Os temas transversais no ensino da matemática

Os temas transversais no ensino da matemática

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FACULDADE DE TECNOLOGIA E CIÊNCIAS – EAD Unidade Pedagógica: Santíssima Trindade – MACEIÓ/AL Disciplina: Pesquisa Prática Pedagógica I Curso: Matemática Circuito: 1 Equipe: Ademilton Alves Cabral da Silva

Adriana Mendonça da Silva Honorato Wilson Paulino dos Santos Oziel Fernandes Goes Roseilton Porto de Aguiar

Tutor: Felipe Bomfim Data: 04/09/2010

MACEIÓ – AL 2010

O compromisso com a construção da cidadania pede necessariamente uma prática educacional voltada para a compreensão da realidade social e dos direitos e responsabilidades em relação à vida pessoal e coletiva e a afirmação do princípio da participação política.

Nessa perspectiva é que foram incorporados como Temas Transversais as questões da Ética, da Pluralidade Cultural, do Meio Ambiente, da Saúde, da Orientação Sexual e do Trabalho e Consumo.

Isso não significa que tenham sido criadas novas áreas ou disciplinas. Os objetivos e conteúdos dos Temas Transversais devem ser incorporados nas áreas já existentes e no trabalho educativo da sala. É essa forma de organizar o trabalho didático que recebeu o nome de transversalidade.

A educação para a cidadania requer que questões sociais sejam apresentadas para a aprendizagem e a reflexão dos alunos, buscando um tratamento didático que contemple sua complexidade e sua dinâmica, dando-lhes a mesma importância das áreas convencionais.

a) Urgência social: Indica a preocupação de eleger questões graves, que se apresentam como obstáculos para a concretização da plenitude da cidadania, apontando a dignidade das pessoas e deteriorando sua qualidade de vida. b) Abrangência nacional: A eleição dos temas buscou contemplar questões que, em maior ou maior medida, e mesmo de forma diversas, fossem pertinentes a todo o país. c) Possibilidade de ensino e aprendizagem no ensino fundamental: Esse critério norteou a escolha de temas ao alcance da aprendizagem nessa etapa da escolaridade. d) Favorecer a compreensão da realidade e a participação social: Que os alunos possam desenvolver a capacidade de posicionar-se diante das questões que interferem na vida coletiva, superar a indiferença e intervir de forma responsável.

A proposta de trabalhar com questões de urgência social numa perspectiva de transversalidade aponta para o compromisso a ser partilhado pelos professores das áreas, uma vez que é o tratamento dado aos conteúdos de todas as áreas que possibilita ao aluno a compreensão de tais questões.

É importante destacar que a perspectiva da transversalidade não pressupõe tratamento simultâneo, e num único período, de um mesmo tema por todas as áreas, mas o que se faz necessário é que esses temas integrem o planejamento dos professores das diferentes áreas, de forma articulada aos objetivos e conteúdos deles.

Falar em formação básica para a cidadania significa refletir as condições humanas de sobrevivência:

Inserção das pessoas no mundo do trabalho; Das relações sociais e da cultura;

Desenvolvimento da crítica e do posicionamento diante das questões sociais;

Em função do desenvolvimento das tecnologias, umas características contemporâneas marcante no mundo do trabalho exigem-se trabalhadores mais criativos e versáteis, capazes de entender o processo de trabalho como um todo. Parece haver um consenso de que para responder a essas exigências é preciso elevar o nível da educação de toda a população.

Nesse aspecto, a matemática pode dar sua contribuição à formação do cidadão ao desenvolver metodologias que enfatizem a construção de estratégias, a comprovação e justificativa de resultados, a criatividade, a iniciativa pessoal, o trabalho coletivo e a autonomia advinda da confiança na própria capacidade para enfrentar desafios.

A matemática usufrui de um estatus privilegiado em elação a outras áreas do conhecimento. Muitos acreditam que a matemática é direcionada às pessoas mais talentosas e que esse conhecimento é produzido exclusivamente por grupos sociais ou sociedades mais desenvolvidas. Embora equivocada, essa idéia gera preconceitos e discriminação, reflete no convívio escolar fazendo que acabe atuando como filtro social.

Por outro lado, o ensino da matemática muito pode contribuir para a formação ética, uma vez que direcione a aprendizagem para o desenvolvimento de atitudes.

Confiança na própria capacidade e na dos outros;

Construir conhecimentos matemáticos;

Empenho em participar ativamente das atividades em sala;

Respeito ao modo de pensar dos colegas;

Construção de uma visão solidária de relações humanas nas aulas de matemática;

Os conhecimentos matemáticos permitem a construção de um instrumento fundamental para a compreensão e analise das questões relativas à sexualidade numa dimensão macrossocial.

É possível compreender por meio da análise de dados estatísticos a diferença de remuneração de trabalho de homens e mulheres;

Do acesso aos cargos de chefia;

O aumento da incidência da gravidez prematura entre jovens e adolescentes;

O comportamento das doenças sexualmente transmissíveis;

Discutir e avaliar a eficiência das políticas públicas para a questão da gravidez na adolescência;

Medidas estatísticas para compreender, por exemplo, a evolução da AIDS nos diferentes grupos;

Situar num mesmo patamar papéis desempenhado por homens e mulheres na construção da sociedade contemporânea;

Esse preconceito, na maioria das vezes, é muito sutil e, dificilmente, o professor faz essa discriminação conscientemente.

A perspectiva ambiental consiste num modo de ver o mundo em que se evidenciam as inter-relações e a interdependência dos diversos elementos na constituição e manutenção da vida na Terra.

Em termos de educação, essa perspectiva contribui para evidenciar a necessidade de um trabalho vinculado aos princípios da dignidade do ser humano, da participação, coresponsabilidade, solidariedade, equidade.

O estudo detalhado das grandes questões do meio Ambiente (poluição, desmatamento, limites para uso dos recursos naturais, sustentabilidade, desperdício, camada de ozônio, etc) pressupõe que o aluno tenha construído determinados conceitos matemáticos (áreas, volumes, proporcionalidade, etc) e procedimento (coleta, organização, interpretação de dados estatísticos, formulações de hipóteses, realização de cálculos e prática de argumentação).

Desse modo, as possibilidades de trabalhar as questões do Meio Ambiente em Matemática parecem evidentes.

As questões de saúde no Brasil são muito complexas e muitas vezes contraditórias. Há informações de que a média de nossos padrões de saúde é aceitável dentro dos critérios da ABNT.

Por outro lado, existem estatísticas alarmantes quanto aos índices da fome, da subnutrição e da mortalidade infantil em várias regiões do país.

Além de permitir a compreensão de questões sociais relacionadas aos problemas de saúde, as informações e dados estatísticos relacionados a esse tema também favorecem o estabelecimento de comparações e previsões que contribuem para o autoconhecimento, favorecendo o autocuidado.

Os levantamentos de saneamento básico, condições de trabalho, assim como acompanhamento do próprio desenvolvimento físico (peso, musculatura) e o estudo dos elementos que compõem a dieta básica, são alguns exemplos de trabalhos que podem servir de contextos para a aprendizagem de conteúdos matemáticos.

A construção e a utilização de conhecimentos matemáticos não são feitos apenas por matemáticos, cientistas ou engenheiros, mas, de forma diferenciada, por todos os grupos socioculturais, que desenvolvem e utilizam habilidades para contar, localizar, medir, desenhar, representar, jogar e explicar, em função de suas necessidades e interesses.

Valorizar esse saber matemático cultural é aproximá-lo do saber escolar em que o aluno está inserido, é de fundamental importância para o processo de ensino aprendizagem.

Ainda com relação às conexões entre matemática e Pluralidade Cultural, destaca-se no campo de educação matemática brasileira, um trabalho que busque explicar, entender e conviver com procedimentos, técnicas e habilidades matemáticas desenvolvidas no entorno sociocultural de um programa Etnomatemática, com suas propostas para a ação pedagógica.

Uma primeira aproximação entre o tema do Trabalho e a Matemática está em reconhecer que o conhecimento matemático é fruto do trabalho e que as idéias, conceitos e princípios que hoje são reconhecidos como conhecimento científico e fazem parte da cultura universal, surgiram de necessidades e de problemas com os quais os homens depararam ao longo da história e para os quais encontraram soluções brilhantes e engenhosas, graças a sua inteligência, esforço, dedicação e perseverança.

Com relação ao consumismo, é preciso mostrar que um tênis ou uma roupa de marca, um produto alimentício ou aparelho eletrônico, é fruto de um tempo de trabalho.

Inserindo a matemática nesse tema, percebemos que necessitamos da matemática para que possamos compreender bem os aspectos ligados aos direitos do consumidor. Por exemplo, para analisar a composição e a qualidade dos produtos e avaliar seu impacto sobre a saúde e o meio ambiente, ou analisar a razão entre o maior ou menor / maior quantidade.

Habituar-se a analisar essas e outras situações é fundamental para que os alunos possam reconhecer e criar formas de proteção contra a propaganda enganosa.

A matemática vem ao longo dos anos tendo que se adaptar as exigências do mercado, e sendo assim, precisa está inserida as novas tendências que emergem das necessidades sociais e culturais visando capacitar homens e mulheres a atuarem de forma consciente e critica, dando dessa forma, sua contribuição a formação da plena cidadania.

Trazendo uma nova forma de ver a educação atual, os PCN’s trazem os Temas

Transversais como um complemento a inserção dos novos procedimentos educacionais, o que nos remete a uma nova forma de o fazer matemático dentro da sala de aula.

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