manual sífilis congenita

manual sífilis congenita

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Coleção DST . aids - Série

Manuais 62

Sífilis Congênita

Diretrizes para o Controle da Sífilis Congênita

Apresentação

A transmissão vertical da sífilis permanece um grande problema de saúde pública no Brasil. Das várias doenças que podem ser transmitidas durante o ciclo grávido-puerperal, a sífilis é a que tem as maiores taxas de transmissão.

No Brasil, estudos de representatividade nacional estimam uma prevalência em gestantes de 1,6% da infecção, em 2004, representando cerca de 50 mil parturientes com sífilis ativa e uma estimativa de 15 mil crianças nascendo com sífilis congênita para aquele ano, em média. Desde 1986, a sífilis congênita é de notificação compulsória, tendo sido incluída no SINAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação). Entretanto, embora a subnotificação tenha sido a regra, entre os anos de 1998 e 2004 foram notificados 24.448 casos da doença neste intervalo de tempo. Em 2003 observou-se uma mortalidade de 2,7 óbitos por 100 mil, em menores de 1 ano, demonstrando ainda um insuficiente controle do agravo em todo o território nacional.

Em 1995, pela resolução CE 116.R3 da Organização Pan- Americana de Saúde, o Brasil, juntamente com outros países da América Latina e Caribe, assumiu o compromisso para a elaboração do Plano de Ação, visando a eliminação da sífilis congênita nas Américas até o ano 2000. Em 1997, o Ministério da Saúde passou a considerar como meta de eliminação o registro de até 01 caso de sífilis congênita por 1.0 nascidos vivos/ano.

Como elementos fundamentais no enfrentamento da transmissão vertical da sífilis, as ações de diagnóstico e prevenção precisam ser reforçadas especialmente no pré-natal e parto; porém idealmente essas ações seriam mais efetivas se realizadas com a população em geral, ainda antes da gravidez ocorrer.

O presente manual tem como objetivo contribuir para a implementação do diagnóstico e tratamento imediato dos casos de sífilis, materna e congênita, e da vigilância epidemiológica, de modo que o Brasil possa, em breve espaço de tempo, reduzir os casos de transmissão vertical da sífilis, como tem feito com outros agravos, principalmente o HIV.

PEDRO CHEQUER Diretor do Programa Nacional de DST/AIDS

Ministério da Saúde Secretaria de Vigilância em Saúde

Programa Nacional de DST e Aids

Diretrizes para o Controle da Sífilis Congênita

Série Manuais nº 62

© 2005. Ministério da Saúde É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte.

Tiragem: 50.0 exemplares

PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula da Silva

MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE Saraiva Felipe

SECRETÁRIO DE VIGILÂNCIA EM SAÚDE Jarbas Barbosa

Produção, distribuição e informações MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Programa Nacional de DST e Aids

Av. W3 Norte, SEPN 511, Bloco C CEP 70750-543 – Brasília, DF Disque Saúde / Pergunte aids: 0800 61 1997 Home page: w.aids.gov.br

Série Manuais nº 62 – PN-DST/AIDS

Publicação financiada com recursos do Projeto UNESCO 914/BRA/1101

Diretor do Programa Nacional de DST e Aids Pedro Chequer

Diretores-adjuntos do Programa Nacional de DST e Aids

Mariângela Simão Ricardo Pio Marins

Assessor de Comunicação/PN-DST/AIDS Alexandre Magno de A. Amorim

Editores Dario Noleto

Projeto Gráfico, capa e diagramação Alexsandro de Brito Almeida

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids.

Diretrizes para o Controle da Sífilis Congênita / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids. Brasília: Ministério da Saúde. 2005.

52p. Série Manuais n. 62

Sífilis Congênita. 2. Sífilis. 3. Gravidez. 4. Epidemiologia. 5. Controle. 6. Transmissão Vertical de Doença. 7. Vigilância Epidemiológica.

I. Brasil. Ministério da Saúde. I. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. I. Título. IV. Série.

Sífilis congênita7
Quadro Clínico10
Sífilis Congênita Precoce10
Sífilis Congênita Tardia10
Outras Situações1
Óbito Fetal (natimorto) por Sífilis1
Aborto por Sífilis1
Avaliação complementar13
Pesquisa do T. pallidum15
Testes Sorológicos16
Sorologia não-Treponêmica16
Sorologia Treponêmica18
Estudo do Líquido Cefalorraquidiano (LCR / líquor)18
Estudos de Imagem19
Radiografia de Ossos Longos19
Medidas de vigilância, controle e prevenção21
Vigilância Epidemiológica23
Definição de Caso de Sífilis Congênita23
Controle da Sífilis Congênita25
Prevenção da Sífilis Congênita27
Co-infecção sífilis HIV na Gestação31
Falha terapêutica32
Manejo clínico da criança com sífilis congênita35
No período Neonatal37
No período pós-neonatal (após 28ºdia de vida)38
Seguimento39
Referências bibliográficas45

Sumário Siglas ................................................................................................................................... 49

1 Sífilis Congênita

Quadro Clínico Sífilis Congênita precoce

Sífilis Congênita tardia

Outras Situações

Óbito fetal (natimorto) por sífilis Aborto por sífilis

A sífiliscongênitaéoresultadodadisseminaçãohematogênicadoTreponema pallidum, da gestante infectada não-tratada ou inadequadamente tratada para o seu concepto, por via transplacentária. Sabe-se que:

• A transmissão vertical do T. pallidum pode ocorrer em qualquer fase gestacional ou estágio clínico da doença materna.

• Os principais fatores que determinam a probabilidade de transmissão vertical do

T. pallidum são o estágio da sífilis na mãe e a duração da exposição do feto no útero.

• A taxa de infecção da transmissão vertical do T. pallidum em mulheres não tratadas é de 70 a 100%, nas fases primária e secundária da doença, reduzindo-se para aproximadamente 30% nas fases tardias da infecção materna (latente tardia e terciária).

• Há possibilidade de transmissão direta do T. pallidum por meio do contato da criança pelo canal de parto, se houver lesões genitais maternas. Durante o aleitamento, ocorrerá apenas se houver lesão mamária por sífilis.

• Ocorre aborto espontâneo, natimorto ou morte perinatal em aproximadamente 40% das crianças infectadas a partir de mães não-tratadas.

Quando a mulher adquire sífilisduranteagravidez,poderáhaverinfecçãoassintomática ou sintomática nos recém-nascidos. Mais de 50% das crianças infectadas são assintomáticas ao nascimento, com surgimento dos primeiros sintomas, geralmente, nos primeiros 3 meses de vida. Por isso, é muito importante a triagem sorológica da mãe na maternidade.

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