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Faculdades Integradas do Norte de Minas – FUNORTE - SOEBRAS Instituto Tecnológico Regional – INTER – Curso de Graduação em Engenharia Civil 5º Período – Noturno Prof.: Cynthia Hassan Hachem

Madeira

Adilson Lino

Edna Alves Gentil Pazeli

Jonathan R. Azevedo Josimar da Silva Rocha

Orlando Corrêa Vanda de Paula

Madeiras

Na construção civil, a madeira é utilizada de diversas formas em usos temporários, como: fôrmas para concreto, andaimes e escoramentos. De forma definitiva, é utilizada nas estruturas de cobertura, nas esquadrias (portas e janelas), nos forros e nos pisos.

A madeira é comercializada de diversas formas, as quais trataremos a seguir:

1. MADEIRA ROLIÇA

A madeira roliça é o produto com menor grau de processamento da madeira.

Consiste de um segmento do fuste da árvore, obtido por cortes transversais (traçamento) ou mesmo sem esses cortes (varas: peças longas de pequeno diâmetro). Na maior parte dos casos, sequer a casca é retirada.

2. MADEIRA SERRADA

A madeira serrada é produzida em unidades industriais - serrarias - onde as toras são processadas mecanicamente, transformando a peça originalmente cilíndrica em peças quadrangulares ou retangulares, de menor dimensão.

As diversas operações pelas quais a tora passa são determinadas pelos produtos que serão fabricados. Na maioria das serrarias, as principais operações realizadas incluem o desdobro, o esquadrejamento, o destopo das peças e o prétratamento.

O pré-tratamento tem por objetivo proteger a madeira recém serrada contra fungos e insetos xilófagos, apenas durante o período de secagem natural. É realizado, normalmente, por meio da imersão das pranchas em um tanque com uma

Madeira 2 solução contendo um produto preservativo de ação fungicida e outro de ação inseticida.

Devido ao método de tratamento e à natureza dos produtos preservativos utilizados, o pré-tratamento confere uma proteção superficial à madeira, pois atinge somente suas camadas mais externas. O pré-tratamento pode ser dispensado pela indústria quando a secagem da madeira é feita em estufas, imediatamente após desdobro das toras, e não deve ser considerado, pelo consumidor, como um tratamento definitivo da madeira que vai garantir sua proteção quando seca e em uso.

As serrarias produzem a maior diversidade de produtos:

oPranchas e pranchões

No desdobro, a tora sofre cortes longitudinais resultando em peça com duas faces paralelas entre si, mas com os cantos irregulares (mortos) e com casca. A prancha deve apresentar espessura de 40 m a 70 m e largura superior a 200 m. O comprimento é variável. O pranchão caracteriza-se por espessura superior a 70 m e largura superior a 200 m. O comprimento também é variável.

oVigas e vigotas

As vigas são peças de madeira serrada utilizadas na construção civil.

Apresentam-se na forma retangular, com espessura maior do que 40 m, largura entre 110 e 200 m e comprimento variável, de acordo com o pedido do solicitante.

As vigotas ou vigotes são uma variação de vigas, de menores dimensões, apresentando espessura de 40 m a 80 m e largura entre 80 e 110 m.

Madeira 3 oTábuas, Caibros

As tábuas dão origem a quase todas as outras peças de madeira serrada por redução de tamanho. Apresentam-se na forma retangular, com espessura entre 10 e 40 m, largura superior a 100 m e comprimento variável, de acordo com o pedido do solicitante. Estes produtos são gerados a partir de toras, pranchas e pranchões.

Os caibros, ripas e sarrafos têm múltiplas aplicações tanto na construção civil como na fabricação de móveis. Os quadradinhos são variações do sarrafo, com menores dimensões, utilizadas normalmente para confecção de cabos de vassoura e pincéis.

3. MADEIRAS EM LÂMINAS

As lâminas de madeira são obtidas por um processo de fabricação que se inicia com o cozimento das toras de madeira e seu posterior corte em lâminas. Existem dois métodos para a produção de lâminas: o torneamento e o faqueamento. No primeiro, a tora já descascada e cozida é colocada em torno rotativo. As lâminas assim obtidas são destinadas à produção de compensados.

Por outro lado, a lâmina faqueada é obtida a partir de uma tora inteira, da metade ou de um quarto da tora, presa pelas laterais, para que uma faca do mesmo comprimento seja aplicada sob pressão, produzindo fatias únicas. Normalmente, essas lâminas são originadas de madeiras decorativas de boa qualidade, com maior valor comercial, prestando-se para revestimento de divisórias, com fins decorativos.

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4. PAINÉIS

Os painéis de madeira surgiram da necessidade de amenizar as variações dimensionais da madeira maciça, diminuir seu peso e custo e manter as propriedades isolantes, térmicas e acústicas. Adicionalmente, suprem uma necessidade reconhecida no uso da madeira serrada e ampliam a sua superfície útil, através da expansão de uma de suas dimensões - a largura - para, assim, aperfeiçoar a sua aplicação.

o Compensado

O compensado deve ser feito com madeira seca ou ressecada artificialmente indiferente a qualquer variação de temperatura. Se as madeiras com que se fazem os compensados não forem absolutamente secas, eles se deformarão. A principal característica dos compensados é sua elevada resistência. Assim como as madeiras maciças precisam ficar estacionárias de três a cinco anos antes de serem trabalhadas, assim também os compensados não devem ser empregados nas obras sem terem passado por uma nova secagem de três a cinco meses.

O painel compensado é composto de várias lâminas desenroladas, unidas cada uma, perpendicularmente à outra, através de adesivo ou cola, sempre em número ímpar, de forma que uma compense a outra, fornecendo maior estabilidade e possibilitando que algumas propriedades físicas e mecânicas sejam superiores às da madeira original. A espessura do compensado pode variar de 3 a 35 m, com dimensões planas de 2,10 m x 1,60 m, 2,75 m x 1,2 m e 2,20 m x 1,10 m, sendo esta a mais comum.

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Chapas finas de compensado apresentam vantagens sobre as demais madeiras industrializadas, pois são maleáveis e podem ser encurvadas. São encontrados no mercado três tipos: laminados, sarrafeados e multissarrafeados. Os primeiros são produzidos com finas lâminas de madeira prensada. No compensado sarrafeado, o miolo é formado por vários sarrafos de madeira, colados lado a lado. O multissarrafeado é considerado o mais estável, seu miolo compõe-se de lâminas prensadas e coladas na vertical, fazendo um “sanduíche”.

oChapas de fibra: chapa dura

As chapas duras, cujas marcas mais conhecidas são Duratex e Eucatex, são chapas obtidas pelo processamento da madeira de eucalipto, de cor natural marrom, apresentando a face superior lisa e a inferior corrugada. As fibras de eucalipto aglutinadas com a própria lignina da madeira são prensadas a quente, por um processo úmido que reativa esse aglutinante, não necessitando a adição de resinas, formando chapas rígidas de alta densidade de massa, com espessuras que variam de 2,5 m a 3,0 m.

oChapa de fibra: MDF – Chapa de densidade média

As chapas MDF – medium density fiberboard - com densidade de massa entre 500 e 800 kg/m³, são produzidas com fibras de madeira aglutinadas com resina sintética termofixa, que se consolidam sob ação conjunta de temperatura e pressão, resultando numa chapa maciça de composição homogênea de alta qualidade. Estas chapas apresentam superfície plana e lisa, adequada a diferentes acabamentos, como pintura, envernizamento, impressão, revestimento e outros. Estes painéis possuem bordas densas e de textura fina, apropriados para trabalhos de usinagem e acabamento.

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As chapas MDF vêm preencher grande parte dos requisitos técnicos que eram demandados, mas não supridos, pelas chapas de fibras em diversos usos – densidade média e maiores espessuras, e pelo aglomerado, boas características de usinabilidade e de acabamento, tanto com equipamentos industriais quanto com ferramentas convencionais. Este tipo de painel pode ser serrado, torneado, lixado, furado, trabalhado em encaixes, malhetes e espigas, e recebe bem pregos, parafusos e colas, desde que seguidas as recomendações do fabricante quanto ao uso dos elementos corretos de fixação. Pode ser usado em móveis e na construção civil, com destaque para portas de armário, frentes de gavetas, tampos de mesa, molduras, pisos e outras aplicações. O produto não deve ser exposto à ação da água nem em ambientes com umidade excessiva.

Madeira 7 oChapas de partículas: MDP – Chapa de partículas de média densidade

São painéis compostos de partículas de madeira ligadas entre si por resinas de última geração. Estas resinas, sob ação de pressão e temperatura, polimerizam, garantindo a coesão do conjunto. As partículas são classificadas e separadas por camadas, as mais finas sendo depositadas na superfície, enquanto que aquelas de maiores dimensões são depositadas nas camadas internas. Os MDPs têm a densidade elevada das camadas superiores (950 a 1000 kg/m³ em comparação a 800 kg/m³ do MDF), o que assegura um melhor acabamento para pinturas, impressão e revestimentos. Os MDPs possuem partículas menores na superfície, aumentando de diâmetro da superfície da chapa para o miolo, o que proporciona uma homogeneidade das camadas externas e também internas.

O MDP apresenta maior resistência à flexão, comparando-se com aglomerados e MDF, ao empenamento e ao arrancamento de parafusos, maior estabilidade dimensional e menor absorção de umidade. Trata-se de nova geração de painéis de madeira industrializada com características diferenciadas do aglomerado.

oChapas de partículas: OSB – Painéis de partículas orientadas

Os painéis de partículas orientadas, mais conhecidos como OSB, foram dimensionados para suprir uma característica demandada, e não encontrada, tanto na madeira aglomerada tradicional quanto nas chapas MDF - a resistência mecânica exigida para fins estruturais. Os painéis são formados por camadas de partículas ou de feixes de fibras com resinas fenólicas, que são orientados em uma mesma direção e então prensados para sua consolidação. Cada painel consiste de três a cinco camadas, orientadas em ângulo de 90 graus umas com as outras.

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