Vitória-ES, a empresa implantou o sistema no CEFETES há 7 (sete) anos. O sistema é mantido pela empresa desenvolvedora para gerir as informações que envolvem os controles necessários esse ambiente acadêmico. O referido software também está implantado em outros CEFETs (atualmente 12) distribuído pelo país.

O Q-Acadêmico conta com os seguintes módulos: Módulo de Controle de

Biblioteca (Q-Biblio); Módulo de Controle de Processo Seletivo (Q-Seleção); Módulo de Controle de Acesso (Q-Acesso).

4 – PMBOK

O PMBOK[13], ou Guia de Conjunto de Conhecimentos do

Gerenciamento de Projetos, procura contemplar vários aspectos que podem ser abordados no gerenciamento de projetos. Tratam das boas práticas, comprovadas, no que se refere a gerenciamento de projetos São características do PMBOK [13]:

•Não distingue os diferentes tipos de projeto (certamente gerenciar projetos administrativos é totalmente diferente de gerenciar projetos de construção pesada);

•Não utiliza peculiaridades de linguagem que respeitem a cultura de diferentes tipos de empresas;

•Não apresenta modelos específicos de documentos a serem preenchidos, estes variam de empresa para empresa.

O PMBOK não é uma metodologia, mas um manual que descreve o universo de conhecimentos para o Gerenciamento de Projetos. Todavia, pela sua imensa importância internacional, ele se transformou num padrão e fonte de inspiração para quase todas as metodologias existentes.

Os processos descritos no PMBOK foram utilizados para realizar o planejamento, o controle e monitoramento do projeto de integração.

5 - Objetivos, justificativa e motivação

Assim que o CEFETES teve a aprovação do CSTADS a distância, verificaram-se duas bases de sustentação de seu curso a distância aprovado: O Moodle, escolhido pela UAB como padrão dos denominados Sistemas de Gerenciamento de Cursos (SGC), e o Q-Acadêmico, como ferramenta de gestão acadêmica tanto dos cursos presenciais quanto a distância.

Com a necessidade de interoperabilidade entre os dados gerados no

Moodle e no Q-acadêmico, esta interoperabilidade deve ser transparente para o usuário final. Nesse caso, um projeto de integração se faz necessário, e deve responder então alguns dos seguintes questionamentos:

•Como inserir os dados do processo seletivo (aprovados e suplentes) no Moodle, para que eles participem das aulas como efetivos alunos?

•Quem são ou foram as pessoas envolvidas durante a execução dos módulos (tutores a distância, presenciais e de laboratórios, professores conteudistas, alunos, coordenadores diversos, etc.)?

•Como armazenar as informações de conteúdo das disciplinas para fins de pesquisa e históricos?

•Geração de relatórios dos diversos períodos, notas, enfim, como tratar tudo que foi gerado do(s) curso(s) a distância no Sistema de Gerenciamento de Cursos Moodle?

•Ainda que grande parte dessas informações possa estar no QAcadêmico, como sincronizá-las com as informações do Moodle?

•O que deve permanecer no Moodle e o que deve ser tratado como informação acadêmica, semelhante a um curso presencial?

Ciente dessas dificuldades comuns às IFES, a UAB disponibilizou verba para cada instituição que teve curso a distância aprovado, para o desenvolvimento de uma interface de integração entre o software de gestão acadêmica e o Moodle.

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