Resenha Filme, Pro dia nascer feliz

Resenha Filme, Pro dia nascer feliz

Professor(a): Iza Rodrigues da Luz Psicologia da Educação - FAE

Resumo do filme Pro dia nascer feliz

Rubens Silva

Psicologia da Educação

Universidade Federal de Minas Gerais Belo Horizonte, 2010

P s i c o l o g i d a

E d u c

Resenha do filme : Pro dia nascer feliz.

Exibido em sala de aula no dia 09 de novembro de 2010.

Introdução

Um filme muito bem esquematizado onde percebemos nitidamente uma diferença social, tanto financeira, quanto cultural das escolas e regiões apresentadas no filme. Mas ao desenrolar das tramas, percebemos também que os problemas estão presentes em todos os lugares, se diferem um pouco um do outro, devido às oportunidades que cada um tem, mas no final o problema de todos leva a um só destino. O insucesso escolar.

Pernambuco - Nordeste

Antes de falar especificamente de Pernambuco, o filme começa mostrando cenas de uma produção de TV, de caráter político-social de 1962, onde o locutor indaga o tempo todo, qual seria a melhor educação para os jovens da época, que parece estar iniciando uma era de rebeldia e vandalismo. Logo aparece em destaque na tela alguns dados estatísticos que entre outras, nos traz a informação de que 97% do jovem brasileiro hoje estão na escola, mas poucos chegam ao final do ciclo e se formam, poucos conseguem o diploma do 2° grau e menos ainda, poucos conseguem entrar numa faculdade.

A escola apresentada de Pernambuco revela o que era de se esperar da região, uma qualidade de educação péssima, sem recursos didáticos e até mesmo de necessidades básicas, como exemplo, a falta de estrutura, onde nem os banheiros estavam adequados para uso. Em um depoimento uma menina cita que não havia descarga no vaso, nem papel higiênico. Antes, bem no início do documentário, já escutávamos uma conversa de fundo de um funcionário da escola que dizia que do pouco de dinheiro que a escola recebia para manutenção, a maior parte ia embora, em pagamentos de contador, uma parte ia para a prefeitura, IPTU, impostos em cima de impostos e no final não sobrava nada.

E como conseqüência disso tudo, o desinteresse dos estudantes ao estudo dominava. Assim também resultando no desinteresse dos professores também, em dar aulas. Pois os professores não tinham mais responsabilidade com a escola e faltava diversas vezes, alegando que não faria nenhuma diferença, já que os alunos não tinham interesse na matéria. Outro motivo alegado pelos professores foi que se sentiam muito desvalorizados, por todos, principalmente pelos alunos, que não tinham respeito pela sua profissão e dedicação.

No final das imagens de Pernambuco, o filme nos traz a realidade dessa e de muitas outras escolas na mesma situação. A presença de boca de fumo a metros da escola, um estudante entrevistado dizia participar do esquema naturalmente.

P s i c o l o g i d a

E d u c

São Paulo – Itaquacetuba

E.E.Parque Piratininga

A segunda escola já trazia uma realidade diferente. Percebemos uma melhora na aparência dos estudantes e da própria estrutura da escola . Mas os problemas são praticamente o mesmo. Ainda existe uma pobreza da comunidade que limita o desenvolvimento social das crianças. Em um depoimento uma aluna dizia ser difícil programar um cinema ou um teatro na escola, já que ninguém tinha dinheiro.

De fato os problemas com relação ao interesse dos alunos e disciplina dos professores eram os mesmos, havia uma excessiva falta de professores, que resultava diversas vezes em que os alunos eram liberados mais cedo, porque não teriam mais professores para dar aula. Uma funcionária da escola desabafa diante das filmadoras que não acreditava mais na educação. Ela dizia:

“Tá todo mundo cansado de ouvir os problemas da educação, mas ninguém faz nada.”

São Paulo – Bairro Alto de Pinheiros

E.E.Santa Cruz . Colégio Católico

Aqui a realidade é bem diferente, mas como já foi dito, não é motivo para ausência de problemas. Uma escola de classe social alta, onde os estudantes encontram muitos problemas, mas nenhum deles com certeza seriam falta de recursos, pelo menos, materiais. Em um depoimento ficamos surpresos com o motivo de um choro da estudante, que dizia estar sofrendo porque muitos a julgam de estudiosa demais, e com isso ela nem namora mais. Aí está a grande diferença entre pessoas de classes sociais diferentes onde o pobre tem que se preocupar com o que vai comer mais tarde, com que dinheiro vai tirar Xerox para o trabalho ou como vai embora para casa se a violência toma conta da cidade. Enquanto que um estudante de classe média alta fica se lamentando por preocupações supérfluas, como o que as pessoas dizem sobre ele, qual status deve ter quando formar, coisas do tipo.

Mesmo assim o problema do insucesso da educação não some nestes lugares privilegiados, as notas continuam sendo baixas porque os alunos se interessam por outras coisas, não por estudar.

Vários alunos dessa escola justificam suas notas ruins, por problemas familiares, como carência, falta de um abraço dos pais, ou até mesmo o fato de seus pais não morarem juntos mais. Outros dizem ficar perturbados com o processo de estudo, por se sentirem pressionados ou cobrados excessivamente pelos pais ou por si próprios, causando uma série de perturbações e prejudicando suas notas.

Periferia de São Paulo

E.E.Levi Carneiro

A última escola vem trazendo uma espécie de junção de todas as características das outras escolas. Aparentemente uma escola de classe média baixa, mas seu principal problema não é

P s i c o l o g i d a

E d u c falta de recursos ou estrutura, e sim situações extraclasse, causadas pela violência da cidade e até mesmo familiares.

Conclusão

A análise do filme e particularmente de cada escola, nos mostra que diferenças existem, mas a educação final do jovem brasileiro não se difere muito. Encontramos falhas na estrutura das escolas de todas as classes, onde a mesma, muitas vezes não está preparada para lidar com as diversas situações em que a sociedade, o jovem pode trazer. Existe um comodismo no processo educativo e uma maquiação dos problemas encontrados, onde não se faz muito esforço para exterminá-los de vez, apenas procuram um jeito de maquiar a situação ou apenas ignoram os problemas.

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