Exame fisico na criança

Exame fisico na criança

(Parte 1 de 3)

Fabiana Moreira Pontes

Capítulo do Livro ASSISTÊNCIA AO RECÉM-NASCIDO DE RISCO, Editado por Paulo R. Margotto, Editora Pórfiro, Brasília, 2002, pg 69-75

Antes de receber o RN, o neonatologista deve preencher a História Materna para avaliar o grau de risco da gravidez e parto. Acompanhar a evolução do parto (ficar atento às manobras obstétricas e o uso de medicamentos), oferecer apoio emocional e efetivo à parturiente e seus familiares se presente na sala de parto.

RN deverá ser mantido em ambiente aquecido até aestabilização da temperatura.

Logo após a assistência imediata (vide Capítulo de ASFIXIA PERINATAL) o Diminuir o máximo possível o período de separação mãe – filho, liberando o RN para o Alojamento Conjunto, tão logo as condições clínicas permitam. O objetivo é que o bebê vá direto da sala de parto para o Alojamento Conjunto.

Neste período inicial, observar rigorosamente o RN (o ritmo respiratório, palidez, cianose, tremores, gemidos, hipo ou hipertonia, más formações, tipo de choro, etc.). Avaliar a idade gestacional, pesar e classificar o RN, assim como a placenta, estimando o risco patologias (monitorização da glicemia com fitas reagentes para RN

PIG, GIG, sorologia para infecção congênita, etc..). Aplicar 1 mg IM de vitamina K1 (Kanakion) para prevenção da doença hemorrágica do RN. Instilar uma gota de nitrato de prata a 1% em cada um dos olhos tanto no RN de parto normal como cesariana e 2 gotas na vagina para a prevenção da gonococcia neonatal. Aplicar o Engerix B (0,5 ml IM) para todos os RN na prevenção da Hepatite pelo vírus B.

Fazer o exame físico completo após o nascimento. Este exame deverá ser minucioso e tem como objetivos: - Detectar anormalidades anatômicas

- Determinar estado de saúde do RN

Histórico materno

Paridade, antecedentes maternos (uso de drogas, tabagismo, álcool), informações sobre gestações, trabalho de partos e partos anteriores, intercorrências no pré-natal.

Histórico familiar Enfermidades atuais e significantes em membros da família, consangüinidade.

Histórico neonatal

Ocorrências no pré-parto e sala de parto, Boletim de Apgar, necessidade de reanimação, amamentação.

Placenta

Peso, coloração, odor, relação do peso da placenta com peso do RN( classificação da placenta e do RN ), cordão umbilical.

Avaliação da idade gestacional (consulte capítulo de AVALIAÇÃO DA IDADE GESTACIONAL)

Medidas ao Nascer * Peso

* Comprimento: RN deitado sobre a régua e a medida feita docalcanhar à

protuberância occipital

* Perímetro cefálico: deverá ser a maior medida da circunferência craniana. É cerca de 2 cm maior na apresentação pélvica. Até 32 semanas é maior que o perímetro abdominal, de 32 a 36 semanas é aproximadamente igual, e após 36 semanas será menor.

Lembrar sempre de Classificar o RN (consulte capítulo de AVALIAÇÃO DA IDADE GESTACIONAL)

EXAME FÍSICO * Iluminação e aquecimentos adequados

* Inspeção cuidadosa do RN e avaliar sempre: estado geral: fácies, atitude espontânea, postura e choro.

- Coloração da pele: palidez, icterícia, cianose e pletora.

- Esforço respiratório: ritmo, profundidade, utilização de músculos acessórios, batimento de asa de nariz (BAN), sons emitidos. Caso necessário determinar o Boletim de Silverman Anderson

- Sinais vitais: temperatura, freqüência cardíaca, freqüência respiratória, pressão arterial.

Pele

Textura, cianose, icterícia (Zonas de Krammer), palidez.

Descamação fisiológica em pós maturos (pés e mãos) e escamas endurecidas na ictiose congênita.

Nevos pigmentosus (mancha mongólica): assemelha-se à pequena equimose. Mais comum na região sacra. Desaparece na segunda infância.

Linfomas císticos: presentes em qualquer parte do corpo.

Escleredema: edema endurecido, mais freqüentemente visto em infecções neonatais graves e cardiopatias com débito cardíaco diminuído. Não depressível.

Petéquias e púrpuras: não desaparecem a digito-pressão. São de etiologia mecânica (tocotraumatismo), fragilidade capilar (infecção) e plaquetopenia. Localização ao nível do pescoço e cabeça não têm maiores repercussões; em tronco e membros devese investigar.

Hemangioma: são manchas vermelho-violáceas mais comumente observadas na nuca região frontal e pálpebras superiores. Desaparecem em alguns meses.

Crânio

Medida e classificação nos gráficos

Pode ocorrer micro, macro, hidro, e hidranencefalia. Craniossinostose: fechamento precoce das suturas.

Céfalo-hematoma: consistência mais elástica aparece em horas e desaparece em meses. Localização parietal.

Bossa serossanguínea: cacifo positivo, limites imprecisos, involução rápida.

Fontanelas: anterior mede de um a quatro cm. A posterior está presente em 3% dos RN normais e deve medir até 0,5 cm. Abaulamentos estão presentes na meningite, hipertensão intracraniana, hemorragia intracraniana, hidrocefalia, edema cerebral e insuficiência cardíaca congestiva.

Crânio-tabes: diminuição da consistência dos ossos do crânio. A palpação assemelha-se a uma bola de ping-pong.

Ruídos intracranianos: raros em RN, mesmo quando há sopro cardíaco audível. Se presentes sugerem fístulas arteriovenosas.

Encefalocele: exteriorização de tecido nervoso por defeito nos ossos crânio, mais comum a nível occipital.

Face

Observar simetria, aparência sindrômica, implantação das orelhas, distância entre os olhos (hiper ou hipotelorismo – aumento ou diminuição da distância), tamanho do queixo, nariz e língua.

Olhos

Abrir as pálpebras, palpar globo ocular, pregas epicânticas, verificar o reflexo vermelho normal usando oftalmoscópio, hemorragia subconjuntival, estrabismo (freqüente no RN), pupila branca (catarata congênita, retinoblastoma, fibroplasia retrolental), opacificação da córnea (glaucoma congênito, rubéola congênita, rutura membrana de Descement), secreção ocular: até 48 horas (credeização) e após, infecção.

Ouvidos

Forma, tamanho, implantação da orelha, audição, apêndice pré-auriculares. Alterações na forma e implantação da orelha se relacionam à agenesia renal.

Nariz

Forma, tamanho, permeabilidade, canal nasolacrimal, secreção nasal (se serossanguinolenta, pensar em sífilis congênita).

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