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um tom pessoal, Ele fixou o olhar nos olhos daqueles homens e perguntou: “Mas vós

Há dois mil anos, Jesus e seus amigos estavam conversando sobre os rumores da opinião popular. “Quem diz o povo ser o Filho do Homem?” Ele lhes perguntou. Os discípulos responderam alistando as respostas que freqüentemente ouviam. Então, Jesus mudou o enfoque do assunto. Deixando o caráter informativo da conversa e assumindo quem dizeis que eu sou?”

É fácil responder perguntas sobre o que os outros estão dizendo. Entretanto, há um momento em que nós mesmos devemos enfrentar o questionamento de Jesus. Quem é Ele para mim?

A resposta mais comum é que Jesus era um professor notável e virtuoso — um mestre exemplar e um sábio cheio de compaixão. Contudo, C. S. Lewis — o autor britânico que escreveu o livro O Leão, A Feiticeira e o Guarda-Roupa — insistia em que tais depreciações fossem desconsideradas:

Introdução

4 • Para sua Alegria

“Eu tento impedir o uso daquela frase tola que as pessoas costumam dizer a respeito dEle: ‘Estou pronto a aceitar Jesus como um grande e digno mestre, mas não aceito sua pretensão de ser Deus’. Não devemos dizer isso. Alguém que fosse simplesmente um homem e dissesse o tipo de coisa que Jesus disse não seria um grande e digno mestre. Seria um lunático — igual ao homem louco que afirma ser ‘Napoleão’ — ou o diabo. É preciso fazer uma escolha. Ou esse Homem era, e continua sendo, o Filho de Deus, ou era um louco ou algo pior. Você pode fazê-Lo calar, supondo ser Ele um tolo; pode cuspir nEle e matá-Lo, porque O vê como um demônio; ou você pode cair aos pés dEle e chamá-Lo de Senhor e Deus. Entretanto, não digamos tolices complacentes como, por exemplo, que Ele era somente humano e um grande mestre. Ele não nos deu liberdade para tal coisa. Ele não pretendia fazê-lo”.

Introdução • 5

Esta pergunta — quem Ele é para mim? — é a mais importante pergunta que você pode responder. Neste livro, John Piper responde algumas das perguntas mais comuns e importantes sobre Jesus: quem Ele é? por que Ele veio a este mundo? o que Ele realizou? — e por que devemos nos importar com isso?

Se você já se questionou a respeito desse assunto e está buscando respostas — não com base em seus próprios pensamentos e teorias, mas com base na Palavra de Deus — nós o convidamos a unir-se a nós, para sua alegria.

[Jesus] a quem Deus propôs, no seu sangue, como propiciação, mediante a fé, para manifestar a sua justiça, por ter Deus, na sua tolerância, deixado impunes os pecados anteriormente cometidos. Romanos 3.25

Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados. 1 João 4.10

Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar. Gálatas 3.13

Por que Jesus teve de morrer?

8 • Para sua Alegria

Se Deus não fosse justo, não haveria a necessidade de seu Filho sofrer e morrer.

E, se Deus não fosse amoroso,- não estaria disposto a deixar seu Filho sofrer e morrer. Entretanto, Deus é justo e amoroso. Por essa razão, seu amor se dispõe a satisfazer as exigências de sua justiça.

Sua lei exige: “Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força” (Deuteronômio 6.5). Mas todos nós amamos mais a outras coisas do que a Deus. É nisto que consiste o pecado — desonrar a Deus, preferindo outras coisas em detrimento dEle e agindo em função dessas preferências. Por essa razão, a Bíblia afirma: “Pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3.23). Rendemos glória àquilo que mais apreciamos. E o que mais apreciamos não é Deus.

Assim, o pecado não é uma coisa pequena, pois não é uma ofensa contra um

Soberano insignificante. A intensidade de um insulto é medida pelo grau de dignidade da pessoa insultada. O Criador do universo é infinitamente digno de respeito, admiração

Por que Jesus teve de morrer? • 9 e lealdade. Portanto, deixar de amá-Lo não é algo trivial — é traição. Deixar de amar a Deus é difamá-Lo e destruir a felicidade humana.

Visto que Deus é justo, Ele atenta para esses crimes e sente uma ira santa contra eles. Tais crimes merecem punição e Deus disse isso com clareza: “Porque o salário do pecado é a morte” (Romanos 6.23). “A alma que pecar, essa morrerá” (Ezequiel 18.4).

Há uma maldição santa sobre todo pecado. Deixar de puni-lo é injusto; é apoiar a atitude de desonra contra Deus. Nesse caso, uma mentira reinaria no âmago da verdade. Por isso Deus diz: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no Livro da lei, para praticá-las” (Gálatas 3.10; ver também Deuteronômio 27.26).

Contudo, o amor de Deus não se condiciona à maldição que pesa sobre toda a humanidade pecaminosa. Deus não se alegra em irar-se, não importa quão santa seja esta ira. Por isso, enviou seu próprio Filho para absorver essa ira e carregar, em si mesmo, a maldição em favor de todos os que confiam nEle. “Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se ele próprio maldição em nosso lugar” (Gálatas 3.13).

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Este é o significado da palavra “propiciação” nos textos citados anteriormente.

Esta palavra se refere à remoção da ira de Deus por meio de um substituto. O substituto foi providenciado pelo próprio Deus. O substituto, Jesus Cristo, não somente anulou a ira, mas a absorveu, desviando-a de nós e direcionando-a a si próprio. A ira de Deus é justa. Ela não foi removida, mas atribuída a Cristo.

Não brinquemos com Deus, nem façamos de seu amor algo trivial. Nunca ficaremos perplexos diante do amor de Deus, enquanto não considerarmos a seriedade de nosso pecado e a justiça da ira de Deus contra nós. Mas quando, pela graça, despertamos para nossa indignidade, então, podemos olhar para o sofrimento e a morte de Cristo e dizer: “Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou o seu Filho como propiciação pelos nossos pecados” (1 João 4.10).

No qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça. Efésios 1.7

Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. João 3.16

Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Romanos 5.7-8

Como Deus pode me amar?

12 • Para sua Alegria 12 • Para sua Alegria

Como Deus pode me amar? • 13

Podemos perceber a medida de seu sacrifício nas palavras: “Deusdeu o

A medida do amor de Deus por nós é demonstrada em dois aspectos: Um, pela intensidade do sacrifício feito para nos salvar da penalidade do nosso pecado. O outro, pelo grau de nossa indignidade no momento da nossa salvação. seu Filho unigênito” (João 3.16). Também o percebemos na palavra “Cristo”. Este é um nome baseado no título grego Christos, ou “O Ungido”, ou “Messias”. Tratase de um termo de grande dignidade. O Messias seria o rei de Israel. Ele subjugaria os romanos e traria paz e segurança para Israel. Em suma, a pessoa que Deus enviou para salvar pecadores era seu próprio Filho divino, seu único Filho e o Rei Ungido de Israel — de fato, o rei do mundo (Isaías 9.6-7).

Quando somamos esta consideração à horrenda morte por crucificação que

Cristo suportou, torna-se claro que o sacrifício feito pelo Pai e pelo Filho foi indescritivelmente grandioso — e até infinito, se considerarmos a distância entre o divino e o humano. Mas Deus escolheu fazer este sacrifício para nos salvar.

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A medida de seu amor por nós aumenta ainda mais quando observamos nossa indignidade. “Poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5.7-8). Nós merecíamos a punição divina, não o sacrifício divino.

Eu já ouvi alguém dizer: “Deus não morreu pelos animais. Então, ao morrer Ele estava respondendo ao valor que temos como humanos”. Isto torna a graça ainda maior. Somos piores que animais. Os animais não pecaram. Eles não se rebelaram, não desprezaram a Deus como alguém sem importância em sua vida. Jesus não teve de morrer pelos animais. Eles não são tão maus. Nós somos. Nosso débito é tão grande que somente um sacrifício divino poderia pagá-lo.

Existe apenas uma explicação para o sacrifício de Deus em nosso favor, E ela não se encontra em nós. “A riqueza da sua graça” (Efésios 1.7). O sacrifício é totalmente gratuito; não é uma resposta ao nosso valor. É a abundância do

Como Deus pode me amar? • 15 infinito valor de Deus. De fato, é nisto que consiste o amor divino: uma paixão por cativar, a um custo elevado, pecadores indignos com aquilo que os tornará incomparavelmente felizes, isto é, sua infinita beleza.

Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus. João 3.36

E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna. Mateus 25.46

Estes sofrerão penalidade de eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder. 2 Tessalonicenses 1.9

E se eu não amar a Deus?

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Em nossos momentos mais felizes, não desejamos morrer. A vontade de morrer surge apenas quando nosso sofrimento parece insuportável. O que realmente queremos, nesses momentos, não é a morte, mas o alívio. Almejamos que voltem os bons tempos, que a dor passe ou que nosso ente querido retorne da sepultura. Queremos vida e felicidade.

Deus nos fez assim. “Deuspôs a eternidade no coração do homem” (Eclesiastes

Enganamos a nós mesmos quando temos uma visão romântica da morte, como se ela fosse o clímax de uma vida bem vivida. Ela é uma inimiga. A morte nos separa de todos os maravilhosos prazeres deste mundo. Damos doces nomes à morte, como se ela fosse o menor dos males. Mas, mesmo quando esse carrasco nos desfere um golpe de misericórdia e acaba com o nosso sofrimento, isso se torna o fim da nossa esperança, pois não é isso o que desejamos, de fato. O que realmente queremos é vida e felicidade. 3.1). Fomos criados à imagem de Deus; e, Deus ama a vida e vive eternamente. Fomos

E se eu não amar a Deus? • 19 feitos para viver eternamente, e viveremos. O oposto de vida eterna não é aniquilação, é inferno. Jesus falou sobre isso mais do que qualquer outra pessoa. Ele deixou claro que rejeitar a vida eterna oferecida por Ele resultaria não em aniquilação e sim na miséria da ira de Deus: “Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus” (João 3.36).

Além disso, essa ira permanece eternamente. Jesus disse: “E irão estes para o castigo eterno, porém os justos, para a vida eterna” (Mateus 25.46). Essa ira é uma realidade indescritível que mostra a infinita malignidade da atitude de tratar Deus com indiferença ou menosprezo. Por essa razão, Jesus adverte: “E, se um dos teus olhos te faz tropeçar, arranca-o; é melhor entrares no reino de Deus com um só dos teus olhos do que, tendo os dois, seres lançado no inferno, onde não lhes morre o verme, nem o fogo se apaga” (Marcos 9.47-48).

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