Manejo de pastagens

Manejo de pastagens

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MANEJO DE PASTAGENS

(Gardner & Alvim, 1985; Cândido, 2003; Silva, 2004)

O manejo das pastagens é um conjunto de técnicas utilizadas para maximizar biologicamente e/ou economicamente no longo prazo, a obtenção de produtos advindos de animais domésticos em pastejo.

Objetivos do manejo de pastagens

O manejo de pastagens enseja a maximização do lucro do produtor, evitar riscos e estresses desnecessários aos animais e manter o equilíbrio do ecossistema.

Fatores a serem controlados pelo manejador de pastagens

Dentre os fatores a serem controlados pelo manejador de pastagens, citam-se como principais: produção e qualidade dos pastos; métodos de pastejo; consumo de forragem pelo animal; pressão de pastejo; ganho por animal e ganho por área; alimentação suplementar.

Produção e qualidade dos pastos

Efeito da planta

Embora do ponto de vista da planta seja interessante o maior tempo de rebrotação para aumentar a massa de forragem numa dada área, do ponto de vista do animal há um limite para que o equilíbrio entre produção e qualidade do pasto torne-se desfavorável. Isso porque em idades avançadas da forrageira, ocorre redução no teor de conteúdo celular (proteínas, carboidratos solúveis etc.) e elevação no teor dos carboidratos estruturais (FDN, FDA, hemicelulose, celulose, lignina) de cada célula da planta, independentemente do órgão. Além disso, ocorre um acentuado desenvolvimento do colmo com o avançar da idade da planta e a redução no valor nutritivo do colmo, principalmente das plantas C4, é bem mais acentuada, devido à intensa lignificação dos tecidos que compõem o anel esclerenquimático (dão sustentação aos perfilhos de maior tamanho). Essa diferenciação entre colmo e folha é ainda mais acentuada dentro das plantas C4 nas gramíneas de crescimento cespitoso (capim Elefante, capim Andropógon, gramíneas do gênero Panicum), em que há a necessidade estruturas de sustentação mais rígidas para manter as plantas com o porte ereto, em relação às estoloníferas (gramíneas do gênero Cynodon) e às de hábito decumbente (gramíneas do gênero Brachiaria).

Esse aspecto torna-se mais grave no caso das pastagens, pois plantas forrageiras colhidas mecanicamente passam por um processamento (redução no tamanho das partículas) que auxiliam os processos mastigatórios e digestórios do ruminante. Por outro lado, a estrutura do pasto, no qual o próprio ruminante exercerá o papel de colhedor da forragem, é negativamente afetada com o prolongamento excessivo do período de descanso (idade de rebrotação), ocorrendo elevação da altura do dossel, alongamento dos entrenós, redução na massa de folhas, elevação na massa de colmos e de material morto e reduções nas relações material vivo/material morto e folha/colmo (Figura 3.1), demandando do animal em pastejo maior número de movimentos manipulatórios para apreender a forragem, provocando redução na taxa de ingestão diária de forragem.

Ainda que a elevação na massa seca de forragem verde possa elevar a taxa de lotação na área, quando corrigido para massa seca de lâminas foliares secas isso torna-se nulo a partir do momento em que a primeira folha produzida na rebrotação morre, o que ocorre por volta dos 35 dias no caso do capim Mombaça pastejado por novilhos (Cândido, 2003), mas ocorre mais rapidamente no caso do pastejo por ovinos (Silva, 2004). Ademais, além da redução na capacidade de suporte com o prolongamento demasiado do PD, antes desse momento, já ocorre grande redução no rendimento de produto animal por área, pelo comprometimento do desempenho individual do animal (Tabela 3.1).

Figura 3.1 - Variação na altura do pasto (quantidade) e na relação folha/colmo (qualidade) do capim Mombaça quando do prolongamento do período de descanso de 25 até 45 dias (adaptado de Cândido, 2003).

Tabela 3.1 - Efeito do prolongamento do período de descanso em Panicum maximum cv. Tanzânia sobre o desempenho e o rendimento de ovinos em pastejo

Período de descanso

Taxa de lotação

Ganho médio diário

Rendimento animal

(dias)

(ovinos/ha)

(UA/ha)

(g/ovino x dia)

(kg PV/ha x ano)

17

69B

7B

123A

3123A

26

74B

8AB

94B

2646AB

37

84A

9A

36C

1691B

Médias, na mesma coluna, seguidas de letras distintas diferem (P<0,05) pelo teste “t”, de Student.

Fonte: adaptado de Silva (2004)

Efeito dos fatores abióticos

Os fatores abióticos mais fáceis de serem controlados pelo homem são a fertilidade do solo e, em menor grau, a disponibilidade hídrica.

A adubação, de modo geral, favorece a melhoria quantitativa e qualitativa das pastagens, mas alguns detalhes precisam ser melhor entendidos.

O nitrogênio, por exemplo, apresenta um efeito muito diferente do que se imagina. Enquanto se diz que a adubação nitrogenada favorece a melhoria da qualidade da forragem, devido ao seu efeito em elevar a produção de leite e/ou carne, na verdade seu grande efeito reside em elevar a capacidade de suporte da pastagem. Quando se trabalha com uma mesma taxa de lotação, elevando a dose da adubação nitrogenada, ocorre aumenta na oferta de forragem por animal, o que favorece sua seletividade e seu desempenho. Porém, deve-se levar em consideração que o nitrogênio acelera o metabolismo da planta, ocorrendo maior taxa de crescimento e de senescência de folhas. Maior vantagem da adubação nitrogenada será tirada encurtando o período de descanso e fazendo com que os animais entrem no pasto com a mesma massa e oferta de forragem, porém de melhor qualidade, já que o capim estará mais jovem. Isso trará grandes benefícios em termos de desempenho animal e maximizará a eficiência de utilização da forragem produzida.

Em áreas com deficiências dos demais nutrientes, principalmente fósforo e potássio, deve ser feita adubação com os mesmos, pois o nitrogênio na ausência dos demais minerais não será eficientemente absorvido pelas plantas. Atenção especial deve ser dada à adubação fosfatada, deve à baixa mobilidade desse nutriente no solo. Deve-se conciliar a aplicação de uma fonte solúvel, como um superfosfato simples ou um superfosfato triplo, com uma fonte natural, como os fosfatos naturais de Araxá e de Patos de Minas.

O manejo da água em áreas que permitam a irrigação não deve ser descartado, havendo grande potencial para intensificação do uso de pastagens compatibilizando-se o uso da irrigação, da adubação e do manejo do pastejo em gramíneas de alta produção, obtendo-se elevado rendimento animal por área.

Outro fator abiótico que afeta a qualidade e a produção dos pastos e, embora não pareça, pode ser de alguma forma controlado pelo manejador é a radiação fotossinteticamente ativa (RFA), neste caso, não a incidente no topo do dossel, mas sim a RFA transmitida ao longo das camadas de folhas. Quando se maneja o pasto com baixa intensidade de pastejo, deixando um IAF residual elevado no pasto, ocorre intenso sombreamento mútuo, reduzindo a capacidade fotossintética das novas folhas formadas e o perfilhamento. O inverso ocorre quando se eleva a intensidade de desfolhação e se mantém um IAF residual baixo.

Uma ressalva a ser feita nesse caso diz respeito à plasticidade fenotípica da gramínea sob pastejo. Com o aumento na intensidade de desfolhação, a fim de manter menor IAF residual para permitir maior capacidade fotossintética das novas folhas, a gramínea pode adquirir um hábito de crescimento mais prostrado. Nesse caso, eleva-se o coeficiente de extinção luminosa do dossel (k) e a atenuação da RFA, aumentando o sombreamento mútuo e reduzindo a capacidade fotossintética das novas folhas. Portanto, a intensidade de desfolhação deve ser moderadamente aumentada para reduzir o sombreamento mútuo, mas precisa-se acompanhar com rigor como está sendo o hábito de crescimento da planta. Qualquer indício de que esteja crescendo demasiadamente prostrada, há a necessidade de se reduzir a intensidade da desfolhação.

Métodos de pastejo

Método de pastejo é a forma como o rebanho é alocado na pastagem. A lotação contínua e a lotação rotativa representam os dois extremos em termos de métodos de pastejo, sendo que há algumas variações especialmente dentro da lotação rotativa.

Lotação contínua

O pastejo sob lotação contínua é caracterizado pela presença contínua e irrestrita de animais em uma área específica durante o ano ou estação de pastejo. Normalmente é utilizado em pastagens nativas ou naturais onde se obtém menores taxas de produção, destacando-se entretanto que o mesmo pode ser em muitos casos intensificado, assim como o é o pastejo sob lotação rotativa. Outro aspecto a destacar é que dificilmente ocorre uma lotação plenamente contínua, pois os animais devem ser separados em categorias (idade, sexo, espécies e etc) e vez por outra são necessários ajustes da pressão de pastejo, ora trazendo animais de outras áreas, ora utilizando pastagens de reserva. Ressalta-se ainda que dificilmente um sistema de pastejo utiliza exclusivamente o método de pastejo sob lotação contínua. Na verdade, mesmos em áreas de pastagem natural, são feitas subdivisões estratégicas, com o objetivo de otimizar a utilização da forragem presente em cada uma das “mangas” da pastagem.

Lotação rotativa

A lotação rotativa é caracterizada pela subdivisão das pastagens e utilização de cada piquete por um tempo limitado (período de pastejo), seguido de um período de descanso.

A lotação rotativa é mais apropriada quando do uso de gramíneas cultivadas de alta produção, como as dos gêneros Panicum (cv. Mombaça, Tanzânia, Aruana, Massai) e Cynodon (cv. Coast-cross, Tifton 85), mas para o seu sucesso também deve se associar uso da adubação e da irrigação na época da seca. Para o manejo correto da adubação em níveis intensivos, porém eficientes, é fundamental o monitoramento da fertilidade do solo, por meio de análises periódicas.

Para o sucesso do manejo intensivo de uma pastagem sob lotação rotativa, também deve-se observar a correta definição do período de descanso, conforme já mencionado e do período de pastejo (PP). No caso dos bovinos, o PP pode se estender até sete dias, porém, no caso dos ovinos, em razão do seu pastejo mais baixo e mais seletivo e para reduzir a reinfestação com ovos de helmintos eliminados nas fezes, o PP não deve exceder cinco dias, sendo preferível até três dias.

Dentre as modalidades de pastejo sob lotação rotativa, eis as principais: lotação rotativa convencional, pastejo em faixas, pastejo primeiro-último, creep-grazing e pastejo diferido.

Lotação rotativa convencional

É o método de lotação rotativa mais simples. Utiliza-se apenas um grupo de animais em pastejo durante toda a estação de crescimento, com a pastagem dividida em piquetes suficientes para sua utilização a cada ciclo de pastejo.

Pastejo em faixas

Quando se trabalha com vacas de leite, é interessante, quando possível, realizar o pastejo em faixas, que consiste na redução do período de pastejo para apenas um dia, garantindo assim uma uniformidade na produção diária de leite, já que a qualidade da dieta ingerida pelas vacas em lactação não variará de um dia para o outro.

Pastejo primeiro-último

Utilizado quando o produtor possui categorias diferentes de animais e deseja oferecer a elas dentro de uma mesma área sob lotação rotativa, dietas mais adequadas às suas exigências específicas. Assim, por exemplo, as vacas em lactação, de maior exigência nutricional, iriam na frente das vacas secas. No caso de se adotar o pastejo primeiro-último, o período de tempo que cada grupo passa num piquete chama-se período de permanência, já o tempo total de pastejo de todos os grupos em cada piquete chama-se período de ocupação (igual à soma dos períodos de permanência de todos os grupos de animais utilizados).

Creep-grazing

Similar ao primeiro-último, com a diferença que a categoria de animais que vai como primeiro grupo são os bezerros e o segundo grupo consiste nas suas mães. Assim os bezerros, ainda em aleitamento, têm o desenvolvimento do seu trato gastro-intestinal acelerado pelo consumo de uma dieta sólida de alta qualidade, os ápices das lâminas foliares de piquetes em descanso.

Pastejo diferido

Ocorre quando algum piquete na lotação rotativa ao final da estação das chuvas é “vedado” para sua posterior utilização na época da seca e ainda permitir a revigoração e ressemeio natural dos campos. Também é chamado erroneamente de feno-em-pé. Erroneamente porque, na medida em que a planta permanece viva, não é cortada, irá respirar e “consumir” todas as substâncias presentes no conteúdo celular, restando durante a estação seca basicamente parede celular. Assim, a única semelhança com um feno é o fato do material estar seco, mas o feno conserva o valor nutritivo da planta original, enquanto o pasto diferido não.

Esta prática deve ser aplicada de forma alternada nas áreas de pastagens, com intervalos de alguns anos. Esse manejo, evidentemente, pode resultar em perdas de qualidade da forragem diferida. GARDNER e ALVIM (1985) consideram entretanto que este fato pode ser desprezado, se for considerado que a maioria das propriedades possui categorias de animais que em determinadas épocas do ano, precisam ser mantidas a baixo custo. RODRIGUES e REIS (1997) cita como vantagem do pastejo diferido o fato de dispensar investimento em máquinas utilizadas na conservação de forragem. Já CORSI (1976) e MARASCHIN (1986) salientam que a eficiência do pastejo diferido está estreitamente associada com a qualidade que a planta forrageira, na área diferida, teria na ocasião de ser consumida.

Fica evidente que o aspecto bio-econômico do método de pastejo diferido não é muito claro. Segundo GARDNER e ALVIM (1985) o êxito do método de pastejo diferido depende muito da lotação animal, do clima e duração do período de restrição alimentar. Atualmente, a utilização de suplementos múltiplos na alimentação dos animais durante a seca tem tornado o diferimento bastante popular entre os criadores, uma vez que o uso desses suplementos melhora o aproveitamento da forragem diferida pelo ruminante em pastejo.

Costa et al. (1998) avaliou as características do pasto de capim Elefante-anão em função da época de diferimento e da época de utilização, em Porto Velho-RO (Tabela 3.2). Os valores obtidos sugerem que o pasto diferido em fevereiro deve ser utilizado em junho, aquele diferido em março deve ser utilizado entre julho e agosto e aquele diferido em abril deve ser utilizado entre agosto e setembro.

Lotação contínua x lotação rotativa

Existem grandes divergências sobre qual método de pastejo utilizar. Embora a literatura seja rica em informações, os resultados são contraditórios (MANNETJE et al 1976; MORLEY, 1981; BLASER, 1982; THOMAS e ROCHA,1985; MARASCHIN, 1994; RODRIGUES e REIS,1997).

Tabela 3.2 - Características do pasto de capim Elefante-Anão em função da época de diferimento e da época de utilização, em Porto Velho-RO, na média de 4 anos

Diferimento

Utilização

Características do pasto

Massa de forragem

Proteína Bruta

DIVMS

(t MS/ha)

(%)

(%)

Fevereiro

Junho

6,13

7,28

54,38

Julho

8,41

6,04

50,66

Agosto

11,28

5,48

48,07

Setembro

12,85

4,87

45,17

Março

Junho

5,91

9,44

57,13

Julho

5,75

8,11

53,22

Agosto

8,85

7,86

51,25

Setembro

9,73

6,07

50,02

Abril

Junho

4,27

10,18

62,91

Julho

4,81

9,64

61,05

Agosto

5,58

8,03

58,77

Setembro

8,68

7,95

54,79

DIVMS: digestibilidade in vitro da matéria seca.

Fonte: Costa et al. (1998)

Segundo GARDNER e ALVIM (1985), essa divergência não deveria existir, uma vez que o método pastejo a ser adotado está condicionado a alguns fatores como tipo de planta a ser utilizada, clima da região, espécie a ser utilizada e tipo de solo dentre outros.

Nas condições do Nordeste Brasileiro, poucos trabalhos foram feitos comparando os vários métodos de pastejo. MANNETJE et al (1976) revisaram os resultados de 12 experimentos de pastejo nos trópicos e verificaram que em 8 experimentos o pastejo sob lotação contínua foi superior, enquanto nos demais experimentos os resultados se assemelharam. Segundo GARDNER e ALVIM (1985) para que a lotação rotativa resulte em aumento da produção animal, e conseqüentemente se obtenha maior lucro, é necessário que haja aumentos na produção ou na qualidade das pastagens, aumento no consumo animal, maior persistência das espécies forrageiras ou melhor controle de parasitas no animal. Os referidos pesquisadores afirmam que com baixas taxas de lotação, provavelmente, não haverá aumentos de produção em função da lotação rotativa. Por outro lado, a lotação rotativa favoreceria o desempenho animal em pastagens onde se utilizam taxas de lotação mais altas. De fato, a lotação rotativa propicia um pastejo mais uniforme e uma maior eficiência de utilização da forragem produzida, quando se trabalha com altas taxas de lotação. O pastejo uniforme proporciona menor sombreamento mútuo em relação a um mesmo IAF quando o pasto tem estrutura heterogênea. Esse menor sombreamento mútuo eleva a capacidade fotossintética das novas folhas produzidas e, conseqüentemente, a taxa de fotossíntese líquida do dossel, que é igual à taxa de crescimento da cultura (TCC) ou taxa de produção de forragem. Assim, a capacidade de suporte da pastagem será maior na lotação rotativa em relação à contínua. Adotando-se uma taxa de lotação correspondente à capacidade de suporte, a fim de se maximizara a eficiência de utilização da forragem produzida, obtém-se mais elevada produtividade animal na lotação rotativa que na contínua, em razão da elevação na taxa de produção de forragem e na eficiência de utilização da forragem produzida. Esquematicamente, temos:

Lot. rotativa   uniformidade de pastejo   taxa de produção de forragem (kg/ha x d)   capacidade de suporte   tx. de lotação até o limite da cap. de suporte   produtividade animal (kg de peso vivo ou de leite/ha).

Além da vantagem de se propiciar maior capacidade de suporte na pastagem, podendo-se obter maior produtividade, a lotação rotativa apresenta mais algumas vantagens:

Melhor acompanhamento da condição da pastagem e do animal (mais fácil de enxergar possíveis erros e de corrigí-los!);

Auxilia no manejo geral da pastagem:

Melhora a distribuição dos excrementos na pastagem (embora ainda não solucione o problema);

Permite o pastejo por mais de um grupo de animais na mesma área (separação do rebanho em categorias de acordo com seu grau de exigência);

Permite o diferir o excesso de forragem produzida em anos favoráveis ou colher para conservar como feno ou silagem.

Em se tratando do Semi-árido Brasileiro, onde o período de chuvas e de produção das pastagens é curto e as espécies utilizadas apresentam potencial de produção relativamente baixo, a utilização da lotação rotativa deve ser vista com reservas. O elevado custo para construção e manutenção de cercas divisórias certamente contribuirá para elevação do custo de produção, principalmente se forem utilizadas as espécies caprina e ovina, que exigem cercas mais elaboradas. Por outro lado, em áreas mais próximas do litoral, onde as condições de pluviosidade são mais favoráveis (maior número de meses com chuvas, às vezes até seis meses) ou em áreas mesmo de semi-árido, porém com potencial para irrigação, então há a possibilidade de se tirar proveito da grande vantagem da lotação rotativa, que é se trabalhar com elevadas taxas de lotação, obtendo-se maior produtividade animal por área.

Condições básicas para o uso da lotação rotativa

O uso do método de lotação rotativa implica em intensificação do sistema de produção. Desta forma fica claro que deve haver condições naturais ou artificiais para se intensificar a produção de forragem. O produtor que optar por este método em sua propriedade deve entender que para intensificar a produção algumas condições devem ser atendidas. A seguir comentaremos os principais pontos a serem observados pelos produtores na implantação de um sistema de produção de ovinos sob lotação rotativa.

Precipitação pluviométrica

Para se adotar o método de lotação rotativa, a região deve apresentar precipitação pluvial bem distribuída e em quantidade que permita o uso das pastagens em pelo menos cinco meses do ano. Caso não haja tais condições climáticas deve se avaliar a possibilidade do uso da irrigação.

É importante que o produtor assuma que havendo baixa produção de forragem e principalmente produção descontínua não haverá produção animal suficiente para pagar os custos de implantação do sistema que é relativamente alto (construção de cercas).

Fertilidade dos solos

Como o uso da lotação rotativa se baseia em altas taxas de lotação animal, obviamente que deverá ocorrer altas produções de forragem e obviamente grande remoção de nutrientes, mesmo considerando a reposição oriunda das fezes, urina e pasto não consumido. Sendo assim, ao instalar tais sistemas, a análise do solo pré-implantação é obrigatória para que se inicie o sistema em pastagens com altas produções.

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